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Cinema

29.outubro.2010 20:10:58

Em minha modesta opinião

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Parte da equipe do guia Divirta-se se juntou para falar sobre o filme Tropa de Elite 2 na seção Em Minha Modesta Opinião da edição de hoje (29). Veja o que eles acham.

ANDRÉ GRACIOTTI
Baseado na ficção | Com menos panfletagem e mais cinema, sem repetir os personagens unidimensionais do filme original, Padilha consegue com Tropa 2 um maduro e engenhoso filme de ação como há muito não se via no cinema nacional. Conflitos evoluem em tensão crescente, se complicam e se complexificam em prol de um clímax vibrante. Ainda tenta ser provocativo e chocante, mas desta vez, o que o torna um filme memorável vem não só pela referência à realidade, mas pela abordagem da ficção.

EVELIN FOMIN
Catarse coletiva | Demorei dois anos para ver Tropa 1 por alguns motivos que geralmente me servem de termômetro. O bordão “pede pra sair”, o refrão do hit da banda Tihuana e comentários reacionários indicavam que eu odiaria o filme, que vi pela TV. O que eu não esperava era que os anos de rejeição afrouxariam minha resistência e me fariam querer ver a sequência no dia da estreia. Rendida, me vi escolhendo racionalmente ter uma experiência catártica, apenas para me distrair com a visão maniqueísta de José Padilha.

LEANDRO QUINTANILHA
Eu queria gostar | Tropa 2 é um filme envolvente – mas isto não é um elogio. O longa trata de questões que me interessam como brasileiro e como cinéfilo. Só que, para mim, um bom filme dialoga com a inteligência e a sensibilidade do espectador. A ação de José Padilha provocou meu intelecto, mas só quis conversa com as minhas emoções. A narração, a música e a edição ditavam o que eu devia sentir. Saí da sessão com a impressão de que vi uma mistura de Michel Foucault com Charles Bronson. Pena, porque isto não precisava ser uma crítica.

RAFAEL BARION
Vamos fugir? | O filme de Padilha não tem cinza, só preto e branco. Quem é mau é inteiramente mau. Quem é bom, inteiramente bom (e meio banana). Nascimento é o único personagem complexo, humano e com poder de discernimento. O ponto de vista do filme é o ponto de vista dele. E, para ele, o mal tem de morrer. Ainda que se decepcione com a PM, a sua lógica continua sendo a da guerra. O mal, para Nascimento, são os traficantes, os políticos, os policiais. E para você? Quem você vai querer matar? Liberaram a selvageria. Pode fugir.

Comentários (2)| Comente!

2 Comentários Comente também
  • 12/12/2010 - 11:15
    Enviado por: Marcelo

    Li os comentários e pergunto num momento de reflexão: O que é o mal e o que é o bem? Na visão de alguns o mal pode ser recuperado para que pense semelhante ao bem. Alguém acha justo manter pessoas que vendem drogas nas portas de escola, prostituem crianças e matam sem dó nenhuma em um presidio de “segurança máxima” quando nós que pagamos nossos impostos e trabalhamos honestamente somos compelidos a viver cerceados de toda liberdade? Penso que quem está preso por crimes “ediondos” deveria ter de trabalhar para pagar sua estadia no presídio e sobra deste dinheiro destinado a programas para amparar as crianças que se entorpecem nas ruas com solventes e crack. O capitão Nascimento é aquele individuo que esta escondidinho dentro de nós clamando por justiça, em um mundo que enxerga a honestidade como coisa “fora de moda”. O mundo é dos espertos, assim se pensa hoje em dia. Porém quando todos querem levar vantagem, a verdade é que ninguem ganha nada. Poderámos ser uma grande nação, mas nosso problema cultural não nos deixa evoluir. Não usamos a intligência de forma construtiva. Portanto, o filme do Padilha, não mostra nada que não sabemos. Na verdade a hipocrisia geral faz-nos acreditar ser a situação mostrada no filme uma ficção. O que o filme mostra é uma realidade dura de aceitar. Com o bem fazendo o mal.

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  • 03/01/2011 - 19:34
    Enviado por: Paulo

    Tropa 2 é a realidade grotesca do RJ e porque não do Brasil nos dias atuais. Após todo aquele circo no Complexo do Alemão consegui de certa forma compreender o filme de José Padilha, o crime está enraizado nas esferas mais poderosas do país e os traficantes são apenas coadjuvantes nessa realidade.

    Não dúvido que após a morte de Paulo Maluf ele seja canonizado, bem como vários outros que indiretamente matam milhões por ano.

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