
A última parte da série sobre as sessões mais indicadas para crianças de diferentes idades é dedicada aos quase pré-adolescentes.
Acima dos 8 anos
A partir desta idade, as crianças já começam a sentir o desejo de 1.’estar na moda’ e 2.ser aceito pelos amiguinhos. E não tem jeito: a moda agora é mesmo o 3D (confira a série de posts sobre o tema).
Alguns pais ficam preocupados se a técnica de projeção, que exige óculos especiais, força a visão. No caso de seu filho for do tipo que não para quieto, sim. O desconforto visual é maior para quem muda constantemente o ângulo. E quem tem estrabismo ou graus elevados de miopia e astigmatismo pode se sentir mais cansado após a sessão, já que pode haver mais dificuldade para focar as imagens que saltam da tela.
Mas os efeitos colaterais costumam ser sutis – e não apagam a boa memória de uma divertida sessão em família. A boa notícia é que há mais de dez filmes agendados para serem exibidos em 3D ao longo do ano. Anote na agenda a estreia de alguns deles (as datas estão sujeitas a alterações). (Fernanda Araújo e Marcel Nadale)
Como Treinar Seu Dragão | 26 de março
Alice no País das Maravilhas | 23 de abril
Batalha por T.E.R.A. | 21 de maio
Fúria de Titãs | 21 de maio (pode ser um pouco assustador para os muito novos)
Toy Story 3D | 25 de junho
Shrek Para Sempre (foto) | 9 de julho
Meu Malvado Favorito | 6 de agosto
Cães e Gatos 2 | 3 de setembro
Around the World in 50 Years (título provisório) | 29 de outubro
Megamente | 3 de dezembro
Tron Legacy (título provisório) | 10 de dezembro

(Este é o quarto e último post da série sobre os desafios do 3D para o mercado nacional. Veja os anteriores aqui.)
Os entraves de popularização do cinema 3D são semelhantes aos da digitalização das salas, processo que começou no Brasil em 2007 e ainda caminha vagarosamente. Mais de 20 mil cinemas no mundo trabalham com um sistema de redução de custos que ficou popular nos Estados Unidos, Europa e México. Mas que, na opinião de Luiz Gonzaga de Luca, autor do livro A Hora do Cinema Digital, não parece ter futuro no Brasil. “Aqui, os impostos são muito maiores do que lá fora, o que faz o preço dos equipamentos aumentar muito e, consequentemente, o tempo de financiamento do projetor completo passar de cinco para cerca de 12 anos”, explica.
O parcelamento a que ele se refere é um acordo que exibidores e distribuidores já firmaram em outros mercados para facilitar a compra de equipamentos digitais – e que também funciona para projetores 3D:
O fornecedor da tecnologia | instala o sistema na sala, providencia o sinal e cuida da manutenção.
O exibidor | é responsável por pagar pelo equipamento, financiado em até 5 anos.
O distribuidor | se compromete a ajudar o exibidor a quitar a conta. Essa participação é rara, mas tem uma explicação: com o sistema digital implantado, a empresa distribuidora passa a economizar o custo das películas. Elas são caras para copiar (cerca de US$ 1500), para distribuir (chegam a pesar 30kg) e para armazenar (pois exigem certos cuidados, como a climatização do ambiente).
Devido à impossibilidade de aderir a esse sistema e à fila que existe com a enorme demanda e pouca oferta de equipamento, o mercado brasileiro não espera um boom de salas 3D, mas um aumento gradual e seguro. Ainda que os ingressos para tridimentionais sejam cerca de 30% mais caros e a lotação das salas seja quase duas vezes maior, os gastos com compra e manutenção de equipamentos por aqui são ainda mais altos.

Por causa do pequeno número de salas, o público faz fila para comprar ingressos para os filmes. No Imax 3D do Shopping Bourbon (foto), em São Paulo, a espera para Avatar segue uma semana desde a estreia do filme em dezembro. Para se ter ideia, ao todo, 4.559.675 pessoas assistiram Avatar 2D até o fim de fevereiro nas 2.376 salas do país. Para as 101 salas 3D, o público foi apenas 15% menor: 3.915.858, segundo a Fox e o site do mercado cinematográfico Filme B.
A tecnologia veio para ficar e só tende a evoluir para aumentar, cada vez mais, a sensação de sentir-se dentro do filme. “Essa diferenciação pode chegar a associar, além da projeção 3D, cheiros, movimentos de poltronas e simulação de chuva e nuvens através da emissão de água e gases como já se vê na tecnologia Xpand”, afirma a teórica Alessandra Medeiro. Mas, no Brasil, a julgar pelo ritmo da implementação, ainda vamos levar um bom tempo para entrar nessa fase. (Renata Reps)

(Este é o terceiro post da série sobre o mercado e os desafios do 3D. Veja os anteriores.)
Existe um problema financeiro na ampliação do cinema tridimensional em vários países do mundo, inclusive o Brasil. Para montar uma sala desse tipo, três equipamentos de alta complexidade são necessários:
Um projetor especial | com softwares específico (Real D, Dolby 3D ou X Band, a depender da escolha da cadeia exibidora) e também um servidor que armazena as imagens.
Um painel | colocado na frente do projetor, constituído por 2 milhões de espelhos móveis e uma lâmpada xenon de 7.500 watz – que produz um calor ao qual o chip do projetor tem de ser suficientemente resistente. Esse painel polariza as imagens que vão para o olho esquerdo e direito e, sucessivamente, dão a impressão tridimensional.
Óculos especiais | sejam eles descartáveis ou reutilizáveis como os distribuídos pelo Cinemark.
Cada equipamento completo custa em torno de US$ 120 mil. Somado a isso, há o preço da manutenção, que também é extremamente cara.
Há mais de 20 mil cinemas digitais pelo mundo, sendo cerca de 2.500 em 3D. Destes, 1.800 ficam nos EUA, que detém o monopólio da produção da tecnologia pela empresa Texas Instruments.
Ninguém, no entanto, previu o sucesso imediato do 3D. Alguns exibidores brasileiros que pensaram na instalação dessas salas depois de setembro de 2009 não conseguiram acompanhar o lançamento de Avatar, devido à enorme demanda e pouquíssima oferta. “Se a frequência de lançamentos se mantiver no mesmo ritmo, haverá a necessidade de cerca de dez mil telas 3D até 2013”, explica Alessandra Medeiro, pós-doutora em Film Studies pela Universidade de Londres. Será que é possível?
Amanhã (6), no quarto post da série, as medidas do mercado para popularizar a novidade. (Renata Reps)
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O medo de que uma tecnologia desapareça quando surge outra mais avançada sempre foi recorrente. Assim aconteceu com o rádio, quando apareceu a TV; ou com o telégrafo, quando veio o telefone. A História, porém, prova: as mídias não acabam, mas se transformam, adaptando-se às mudanças. Se você tem, portanto, pesadelos só de pensar que, no futuro, a dor de cabeça pós-sessão 3D será inescapável, pode ficar sossegado. O temor não tem fundamento.
O consenso, até agora, é de que o tridimensional se adapta a filmes de aventura e fantasia, mas não faz sentido em películas com temáticas mais adultas, enquadramentos clássicos ou mudanças de planos em que a noção de profundidade faça diferença. O próprio circuito, que tanto alardeia a nova técnica, reconhece as limitações. O 3D não atende a todos os públicos. Basicamente, quem gosta é a audiência infantojuvenil. A maioria dos adultos só vai por curiosidade”, acredita Luiz Gonzaga Assis, diretor-superintendente do Grupo Severiano Ribeiro, que tem cinemas como o Kinoplex Itaim, em São Paulo.
Alguns diretores, porém, já deixaram implícitos que, para eles, o 2D é coisa do passado. Robert Zemeckis, autor de clássicos como a trilogia De Volta Para o Futuro, já aderiu à novidade há anos, desde O Expresso Polar. O mais novo a ‘jurar fidelidade à causa’ é Peter Jackson, diretor da saga O Senhor dos Anéis.

Por incrível que pareça, um dos que tentam frear tanto entusiasmo é James Cameron, diretor de Avatar. É verdade que ele também pretende trabalhar exclusivamente nesse formato, de agora em diante. Mas tem reservas quanto à conversão de certas histórias à novidade. “É típico de Hollywood fazer as coisas erradas. Eles pensam: já que Avatar fez sucesso, vamos transformar filmes 2D em tridimensionais em oito semanas e está tudo bem”, disse em entrevista à MTV americana. Foi uma alfinetada a estúdios como a Warner Bros, que adiou a estreia de Fúria de Titãs (foto) para poder condicionar o filme, todo captado em 2D, ao formato tridimensional.
Aliás, Fúria de Titãs estreará no Brasil em 21 de maio – mesma data em que outro filme 3D, Batalha por T.E.R.A., deve entrar em cartaz. A maioria dos complexos tem apenas uma sala com esse estilo de projeção. E agora? Quem vai ceder espaço? Descubra no próximo post como os exibidores estão correndo para dar conta dessa demanda. (Renata Reps)

É engraçado notar como o 3D tem sido tratado como uma revolução. De fato é. Mas ele também reitera, quase ciclicamente, outros avanços técnicos do cinema. Por exemplo: assim como tem gente classificando ‘Avatar’ mais como um ‘passeio de parque de diversões’ do que como um grande filme, na década de 30 havia cineastas que consideravam o advento da película colorida uma espécie de ‘desmoralização da arte’.
Toda grande novidade tem esse período de ajuste, essa curva de aprendizado. O setor artístico ainda pode se dar ao luxo de gastar alguns instantes questionando como (e se deve) aplicar o 3D. Mas o mercado não. Todos os dados indicam que o público aceitou de vez a nova técnica – e está ávido por mais. Em 2009, apenas 97 das 2.376 salas do Brasil tinham esse tipo de projeção. Ainda assim, elas foram responsáveis por atrair 7,2 milhões de espectadores, ou cerca de 6,5% do público total do ano, segundo dados do Sindicato das Empresas Distribuidoras Cinematográficas do Município do Rio de Janeiro.
Em 2010, os prognósticos são ainda mais favoráveis. Estamos em março e já chegamos a 101 salas 3D. Várias outras serão inauguradas neste semestre. A quantidade de filmes no formato também será maior – há pelos menos 15 títulos já agendados. Mas a tal curva de aprendizado ainda está só no começo. Como tanto longa-metragem caberá em um circuito tão pequeno? Quanto custa implementar uma sala assim? Essas e outras perguntas serão respondidas nesta série de posts.
No próximo post: o que vai acontecer com o 2D? (Renata Reps)

O mercado de cinemas de luxo em São Paulo continua a se expandir. Depois do Cinemark Cidade Jardim e do Espaço Unibanco Bourbon apostarem em salas premium, com menos lugares e serviço especial, agora a rede Kinoplex quer sua fatia do nicho também. Em maio, o Shopping Vila Olímpia (foto) ganha um multiplex com sete salas stadium – duas delas vip, com 98 poltronas reclináveis, mais largas e confortáveis, e muitos outros mimos.
A novidade vai seguir a cartilha do Cidade Jardim: terá uma área exclusiva, com café e bonbonnière próprios, e garçons que levarão os pedidos ao assento do cliente (antes do filme começar, claro). Luiz Gonzaga de Luca, diretor-superintendente do Grupo Severiano Ribeiro (que administra a rede Kinoplex), promete ainda “serviços alimentícios diferenciados”, mas adianta que os assentos não terão bandeja acoplada (como é o caso no Cidade Jardim).
Os preços de tanta comodidade ainda não foram definidos. Nas outras cinco salas (que terão em média 200 lugares, uma delas equipada com Dolby 3D Digital), Luca afirma que os valores seguirão o padrão da rede – entre R$ 17 e R$ 28, segundo a tabela do Kinoplex Itaim, ali perto. Aliás, o executivo diz que não teme competição entre os dois endereços. “Quem vai ao Itaim não está afim de ir para shopping. É um outro público. Na Vila Olímpia, a intenção é ter um cinema onde as pessoas possam ir depois de sair do trabalho, para fugir do horário de pico.”
As obras estão avançadas – mas devidamente protegidas dos curiosos. Nem a imprensa foi liberada para fotografar o local ainda. A programação, pelo menos, não é segredo: cheia de blockbusters. “Curadoria é coisa de cinema de arte”, justifica Gonzaga. (Dado Carvalho)

(Clique aqui para conferir os posts anteriores desta série, que explica em detalhes o processo de distribuição dos filmes no Brasil.)
Filme é como gente, bicho ou planta: ele também tem um ciclo de vida. Nasce nos cinemas; cresce e vai para a locadora; amadurece e chega aos canais por assinatura; e depois morre na TV aberta. Tudo isso costuma levar cerca de dois anos.
A mais rentável dessas fases é a ‘adolescência’. O mercado de home video, que abrange a venda e locação de DVDs e BluRay, pode representar até 50% da arrecadação de um título, segundo um relatório da Marché du Film – World Film Market Trends.
Mas esta galinha dos ovos de ouro em sendo depenada pela pirataria. Nos EUA, a arrecadação com a venda de DVDs caiu de US$ 24 bilhões em 2006, para US$ 22 bilhões em 2008. Embora ainda não seja forte o suficiente, o BluRay tem tentado compensar esses números. O setor de home video diminuiu em 9% nos últimos quatro anos. Mas teria diminuído 11% se não fosse esse novo formato mais sofisticado de reprodução doméstica.
No Brasil, outro problema é o acesso da classe C (agora com renda maior) à TV por assinatura. Comprar um pacote de canais de longas-metragens pode sair mais barato do que ir algumas vezes ao cinema – que chega a custar até R$ 50 para um casal. É caro? Há controvérsias. “Um parâmetro de comparação de preços que sempre funcionou foi a entrada no estádio de futebol. Para assistir a um jogo na arquibancada, a pessoa pode desembolsar até R$ 40. O máximo que ela vai pagar por uma sala 3D de última geração é R$ 25”, comenta Paulo Sérgio, cineasta e diretor do portal Filme B.
Mas comparar cinema e futebol, em pleno ano de Copa, pode não ser uma boa estratégia. (Renata Reps e Marcel Nadale)

(Para ler os posts anteriores desta série, que explica em detalhes o processo de distribuição dos filmes, clique aqui.)
Se você quiser transformar a vida de um atendente de videolocadora em um inferno, diga a ele que está procurando um filme, mas não se lembra de qual. Só sabe que talvez ele tenha as palavras ‘jogo’, ‘paixão’, ‘intriga’ ou ‘da pesada’ no título. O coitado vai achar uma lista imensa no sistema…
Não tem jeito: as distribuidoras alteram os títulos originais sem hesitar. Em parte, para se adequar ao público brasileiro. Por aqui, não funcionam títulos com o nome do personagem, por exemplo. (Forrest Gump, uma das raras exceções, ganhou o subtítulo O Contador de Histórias). E títulos muito complexos ou metafóricos, que exigem preciosos segundos de interpretação, também são dispensados, em troca de expressões um pouco mais vagas, mas que não afugentem ninguém. E dá-lhe um “Fulano do barulho” ou “Não-sei-o-quê quase perfeito”.
Mas não se engane, tudo isso acontece com a aprovação da produtora original, dona dos direitos da película. Só que, quanto mais forte é a marca, mais difícil é mudar o nome: Harry Potter, O Senhor dos Anéis, Batman e A Saga Crepúsculo, com suas traduções literais, estão aí para provar isso.
Outro elemento que pode confundir os fãs são os trailers. “Eles têm uma função de venda clara e um objetivo que não precisa nem ser dito: esconder os defeitos do filme, para evitar ao máximo a rejeição do público, e apresentar suas virtudes”, define o cineasta Paulo Sérgio (diretor do portal Filme B, que se ocupa do mercado cinematográfico).
Anos e anos de pesquisa de marketing ajudaram a refiná-los de tal maneira que hoje todos parecem um clichê. Por exemplo: o público (no Brasil e nos EUA) costuma ser reticente com filmes de época. Logo, a narração evita determinar o período da trama, apelando para chavões vagos como: “Numa época… em que o amor era proibido… e a tirania estava no poder…”. Pelo mesmo motivo, o trailer costuma acabar com as surpresas do filme: seu poder de convencimento é maior se ele já incluir as melhores piadas da comédia ou os melhores sustos de um suspense. (É o caso do comercial de Entre Irmãos, acima, que conta praticamente o filme todo em 2 minutos e meio).
Desta vez, porém, a distribuidora não tem culpa de nada. Ela apenas recebe os trailers já prontos, direto do produtor da película. Cabe a ela apenas fazer legendas – escolher entre as cores branca e amarela para ver qual cai melhor na tela – e produzir os cartazes.
Amanhã, no último post da série, o Cinema fala do estágio final da distribuição: o mercado de DVDs e BluRay. (Renata Reps e Marcel Nadale)

(Este é o quarto post na série que explica o sistema de distribuição de filmes no Brasil. Confira o primeiro, o segundo e o terceiro).
Onde você entra no processo de distibuição? Bem antes do que imagina. Seu mero interesse por um filme, antes mesmo da estreia, é o principal fator para “inflacionar” seu preço na hora da distribuidora vendê-lo ao exibidor. Blockbusters custam caro. Já filmes não tão ‘quentes’ podem ser vendidos por um preço mais em conta - alguns, até em pacotes na linha “pague 2, leve 3″. Depois que o filme entra em cartaz, a inescapável lei da oferta-e-procura segue firme. Se a frequência do público cai, o exibidor substitui a película por outra, mais recente ou com maior apelo.
Mas prever esse interesse, claro, não é uma ciência exata. Basta passar no HSBC Belas Artes, em São Paulo, para ter um exemplo evidente: um filme pequeno, francês, está em cartaz desde julho de 2008 2007! O drama Medos Privados em Lugares Públicos (foto) é um desses fenômenos que desafiam explicação.
Na verdade, até há uma justificativa, mesmo que parcial. Ele está ’morando’ no Belas Artes há tanto tempo porque a ‘dona’ do cinema é também a distribuidora do filme, a Pandora. (Essa duplicidade de cargos, aliás, é proibida por lei nos EUA). O diretor-geral da Pandora, André Sturm, porém, garante que ele ainda dá lucro - a audiência realmente se apaixonou pela película. “Na última terça-feira de Carnaval, numa sessão às 14h, foram 58 pessoas”, comemora. ”O filme virou uma febre, todo mundo assiste e fala para os amigos, e assim ele permanece dando público.”
No post de segunda-feira (1/3), saiba por que existe tanta tradução de títulos ruins no Brasil – e por que tanto filme parece melhor no trailer do que realmente é. (Renata Reps)

(Este é o terceiro post da reportagem sobre como funciona o sistema de distribuição de filmes no Brasil. Confira o primeiro e o segundo).
Basta entrar na fila de alguma bilheteria para ouvir reclamações de que o preço do ingresso é muito alto. Mas você sabe para onde vai o suado dinheiro do seu salário?
O produtor tem interesse que seu longa-metragem seja distribuído pela empresa que oferecer maior prestígio. Mas a má notícia é que ele fica com a menor parte dos rendimentos. O exibidor fica com 45% a 50% da renda de bilheteria, salvo impostos. “Mas é ele também quem tem os maiores gastos com trâmites operacionais do filme, salas, equipamentos e pessoal”, afirma a coordenadora do Centro de Análise do Cinema e do Audiovisual, Alessandra Meleiro.
A melhor chance de margem de lucro fica mesmo com a distribuidora, que pode negociar para comprar os filmes ao menor preço possível e, no fim do processo, recebe de 20% a 25% da arrecadação da bilheteria. Cabe ao exibidor pagar pelas cópias em película do filme, que chegam a custar até US$ 1500. Seu principal gasto é a realização das cópias em película dos filmes que chegam a custar até US$ 1500 cada. Há também investimento na publicidade e na organização de exibições para a impressa, pré-estreias, photocalls, etc.

E quanto ao período que o filme permanece em cartaz? Cada distribuidora negocia com o exibidor da forma que mais lhe convém. Para títulos importantes, como Homem de Ferro 2 (no alto) ou Robin Hood (acima), geralmente são definidos lançamentos nacionais, que atingem 90% dos cinema do país – algo em torno de 750. Às vezes, o contrato estabelece um período mínimo para que o longa fique em exibição. A maioria, no entanto, segue a regra de que ele precisa alcançar uma renda média durante a semana para continuar no circuito. Se, durante o fim de semana, a película faz 60% dessa média, a resposta é positiva. A decisão de tirar ou não o filme da grade acontece nas segundas ou terças-feiras, para dar tempo de escolher seu ‘substituto’ na sexta seguinte.
Há, porém, exceções à regra. No post de segunda-feira (1/3), conheça o bizarro caso do filme que está há dois anos em cartaz em São Paulo. (Renata Reps)
2011
2010