
A popularização das salas em formato stadium facilitou a vida de quem gosta de ir aos cinemas. Mas ainda tem gente que sofre quando alguém muito alto senta-se na cadeira da frente. É o caso da pedagoga Camila Pal, de 28 anos - a quinta convidada da série de posts ‘Meu Oscar’.
Camila mede 1,56 m 1,53 m “e meio centímetro”, ela faz questão de enfatizar. “Quando a gente é pequenininha, isso faz uma enorme diferença”, brinca. Ela está 5 cm abaixo da média de altura das brasileiras (1m58) e passa maus bocados quando vai a um cinema sem muita inclinação. Não a convide, por exemplo, para ir ao Cine Bombril. “Lá é praticamente plano”, reclama. “Qualquer pessoa que sentar um pouco mais ereto, atrapalha. Aí, o jeito é dar uma viradinha para o lado e pegar o vãozinho entre as poltronas, sabe?”
Enquanto o Guia elege as melhores telas da cidade na edição especial Oscar das Salas de Cinema, que circulou na sexta (5), Camila tem seus próprios ‘Oscars’ para distribuir. Para outros cinéfilos com altura próxima à sua, ela recomenda: “Vá ao Shopping Metrô Boulevard Tatuapé e o UCI do Shopping Anália Franco. A inclinação é excelente, impossível não ver a tela. Depois que conheci os dois, não vou em outro”. (Dado Carvalho)

Esta é a última parte da série de avaliações sobre as salas especializadas de São Paulo. Clique aqui para ver os posts anteriores.
Quem vai ao espaço cultural Crisantempo já sabe o que vai encontrar na telona. As sessões enfatizam a relação das pessoas com o meio ambiente. “É para quebrar a alienação dos artistas e a chatice dos ecologistas”, afirma Mônica Borba, educadora ambiental e uma das responsáveis pela programação.
A coordenadora Gisela Moreau afirma que a ideia é exibir “filmes de militância, ligados à verdade das minorias”. A causa é tão importante que o grupo tem um núcleo que traduz e legenda filmes internacionais ligados a temas como água, consumo e lixo, que jamais ganhariam cópias em português. É aqui que acontece também o ‘braço paulistano’ do Festival Internacional de Cinema Ambiental (FICA), originalmente realizado em Goiás.
Quando Gisela e Mônica assistiram à edição carioca do evento em 2008, ficaram inquietas pensando em como trazer o conteúdo para São Paulo. “Fiquei dias sem dormir, de tanta preocupação”, conta Mônica. Daí veio a ideia de utilizar a Crisantempo. Neste ano, o FICA acontece em setembro.

O auditório tem capacidade para cem pessoas e os filmes são projetados em uma tela de tamanho 4×3. O som é o mesmo usado para as apresentações de teatro. Neste momento, o local ainda está em recesso, mas a programação do espaço volta a ser realizada normalmente no mês de abril, todas as quartas-feiras, às 20h. (Susan Eiko)

A equipe do Guia visitou os 46 cinemas do circuito paulistano e inspecionou cada detalhe – da qualidade da projeção à limpeza dos banheiros; da simpatia da equipe à variedade de quitutes na bonbonnière. O resultado é o especial 6º Oscar das Salas de Cinema, que circula hoje (5) com o Estadão.
Quem sagrou-se o grande campeão? Você pode conferir o resultado no nosso site especial, que mostra a pontuação de cada concorrente nas seis categorias avaliadas – sala, poltrona, bonbonnière, instalações, bilheteria e equipe. Cada valor é acompanhado dos prós e contras apontados por nossos jurados.
Você também pode fazer sua própria avaliação – virtual – com os vídeos de todos os cinemas e dizer se concorda com o nosso resultado. Confira o tamanho da tela, a qualidade da poltrona, a beleza do saguão – tudo sem sair de casa. Assim, da próxima vez que for ao cinema, só vai ter surpresas com a trama do filme, e não com a qualidade da sala. Mas, antes, deixe aqui sua opinião.

No sábado (6), a Matilha Cultural estará à solta mais uma vez. A equipe do núcleo de arte, cinema e música (R. Rego Freitas, 542, República, 11-3256-2636) esteve de férias nos últimos meses, mas volta à ativa com o evento 1ª Mixtape Matilha Cultural. É uma boa hora, portanto, para incluirmos o espaço na nossa avaliação das salas de cinema especializadas de São Paulo.
Embora tenha ares ‘multimeios’, o Matilha tem uma origem intimamente ligada à telona. O diretor de cinema e fotografia Ricardo Costa conheceu o edifício durante as filmagens do curta de 16mm Subcutâneo. Logo bateu a vontade de transformá-lo no centro cultural que é hoje – um ‘abrigo’ para as produções independentes, especialmente as que abordam temas urbanos ou ligados ao meio ambiente. Em 2010, porém, filmes do circuito regular também terão chance. O excelente misto de documentário e animação Valsa com Bashir será o primeiro, neste sábado (6), às 21h30. “Queremos fazer três sessões por dia”, conta Nina Liesenberg, uma das responsáveis pela programação.
A sala é de padrão profissional: são 68 poltronas de cinema, com porta-copos, elevador e espaço para dois cadeirantes, carpete em todo o piso e paredes, tela de 4,48 x 2,70, sistema de som 7.1 e projetor digital e de 35 mm. Por isso, recebe também pré-estreias e mostras. E, se bater uma fominha, há um café, que conta com um cardápio vegetariano. Confira a agenda completa de atrações no site da Matilha. (Susan Eiko)

(Esta é a quarta parte da série ‘Meu Oscar’, em que cinéfilos escolhem os melhores – e os piores – cinemas segundo suas necessidades).
Filmes infantis são um dos segmentos mais rentáveis para as distribuidoras. Para se ter uma ideia, até o lançamento de Avatar, o filme mais visto de 2009 no Brasil havia sido A Era do Gelo 3. Mas parece que os exibidores ainda não se deram conta da importância desses ‘miniclientes’. Guloseimas pouco nutritivas há aos montes nas bonbonnières. Mas assentos especiais para a estatura das crianças, por exemplo, são uma raridade.
Quando Tatiana Galli, de 34 anos, vai ao Cinemark Center Norte com os filhos Eduardo, 12, e Igor, 5, já sabe que terá de aguentar a sessão quase sem se mexer. É que o caçula não consegue ver direito a tela e prefere se sentar no colo da mãe. “Ou então no braço da cadeira, mas não é bom”, diz o garoto. Só não tente convencê-lo a usar o buddy seat, aquele suporte especial para deixar a criançada mais alta na poltrona. “É duro demais! Ele volta para casa todo dolorido”, diz Tatiana. E, segundo ela, o acessório é difícil de ser encontrado. Por isso, na hora de pegar um filminho em família, ela checa antes se o cinema tem formato stadium. Um dos que ela recomenda é o Cinemark Metrô Santa Cruz.
Na hora da comida, é aquela farra. “O Igor come toda a pipoca e eu bebo todo o refrigerante”, confessa Eduardo. Tatiana concorda que poderia haver opções mais saudáveis no cardápio, mas se diz tranquila porque os filhos têm bons hábitos alimentares no dia a dia. “Uma pipoca de vez em quando não faz mal a ninguém”, brinca. (Susan Eiko)

Caio Caruso, de 33 anos, tem as credenciais ideais para participar da nossa série de posts ‘Meu Oscar’ (que já teve o depoimento do deficiente físico Anderson Santana e do aposentado Alfredo Abdalla). Com 1,96 m, Caio é um bom representante de outro grupo que sofre nos cinemas: os altos.
“Toda vez que vejo um filme, saio da sessão com dores na região lombar”, reclama. Isso porque ele considera quase todas as cadeiras da rede Cinemark pequenas para seu tamanho. Como o encosto é ‘curto’, se ele escorrega para a frente, as costas ficam tortas. Se fica na posição correta, ouve comentários ácidos vindos da fileira de trás. “A solução, para mim, seria uma regulagem de altura ou cadeiras maiores”, afirma.
Formado em artes visuais, Caio tem olhar crítico: sentar perto do corredor para esticar as pernas, nem pensar. “Meu lugar preferido é o centro, tanto vertical como horizontalmente, que é o mais favorecido pelo sistema de som e tela.” A solução? O Kinoplex Itaim. “É o único onde não me sinto apertado”, afirma. “As cadeiras são mais confortáveis e o encosto é um pouco mais alto, o que me dá mais apoio para as costas.” (Susan Eiko)

Os cineastas Laís Bodanzky e Carlos Reichenbach já contaram ao Cinema quais salas de São Paulo consideram as melhores. Para avaliar a qualidade técnica das projeções, chamamos outro especialista, com o olhar bem apurado: o diretor de fotografia alemão Uli Burtin, de 69 anos. Estudioso do assunto desde os 16, ele aplicou seu conhecimento nos premiados Lisbela e o Prisioneiro (2003), Meu Nome Não É Johnny (2008) e Salve Geral (2009).
Qual cinema paulistano realizou a melhor projeção de um filme seu?
Me parece razoável que as melhores projeções estão em salas mais modernas, como Frei Caneca, Bourbon e Kinoplex Itaim. Mas isso, na minha opinião, é o último critério na hora de escolher uma sala para assistir a um filme. O que perturba mesmo é quando o projecionista trabalha mal, faz foco durante a projeção, erra a janela ou não regula o som.
Alguma sala já cometeu esse tipo de deslize com um trabalho seu?
No caso de Salve Geral, uma vez troquei de sala durante a exibição no Cinemark Eldorado e vi o filme em duas claridades diferentes, o que é muito frustrante quando você trabalha semanas para marcar as cores do filme. Eu constatei que não existe medição ou controle das normas de luz nem mesmo dentro de um mesmo complexo de cinemas. Daí fica difícil comparar.
Quais salas da cidade você costuma frequentar?
Eu me importo bastante com a proximidade do cinema, por isso vou ao Unibanco da Augusta, Frei Caneca, CineSesc e Reserva Cultural. É onde encontro, perto de mim, os filmes que quero ver. Só para ver Imax me desloco até o Bourbon.
Que dicas você daria para o público avaliar a qualidade de projeção de um filme?
Como disse, existem coisas mais importantes do que a qualidade de projeção. Um exemplo é o ambiente fora da sala. Eu acho ótimo ir a um lugar onde possa tomar um café antes do filme ou comer um bom salgadinho. A qualidade e a posição das poltronas em relação à tela também são essenciais. Mas é complicado porque vários dos cinemas que passam filmes que estão fora do circuito comercial não têm toda essa qualidade. (Renata Reps)

(Para ler os posts anteriores desta série, que explica em detalhes o processo de distribuição dos filmes, clique aqui.)
Se você quiser transformar a vida de um atendente de videolocadora em um inferno, diga a ele que está procurando um filme, mas não se lembra de qual. Só sabe que talvez ele tenha as palavras ‘jogo’, ‘paixão’, ‘intriga’ ou ‘da pesada’ no título. O coitado vai achar uma lista imensa no sistema…
Não tem jeito: as distribuidoras alteram os títulos originais sem hesitar. Em parte, para se adequar ao público brasileiro. Por aqui, não funcionam títulos com o nome do personagem, por exemplo. (Forrest Gump, uma das raras exceções, ganhou o subtítulo O Contador de Histórias). E títulos muito complexos ou metafóricos, que exigem preciosos segundos de interpretação, também são dispensados, em troca de expressões um pouco mais vagas, mas que não afugentem ninguém. E dá-lhe um “Fulano do barulho” ou “Não-sei-o-quê quase perfeito”.
Mas não se engane, tudo isso acontece com a aprovação da produtora original, dona dos direitos da película. Só que, quanto mais forte é a marca, mais difícil é mudar o nome: Harry Potter, O Senhor dos Anéis, Batman e A Saga Crepúsculo, com suas traduções literais, estão aí para provar isso.
Outro elemento que pode confundir os fãs são os trailers. “Eles têm uma função de venda clara e um objetivo que não precisa nem ser dito: esconder os defeitos do filme, para evitar ao máximo a rejeição do público, e apresentar suas virtudes”, define o cineasta Paulo Sérgio (diretor do portal Filme B, que se ocupa do mercado cinematográfico).
Anos e anos de pesquisa de marketing ajudaram a refiná-los de tal maneira que hoje todos parecem um clichê. Por exemplo: o público (no Brasil e nos EUA) costuma ser reticente com filmes de época. Logo, a narração evita determinar o período da trama, apelando para chavões vagos como: “Numa época… em que o amor era proibido… e a tirania estava no poder…”. Pelo mesmo motivo, o trailer costuma acabar com as surpresas do filme: seu poder de convencimento é maior se ele já incluir as melhores piadas da comédia ou os melhores sustos de um suspense. (É o caso do comercial de Entre Irmãos, acima, que conta praticamente o filme todo em 2 minutos e meio).
Desta vez, porém, a distribuidora não tem culpa de nada. Ela apenas recebe os trailers já prontos, direto do produtor da película. Cabe a ela apenas fazer legendas – escolher entre as cores branca e amarela para ver qual cai melhor na tela – e produzir os cartazes.
Amanhã, no último post da série, o Cinema fala do estágio final da distribuição: o mercado de DVDs e BluRay. (Renata Reps e Marcel Nadale)

O aposentado Alfredo Abdalla, de 75 anos, vê pelo menos um filme toda semana há mais de 25 anos e já visitou projeções em vários países. Na capital paulista, nem mesmo o despreparo dos cinemas para atender o público da terceira idade o intimida (clique aqui para ver a série de posts ‘Meu Oscar’). E olha que os percalços são muitos: salas cheias de degraus, longas filas de espera, som desregulado.
Antes das sessões do Central Plaza, por exemplo, Alfredo sabe que tem de proteger os ouvidos. É que lá, os trailers e comerciais passam em um volume exagerado. Aliás, os funcionários também costumam pesar a mão no termostato do ar-condicionado. Mas isso, pelo menos, tem solução: “Eu reclamo mesmo com os atendentes. Normalmente eles atendem”.
Para enfrentar outros problemas, melhor contar com uma ajuda mais próxima – como a de sua mulher, Janice, 72 anos, que sempre o acompanha. “As salas do Bristol, por exemplo, não têm boa iluminação no chão. Quando ficam escuras demais, um se segura no outro para não cair”, reclama. No geral, porém, ele aprova o multiplex localizado no Center 3 – e recomenda para outros cinéfilos de sua faixa etária. “A qualidade da projeção é muito boa.”
E ele acrescentaria mais vencedores em sua lista se os cinemas retomassem dois bons hábitos do passado. O primeiro é proibir comida na sala de exibição. “Sempre passo a mão no assento para ver se está limpo, pois um amigo até já sentou em uma cadeira úmida de refrigerante um dia desses”, afirma. O outro é a volta da sessão às 20h: “Agora só há horários às 19h e às 21h. Uma é muito cedo e a outra termina muito tarde”. (Susan Eiko)

O Cinema segue pedindo a grandes cineastas para identificar as melhores salas de São Paulo. Afinal, eles sabem muito bem identificar se determinada projeção preservou (ou alterou) o audiovisual original de seus filmes. Depois de Laís Bodanzky, agora consultamos Carlos Reichenbach. Nascido em Porto Alegre mas um paulistano autêntico (mudou-se para cá com um ano de idade), ele já dirigiu, fotografou e atuou em mais de 20 filmes comerciais. Entre os mais recentes, Garotas do ABC (2004) e Falsa Loura (2007).
Qual cinema de São Paulo fez a melhor projeção de seu filme?
A Cinemateca, o CineSesc e o Espaço Unibanco fizeram exibições impecáveis de Falsa Loura. Não assisti ao filme em muitas outras salas, mas não tenho do que reclamar dessas três.
Quais salas da cidade você costuma frequentar, e por quê?
Tecnicamente, a melhor sala de cinema do Brasil é a Unibanco Arteplex. É uma espécie de tubo de ensaio, nada escapa do filme. As da Cinemateca também têm excelente qualidade de imagem e som. Mas as minhas preferidas mesmo são do CineSesc, eu estou sempre lá. Isso principalmente por causa da programação atípica. Poucas salas de São Paulo apostam em outro tipo de filme, talvez menos comercial.
Que dicas você daria para o público avaliar a qualidade de projeção de um filme?
Bom, eu tento evitar assistir a filmes brasileiros em salas de projeção digital. É preciso se informar: se o filme foi captado com câmera de vídeo, não faz diferença; mas se foi captado em 35mm, ele perde muito nesse tipo de projeção. A tendência quando isso acontece é a tela parecer uma grande televisão, destoando os contrastes característicos do cinema. Oras, para ver TV eu fico em casa, e imagino que o público também. (Renata Reps)
2011
2010