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Cinema

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Finalmente estreia no Brasil À Prova de Morte, filme de Quentin Tarantino anterior ao recente Bastardos Inglórios. A produção, de 2007, era 50% do projeto Grindhouse, em que Tarantino e seu amigo Robert Rodriguez dirigiam homenagens aos ‘filmes B’ que costumavam assistir em sessões duplas (e baratas) nos anos 70. Nos EUA, os longas foram lançados juntos. Aqui, saíram separados. ‘Planeta Terror’, assinado por Rodriguez, passou nas nossas telas há quase três anos.

O atraso de À Prova de Morte irrita, claro. Mas reforça seu maior charme: ele é, deliberadamente, um dinossauro, um filme fora do seu tempo. Kurt Russell (ele próprio um fóssil, no bom sentido) interpreta um dublê especializado em cenas com automóveis que usa seu carro para perseguir e matar jovens mulheres.

A trama, contudo, é o de menos. Como toda obra de Tarantino, o filme é apenas uma divertida declaração de amor às obsessões que tornaram o diretor tão reverenciado. Entre elas, as personagens femininas poderosas, os diálogos rápidos cheios de humor, a violência como forma de entreter e constranger – e, agora, a beleza destrutiva de um carro em alta velocidade.

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Cenas fortes de violência? Os israelenses amaram

É impossível ir ao cinema, sentar-se na poltrona e apenas ver um filme. Minha opinião? Simplesmente ver uma história ser projetada em sua frente enquanto come uma pipoca e bebe um refrigerante é reduzir a sétima arte a um mero lazer de fim de semana. Não dá.

Foi pensando nisso que em outubro do ano passado, enquanto estava de férias em Israel, resolvi gastar 40 shekeis (aproximadamente R$ 20) para ir ao cinema. Mas na terra do rei Davi, não escolhi nenhum filme conceitual de diretores israelenses como Ari Folman, de A Valsa com Bashir, ou Haim Tabakman, de O Pecado da Carne, ou mesmo alguma adaptação dos livros de Amos Oz. Nada disso. Escolhi Quentin Tarantino. O filme: Bastardos Inglórios. O motivo: Ver israelenses em seu próprio país vibrarem quando o Urso Judeu (Eli Roth), com um taco de baseball, reduz a massa encefálica de um nazista em simples matéria cadavérica.

Antes de chegar à parte do taco de baseball, me deixe contar como cheguei até lá.

Estava hospedado em um hotelzinho mixuruca em Eilat, cidade ao sul do país, junto ao Mar Vermelho. Já era noite e, apesar da cidade de 55 mil habitantes ser um balneário turístico, tudo já estava fechado. Sorte que não era sábado, dia de descanso dos judeus. Senão nem o cinema estaria aberto.

Eu precisava muito descansar porque no dia seguinte eu iria de ônibus para Petra, na Jordânia, distante quase duas horas dali. Mas estava sem sono e decidi ir ao cinema, que ficava do outro lado da rua, exatamente em frente ao hotel.

O letreiro, escrito em hebraico, inglês e árabe não deixava dúvidas de que ali funcionava um cinema. Dentre as opções de filmes (não me lembro quais), escolhi, claro, Bastardos Inglórios e tentei falar com a atendente, em inglês, que queria comprar o ingresso. Ela era uma negra, alta, com um corpão. Bem diferente dos outros judeus que cruzavam comigo pelo país. Depois de não entender nada do que eu disse em inglês, ela se virou para o outro atendente e disse, para meu espanto, em português, com sotaque carioca: “Acho que ele é espanhol, mas não entendo nada do que ele está dizendo em inglês”. Na hora eu respondi: “Agora sim estou entendendo vocês”.

Todos rimos, comprei meu ingresso e enquanto aguardava a sessão começar ficamos conversando. Ela, como disse, é carioca. Deve ter uns 35 anos, mora há dez em Israel e tem três filhos, fruto de um casamento com um judeu. Ele estava havia apenas dois meses na cidade, aparentava ter uns 25, veio de São Paulo auxiliado por um programa do governo israelense que incentiva filhos de judeus a se mudar para o país. Em São Paulo, ele namorava uma garota que mora na mesma rua que eu, na Zona Norte da cidade. Pensei em como esse mundo, realmente, é pequeno.

De volta ao filme, entrei na sala e me acomodei em uma poltrona bem próxima a um grupo de pessoas. Queria sentir a mesma coisa que eles.

Ah, tomei o cuidado de assistir a uma sessão legendada. Já que não falo absolutamente nada de hebraico. Imaginei, erroneamente, que neste caso entenderia boa parte do filme, com seu som original, em inglês. O que não sabia, era que o longa também tinha falas em francês e alemão, com legendas em hebraico. Portanto, não entendi muito bem o que os personagens falavam.

Mas não importou. Acabei entendendo a ideia geral do filme (depois o assisti novamente no Brasil). Foi até bom porque deu para prestar mais atenção nos detalhes. Mas a experiência, no entanto, é que foi inesquecível e, no fim das contas, era o que realmente importava.

Até hoje, no Brasil, (exceto quando fui a uma exibição promocional do filme Jonas Brothers 3D, feita para os fãs-clubes da banda) eu nunca tinha visto as pessoas se levantarem da poltrona para gritarem e vibrarem juntas com o filme.

A cada paulada que o Urso Judeu dava na cabeça de um nazista era um assovio de satisfação que ouvia. A cada ofensa desferida pelo tenente Aldo Raine (Brad Pitt) aos soldados inimigos eram palmas que se ouviam. Era possível sentir as pessoas se mexerem na cadeira a cada escalpo que um dos bastardos arrancava das cabeças dos soldados nazistas. E no fim apoteótico de Tarantino, após um banho de sangue, palmas e mais palmas para a projeção. Enfim, uma catarse coletiva. Detalhe: já disse lá em cima, mas vale repetir. Esta não era uma exibição especial para imprensa. Tratava-se de mais uma exibição normal, feita em uma pequena cidade, num horário nada popular.

Saí do cinema com a sensação de que tinha presenciado algo único. Era a redenção de um povo que via no cinema um filme sobre a Segunda Guerra que não os retratavam como pobres coitados, sofrendo em campos de concentração. E sim como soldados corajosos, cruéis e impiedosos com seus inimigos.

Em tempo: nesta viagem me lembrei também de outros dois personagens de Tarantino. Os mafiosos Vincent Veja (John Travolta) e Jules (Samuel L. Jackson), do filme Pulp Fiction. Em um impagável diálogo entre os dois, eles discutem sobre o nome do sanduíche Quarteirão com Queijo, que nos Estados Unidos tem o nome de Quarter Pounder.

O diálogo consistia em dizer basicamente que a diferença entre a Europa e a América estava em pequenos detalhes, como o fato de o Quarteirão ser chamado na França de Royale Cheese e vir acompanhado de maionese para a batata. A mudança de nome foi feita, segundo os personagens, porque os franceses não entendem nada do sistema métrico americano. Enquanto estava em Paris, entrei em um Mc Donald’s só para ter o prazer de pedir o tal Royale Cheese e internamente fazer uma homenagem a Tarantino.

De volta a Israel, eu até que tentei comprar um Quarteirão com Queijo, mas o sanduíche não existe no cardápio. A dieta dos judeus proíbe que eles comam carne junto com queijo. Ou seja, já era o cheeseburguer. Comi um Big Mac, mas sem queijo. Pedi para botarem queijo, mas a dieta kosher proíbe que esses dois alimentos fiquei próximos na mesma cozinha. (Felipe Branco Cruz)

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Viggo Mortensen será Freud no longa The Talking Cure

Quem assistiu a Bastardos Inglórios com certeza vibrou ao ver Christoph Waltz abocanhar o Oscar de ator coadjuvante pela performance como o caçador de judeus Hans Landa. Era de se esperar, no entanto, que Waltz fosse buscar novos desafios mais adiante, interpretando personagens inéditos e diferentes do último que criou, como todo bom ator costuma fazer. Ele poderia até ir na contrapartida da linha inspirada pelo Holocausto e viver um dos mais famosos judeus de todos os tempos, Sigmund Freud. Era uma ideia interessante.

A proposta veio - e foi feita pelo mesmo diretor de A Mosca (1986) e Crash (1996), David Cronenberg, o ‘Barão do Sangue’. Todos esperavam que os olhos de Waltz fossem brilhar ao ler o roteiro de The Talking Cure (ainda sem tradução), a adaptação ao cinema de uma peça criada por Christopher Hampton que trata de conflitos entre o pai da psicanálise e seu discípulo, Carl Jung. Mas não. O vencedor do Oscar preferiu outro projeto. Qual? Outro psicopata. Ele viverá August no filme Water for Elephants (também sem tradução), baseado no livro homônimo de Sara Gruen e dirigido por Francis Lawrence.

Não que se trate de uma escolha errada. O papel foi cobiçado até mesmo pelo seletivo Sean Penn e o elenco do filme já conta com astros hollywoodianos como Robert Pattinson e Reese Witherspoon. Com estreia prevista para 2011, o início das filmagens já será no dia 17 de maio e há grandes espectativas para a produção. É que o público – e a crítica – esperavam ver o ator se aventurar por linhas diferentes (e correr o risco de ser estereotipado como um intérprete de sádicos parece iminente).

Ah, sim. Quem fica como protagonista de The Talking Cure é Viggo Mortensen, da trilogia O Senhor dos Anéis e do longa Senhores do Crime (2007), último filme de Cronenberg. Boa sorte aos dois. (Efe)

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Este post faz parte da série de resenhas publicadas no Guia do Estadão sobre filmes que concorreram ao Oscar e estão em cartaz.

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Bastardos Inglórios | Inglorious Bastards, EUA/Alemanha, 2009

Indicações | Melhor Filme; Melhor Diretor, para Quentin Tarantino;  Melhor Montagem; Melhor Fotografia; Melhor Mixagem de Som; Melhor Edição de Som; Melhor Roteiro Original; Melhor Ator Coadjuvante, para Christophe Waltz, que ganhou o prêmio.

Bastardos Inglórios fala de um grupo especial de soldados judeus que parte para a França, durante a 2ª Guerra, com o objetivo de escalpelar sem piedade o maior número possível de oficiais nazistas. Se isto o faz desconfiar de que se trata de um filme cruel, escandaloso e ofensivo, pode ter certeza: trata-se de um filme cruel, escandaloso e ofensivo. Mas trata-se também de um filme de Quentin Tarantino, o diretor de Kill Bill e Cães de Aluguel, para quem violência e diversão nunca andam separadas: escandalizar-se e divertir-se são, neste caso, dois momentos (inevitáveis) de um mesmo processo.

O diretor desenvolve a história em duas frentes. Há os carniceiros liderados pelo tenente Aldo Raine (Brad Pitt), que vão matando nazistas a pauladas, facadas e metralhadas, até que começam a armar um plano para acabar com a cúpula de Hitler de uma só vez. E há a jovem judia Shosanna (Mélanie Laurent), que teve a família assassinada, passou a administrar um cinema parisiense e também trama a sua vingança contra os alemães.

As duas histórias têm o mesmo vilão, o cultivadíssimo (e divertidíssimo) coronel Hans Landa – o ‘caçador de judeus’ que deu a Christoph Waltz o prêmio de ator no último Festival de Cannes. Ao contrário do que a escolha do tema indica, porém, Tarantino não está interessando em questões ideológicas – ou históricas. Espécie de Kill Bill feito com material inflamável, o filme é um exercício de (e sobre) cinema – onde, aliás, a história acaba. Como de costume, o que ele faz é usar (com sarcasmo) o que sabe do assunto para surpreendê-lo, irritá-lo, torturá-lo, manipulá-lo e, se você se submeter ao jogo, diverti-lo. Tudo o que se pode esperar de um grande sádico. (Rafael Barion)

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08.março.2010 02:06:32

Melhor Filme

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Guerra ao Terror (The Hurt Locker, EUA, 2008) é o vencedor do prêmio mais importante da noite.

Outros indicados:
Avatar| Avatar, EUA, 2009
Um Sonho Possível| The Blind Side, EUA, 2009
Distrito 9| District 9, Nova Zelândia/África do Sul, 2009
Educação| An Education, Reino Unido, 2009
Bastardos Inglórios| Inglorious Bastards, EUA/Alemanha, 2009
Preciosa: Uma História de Esperança| Precious: Based On the Novel Push by Sapphire, EUA, 2009
Um Homem Sério| A Serious Man, EUA, 2009
Up – Altas Aventuras| Up, EUA, 2009
Amor Sem Escalas| Up in the Air, EUA, 2009

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08.março.2010 01:57:51

Melhor Diretor

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Kathryn Bigelow (Guerra ao Terror/The Hurt Locker, EUA, 2008) é a primeira mulher a ganhar um prêmio nesta categoria, o quinto de Guerra ao Terror.

Outros indicados:
James Cameron| Avatar/Avatar, EUA, 2009)
Quentin Tarantino| Bastardos Inglórios/Inglorious Bastards, EUA/Alemanha, 2009
Lee Daniels| Preciosa: Uma História de Esperança/Precious: Based On the Novel Push by Sapphire, EUA, 2009
Jason Reitman| Amor Sem Escalas/Up in the Air, EUA, 2009

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08.março.2010 01:10:00

Melhor Montagem

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O vencedor é Guerra ao Terror (The Hurt Locker, EUA, 2008)

Outros indicados:
Avatar| Avatar, EUA, 2009
Distrito 9| District 9, Nova Zelândia/África do Sul, 2009
Bastardos Inglórios| Inglorious Bastards, EUA/Alemanha, 2009
Preciosa: Uma História de Esperança| Precious: Based On the Novel Push by Sapphire, EUA, 2009

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08.março.2010 00:40:39

Melhor Fotografia

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Sandra Bullock apresenta o vencedor: Mauro Fiore, por Avatar (Avatar, EUA, 2009).

Outros indicados:
Harry Potter e o Enigma do Príncipe| Harry Potter and the Half-Blood Prince, Inglaterra/EUA, 2009
Guerra ao Terror| The Hurt Locker, EUA, 2008
Bastardos Inglórios| Inglorious Bastards, EUA/Alemanha, 2009
A Fita Branca| Das weisse Band, Alemanha/Áustria/França/Itália, 2009

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08.março.2010 00:30:54

Melhor Mixagem de Som

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O vencedor é Guerra ao Terror (The Hurt Locker, EUA, 2008).

Outros indicados:
Avatar| Avatar, EUA, 2009
Bastardos Inglórios| Inglorious Bastards, EUA/Alemanha, 2009
Star Trek| Star Trek, Alemanha/EUA, 2009
Transformers: A Vingança dos Derrotados| Transformers: Revenge of the Fallen, EUA, 2009

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08.março.2010 00:27:16

Melhor Edição de Som

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Guerra ao Terror (The Hurt Locker, EUA, 2008) leva a estatueta.

Outros indicados:
Avatar| Avatar, EUA, 2009
Bastardos Inglórios| Inglorious Bastards, EUA/Alemanha, 2009
Star Trek| Star Trek, Alemanha/EUA, 2009
Up – Altas Aventuras| Up, EUA, 2009

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