
Esta é a última parte da série de avaliações sobre as salas especializadas de São Paulo. Clique aqui para ver os posts anteriores.
Quem vai ao espaço cultural Crisantempo já sabe o que vai encontrar na telona. As sessões enfatizam a relação das pessoas com o meio ambiente. “É para quebrar a alienação dos artistas e a chatice dos ecologistas”, afirma Mônica Borba, educadora ambiental e uma das responsáveis pela programação.
A coordenadora Gisela Moreau afirma que a ideia é exibir “filmes de militância, ligados à verdade das minorias”. A causa é tão importante que o grupo tem um núcleo que traduz e legenda filmes internacionais ligados a temas como água, consumo e lixo, que jamais ganhariam cópias em português. É aqui que acontece também o ‘braço paulistano’ do Festival Internacional de Cinema Ambiental (FICA), originalmente realizado em Goiás.
Quando Gisela e Mônica assistiram à edição carioca do evento em 2008, ficaram inquietas pensando em como trazer o conteúdo para São Paulo. “Fiquei dias sem dormir, de tanta preocupação”, conta Mônica. Daí veio a ideia de utilizar a Crisantempo. Neste ano, o FICA acontece em setembro.

O auditório tem capacidade para cem pessoas e os filmes são projetados em uma tela de tamanho 4×3. O som é o mesmo usado para as apresentações de teatro. Neste momento, o local ainda está em recesso, mas a programação do espaço volta a ser realizada normalmente no mês de abril, todas as quartas-feiras, às 20h. (Susan Eiko)

No sábado (6), a Matilha Cultural estará à solta mais uma vez. A equipe do núcleo de arte, cinema e música (R. Rego Freitas, 542, República, 11-3256-2636) esteve de férias nos últimos meses, mas volta à ativa com o evento 1ª Mixtape Matilha Cultural. É uma boa hora, portanto, para incluirmos o espaço na nossa avaliação das salas de cinema especializadas de São Paulo.
Embora tenha ares ‘multimeios’, o Matilha tem uma origem intimamente ligada à telona. O diretor de cinema e fotografia Ricardo Costa conheceu o edifício durante as filmagens do curta de 16mm Subcutâneo. Logo bateu a vontade de transformá-lo no centro cultural que é hoje – um ‘abrigo’ para as produções independentes, especialmente as que abordam temas urbanos ou ligados ao meio ambiente. Em 2010, porém, filmes do circuito regular também terão chance. O excelente misto de documentário e animação Valsa com Bashir será o primeiro, neste sábado (6), às 21h30. “Queremos fazer três sessões por dia”, conta Nina Liesenberg, uma das responsáveis pela programação.
A sala é de padrão profissional: são 68 poltronas de cinema, com porta-copos, elevador e espaço para dois cadeirantes, carpete em todo o piso e paredes, tela de 4,48 x 2,70, sistema de som 7.1 e projetor digital e de 35 mm. Por isso, recebe também pré-estreias e mostras. E, se bater uma fominha, há um café, que conta com um cardápio vegetariano. Confira a agenda completa de atrações no site da Matilha. (Susan Eiko)

Seguimos na nossa avaliação das salas especializadas de São Paulo – uma alternativa à programação comercial das grandes redes de cinema. Como são esses lugares? Quem frequenta? Que tipo de filmes passa? Já demos nossa aprovação à Biblioteca Roberto Santos e agora visitamos outra biblioteca pública com projeção, a Viriato Corrêa (R. Sena Madureira, 298, V. Mariana, 11-5573-4017 ou 11-5574-0389).
O endereço é especializado em literatura fantástica, e o cinema segue a mesma linha. Por isso, entre os destaques da programação está a ‘Fantástica Jornada’, realizada três vezes por ano, que começa com um debate, às 22h, seguido por três filmes-surpresa. A agenda para as próximas semanas inclui exibição de curtas de fantasia e um ciclo só com longas dirigidos por mulheres. Clique aqui para saber mais.
Em um clima bem íntimo e familiar, a diretora Durvalina Silva e o curador Célio Franceschet sempre estão por perto, no começo ou no fim das sessões, para conversar, falar sobre empréstimos de livros e apresentar o espaço. A tela, assim como a sala, é um pouco pequena, mas o sistema de som é surround 5.1 e há até um projetor reserva, para o caso de imprevistos.
Caminho livre para os deficientes: o prédio não tem nenhum obstáculo a cadeirantes, desde a calçada até a sala (que é levemente inclinada). Os banheiros também foram adaptados. E, além dos assentos reservados a eles, há também para obesos (dois no fundo da sala e dois no meio). (Susan Eiko)

Nós, do Cinema, gostamos de todo tipo de sala de cinema – das grandes às pequenas. O importante é ter projeção de qualidade e filmes interessantes. Por isso, resolvemos conferir algumas das chamadas ‘salas especializadas’ que estão ganhando fama em São Paulo. São núcleos menores, com programação alternativa e uma plateia pronta para discutir o que acabou de ver.
É o caso da Biblioteca Roberto Santos (R. Cisplatina, 505, Ipiranga, 11-2273-2390 ou 11-2063-0901), uma das pioneiras no segmento. Há mais de 10 anos, ela reúne colecionadores de 16mm, cujo material serve de apoio a cursos e workshops relacionados à sétima arte. A sala é charmosa, com projetor e sistema de som 5.1, e tem até certos recursos que você não encontra nem em grandes redes de cinema -como, por exemplo, dois lugares para obesos. Cadeirantes, claro, também têm área reservada. E olha como as fileiras são espaçadas entre si!

As sessões são definidas por Marlon Florian, coordenador de programação das bibliotecas temáticas da cidade. Mas, às quartas-feiras, às 19h, a decisão fica a cargo dos moradores da região. “São eles que escolhem a programação”, conta Florian. Os 101 assentos costumam ser ocupados por gente de todas as idades. “Trazemos crianças de creches e escolas próximas daqui. E qualquer professor interessado em usar o espaço pode se informar e trazer sua turma”, diz a coordenadora Filomena Janowsky.
Há ainda programação às sextas, às 15h; sábados, às 16h e 19h; e domingos, às 16h e 18h. O acervo, que pertenceu ao cineasta Roberto Santos, inclui filmes de diversos países e aborda temas que vão de cinema a literatura e HQs. Clique aqui para saber mais sobre a agenda de eventos do lugar. (Susan Eiko)
2011
2010