Enquanto Toy Story 3 fala de um universo mágico que ganha vida à nossa revelia, o mestre animador japonês Hayao Miyazaki prefere se maravilhar com os momentos em que esses dois mundos se tocam. Foi assim em A Princesa Mononoke (1997) e A Viagem de Chihiro (2001).
Mas ele nunca tinha criado uma metáfora tão escancarada quanto a relação central de Ponyo – Uma Amizade que Veio do Mar. A personagem-título é um peixe que decide se tornar humana para poder ficar com o garoto Sosuke. Enfurecido, o pai dela deflagra uma enorme inundação, que reconfigura a vida no vilarejo costeiro onde o menino mora com a mãe.
É como o Nilo transbordando e fecundando as margens: o que germina são os momentos mais sutis da poesia de Miyazaki. Um peixe pré-histórico nadando tranquilo numa rua de lajotas, agora coberta com poucos dedos d’água. O sereno plano de um bebê bocejando. Ou Sosuke e Ponyo em uma aventura em um barco à vela – mas não a vela que você imagina. Talvez não seja uma sensibilidade tão abrangente quanto a de Toy Story, mas vale testar essas águas com a ponta do pé. Quem gostar da temperatura vai se esbaldar.
A crise da meia idade não poupa ninguém – nem mesmo ogros. Depois de três filmes, nos quais gradativamente trocou sua liberdade por mulher, filhos e responsabilidades, Shrek chega a Shrek para Sempre com dificuldades para reconhecer a si mesmo no espelho. Para sorte do monstro (e de seus roteiristas preguiçosos), Frank Capra inventou a solução para esse tipo de problema mais de 60 anos atrás, com A Felicidade Não se Compra (1946). Graças a um acordo com o duende Rumpelstiltskin, o protagonista ganha 24 horas para reviver seus tempos de solteirão – e também para descobrir que o reino de Tão Tão Distante seria muito pior se ele jamais tivesse existido. Neste lastimável mundo novo, o Gato de Botas se tornou gordo e mimado; o Burro nunca se apaixonou pela dragoa; e Fiona, solitária, lidera um bando de ogros rebeldes.
Na versão legendada, o vilão Rumpelstiltskin não é dublado por uma ator famoso, e sim por um dos chefes de animação do estúdio DreamWorks, Walt Dohrn.
É adequado. Seu contrato mágico não tenta ‘libertar’ apenas Shrek, o personagem. Nestes nove anos desde o primeiro filme, a própria franquia também foi domesticada. Surgida como uma paródia às fábulas da Disney, há tempos ela perdeu essa função contestatória. Em parte, porque todas as animações que vieram depois de Shrek absorveram um pouco de sua ironia pop. E, em parte, porque a Pixar, concorrente da DreamWorks, estabeleceu um outro modelo de longa-metragem animado – sem se importar em seguir (ou parodiar) a desgastada fórmula da Disney.
E é um modelo difícil de se copiar. Assim como Toy Story 3, este também é o último filme de uma cinessérie querida. Shrek ganhou uma despedida certamente mais adulta, mas também melancólica, com poucos bons momentos. Na tela e fora dela, o ogro verde não amadureceu direito.
Confesso que não resisti ao convite de uma amiga para ver Toy Story 3 pela segunda vez.
Só que, agora, no Imax. Para minha surpresa, a maior diferença entre as duas experiências não foi o tamanho da tela. Foi o áudio. Na primeira vez, havia assistido ao filme dublado. Já na sala do Bourbon Pompeia, era legendado. Nunca pensei que diria isso, mas… prefiro a versão em português. Quando vi o primeiro Toy Story no cinema, em 1995, tinha só 7 anos. E acabei registrando que a trupe de Woody tinha nosso idioma como língua materna. Até hoje lembro (e aposto que você também) dos ETs do Pizza Planet dizendo: “O gaaaa-aaarra”, expressão que se repete três vezes no filme atualmente em cartaz. Foi uma decepção ouvi-los dizer “the claw”, na voz original. E não acho que isso seja birra de criança – nenhum Tom Hanks vale mais que a minha infância. (Carol Pascoal)
O astronauta Buzz, os vaqueiros Woody e Jessie e a sempre fashion Barbie foram clicados pelo Divirta-se em sua passagem-relâmpago por São Paulo para promover o lançamento de Toy Story 3. As estrelas fizeram questão de circular por alguns dos pontos mais famosos da cidade. Duas dessas fotos viraram a capa dos guias que você encontra hoje encartado no Estadão e no Jornal da Tarde. As outras, você vê em nossa galeria. Clique aqui.

A última parte da série sobre as sessões mais indicadas para crianças de diferentes idades é dedicada aos quase pré-adolescentes.
Acima dos 8 anos
A partir desta idade, as crianças já começam a sentir o desejo de 1.’estar na moda’ e 2.ser aceito pelos amiguinhos. E não tem jeito: a moda agora é mesmo o 3D (confira a série de posts sobre o tema).
Alguns pais ficam preocupados se a técnica de projeção, que exige óculos especiais, força a visão. No caso de seu filho for do tipo que não para quieto, sim. O desconforto visual é maior para quem muda constantemente o ângulo. E quem tem estrabismo ou graus elevados de miopia e astigmatismo pode se sentir mais cansado após a sessão, já que pode haver mais dificuldade para focar as imagens que saltam da tela.
Mas os efeitos colaterais costumam ser sutis – e não apagam a boa memória de uma divertida sessão em família. A boa notícia é que há mais de dez filmes agendados para serem exibidos em 3D ao longo do ano. Anote na agenda a estreia de alguns deles (as datas estão sujeitas a alterações). (Fernanda Araújo e Marcel Nadale)
Como Treinar Seu Dragão | 26 de março
Alice no País das Maravilhas | 23 de abril
Batalha por T.E.R.A. | 21 de maio
Fúria de Titãs | 21 de maio (pode ser um pouco assustador para os muito novos)
Toy Story 3D | 25 de junho
Shrek Para Sempre (foto) | 9 de julho
Meu Malvado Favorito | 6 de agosto
Cães e Gatos 2 | 3 de setembro
Around the World in 50 Years (título provisório) | 29 de outubro
Megamente | 3 de dezembro
Tron Legacy (título provisório) | 10 de dezembro
2011
2010