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Cinema

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(Este é o quarto post na série que explica o sistema de distribuição de filmes no Brasil. Confira o primeiro, o segundo e o terceiro).

Onde você entra no processo de distibuição? Bem antes do que imagina. Seu mero interesse por um filme, antes mesmo da estreia, é o principal fator para “inflacionar” seu preço na hora da distribuidora vendê-lo ao exibidor. Blockbusters custam caro. Já filmes não tão ‘quentes’ podem ser vendidos por um preço mais em conta - alguns, até em pacotes na linha “pague 2, leve 3″. Depois que o filme entra em cartaz, a inescapável lei da oferta-e-procura segue firme. Se a frequência do público cai, o exibidor substitui a película por outra, mais recente ou com maior apelo.

Mas prever esse interesse, claro,  não é uma ciência exata. Basta passar no HSBC Belas Artes, em São Paulo, para ter um exemplo evidente: um filme pequeno, francês, está em cartaz desde julho de 2008 2007! O drama Medos Privados em Lugares Públicos (foto) é um desses fenômenos que desafiam explicação.

Na verdade, até há uma justificativa, mesmo que parcial. Ele está ’morando’ no Belas Artes há tanto tempo porque a ‘dona’ do cinema é também a distribuidora do filme, a Pandora. (Essa duplicidade de cargos, aliás, é proibida por lei nos EUA).  O diretor-geral da Pandora, André Sturm, porém, garante que ele ainda dá lucro - a audiência realmente se apaixonou pela película. “Na última terça-feira de Carnaval, numa sessão às 14h, foram 58 pessoas”, comemora. ”O filme virou uma febre, todo mundo assiste e fala para os amigos, e assim ele permanece dando público.”

No post de segunda-feira (1/3), saiba por que existe tanta tradução de títulos ruins no Brasil – e por que tanto filme parece melhor no trailer do que realmente é. (Renata Reps)

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O Cinema segue pedindo a grandes cineastas para identificar as melhores salas de São Paulo. Afinal, eles sabem muito bem identificar se determinada projeção preservou (ou alterou) o audiovisual original de seus filmes. Depois de Laís Bodanzky, agora consultamos Carlos Reichenbach. Nascido em Porto Alegre mas um paulistano autêntico (mudou-se para cá com um ano de idade), ele já dirigiu, fotografou e atuou em mais de 20 filmes comerciais. Entre os mais recentes, Garotas do ABC (2004) e Falsa Loura (2007).

Qual cinema de São Paulo fez a melhor projeção de seu filme?
A Cinemateca, o CineSesc e o Espaço Unibanco fizeram exibições impecáveis de Falsa Loura. Não assisti ao filme em muitas outras salas, mas não tenho do que reclamar dessas três.

Quais salas da cidade você costuma frequentar, e por quê?
Tecnicamente, a melhor sala de cinema do Brasil é a Unibanco Arteplex. É uma espécie de tubo de ensaio, nada escapa do filme. As da Cinemateca também têm excelente qualidade de imagem e som. Mas as minhas preferidas mesmo são do CineSesc, eu estou sempre lá. Isso principalmente por causa da programação atípica. Poucas salas de São Paulo apostam em outro tipo de filme, talvez menos comercial.

Que dicas você daria para o público avaliar a qualidade de projeção de um filme?
Bom, eu tento evitar assistir a filmes brasileiros em salas de projeção digital. É preciso se informar: se o filme foi captado com câmera de vídeo, não faz diferença; mas se foi captado em 35mm, ele perde muito nesse tipo de projeção. A tendência quando isso acontece é a tela parecer uma grande televisão, destoando os contrastes característicos do cinema. Oras, para ver TV eu fico em casa, e imagino que o público também. (Renata Reps)

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(Este é o terceiro post da reportagem sobre como funciona o sistema de distribuição de filmes no Brasil. Confira o primeiro e o segundo).

Basta entrar na fila de alguma bilheteria para ouvir reclamações de que o preço do ingresso é muito alto. Mas você sabe para onde vai o suado dinheiro do seu salário?

O produtor tem interesse que seu longa-metragem seja distribuído pela empresa que oferecer maior prestígio.  Mas a má notícia é que ele fica com a menor parte dos rendimentos. O exibidor fica com 45% a 50% da renda de bilheteria, salvo impostos. “Mas é ele também quem tem os maiores gastos com trâmites operacionais do filme, salas, equipamentos e pessoal”, afirma a coordenadora do Centro de Análise do Cinema e do Audiovisual, Alessandra Meleiro. 

A melhor chance de margem de lucro fica mesmo com a distribuidora, que pode negociar para comprar os filmes ao menor preço possível e, no fim do processo, recebe de 20% a 25% da arrecadação da bilheteria. Cabe ao exibidor pagar pelas cópias em película do filme, que chegam a custar até US$ 1500. Seu principal gasto é a realização das cópias em película dos filmes que chegam a custar até US$ 1500 cada. Há também investimento na publicidade e na organização de exibições para a impressa, pré-estreias, photocalls, etc.

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E quanto ao período que o filme permanece em cartaz? Cada distribuidora negocia com o exibidor da forma que mais lhe convém. Para títulos importantes, como Homem de Ferro 2 (no alto) ou Robin Hood (acima), geralmente são definidos lançamentos nacionais, que atingem 90% dos cinema do país – algo em torno de 750. Às vezes, o contrato estabelece um período mínimo para que o longa fique em exibição. A maioria, no entanto, segue a regra de que ele precisa alcançar uma renda média durante a semana para continuar no circuito. Se, durante o fim de semana, a película faz 60% dessa média, a resposta é positiva. A decisão de tirar ou não o filme da grade acontece nas segundas ou terças-feiras, para dar tempo de escolher seu ‘substituto’ na sexta seguinte.

Há, porém, exceções à regra. No post de segunda-feira (1/3), conheça o bizarro caso do filme que está há dois anos em cartaz em São Paulo. (Renata Reps)

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O Reserva Cultural (Av. Paulista, 900, São Paulo, 11-3287-3529) ficou famoso pela programação alternativa: séria e quase sisuda demais. Mas isso deve mudar. Popular com o público adulto, agora o endereço está de olho nas crianças. No dia 21/3, lança um novo projeto, ainda sem nome, que exibirá simultaneamente filmes para os pais, em uma sala, e para os filhos, em outra.    

“Como os longas infantis têm duração mais curta, teremos contadores de histórias, monitores e outras atividades antes e depois da sessão, para completar o tempo”, afirma Jean Thomas Bernardini, um dos sócios. As salas serão decoradas com bexigas e tecidos coloridos. O primeiro ciclo, para crianças acima de 7 anos, começará com a exibição de Pequenas Histórias. O evento se repetirá quinzenalmente, sempre aos domingos de manhã, com filmes como Os Xeretas, Os Três Zuretas e Tainá 2

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“Nosso objetivo é a formação de plateia. Nas próximas edições podemos incluir atrações para as crianças mais novas”, continua Bernardini (na foto, com a sócia Denise Pompeu). Ele afirma que percebeu a demanda por uma sessão infantil depois de uma pesquisa com os frequentadores do lugar. “Esperamos que em 2011 o Reserva Cultural vire um templo do cinema infantil de qualidade”. 

Nunca é cedo demais para transformar seu filho em um minicinéfilo, não é? (Fernada Araujo)

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Seguimos nossa série sobre como funciona o processo de distribuição de filmes no Brasil. Para continuar o papo, é importante apresentar quem são os “protagonistas” desta história.

Há dois tipos de distribuidoras:

Majors | São empresas internacionais que têm filiais aqui no país. É o caso da Warner, Fox, Disney, Columbia Pictures e Paramount. Mas há também as…

Independentes | Não são ligadas a qualquer companhia maior, como a Mais Filmes, Pandora, Europa, Downtown Filmes e MovieMobz, por exemplo.

“As majors fazem contratos com produtores que incluem distribuição em vários países, inclusive o Brasil. As independentes compram seus filmes no exterior e os trazem para cá”, explica Paulo Sérgio, cineasta e diretor do portal Filme B.

O namoro entre distribuidores (que detêm os direitos dos filmes) e exibidores (que possuem as salas onde o público poderá vê-los) tem hora e lugar para acontecer.

Duas grandes feiras de negócio anuais ajudam a definir o calendário de estreias do ano: o Festival de Inverno de Campos do Jordão, em maio, e o Show Búzios, em novembro.

A data em que cada filme entra em cartaz não é imposta pela distribuidora. Depende de um acordo com o circuito, cuja agenda é também regulada pela concorrência entre as diferentes empresas (Cinemark, UCI, Grupo Serveriano Ribeiro, etc). Ninguém quer ficar para trás se o rival decidir lançar antes um filme importante, como Homem de Ferro 2

Esse equilíbrio de forças também define as praças (cidades ou regiões) onde cada filme chega primeiro. Claro que, para as distribuidoras, o interessante é que sua obra vá onde houver mais dinheiro – no caso, os grandes centros urbanos.

Neste domingo (28), na terceira parte da série, saiba quem leva a maior parte do dinheiro que você deixa na bilheteria – a distribuidora, o exibidor ou o produtor do filme. (Renata Reps)

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Alguma vez você já se perguntou por que determinado filme não chegou ao cinema que fica perto da sua casa? Ou quando é que a cidade da sua mãe, no interior do Estado, vai enfim exibir aquele longa que fez sucesso na capital faz algum tempo? Já se irritou com legendas erradas ou títulos que não têm nada a ver com o original? Foi assistir a um filme só porque achou o trailer sensacional?

Senhoras e senhores, eis a participação especial das distribuidoras. São elas as responsáveis por todo o processo que vai desde o momento em que o filme fica pronto até sua chegada aos aparelhos de DVD e BluRay – passando pela programação das salas de cinema, é claro. Pouca gente sabe como esse mundo funciona e quais fatores influenciam as decisões dessas empresas. Aqui, em posts diários, você vai conhecer um pouco mais sobre o mercado que organiza os bastidores das telonas.

Amanhã (sáb., 27), você vai conhecer os principais envolvidos nesse setor e também os dois eventos anuais que estabelecem o calendário de estreias que irá funcionar ao longo do ano. No domingo (28), descubra quem fica com a maior parte da grana que você deixa na bilheteria: o distribuidor, o exibidor ou o produtor do filme? E vem muito mais por aí. Aguarde! (Renata Reps)

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Nós, do Cinema, gostamos de todo tipo de sala de cinema – das grandes às pequenas. O importante é ter projeção de qualidade e filmes interessantes. Por isso, resolvemos conferir algumas das chamadas ‘salas especializadas’ que estão ganhando fama em São Paulo. São núcleos menores, com programação alternativa e uma plateia pronta para discutir o que acabou de ver.  

É o caso da Biblioteca Roberto Santos (R. Cisplatina, 505, Ipiranga, 11-2273-2390 ou 11-2063-0901), uma das pioneiras no segmento. Há mais de 10 anos, ela reúne colecionadores de 16mm, cujo material serve de apoio a cursos e workshops relacionados à sétima arte. A sala é charmosa, com projetor e sistema de som 5.1, e tem até certos recursos que você não encontra nem em grandes redes de cinema -como, por exemplo, dois lugares para obesos. Cadeirantes, claro, também têm área reservada. E olha como as fileiras são espaçadas entre si! 

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As sessões são definidas por Marlon Florian, coordenador de programação das bibliotecas temáticas da cidade. Mas, às quartas-feiras, às 19h, a decisão fica a cargo dos moradores da região. “São eles que escolhem a programação”, conta Florian. Os 101 assentos costumam ser ocupados por gente de todas as idades. “Trazemos crianças de creches e escolas próximas daqui. E qualquer professor interessado em usar o espaço pode se informar e trazer sua turma”, diz a coordenadora Filomena Janowsky.  

Há ainda programação às sextas, às 15h; sábados, às 16h e 19h; e domingos, às 16h e 18h. O acervo, que pertenceu ao cineasta Roberto Santos, inclui filmes de diversos países e aborda temas que vão de cinema a literatura e HQs. Clique aqui para saber mais sobre a agenda de eventos do lugar. (Susan Eiko)

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Na edição especial do Guia que avalia as 45 salas de São Paulo e que circula na próxima sexta (5), ganharam pontos extras os exibidores com boa acessibilidade. Mas, para facilitar a vida de um cinéfilo portador de necessidades especiais, não bastam rampas ou elevadores. Para começar a série de posts ’Meu Oscar’, na qual pessoas com perfis fora do padrão indicam os endereços que melhor atendem às suas exigências, o blog pediu ao deficiente físico Anderson Santana, de 22 anos, a indicação dos melhores (e os piores) cinemas para quem tem problemas de mobilidade.

O auxiliar de enfermagem usa muletas desde a infância e diz que as dificuldades costumam começar logo na entrada dos multiplex. “Às vezes, os funcionários ficam inibidos de oferecer ajuda, com medo de me constranger”, afirma. Mas constrangimento maior ocorre quando ele precisa mostrar as muletas a alguém na bilheteria, para “provar” que merece desconto (há uma política, não legislada, de conceder meia-entrada a deficientes).  

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Quando vai ao cinema com amigos cadeirantes, o problema são os assentos reservados a eles – geralmente nas primeiras fileiras, com péssima visibilidade. “No Cinemark Aricanduva é assim. Nem todos os meus amigos couberam no espaço. A gente mesmo que teve de se ajeitar, sem ajuda de ninguém”, relembra. Outro problema: lá, os funcionários se recusaram a dar preferência para Anderson e sua turma na fila, para “evitar represálias de outros clientes”.  

O auxiliar de enfermagem diz que o Cinemark até já participou de encontros com pacientes da AACD, onde ele trabalha, para saber como oferecer mais conforto a deficientes. Em uma das filiais, a iniciativa está rendendo: se tivesse de dar um Oscar de “melhor cinema para portadores de necessidades especiais”, Anderson elegeria o do Shopping Metrô Santa Cruz. “A equipe de funcionários é a que mais ajuda”, diz. E, para levar usuários de cadeiras de roda, ele recomenda o Cinemark Pátio Paulista: “A área reservada é ótima e você não paga estacionamento”.  (Dado Carvalho)

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A diretora Laís Bodanzky (Bicho de Sete Cabeças) não tem medo de sair de uma sessão de cinema para reclamar sobre a qualidade da projeção. Segundo ela, tem horas que “só mesmo chamando o gerente”. Prestes a lançar seu mais novo filme, As Melhores Coisas do Mundo, Laís é também a organizadora do projeto Cine TelaBrasil, que leva salas móveis até comunidades carentes. Está, portanto, duplamente qualificada para identificar os melhores projetores de São Paulo.

Qual cinema da cidade fez a melhor projeção de seu filme?
No caso de Chega de Saudade, meu filme mais recente, a melhor exibição que acompanhei foi no Cinemark Metrô Santa Cruz. Mas é aquela história: quando eu assisto na sala do laboratório de projeção, sei que nunca mais vai ser igual, porque lá está tudo regulado exatamente como deve ser.

Qual cinema você gosta de frequentar?
Vou ao Cinemark Villa Lobos porque moro perto, na Vila São Francisco. Mas gosto muito da sala Imax do Bourbon. Acho fantástico esse fenômeno de lotação esgotada, ingressos tendo que ser comprados com uma semana de antecedência. Parece teatro, é muito interessante. Além disso, costumo preferir cinemas que misturam exibições de blockbusters e filmes alternativos.

Que dicas você daria para o público avaliar a qualidade de projeção de um filme?
Primeiro, uma coisa que as pessoas precisam saber: nenhum filme é escuro naturalmente. Ele sempre sai do laboratório equilibrado. Se a imagem está escura, é problema da projeção. Uma lâmpada fraca ou distância errada do projetor pode ocasionar essa falha. Mas, para mim, o pior é quando o som está baixo. Não sei por que criou-se o mito de que filmes brasileiros têm som estourado, então as salas baixam o volume na projeção e informações sutis do filme acabam se perdendo. Inúmeras vezes já tive que sair da sala para pedir para aumentarem o som. Para resolver na hora da exibição, só chamando o gerente. (Renata Reps)

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Esperamos que esta icônica imagem de 2001 – Uma Odisséia no Espaço evoque em sua memória a clássica trilha sonora de Richard Strauss. (Não lembrou? Clique aqui). É com esta pompa tipicamente cinematográfica que inauguramos este blog. Aqui, você vai encontrar notícias, trailers e curiosidades deste universo. E, como todo fã tem sempre vocação para crítico de cinema, fique à vontade para deixar seus comentários também.

Em cartaz, nesta primeira semana: um ‘esquenta’ para o 6º Oscar das Salas de Cinema, a edição especial do Guia que avalia todos os cinemas de São Paulo. O suplemento só circula na próxima sexta (5/3), mas, aqui, a farra começa antes, com posts diários sobre o tema. Quais são os cinemas favoritos de quem trabalha com essa arte? Qual a sala com a poltrona ideal para alguém de 1m96? Quem define quando um filme entra ou sai do circuito? Onde fica o mais novo cinema de luxo paulistano? Confira as respostas nos próximos dias aqui.

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