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Cinema

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Depois de Laís Bodanzky, Carlos Reichenbach e Uli Burtin, a produtora Rita Buzzar é a convidada do Cinema para discutir a qualidade das salas de São Paulo. Ela sabe muito bem que cinema não pode se parecer com TV: já trabalhou em novelas, como Ana Raio e Zé Trovão (1990), e em filmes, como Olga (2004) e Budapeste (2009). 

Qual cinema de SP fez a melhor projeção de um filme seu?
As melhores sessões do Budapeste que vi foram no Arteplex Frei Caneca, no Shopping Jardim Sul e no Reserva Cultural.

E qual deixou a desejar nesse item?
Faz tempo que não vou em um cinema ruim e, quando tive experiências desagradáveis, procurei não voltar. Evito até pensar neles. 

Quais salas da cidade você  costuma frequentar?
Vou ao Cinemark Iguatemi e ao Frei Caneca pela proximidade com a minha casa. Quando estou aborrecida, vou ao Bourbon Imax, assistir aos filmes 3D e esquecer da vida. E gosto do Reserva, que tem projeção de qualidade e programação diferenciada.

Que dicas você  daria para o público avaliar a qualidade de projeção de um filme?
Acho importante checar, nos primeiros minutos, se a cópia não está riscada, se está tudo focado e se a projeção não é muito escura. E verificar o som: se tem chiados, se há áreas da plateia em que se ouve pior e se as vozes dos atores estão muito graves. Outra coisa que perturba é quando o sistema de isolamento sonoro não é bom e o áudio da sala ao lado invade. Um outro detalhe que me incomoda é quando o cinema acende as luzes logo depois que o filme termina. Acho meio estraga-prazer. O tempo dos créditos finais é bom para prestigiar o elenco e a equipe técnica, além de dar aquela primeira refletida sobre o filme. As sensações e emoções desses momentos são sempre importantes. (Renata Reps)

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Os cineastas Laís Bodanzky e Carlos Reichenbach já contaram ao Cinema quais salas de São Paulo consideram as melhores. Para avaliar a qualidade técnica das projeções, chamamos outro especialista, com o olhar bem apurado: o diretor de fotografia alemão Uli Burtin, de 69 anos. Estudioso do assunto desde os 16, ele aplicou seu conhecimento nos premiados Lisbela e o Prisioneiro (2003), Meu Nome Não É Johnny (2008) e Salve Geral (2009). 

Qual cinema paulistano realizou a melhor projeção de um filme seu?
Me parece razoável que as melhores projeções estão em salas mais modernas, como Frei Caneca, Bourbon e Kinoplex Itaim. Mas isso, na minha opinião, é o último critério na hora de escolher uma sala para assistir a um filme. O que perturba mesmo é quando o projecionista trabalha mal, faz foco durante a projeção, erra a janela ou não regula o som.

Alguma sala já cometeu esse tipo de deslize com um trabalho seu?
No caso de Salve Geral, uma vez troquei de sala durante a exibição no Cinemark Eldorado e vi o filme em duas claridades diferentes, o que é muito frustrante quando você trabalha semanas para marcar as cores do filme. Eu constatei que não existe medição ou controle das normas de luz nem mesmo dentro de um mesmo complexo de cinemas. Daí fica difícil comparar.  

Quais salas da cidade você  costuma frequentar?
Eu me importo bastante com a proximidade do cinema, por isso vou ao Unibanco da Augusta, Frei Caneca, CineSesc e Reserva Cultural. É onde encontro, perto de mim, os filmes que quero ver. Só para ver Imax me desloco até o Bourbon.  

Que dicas você  daria para o público avaliar a qualidade de projeção de um filme?
Como disse, existem coisas mais importantes do que a qualidade de projeção. Um exemplo é o ambiente fora da sala. Eu acho ótimo ir a um lugar onde possa tomar um café antes do filme ou comer um bom salgadinho. A qualidade e a posição das poltronas em relação à tela também são essenciais. Mas é complicado porque vários dos cinemas que passam filmes que estão fora do circuito comercial não têm toda essa qualidade. (Renata Reps)

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O Cinema segue pedindo a grandes cineastas para identificar as melhores salas de São Paulo. Afinal, eles sabem muito bem identificar se determinada projeção preservou (ou alterou) o audiovisual original de seus filmes. Depois de Laís Bodanzky, agora consultamos Carlos Reichenbach. Nascido em Porto Alegre mas um paulistano autêntico (mudou-se para cá com um ano de idade), ele já dirigiu, fotografou e atuou em mais de 20 filmes comerciais. Entre os mais recentes, Garotas do ABC (2004) e Falsa Loura (2007).

Qual cinema de São Paulo fez a melhor projeção de seu filme?
A Cinemateca, o CineSesc e o Espaço Unibanco fizeram exibições impecáveis de Falsa Loura. Não assisti ao filme em muitas outras salas, mas não tenho do que reclamar dessas três.

Quais salas da cidade você costuma frequentar, e por quê?
Tecnicamente, a melhor sala de cinema do Brasil é a Unibanco Arteplex. É uma espécie de tubo de ensaio, nada escapa do filme. As da Cinemateca também têm excelente qualidade de imagem e som. Mas as minhas preferidas mesmo são do CineSesc, eu estou sempre lá. Isso principalmente por causa da programação atípica. Poucas salas de São Paulo apostam em outro tipo de filme, talvez menos comercial.

Que dicas você daria para o público avaliar a qualidade de projeção de um filme?
Bom, eu tento evitar assistir a filmes brasileiros em salas de projeção digital. É preciso se informar: se o filme foi captado com câmera de vídeo, não faz diferença; mas se foi captado em 35mm, ele perde muito nesse tipo de projeção. A tendência quando isso acontece é a tela parecer uma grande televisão, destoando os contrastes característicos do cinema. Oras, para ver TV eu fico em casa, e imagino que o público também. (Renata Reps)

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A diretora Laís Bodanzky (Bicho de Sete Cabeças) não tem medo de sair de uma sessão de cinema para reclamar sobre a qualidade da projeção. Segundo ela, tem horas que “só mesmo chamando o gerente”. Prestes a lançar seu mais novo filme, As Melhores Coisas do Mundo, Laís é também a organizadora do projeto Cine TelaBrasil, que leva salas móveis até comunidades carentes. Está, portanto, duplamente qualificada para identificar os melhores projetores de São Paulo.

Qual cinema da cidade fez a melhor projeção de seu filme?
No caso de Chega de Saudade, meu filme mais recente, a melhor exibição que acompanhei foi no Cinemark Metrô Santa Cruz. Mas é aquela história: quando eu assisto na sala do laboratório de projeção, sei que nunca mais vai ser igual, porque lá está tudo regulado exatamente como deve ser.

Qual cinema você gosta de frequentar?
Vou ao Cinemark Villa Lobos porque moro perto, na Vila São Francisco. Mas gosto muito da sala Imax do Bourbon. Acho fantástico esse fenômeno de lotação esgotada, ingressos tendo que ser comprados com uma semana de antecedência. Parece teatro, é muito interessante. Além disso, costumo preferir cinemas que misturam exibições de blockbusters e filmes alternativos.

Que dicas você daria para o público avaliar a qualidade de projeção de um filme?
Primeiro, uma coisa que as pessoas precisam saber: nenhum filme é escuro naturalmente. Ele sempre sai do laboratório equilibrado. Se a imagem está escura, é problema da projeção. Uma lâmpada fraca ou distância errada do projetor pode ocasionar essa falha. Mas, para mim, o pior é quando o som está baixo. Não sei por que criou-se o mito de que filmes brasileiros têm som estourado, então as salas baixam o volume na projeção e informações sutis do filme acabam se perdendo. Inúmeras vezes já tive que sair da sala para pedir para aumentarem o som. Para resolver na hora da exibição, só chamando o gerente. (Renata Reps)

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