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Cinema

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Parte da equipe do guia Divirta-se se juntou para falar sobre o filme Tropa de Elite 2 na seção Em Minha Modesta Opinião da edição de hoje (29). Veja o que eles acham.

ANDRÉ GRACIOTTI
Baseado na ficção | Com menos panfletagem e mais cinema, sem repetir os personagens unidimensionais do filme original, Padilha consegue com Tropa 2 um maduro e engenhoso filme de ação como há muito não se via no cinema nacional. Conflitos evoluem em tensão crescente, se complicam e se complexificam em prol de um clímax vibrante. Ainda tenta ser provocativo e chocante, mas desta vez, o que o torna um filme memorável vem não só pela referência à realidade, mas pela abordagem da ficção.

EVELIN FOMIN
Catarse coletiva | Demorei dois anos para ver Tropa 1 por alguns motivos que geralmente me servem de termômetro. O bordão “pede pra sair”, o refrão do hit da banda Tihuana e comentários reacionários indicavam que eu odiaria o filme, que vi pela TV. O que eu não esperava era que os anos de rejeição afrouxariam minha resistência e me fariam querer ver a sequência no dia da estreia. Rendida, me vi escolhendo racionalmente ter uma experiência catártica, apenas para me distrair com a visão maniqueísta de José Padilha.

LEANDRO QUINTANILHA
Eu queria gostar | Tropa 2 é um filme envolvente – mas isto não é um elogio. O longa trata de questões que me interessam como brasileiro e como cinéfilo. Só que, para mim, um bom filme dialoga com a inteligência e a sensibilidade do espectador. A ação de José Padilha provocou meu intelecto, mas só quis conversa com as minhas emoções. A narração, a música e a edição ditavam o que eu devia sentir. Saí da sessão com a impressão de que vi uma mistura de Michel Foucault com Charles Bronson. Pena, porque isto não precisava ser uma crítica.

RAFAEL BARION
Vamos fugir? | O filme de Padilha não tem cinza, só preto e branco. Quem é mau é inteiramente mau. Quem é bom, inteiramente bom (e meio banana). Nascimento é o único personagem complexo, humano e com poder de discernimento. O ponto de vista do filme é o ponto de vista dele. E, para ele, o mal tem de morrer. Ainda que se decepcione com a PM, a sua lógica continua sendo a da guerra. O mal, para Nascimento, são os traficantes, os políticos, os policiais. E para você? Quem você vai querer matar? Liberaram a selvageria. Pode fugir.

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22.outubro.2010 18:21:57

Não se traduz

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Os títulos de filmes traduzidos para o português podem surpreender. Disengagement (em português, ‘Desimpedimento’), por exemplo, virou Aproximação. Já The Switch (‘A Troca’) foi transformado em Coincidências do Amor. Nesta semana, mais um exemplo de tradução criativa: estreia hoje (22) Homens em Fúria – originalmente Stone, que pode ser traduzido como ‘rocha’.

Mas, no filme, a palavra é também o apelido de um prisioneiro (Edward Norton) condenado pelo assassinato dos próprios avós. Sua única chance de conseguir a liberdade condicional é provar ao oficial Jack Mabry (Robert De Niro) que está apto a viver em sociedade. Para isso, Stone conta com a ajuda – e com a capacidade de sedução – da mulher (Milla Jovovich). Cabe a ela persuadir o policial a soltar seu marido. Norton e De Niro impressionam pelas boas atuações, sob direção de John Curran. Mas os ótimos atores não são suficientes para sustentar a trama fraca, que pode decepcionar grande parte dos espectadores. E até, quem sabe, deixá-los em fúria. (Luiza Pereira)

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Com o passar dos anos, Ben Kalmen (Michael Douglas) não avançou na carreira. Na verdade, apenas acumulou dívidas. Mas, se ele não tem boas experiências nos negócios, certamente as teve na vida amorosa – e decide transmiti-las aos mais jovens. Apesar da proposta curiosa, nem o roteiro nem os personagens de O Solteirão são realmente sedutores. (Luiza Pereira)

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O roteirista, produtor e diretor Cristian Mungiu nasceu na Romênia, três anos após o ditador Nicolae Ceausescu assumir o poder no país. Depois de crescer sob regras autoritárias, ele representou este período histórico em dois filmes: o premiado 4 Meses, 3 Semanas e 2 Dias (2007) e Contos da Era Dourada, que estreia hoje (15). O filme aborda os 15 anos finais da ditadura em seis curtas. Mungiu dirigiu um deles e produziu os outros. (Luiza Pereira)

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08.outubro.2010 18:58:44

Mais para cima

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Desta vez, prevaleceu o mistério: Tropa de Elite 2 – O Inimigo Agora É Outro, de José Padilha, chega aos cinemas sem ter sido pirateado. Na trama, Nascimento (Wagner Moura) foi promovido a coronel e trabalha na Secretaria de Segurança. Ali, percebe que o tráfico de drogas não é beneficiado só por policiais corruptos – é preciso, também, investigar os políticos.

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O nome do personagem principal de Eu Matei Minha Mãe é Hubert Minel, mas você só vai conseguir chamá-lo de Xavier Dolan. Escrito quando seu autor, diretor e protagonista tinha 16 anos (e lançado quando ele tinha 19), o longa transformou Dolan em uma espécie de potencial Woody Allen – um autor de filmes pessoais, cuja persona se confunde com seus personagens. Seu trabalho de estreia fala de um jovem gay que tem um relacionamento difícil com a mãe.

É uma sucessão de brigas e tentativas de reaproximação, marcada por diálogos ditos a mil por hora (e com extrema naturalidade) por Dolan e a atriz Anne Dorval. Depois de deixar o Festival de Cannes de 2009 com o prêmio máximo da Quinzena dos Realizadores, o longa fez carreira pelo mundo.

Dolan exercita o estilo livre e cheio de verdade de autores como François Truffaut e John Cassavetes. Ainda não tem a maturidade necessária para fazer filmes tão geniais como eles, é verdade. Mas tem magnetismo suficiente para prender sua atenção por 96 minutos. E seguir filmando: seu novo longa, Les Amours Imaginaires, estreou este ano em Cannes e o próximo, Laurence Anyways, será estrelado pelo francês Louis Garrel.

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O livro Comer, Rezar, Amar, de Elizabeth Gilbert, vendeu mais de 6 milhões de cópias em todo o mundo. Ou seja, cerca de 6 milhões de mulheres, o público-alvo do relato, se comoveram (e, quem sabe, também repensaram suas vidas) com a história real da autora, que viajou durante um ano para superar a dor de um divórcio. A partir de hoje (1º), seu relato sai da imaginação dessas mulheres e ganha uma forma única: Comer Rezar Amar é a versão do livro para o cinema, dirigida por Ryan Murphy e protagonizada por Julia Roberts.

Assisti-lo não será um choque para as fãs do relato. O filme é fiel à versão da autora (há apenas modificações pequenas). Na trama, Liz decide deixar Nova York após o fim do casamento e de um novo romance. Seu plano é passar quatro meses em Roma (para aproveitar os prazeres proporcionados pela cozinha italiana), outros quatro na Índia (para encontrar a espiritualidade) e o resto do ano na Indonésia, onde completaria sua busca por equilíbrio. Ali, porém, ela acaba se apaixonando pelo brasileiro Felipe, interpretado por Javier Bardem, que se esforçou para falar português – mas acabou inventando o seu próprio ‘portunhol’. (Luiza Pereira)

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24.setembro.2010 20:44:30

Segundo lance

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“Acho a ganância algo saudável”, disse, em 1986, o investidor americano Ivan Boesky. A frase resumiria a filosofia de Gordon Gekko, o protagonista de Wall Street: Poder e Cobiça (1987), de Oliver Stone. Como Boesky, Gekko se envolve, no filme, em um escândalo ao comprar e vender ações com base em informações privilegiadas – e tem de pagar por isso.

Em Wall Street: O Dinheiro Nunca Dorme, o personagem, novamente interpretado por Michael Douglas (que ganhou um Oscar pelo primeiro longa) está saindo da cadeia. Não é, porém, o melhor momento para voltar aos negócios: o ano é 2008 e a crise econômica ameaça o mercado financeiro.

Ainda assim, Gekko – que está mais sentimental e (um pouco) menos ganancioso – decide ajudar Jacob (Shia LaBeouf), um jovem economista. O rapaz tem de salvar seu empreendimento e descobrir o motivo que levou seu mentor, o empresário Louis Zabel, à morte. Enquanto conta a história, Stone mostra outra vez os bastidores das negociações em Wall Street. Levando em conta o filme anterior, elas parecem ter mudado pouco nos últimos 25 anos. Mas seguem rendendo bons roteiros. (Luiza Pereira)

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Em crise, Matty, 41, vaga pelo supermercado com ‘cara de supermercado’ e bate o carro em um caminhão na saída. O motorista, Johnny, de 29, vem para causar confusão (em uma semana, já a chama de ‘minha Mona Lisa’). Os personagens de Moscou, Bélgica, de Christophe van Rompaey, são simpáticos e bizarros. E a Moscou do nome é só o bairro da cidade belga onde vivem.

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24.setembro.2010 20:31:55

O meio é o fim

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Um Doce Olhar é o terceiro filme do turco Semih Kaplanoglu sobre Yusuf. No primeiro (Ovo), o personagem era um homem feito. No segundo (Leite), um jovem. Agora, é um garoto que tenta lidar com seus sentimentos. Note que Kaplanoglu não se importa de começar pelo fim. Ou que você comece pelo começo: a trilogia pode ser vista em qualquer ordem, diz. Ouça a sugestão. Não espere pelo fim de ‘Um Doce Olhar’. Deixar-se levar por suas imagens belas e sua narrativa sutil é a melhor forma de aproveitá-lo.

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