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Cinema

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Finalmente estreia no Brasil À Prova de Morte, filme de Quentin Tarantino anterior ao recente Bastardos Inglórios. A produção, de 2007, era 50% do projeto Grindhouse, em que Tarantino e seu amigo Robert Rodriguez dirigiam homenagens aos ‘filmes B’ que costumavam assistir em sessões duplas (e baratas) nos anos 70. Nos EUA, os longas foram lançados juntos. Aqui, saíram separados. ‘Planeta Terror’, assinado por Rodriguez, passou nas nossas telas há quase três anos.

O atraso de À Prova de Morte irrita, claro. Mas reforça seu maior charme: ele é, deliberadamente, um dinossauro, um filme fora do seu tempo. Kurt Russell (ele próprio um fóssil, no bom sentido) interpreta um dublê especializado em cenas com automóveis que usa seu carro para perseguir e matar jovens mulheres.

A trama, contudo, é o de menos. Como toda obra de Tarantino, o filme é apenas uma divertida declaração de amor às obsessões que tornaram o diretor tão reverenciado. Entre elas, as personagens femininas poderosas, os diálogos rápidos cheios de humor, a violência como forma de entreter e constranger – e, agora, a beleza destrutiva de um carro em alta velocidade.

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(Este é o quarto e último post da série sobre os desafios do 3D para o mercado nacional. Veja os anteriores aqui.)

Os entraves de popularização do cinema 3D são  semelhantes aos da digitalização das salas, processo que começou no Brasil em 2007 e ainda caminha vagarosamente. Mais de 20 mil cinemas no mundo trabalham com um sistema de redução de custos que ficou popular nos Estados Unidos, Europa e México. Mas que, na opinião de Luiz Gonzaga de Luca, autor do livro A Hora do Cinema Digital, não parece ter futuro no Brasil. “Aqui, os impostos são muito maiores do que lá fora, o que faz o preço dos equipamentos aumentar muito e, consequentemente, o tempo de financiamento do projetor completo passar de cinco para cerca de 12 anos”, explica.

O parcelamento a que ele se refere é um acordo que exibidores e distribuidores já firmaram em outros mercados para facilitar a compra de equipamentos digitais – e que também funciona para projetores 3D:

O fornecedor da tecnologia | instala o sistema na sala, providencia o sinal e cuida da manutenção.

O exibidor | é responsável por pagar pelo equipamento, financiado em até 5 anos.

O distribuidor | se compromete a ajudar o exibidor a quitar a conta. Essa participação é rara, mas tem uma explicação: com o sistema digital implantado, a empresa distribuidora passa a economizar o custo das películas. Elas são caras para copiar (cerca de US$ 1500), para distribuir (chegam a pesar 30kg) e para armazenar (pois exigem certos cuidados, como a climatização do ambiente).

Devido à impossibilidade de aderir a esse sistema e à fila que existe com a enorme demanda e pouca oferta de equipamento, o mercado brasileiro não espera um boom de salas 3D, mas um aumento gradual e seguro. Ainda que os ingressos para tridimentionais sejam cerca de 30% mais caros e a lotação das salas seja quase duas vezes maior, os gastos com compra e manutenção de equipamentos por aqui são ainda mais altos.

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Por causa do pequeno número de salas, o público faz fila para comprar ingressos para os filmes. No Imax 3D do Shopping Bourbon (foto), em São Paulo, a espera para Avatar segue uma semana desde a estreia do filme em dezembro. Para se ter ideia, ao todo, 4.559.675 pessoas assistiram Avatar 2D até o fim de fevereiro nas 2.376 salas do país. Para as 101 salas 3D, o público foi apenas 15% menor: 3.915.858, segundo a Fox e o site do mercado cinematográfico Filme B.

A tecnologia veio para ficar e só tende a evoluir para aumentar, cada vez mais, a sensação de sentir-se dentro do filme. “Essa diferenciação pode chegar a associar, além da projeção 3D, cheiros, movimentos de poltronas e simulação de chuva e nuvens através da emissão de água e gases como já se vê na tecnologia Xpand”, afirma a teórica Alessandra Medeiro. Mas, no Brasil, a julgar pelo ritmo da implementação, ainda vamos levar um bom tempo para entrar nessa fase. (Renata Reps)

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(Clique aqui para conferir os posts anteriores desta série, que explica em detalhes o processo de distribuição dos filmes no Brasil.)

Filme é como gente, bicho ou planta: ele também tem um ciclo de vida. Nasce nos cinemas; cresce e vai para a locadora; amadurece e chega aos canais por assinatura; e depois morre na TV aberta. Tudo isso costuma levar cerca de dois anos.

A mais rentável dessas fases é a ‘adolescência’. O mercado de home video, que abrange a venda e locação de DVDs e BluRay, pode representar até 50% da arrecadação de um título, segundo um relatório da Marché du Film – World Film Market Trends.  

Mas esta galinha dos ovos de ouro em sendo depenada pela pirataria. Nos EUA, a arrecadação com a venda de DVDs caiu de US$ 24 bilhões em 2006, para US$ 22 bilhões em 2008. Embora ainda não seja forte o suficiente, o BluRay tem tentado compensar esses números. O setor de home video diminuiu em 9% nos últimos quatro anos. Mas teria diminuído 11% se não fosse esse novo formato mais sofisticado de reprodução doméstica.

No Brasil, outro problema é o acesso da classe C (agora com renda maior) à TV por assinatura. Comprar um pacote de canais de longas-metragens pode sair mais barato do que ir algumas vezes ao cinema – que chega a custar até R$ 50 para um casal. É caro? Há controvérsias. “Um parâmetro de comparação de preços que sempre funcionou foi a entrada no estádio de futebol. Para assistir a um jogo na arquibancada, a pessoa pode desembolsar até R$ 40. O máximo que ela vai pagar por uma sala 3D de última geração é R$ 25”, comenta Paulo Sérgio, cineasta e diretor do portal Filme B.

Mas comparar cinema e futebol, em pleno ano de Copa, pode não ser uma boa estratégia. (Renata Reps e Marcel Nadale)

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Seguimos nossa série sobre como funciona o processo de distribuição de filmes no Brasil. Para continuar o papo, é importante apresentar quem são os “protagonistas” desta história.

Há dois tipos de distribuidoras:

Majors | São empresas internacionais que têm filiais aqui no país. É o caso da Warner, Fox, Disney, Columbia Pictures e Paramount. Mas há também as…

Independentes | Não são ligadas a qualquer companhia maior, como a Mais Filmes, Pandora, Europa, Downtown Filmes e MovieMobz, por exemplo.

“As majors fazem contratos com produtores que incluem distribuição em vários países, inclusive o Brasil. As independentes compram seus filmes no exterior e os trazem para cá”, explica Paulo Sérgio, cineasta e diretor do portal Filme B.

O namoro entre distribuidores (que detêm os direitos dos filmes) e exibidores (que possuem as salas onde o público poderá vê-los) tem hora e lugar para acontecer.

Duas grandes feiras de negócio anuais ajudam a definir o calendário de estreias do ano: o Festival de Inverno de Campos do Jordão, em maio, e o Show Búzios, em novembro.

A data em que cada filme entra em cartaz não é imposta pela distribuidora. Depende de um acordo com o circuito, cuja agenda é também regulada pela concorrência entre as diferentes empresas (Cinemark, UCI, Grupo Serveriano Ribeiro, etc). Ninguém quer ficar para trás se o rival decidir lançar antes um filme importante, como Homem de Ferro 2

Esse equilíbrio de forças também define as praças (cidades ou regiões) onde cada filme chega primeiro. Claro que, para as distribuidoras, o interessante é que sua obra vá onde houver mais dinheiro – no caso, os grandes centros urbanos.

Neste domingo (28), na terceira parte da série, saiba quem leva a maior parte do dinheiro que você deixa na bilheteria – a distribuidora, o exibidor ou o produtor do filme. (Renata Reps)

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