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Cinema

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(Clique aqui para conferir os posts anteriores desta série, que explica em detalhes o processo de distribuição dos filmes no Brasil.)

Filme é como gente, bicho ou planta: ele também tem um ciclo de vida. Nasce nos cinemas; cresce e vai para a locadora; amadurece e chega aos canais por assinatura; e depois morre na TV aberta. Tudo isso costuma levar cerca de dois anos.

A mais rentável dessas fases é a ‘adolescência’. O mercado de home video, que abrange a venda e locação de DVDs e BluRay, pode representar até 50% da arrecadação de um título, segundo um relatório da Marché du Film – World Film Market Trends.  

Mas esta galinha dos ovos de ouro em sendo depenada pela pirataria. Nos EUA, a arrecadação com a venda de DVDs caiu de US$ 24 bilhões em 2006, para US$ 22 bilhões em 2008. Embora ainda não seja forte o suficiente, o BluRay tem tentado compensar esses números. O setor de home video diminuiu em 9% nos últimos quatro anos. Mas teria diminuído 11% se não fosse esse novo formato mais sofisticado de reprodução doméstica.

No Brasil, outro problema é o acesso da classe C (agora com renda maior) à TV por assinatura. Comprar um pacote de canais de longas-metragens pode sair mais barato do que ir algumas vezes ao cinema – que chega a custar até R$ 50 para um casal. É caro? Há controvérsias. “Um parâmetro de comparação de preços que sempre funcionou foi a entrada no estádio de futebol. Para assistir a um jogo na arquibancada, a pessoa pode desembolsar até R$ 40. O máximo que ela vai pagar por uma sala 3D de última geração é R$ 25”, comenta Paulo Sérgio, cineasta e diretor do portal Filme B.

Mas comparar cinema e futebol, em pleno ano de Copa, pode não ser uma boa estratégia. (Renata Reps e Marcel Nadale)

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(Para ler os posts anteriores desta série, que explica em detalhes o processo de distribuição dos filmes, clique aqui.) 

Se você quiser transformar a vida de um atendente de videolocadora em um inferno, diga a ele que está procurando um filme, mas não se lembra de qual. Só sabe que talvez ele tenha as palavras ‘jogo’, ‘paixão’, ‘intriga’ ou ‘da pesada’ no título. O coitado vai achar uma lista imensa no sistema… 

Não tem jeito: as distribuidoras alteram os títulos originais sem hesitar. Em parte, para se adequar ao público brasileiro. Por aqui, não funcionam títulos com o nome do personagem, por exemplo. (Forrest Gump, uma das raras exceções, ganhou o subtítulo O Contador de Histórias). E títulos muito complexos ou metafóricos, que exigem preciosos segundos de interpretação, também são dispensados, em troca de expressões um pouco mais vagas, mas que não afugentem ninguém. E dá-lhe um “Fulano do barulho” ou “Não-sei-o-quê quase perfeito”.  

Mas não se engane, tudo isso acontece com a aprovação da produtora original, dona dos direitos da película. Só que, quanto mais forte é a marca, mais difícil é mudar o nome: Harry Potter, O Senhor dos Anéis, Batman e A Saga Crepúsculo, com suas traduções literais, estão aí para provar isso.  


 
Outro elemento que pode confundir os fãs são os trailers. “Eles têm uma função de venda clara e um objetivo que não precisa nem ser dito: esconder os defeitos do filme, para evitar ao máximo a rejeição do público, e apresentar suas virtudes”, define o cineasta Paulo Sérgio (diretor do portal Filme B, que se ocupa do mercado cinematográfico).  

Anos e anos de pesquisa de marketing ajudaram a refiná-los de tal maneira que hoje todos parecem um clichê. Por exemplo: o público (no Brasil e nos EUA) costuma ser reticente com filmes de época. Logo, a narração evita determinar o período da trama, apelando para chavões vagos como: “Numa época… em que o amor era proibido… e a tirania estava no poder…”. Pelo mesmo motivo, o trailer costuma acabar com as surpresas do filme: seu poder de convencimento é maior se ele já incluir as melhores piadas da comédia ou os melhores sustos de um suspense. (É o caso do comercial de Entre Irmãos, acima, que conta praticamente o filme todo em 2 minutos e meio).  

Desta vez, porém, a distribuidora não tem culpa de nada. Ela apenas recebe os trailers já prontos, direto do produtor da película. Cabe a ela apenas fazer legendas – escolher entre as cores branca e amarela para ver qual cai melhor na tela – e produzir os cartazes.  

Amanhã, no último post da série, o Cinema fala do estágio final da distribuição: o mercado de DVDs e BluRay. (Renata Reps e Marcel Nadale)

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(Este é o quarto post na série que explica o sistema de distribuição de filmes no Brasil. Confira o primeiro, o segundo e o terceiro).

Onde você entra no processo de distibuição? Bem antes do que imagina. Seu mero interesse por um filme, antes mesmo da estreia, é o principal fator para “inflacionar” seu preço na hora da distribuidora vendê-lo ao exibidor. Blockbusters custam caro. Já filmes não tão ‘quentes’ podem ser vendidos por um preço mais em conta - alguns, até em pacotes na linha “pague 2, leve 3″. Depois que o filme entra em cartaz, a inescapável lei da oferta-e-procura segue firme. Se a frequência do público cai, o exibidor substitui a película por outra, mais recente ou com maior apelo.

Mas prever esse interesse, claro,  não é uma ciência exata. Basta passar no HSBC Belas Artes, em São Paulo, para ter um exemplo evidente: um filme pequeno, francês, está em cartaz desde julho de 2008 2007! O drama Medos Privados em Lugares Públicos (foto) é um desses fenômenos que desafiam explicação.

Na verdade, até há uma justificativa, mesmo que parcial. Ele está ’morando’ no Belas Artes há tanto tempo porque a ‘dona’ do cinema é também a distribuidora do filme, a Pandora. (Essa duplicidade de cargos, aliás, é proibida por lei nos EUA).  O diretor-geral da Pandora, André Sturm, porém, garante que ele ainda dá lucro - a audiência realmente se apaixonou pela película. “Na última terça-feira de Carnaval, numa sessão às 14h, foram 58 pessoas”, comemora. ”O filme virou uma febre, todo mundo assiste e fala para os amigos, e assim ele permanece dando público.”

No post de segunda-feira (1/3), saiba por que existe tanta tradução de títulos ruins no Brasil – e por que tanto filme parece melhor no trailer do que realmente é. (Renata Reps)

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(Este é o terceiro post da reportagem sobre como funciona o sistema de distribuição de filmes no Brasil. Confira o primeiro e o segundo).

Basta entrar na fila de alguma bilheteria para ouvir reclamações de que o preço do ingresso é muito alto. Mas você sabe para onde vai o suado dinheiro do seu salário?

O produtor tem interesse que seu longa-metragem seja distribuído pela empresa que oferecer maior prestígio.  Mas a má notícia é que ele fica com a menor parte dos rendimentos. O exibidor fica com 45% a 50% da renda de bilheteria, salvo impostos. “Mas é ele também quem tem os maiores gastos com trâmites operacionais do filme, salas, equipamentos e pessoal”, afirma a coordenadora do Centro de Análise do Cinema e do Audiovisual, Alessandra Meleiro. 

A melhor chance de margem de lucro fica mesmo com a distribuidora, que pode negociar para comprar os filmes ao menor preço possível e, no fim do processo, recebe de 20% a 25% da arrecadação da bilheteria. Cabe ao exibidor pagar pelas cópias em película do filme, que chegam a custar até US$ 1500. Seu principal gasto é a realização das cópias em película dos filmes que chegam a custar até US$ 1500 cada. Há também investimento na publicidade e na organização de exibições para a impressa, pré-estreias, photocalls, etc.

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E quanto ao período que o filme permanece em cartaz? Cada distribuidora negocia com o exibidor da forma que mais lhe convém. Para títulos importantes, como Homem de Ferro 2 (no alto) ou Robin Hood (acima), geralmente são definidos lançamentos nacionais, que atingem 90% dos cinema do país – algo em torno de 750. Às vezes, o contrato estabelece um período mínimo para que o longa fique em exibição. A maioria, no entanto, segue a regra de que ele precisa alcançar uma renda média durante a semana para continuar no circuito. Se, durante o fim de semana, a película faz 60% dessa média, a resposta é positiva. A decisão de tirar ou não o filme da grade acontece nas segundas ou terças-feiras, para dar tempo de escolher seu ‘substituto’ na sexta seguinte.

Há, porém, exceções à regra. No post de segunda-feira (1/3), conheça o bizarro caso do filme que está há dois anos em cartaz em São Paulo. (Renata Reps)

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Seguimos nossa série sobre como funciona o processo de distribuição de filmes no Brasil. Para continuar o papo, é importante apresentar quem são os “protagonistas” desta história.

Há dois tipos de distribuidoras:

Majors | São empresas internacionais que têm filiais aqui no país. É o caso da Warner, Fox, Disney, Columbia Pictures e Paramount. Mas há também as…

Independentes | Não são ligadas a qualquer companhia maior, como a Mais Filmes, Pandora, Europa, Downtown Filmes e MovieMobz, por exemplo.

“As majors fazem contratos com produtores que incluem distribuição em vários países, inclusive o Brasil. As independentes compram seus filmes no exterior e os trazem para cá”, explica Paulo Sérgio, cineasta e diretor do portal Filme B.

O namoro entre distribuidores (que detêm os direitos dos filmes) e exibidores (que possuem as salas onde o público poderá vê-los) tem hora e lugar para acontecer.

Duas grandes feiras de negócio anuais ajudam a definir o calendário de estreias do ano: o Festival de Inverno de Campos do Jordão, em maio, e o Show Búzios, em novembro.

A data em que cada filme entra em cartaz não é imposta pela distribuidora. Depende de um acordo com o circuito, cuja agenda é também regulada pela concorrência entre as diferentes empresas (Cinemark, UCI, Grupo Serveriano Ribeiro, etc). Ninguém quer ficar para trás se o rival decidir lançar antes um filme importante, como Homem de Ferro 2

Esse equilíbrio de forças também define as praças (cidades ou regiões) onde cada filme chega primeiro. Claro que, para as distribuidoras, o interessante é que sua obra vá onde houver mais dinheiro – no caso, os grandes centros urbanos.

Neste domingo (28), na terceira parte da série, saiba quem leva a maior parte do dinheiro que você deixa na bilheteria – a distribuidora, o exibidor ou o produtor do filme. (Renata Reps)

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