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Cinema

27.agosto.2010 20:50:41

Kung fu kid

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Karate Kid, remake da aventura juvenil que enviou hordas aos tatames nos anos 80, é um caso raro de nepotismo do bem. O filme foi bolado pelos atores (e produtores) Will Smith e Jada Pinkett-Smith como veículo para o filho do casal, Jaden Smith (que já trabalhara com o pai em À Procura da Felicidade, de 2006). Nada desse constrangimento, porém, está na tela.

Como Dre Parker, um garoto de 11 anos que se muda com a mãe (Taraji P. Henson) para a China e encontra no kung fu (sim, kung fu, não caratê) a chave para se adequar à nova sociedade onde vive, Jaden demonstra o mesmo carisma e timing cômico do pai – e a mesma consciência corporal para cenas de ação. É cedo para julgar sua carreira, mas, pelo menos até agora, dá para dizer que, filho de peixe, dragãozinho é.

A mudança na arte marcial não é a única alteração significativa no roteiro em relação ao original. Pouco é preservado além do rival valentão (que ganha ares ainda mais sádicos por ser interpretado por outra criança na faixa etária de Jaden, o chinês Zhenwei Wang) e do torneio final que promete a resolução entre os dois. A mudança do cenário para a China, claro, tem interesses mercadológicos, Mas, mais uma vez, não pesa no roteiro. O idioma estranho colabora no isolamento de Dre – e os pontos turísticos servem como um belo pano de fundo para as sessões de treino do garoto.

Sobretudo, o flerte com o público chinês dá margem para que Jackie Chan seja redescoberto. No papel do Sr. Han, zelador do prédio de Dre e seu instrutor no kung fu, ele enfim se despe da fantasia de palhaço que vestiu para conquistar o mercado americano e mostra por que sempre foi considerado um astro (e um ator legítimo) no Oriente. A relação entre Dre e seu mestre é sincera o suficiente para ninguém mais perguntar por onde anda o Sr. Myiagi.

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Em 1962, diretores ligados ao Cinema Novo registraram sua visão das comunidades pobres do Rio de Janeiro em 5 X Favela. Mais de 40 anos depois, são os próprios moradores que contam sua história (e driblam estereótipos) em 5 X Favela – Agora por Nós Mesmos. O drama, produzido por Cacá Diegues, levou sete prêmios no Festival de Paulínia deste ano.

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20.agosto.2010 19:59:33

Feito YouTube

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O público brasileiro pode até achar que não está habituado ao formato dos curtas-metragens. Mas é só impressão – afinal, o Brasil é um dos países que mais acessa o YouTube. E, assim como o popular site, o Festival de Curtas de São Paulo se tornou, em sua 21ª edição, uma plataforma das mais democráticas. Os mais de 400 trabalhos estão divididos em mostras voltadas para todo tipo de linguagem, gênero e público-alvo.

A Mostra Internacional reúne 71 filmes, vários deles já premiados, como a animação História de Cão, de Serge Avedikian, que levou a Palma de Ouro em Cannes; e O Incidente no Banco, de Ruben Östlund, Urso de Prata em Berlim. A Mostra Brasil, com 54 filmes de 14 estados, também tem seus vencedores. Entre eles, Recife Frio, de Kléber Mendonça Filho, aclamado no Festival de Brasília; e Eu Não Quero Voltar Sozinho, de Daniel Ribeiro, premiado no Festival de Paulínia. A produção do estado está no Panorama Paulista, com 15 títulos inéditos.

Você também pode escolher simplesmente pelo tema. Filmes de terror estão na Mostra Dark Side – não perca Ninjas, de Dennison Ramalho. Torcedores fanáticos poderão esquecer a Copa com os filmes de Unidos na Paixão, no Museu do Futebol. Documentários que traçam o perfil de gente como o escultor Sergio Camargo estão em Retrato de Artista. E as crianças se divertem com os 15 curtas da Mostra Infanto-Juvenil. Aliás, sabe aqueles vídeos com dublagens engraçadas que vivem surgindo no YouTube? A garotada também poderá criar seus próprios diálogos para filmes do festival em uma cabine de dublagem na Cinemateca. (Marcel Nadale e Luiza Pereira)

ONDE: Cinemateca Brasileira, Cinesesc, Cinusp, CCSP, MIS, Espaço Unibanco, Cine Olido e Museu do Futebol. QUANDO: até 27/8. QUANTO: Grátis. Programação completa aqui.

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13.agosto.2010 11:58:50

Velha guarda

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Nos EUA, Os Mercenários ganhou o título The Expendables (‘Os Descartáveis’). É este também o nome da gangue de veteranos que Sylvester Stallone comanda em cena, incumbida de derrubar o ditador de uma fictícia nação latina.

Ao se denominar (e tatuar na pele) ‘descartável’, o ator/diretor/roteirista alinha o filme com o tema de suas produções mais recentes: a velhice. Stallone é um astro ultrapassado desde os anos 80 e, sabiamente, assumiu essa condição nesta fase da carreira. E não está sozinho. No novo filme, recruta outros atores que, como ele, também representam o arquétipo do herói de ação brucutu que hoje já não existe.

Entre eles, Jason Statham, Jet Li, Dolph Lundgren, Arnold Schwarzenegger e Bruce Willis (os dois últimos, apenas em uma bem-humorada ponta). Para os saudosistas, é um dream team. Pena que Stallone pareça ter um conhecimento tão limitado do gênero que o consagrou. O que poderia ser uma homenagem virou apenas mais uma fita genérica. As cenas de ação (várias delas filmadas em Mangaratiba, no RJ) não são particularmente empolgantes – ainda que o fôlego dos ‘tiozões’ seja admirável.

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De hoje (13) ao dia 19, o Cine Bombril vira uma ‘filial’ do Metropolitan Opera de NY. A segunda edição do Festival Met Opera lista sete encenações filmadas no tradicional palco nova-iorquino, como Aida (foto), de Verdi, Carmen, de Bizet, e Turandot e Tosca, de Puccini. Serão sessões diárias, às 14h, 17h20 e 20h40, em alta definição e som 5.1.

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06.agosto.2010 20:50:41

Filme-origami

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O que Christopher Nolan trouxe de melhor às suas duas versões de Batman foi uma certa fisicalidade. Ele enraizou o personagem numa realidade concreta. Este, contudo, era o mesmo Nolan que tinha brincado com as percepções da mente (e rejeitado a narrativa linear como uma “tirania”) em Amnésia, Insônia e O Grande Truque. Assim sendo, A Origem talvez seja o seu mais autoral e bem-sucedido filme até hoje: um híbrido muito, muito fértil.

Leonardo DiCaprio interpreta Dom Cobb, um especialista em um ramo único na espionagem industrial. Ele é capaz de acessar o sonho de suas vítimas e, assim, extrair segredos de suas mentes. Mas um cliente misterioso (Ken Watanabe, de O Último Samurai) lhe propõe um desafio: em vez de retirar uma ideia, Cobb terá de implantar outra. Para isso, ele recruta a ‘arquiteta onírica’ Ariadne, vivida por Ellen Page (Juno) com pouco de seu carisma habitual – a personagem é um mero artifício do roteiro para explicar, ao público, a lógica do mundo dos sonhos.

Na (ir)realidade bolada por Nolan, a percepção do tempo é naturalmente distorcida. E a noção de espaço também pode ser subvertida, como Ariadne percebe, com certo entusiasmo infantil, durante um treinamento em uma representação subconsciente de Paris. É o primeiro dos muitos momentos em que se concretiza, em película, o virtuosismo do diretor. São os efeitos especiais mais impressionantes e eficientes do cinema desde Matrix (1999).

Mas Nolan também é ousado como roteirista. Enquanto Ariadne dobra a realidade sobre si mesma, ele vai dobrando as camadas da trama – para concluir sua missão, Cobb terá de espalhar sua equipe em sucessivos sonhos dentro de sonhos. Em meio à tensão que se multiplica, nos damos conta de que nossa experiência também é duplicada. Ao passear pelo cenário mental da vítima de Cobb, também estamos, na verdade, tendo acesso privilegiado à mente de um dos mais interessantes cineastas da atualidade. O sonho de Nolan é o sonho de qualquer cinéfilo.

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