O astronauta Buzz, os vaqueiros Woody e Jessie e a sempre fashion Barbie foram clicados pelo Divirta-se em sua passagem-relâmpago por São Paulo para promover o lançamento de Toy Story 3. As estrelas fizeram questão de circular por alguns dos pontos mais famosos da cidade. Duas dessas fotos viraram a capa dos guias que você encontra hoje encartado no Estadão e no Jornal da Tarde. As outras, você vê em nossa galeria. Clique aqui.
Há dois anos, as salas vips do Bourbon Pompeia e do Cinemark Cidade Jardim empatam como as melhores da cidade na avaliação anual do Divirta-se, o Oscar das Salas de Cinema. Agora, um novo complexo deve entrar nessa briga. O Kinoplex Vila Olímpia liga seus projetores hoje (4), no Shopping Vila Olímpia. Além de cinco salas em formato stadium (uma delas, 3D), o cinema conta com duas especiais, batizadas como Platinum, com luxos como poltronas ultrarreclináveis (com apoios para os pés), bandejas móveis para quitutes gourmet e um lounge próprio.
A cartilha segue o padrão já estabelecido pelos concorrentes, com decoração sóbria e requintada. A bilheteria é exclusiva. Até mesmo a faixa de preços é similar à do Cidade Jardim: entre R$ 37 (de 2ª a 5ª) e R$ 49 (6ª, sábado, domingo e feriados, após as 17h). A promessa de distinção está no menu da bonbonnière, que lista petiscos como nachos com pasta de perdiz, grissinis com creme de pupunha e bagels com queijo branco e geleia de maçã. Mas ela só começa a funcionar a partir do dia 11.
Chamam atenção também as salas ‘comuns’, que têm assentos marcados e um custo-benefício talvez até superior ao das salas Platinum. Os ingresso varia entre R$ 18 e R$ 23 e a poltrona é aveludada, espaçosa, com braços acolchoados retráteis e encosto reclinável. Mais uma para disputar o nosso Oscar no ano que vem. (Marcel Nadale)
Há mais J. K. Rowling do que Lewis Carroll na versão de Tim Burton de Alice no País das Maravilhas que estreia hoje (23). Há também mais J. K. Rowling do que Tim Burton no longa que Burton fez a partir dos livros de Carroll.
Ser fiel à história de Alice no País das Maravilhas e Alice Através do Espelho não era mesmo uma preocupação do diretor. Para Burton, que não gosta da estrutura fragmentada dos livros, o importante era que o filme traduzisse o ‘espírito’ das obras. Assim, preferiu inventar uma nova história, que retém a premissa básica e certos personagens e episódios narrados pelo escritor inglês, mas segue por outros caminhos.
No filme, Alice (Mia Wasikowska) é uma garota de 19 anos (e não uma criança) que está sendo forçada a se casar com um rapaz que não lhe interessa. No momento em que ela deve dar a resposta ao seu pretendente, porém, um coelho com um relógio aparece. Ela decide segui-lo, cai no buraco de uma árvore e vai parar no ‘mundo subterrâneo’.
Como nos livros de Carroll, neste mundo é possível conversar com animais e crescer ou encolher comendo um doce. Mas, ao contrário do que acontece na literatura, tudo ali segue uma lógica muito clara. Há uma rainha má (Helena Bonham Carter), que detém o poder, e uma rainha boa (Anne Hathaway), que merece governar. E o papel de Alice é fazer justiça aos bons – o que exige vencer um combate contra um exército de inimigos e um monstro poderoso.
Apesar de os efeitos em 3D, em uma sala comum, pouco acrescentarem ao filme (é preciso ver o resultado na sala Imax), Burton criou um universo visual elaborado e interessante. Mas a fidelidade ao ‘espírito’ dos livros, em sua concepção, parece se resumir a isso. A essência mesmo das obras de Carroll (seus jogos de lógica e linguagem) ficou de fora.
O resultado é um filme que os fãs da série Harry Potter devem adorar e com o qual os fãs de Peixe Grande, A Noiva Cadáver e Edward Mãos de Tesoura podem simpatizar. Mas que dificilmente vai deixar satisfeito quem gosta muito dos livros de Carroll. (Rafael Barion)
Algumas crianças têm cachorro. Outras, preferem gatos. Soluço, um garoto viking, tem um dragão. Mas o ‘bichinho’ não foi um presente do pai. Este, a propósito, nem desconfia da amizade do filho com seu maior inimigo. Estreia hoje (26) Como Treinar o seu Dragão, a nova animação da DreamWorks, inspirada no livro homônimo de Cressida Cowell. Inspirada mesmo, pois, da obra, o filme herdou apenas os personagens e a ideia central. O roteiro escrito por Chris Sanders é autoral, consistente e detalhista. E tudo isso você vai ver realçado pelos efeitos tridimensionais.
A aventura acontece na aldeia Berk, onde valentes habitantes aprendem desde cedo a arte de matar dragões. Soluço, filho do líder viking, bem que tenta seguir a tradição de seu povo, apesar de ser diferente de todos. Fraquinho e medroso, ele inventa armas malucas para combater os répteis medievais, até que um dia, consegue acertar um deles. Não é pela força, porém, que Soluço domina Banguela (apelido do bicho abatido), mas pela relação de amizade e respeito que estabelece com ele.
Tudo isso é previsível. A surpresa mesmo fica para o final: como poderia o garoto enfrentar a mais temida das feras e sair ileso? A resposta você não encontra nem nas páginas do livro. Só mesmo na telona. Como Treinar o seu Dragão valoriza a inteligência das crianças e alfineta a prepotência dos adultos, que insistem em impor aos pequenos seu ponto de vista soberano.
E não se assuste se seu filho identificar semelhanças entre Banguela e um certo alienígena. É que os diretores Dean DeBlois e Chris Sanders são os mesmos de Lilo e Stitch (2002).
Ele não puxou o pai | Stoico, o Imenso (com voz de Gerard Butler na versão original) é o líder da aldeia e um típico viking: valentão, forte e um excelente matador de dragões. Ele espera que seu filho seja tudo isso. Mas Soluço, contrariando os desejos do pai, encontra uma nova maneira de domar os voadores medievais: usando a cabeça. (Fernanda Araujo e Luiza Pereira)

A última parte da série sobre as sessões mais indicadas para crianças de diferentes idades é dedicada aos quase pré-adolescentes.
Acima dos 8 anos
A partir desta idade, as crianças já começam a sentir o desejo de 1.’estar na moda’ e 2.ser aceito pelos amiguinhos. E não tem jeito: a moda agora é mesmo o 3D (confira a série de posts sobre o tema).
Alguns pais ficam preocupados se a técnica de projeção, que exige óculos especiais, força a visão. No caso de seu filho for do tipo que não para quieto, sim. O desconforto visual é maior para quem muda constantemente o ângulo. E quem tem estrabismo ou graus elevados de miopia e astigmatismo pode se sentir mais cansado após a sessão, já que pode haver mais dificuldade para focar as imagens que saltam da tela.
Mas os efeitos colaterais costumam ser sutis – e não apagam a boa memória de uma divertida sessão em família. A boa notícia é que há mais de dez filmes agendados para serem exibidos em 3D ao longo do ano. Anote na agenda a estreia de alguns deles (as datas estão sujeitas a alterações). (Fernanda Araújo e Marcel Nadale)
Como Treinar Seu Dragão | 26 de março
Alice no País das Maravilhas | 23 de abril
Batalha por T.E.R.A. | 21 de maio
Fúria de Titãs | 21 de maio (pode ser um pouco assustador para os muito novos)
Toy Story 3D | 25 de junho
Shrek Para Sempre (foto) | 9 de julho
Meu Malvado Favorito | 6 de agosto
Cães e Gatos 2 | 3 de setembro
Around the World in 50 Years (título provisório) | 29 de outubro
Megamente | 3 de dezembro
Tron Legacy (título provisório) | 10 de dezembro

(Este é o quarto e último post da série sobre os desafios do 3D para o mercado nacional. Veja os anteriores aqui.)
Os entraves de popularização do cinema 3D são semelhantes aos da digitalização das salas, processo que começou no Brasil em 2007 e ainda caminha vagarosamente. Mais de 20 mil cinemas no mundo trabalham com um sistema de redução de custos que ficou popular nos Estados Unidos, Europa e México. Mas que, na opinião de Luiz Gonzaga de Luca, autor do livro A Hora do Cinema Digital, não parece ter futuro no Brasil. “Aqui, os impostos são muito maiores do que lá fora, o que faz o preço dos equipamentos aumentar muito e, consequentemente, o tempo de financiamento do projetor completo passar de cinco para cerca de 12 anos”, explica.
O parcelamento a que ele se refere é um acordo que exibidores e distribuidores já firmaram em outros mercados para facilitar a compra de equipamentos digitais – e que também funciona para projetores 3D:
O fornecedor da tecnologia | instala o sistema na sala, providencia o sinal e cuida da manutenção.
O exibidor | é responsável por pagar pelo equipamento, financiado em até 5 anos.
O distribuidor | se compromete a ajudar o exibidor a quitar a conta. Essa participação é rara, mas tem uma explicação: com o sistema digital implantado, a empresa distribuidora passa a economizar o custo das películas. Elas são caras para copiar (cerca de US$ 1500), para distribuir (chegam a pesar 30kg) e para armazenar (pois exigem certos cuidados, como a climatização do ambiente).
Devido à impossibilidade de aderir a esse sistema e à fila que existe com a enorme demanda e pouca oferta de equipamento, o mercado brasileiro não espera um boom de salas 3D, mas um aumento gradual e seguro. Ainda que os ingressos para tridimentionais sejam cerca de 30% mais caros e a lotação das salas seja quase duas vezes maior, os gastos com compra e manutenção de equipamentos por aqui são ainda mais altos.

Por causa do pequeno número de salas, o público faz fila para comprar ingressos para os filmes. No Imax 3D do Shopping Bourbon (foto), em São Paulo, a espera para Avatar segue uma semana desde a estreia do filme em dezembro. Para se ter ideia, ao todo, 4.559.675 pessoas assistiram Avatar 2D até o fim de fevereiro nas 2.376 salas do país. Para as 101 salas 3D, o público foi apenas 15% menor: 3.915.858, segundo a Fox e o site do mercado cinematográfico Filme B.
A tecnologia veio para ficar e só tende a evoluir para aumentar, cada vez mais, a sensação de sentir-se dentro do filme. “Essa diferenciação pode chegar a associar, além da projeção 3D, cheiros, movimentos de poltronas e simulação de chuva e nuvens através da emissão de água e gases como já se vê na tecnologia Xpand”, afirma a teórica Alessandra Medeiro. Mas, no Brasil, a julgar pelo ritmo da implementação, ainda vamos levar um bom tempo para entrar nessa fase. (Renata Reps)

(Este é o terceiro post da série sobre o mercado e os desafios do 3D. Veja os anteriores.)
Existe um problema financeiro na ampliação do cinema tridimensional em vários países do mundo, inclusive o Brasil. Para montar uma sala desse tipo, três equipamentos de alta complexidade são necessários:
Um projetor especial | com softwares específico (Real D, Dolby 3D ou X Band, a depender da escolha da cadeia exibidora) e também um servidor que armazena as imagens.
Um painel | colocado na frente do projetor, constituído por 2 milhões de espelhos móveis e uma lâmpada xenon de 7.500 watz – que produz um calor ao qual o chip do projetor tem de ser suficientemente resistente. Esse painel polariza as imagens que vão para o olho esquerdo e direito e, sucessivamente, dão a impressão tridimensional.
Óculos especiais | sejam eles descartáveis ou reutilizáveis como os distribuídos pelo Cinemark.
Cada equipamento completo custa em torno de US$ 120 mil. Somado a isso, há o preço da manutenção, que também é extremamente cara.
Há mais de 20 mil cinemas digitais pelo mundo, sendo cerca de 2.500 em 3D. Destes, 1.800 ficam nos EUA, que detém o monopólio da produção da tecnologia pela empresa Texas Instruments.
Ninguém, no entanto, previu o sucesso imediato do 3D. Alguns exibidores brasileiros que pensaram na instalação dessas salas depois de setembro de 2009 não conseguiram acompanhar o lançamento de Avatar, devido à enorme demanda e pouquíssima oferta. “Se a frequência de lançamentos se mantiver no mesmo ritmo, haverá a necessidade de cerca de dez mil telas 3D até 2013”, explica Alessandra Medeiro, pós-doutora em Film Studies pela Universidade de Londres. Será que é possível?
Amanhã (6), no quarto post da série, as medidas do mercado para popularizar a novidade. (Renata Reps)
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O medo de que uma tecnologia desapareça quando surge outra mais avançada sempre foi recorrente. Assim aconteceu com o rádio, quando apareceu a TV; ou com o telégrafo, quando veio o telefone. A História, porém, prova: as mídias não acabam, mas se transformam, adaptando-se às mudanças. Se você tem, portanto, pesadelos só de pensar que, no futuro, a dor de cabeça pós-sessão 3D será inescapável, pode ficar sossegado. O temor não tem fundamento.
O consenso, até agora, é de que o tridimensional se adapta a filmes de aventura e fantasia, mas não faz sentido em películas com temáticas mais adultas, enquadramentos clássicos ou mudanças de planos em que a noção de profundidade faça diferença. O próprio circuito, que tanto alardeia a nova técnica, reconhece as limitações. O 3D não atende a todos os públicos. Basicamente, quem gosta é a audiência infantojuvenil. A maioria dos adultos só vai por curiosidade”, acredita Luiz Gonzaga Assis, diretor-superintendente do Grupo Severiano Ribeiro, que tem cinemas como o Kinoplex Itaim, em São Paulo.
Alguns diretores, porém, já deixaram implícitos que, para eles, o 2D é coisa do passado. Robert Zemeckis, autor de clássicos como a trilogia De Volta Para o Futuro, já aderiu à novidade há anos, desde O Expresso Polar. O mais novo a ‘jurar fidelidade à causa’ é Peter Jackson, diretor da saga O Senhor dos Anéis.

Por incrível que pareça, um dos que tentam frear tanto entusiasmo é James Cameron, diretor de Avatar. É verdade que ele também pretende trabalhar exclusivamente nesse formato, de agora em diante. Mas tem reservas quanto à conversão de certas histórias à novidade. “É típico de Hollywood fazer as coisas erradas. Eles pensam: já que Avatar fez sucesso, vamos transformar filmes 2D em tridimensionais em oito semanas e está tudo bem”, disse em entrevista à MTV americana. Foi uma alfinetada a estúdios como a Warner Bros, que adiou a estreia de Fúria de Titãs (foto) para poder condicionar o filme, todo captado em 2D, ao formato tridimensional.
Aliás, Fúria de Titãs estreará no Brasil em 21 de maio – mesma data em que outro filme 3D, Batalha por T.E.R.A., deve entrar em cartaz. A maioria dos complexos tem apenas uma sala com esse estilo de projeção. E agora? Quem vai ceder espaço? Descubra no próximo post como os exibidores estão correndo para dar conta dessa demanda. (Renata Reps)

É engraçado notar como o 3D tem sido tratado como uma revolução. De fato é. Mas ele também reitera, quase ciclicamente, outros avanços técnicos do cinema. Por exemplo: assim como tem gente classificando ‘Avatar’ mais como um ‘passeio de parque de diversões’ do que como um grande filme, na década de 30 havia cineastas que consideravam o advento da película colorida uma espécie de ‘desmoralização da arte’.
Toda grande novidade tem esse período de ajuste, essa curva de aprendizado. O setor artístico ainda pode se dar ao luxo de gastar alguns instantes questionando como (e se deve) aplicar o 3D. Mas o mercado não. Todos os dados indicam que o público aceitou de vez a nova técnica – e está ávido por mais. Em 2009, apenas 97 das 2.376 salas do Brasil tinham esse tipo de projeção. Ainda assim, elas foram responsáveis por atrair 7,2 milhões de espectadores, ou cerca de 6,5% do público total do ano, segundo dados do Sindicato das Empresas Distribuidoras Cinematográficas do Município do Rio de Janeiro.
Em 2010, os prognósticos são ainda mais favoráveis. Estamos em março e já chegamos a 101 salas 3D. Várias outras serão inauguradas neste semestre. A quantidade de filmes no formato também será maior – há pelos menos 15 títulos já agendados. Mas a tal curva de aprendizado ainda está só no começo. Como tanto longa-metragem caberá em um circuito tão pequeno? Quanto custa implementar uma sala assim? Essas e outras perguntas serão respondidas nesta série de posts.
No próximo post: o que vai acontecer com o 2D? (Renata Reps)
2011
2010