A testosterona pode até ajudar muitos marmanjos durante suas relações sexuais. Mas também pode fazer com que uma pessoa se torne mais egocêntrica. De acordo com um estudo realizado pela University College London, na Inglaterra, pessoas com níveis elevados do hormônio (é preciso lembrar que a testosterona existe tanto no homem quanto na mulher, embora em quantidades muito diferentes) tendem a supervalorizar suas próprias opiniões. Resultado: não cooperam o suficiente. Um artigo sobre o trabalho foi publicado no periódico científico Proceedings of the Royal Society.
A resolução de problemas em grupo é considerado um gatilho evolutivo para a história humana. Afinal, compartilhar informações e conhecimento pode evitar perdas desnecessárias na luta direta ou indireta pela sobrevivência. É por esse motivo que a oxitocina – o ‘hormônio do amor’, apelidado dessa forma por despertar a empatia de um ser pelo semelhante – sempre foi estudada, especialmente em populações de animais que se apóiam na coletividade. Enquanto ela age favorecendo a cooperação, a testosterona atua despertando o efeito inverso.
“Quando tomamos decisões em grupo, pisamos em uma linha tênue entre cooperação e interesse individual”, explica Nick Wright, responsável pela pesquisa. “Se houver muita cooperação, talvez nunca consigamos encontrar o nosso caminho, mas se formos demasiadamente orientados para nós mesmos, estaremos propensos a ignorar outras pessoas que têm boas ideias”.
O estudo pode ser especialmente útil na avaliação do comportamento de certos grupos sociais. Sabe-se, por exemplo, que o nível de testosterona em prisioneiros é elevado antes de uma briga, e que o hormônio pode responder por muitos comportamentos anti-sociais observados inclusive no ambiente de trabalho. Mas a postura influenciada pela testosterona pode ser extremamente relevante se levarmos em conta um juri, por exemplo. Nesse caso, cooperação é a palavra de ordem. E o egocentrismo pode cegar o indivíduo para a realidade.
Ninguém é capaz de sair completamente ileso de um divórcio. Contudo, os mais novos tendem a sofrer mais: um estudo realizado pela Universidade Estadual de Michigan, nos EUA, mostra que o processo de separação afeta menos a saúde de quem já passou por diversos carnavais.
“Eu esperava que o divórcio gerasse menos estresse nos mais novos, já que a separação é mais prevalente nesta geração”, diz a socióloga Hui Liu, responsável pelo trabalho. No entanto, ao relacionar a saúde de mais de mil norte-americanos que passavam pelo processo de divórcio, a pesquisadora observou que as pessoas entre 35 e 41 anos relatavam mais problemas de saúde do que os que tinham entre 44 e 50 anos.
De acordo com a pesquisadora, a explicação estaria no fato de que em gerações anteriores a pressão pela manutenção do casamento era mais forte. Dessa maneira, a separação – mesmo que tardia – acaba tendo um caráter libertador. Em vez de sofrerem, as pessoas mais velhas tendem a se sentir aliviadas por colocar um ponto final em algo que teria sido imposto socialmente.
O rap, quem diria, pode fazer muito mais do que alertar a população para os problemas sociais. Cientistas da Universidade Purdue, nos EUA, demonstraram que o ritmo desse tipo de música pode ser aproveitado também para alimentar um novo sensor miniatura, projetado para ser implantado no corpo de pacientes com aneurisma ou incontinência urinária.
Funciona da seguinte maneira: ondas acústicas fazem a extremidade do dispositivo – um sensor de pressão de aproximadamente dois centímetros – vibrar, gerando a eletricidade a ser armazenada em um capacitor. Assim, quando uma pessoa com o implante escutar rap ou músicas com um determinado intervalo de frequências entre 200 e 500 hertz, a energia acústica do ambiente atravessa a pele e outros tecidos até atingir o dispositivo. Se a frequência estiver fora da faixa adequada, o sistema para de vibrar, enviando automaticamete a carga elétrica do sensor para a leitura da pressão. O passo seguinte é transmitir esses dados como sinais de rádio.
A ideia poderia ser usada no monitoramento da pressão sanguínea ou da urina na bexiga, e o sensor poderia ser induzido a armazenar energia e transmitir informações em horários determinados. Associado a outros dispositivos, o sistema poderia ‘ativar’ uma função específica do corpo, como o estímulo de medula espinhal para fechar o esfíncter que controla o fluxo de urina da bexiga, por exemplo. Além disso, seria uma maneira prática de identificar o problema de incontinência urinária – cujo diagnóstico é feito atualmente pela desagradável introdução de uma sonda ou catéter na bexiga.
Asiáticos que nascem no Ano do Dragão, um dos 12 que regem o calendário chinês, realmente são mais bem-sucedidos do que os que nascem em outras épocas do ano. É o que mostra um novo estudo realizado pela Universidade George Mason, nos EUA. De acordo com os pesquisadores, a explicação não tem nada de místico: a crença no sobrenatural, contudo, faz com que os pais invistam mais em filhos nascidos nesse período.
Ao analisar imigrantes asiáticos que nasceram em 1976, o Ano do Dragão, os professores de economia Noel Johnson e John Nye observaram que ‘bebês dragões’ tinham uma educação superior àquela dos demais, com até quase meio ano a mais de estudo. O mesmo não foi observado em pessoas nascidas nos Estados Unidos, onde a cultura e o calendário são outros. Ao longo do tempo, o sucesso das crianças nascidas sob a influência do dragão reforçaria a superstição, fazendo com que a geração seguinte planejasse filhos para o período.
Um artigo sobre o assunto foi publicado no periódico especializado Journal of Economic Behavior & Organization.
Há de se convir que as imagens captadas do universo muitas vezes parecem ter sido desenhadas pelas mãos de um experiente artista. Não é estranho, portanto, que ‘Os Pilares da Criação’ – uma das mais fascinantes fotos já exibidas pela Nasa da nebulosa de Águia – desperte sempre um frisson especial nos amantes da astronomia. A primeira imagem, icônica, dessas nuvens cósmicas (onde hidrogênio, plasma e poeria dançam em ritmos quase eternos e em proporções quase inimagináveis para fazer despertar as mais novas estrelas) foi captada em 1995 pelo telescópio Hubble. Pilares semelhantes a dedos, localizadas a aproximadamente 6.500 anos-luz da Terra, apontavam a região onde novas bolas de fogo iriam acender.
Quase 20 anos depois, a mesma região ainda dá o que falar. A agência espacial europeia divulgou uma imagem obtida pelo Observatório Espacial Herschel que mostra um panorama espetacular da região, oferecendo aos astrônomos detalhes de novos pilares e o campo de gás e poeira ao redor. Além de auxiliar na busca por novas estrelas, os dados podem ajudar especialistas a entender melhor a incrível nebulosa localizada na constelação de Serpente. Abrigando um aglomerado de jovens estrelas quentes, a região faz também a alegria de astrônomos amadores, que conseguem identificá-la do quintal de suas casas com telescópios modestos.

A imagem da nebulosa de Águia foi obtida pela combinação de dados de luz infravermelha (a partir dos quais se pode observar o ambiente de gás ultra-frio e poeira) e de raios-x (que mostram as jovens estrelas quentes no centro da nuvem, interagindo como uma escultura dinâmica com os gases). Créditos: ESA/Herschel/PACS/SPIRE/Hill, Motte, HOBYS Key Programme Consortium; X-ray: ESA/XMM-Newton/EPIC/XMM-Newton-SOC/Boulanger
Não é ‘papo’ de nutricionista, não senhor: pratos menores ajudam na dieta. A novidade agora é que pesquisadores da Cornell University e do Instituto de Tecnologia da Geórgia demonstraram que, além do tamanho, a cor do recipiente também pode influenciar na quantidade de comida que uma pessoa ingere. Um artigo sobre o estudo foi publicado no periódico científico especializado ‘Journal of Consumer Research’.
De acordo com os cientistas, usar recipientes maiores pode levar uma pessoa a comer até 31 por cento a mais do que faria normalmente. O pior é que os pratos estão até 23 por cento maiores do que eram em 1900. E a ingestão de 50 calorias a mais pode resultar em um ganho de peso de mais de 2 quilos em um ano.
A equipe realizou experimentos com 225 estudantes, confirmando a expectativa de que pratos maiores de sopa fazem as pessoas comerem mais. Depois, os pesquisadores ofereceram alimentos coloridos em pratos brancos ou vermelhos. Eles observaram que quando o contraste entre a comida e o recipiente era maior, a quantidade servida diminuía em até 21 por cento. O mesmo ocorreu com a utilização de toalhas de mesa coloridas, reduzindo o volume em 10 por cento.
Uma erva chinesa medicinal pode oferecer um novo tratamento para o alcoolismo. De acordo com pesquisadores da Universidade da Califórnia em Los Angeles, nos EUA, um composto conhecido como dihidromiricetina, extraído da planta Hovênia, pode neutralizar os efeitos da intoxicação por álcool e minimizar os efeitos da famosa ‘bebedeira’. De quebra, ainda reduz o desejo pelo consumo de bebidas aparentemente sem causar nenhum efeito adverso.
Todas as respostas do cérebro são mediadas por substâncias conhecidas como neurotransmissores – capazes de disparar informações de um neurônio para outro com maior ou menor rapidez por meio de receptores na célula. Receptores GABA inibem a passagem da informação entre neurônios, induzindo a sedação e inibição do sistema nervoso central. Atua de modo especial no sono, diminuindo a atividade cerebral durante o repouso. Em pessoas alcoolizadas, provoca sonolência.
“A dihidromiricetina é um flavonoide que entra facilmente no corpo, através da corrente sanguínea, e chega até o cérebro. Ali, potencializa o sistema inibitório, bloqueando a intoxicação”, explica Jing Liang, responsável pelo estudo. “Ao atingir o estômago, pode fazer com que enzimas metabólicas apressem o metabolismo do álcool.” Ela explica que o composto apenas impede que o álcool se ligue aos receptores, de forma que as sinapses – a comunicação entre os neurônios – não sejam afetadas.
“Por enquanto, os experimentos foram realizados apenas com ratos. Em modelos animais, no entanto, o composto neutralizou a intoxicação aguda por álcool, diminuindo também a ansiedade, apreensão e susceptibilidade ao vício, tornando-se um forte candidato terapêutico para o alcoolismo. “Espero começar os ensaios clínicos (em voluntários) em breve”, diz Liang, que não descarta a possibilidade de investir em solo brasileiro: “Devido ao pano de fundo cultural, o alcoolismo é também um problema sério no Brasil.”
Flavonoides
Flavonoides são compostos químicos encontrados em vegetais que conseguem proteger o organismo de doenças em função de suas propriedades antioxidante, antitumoral, antiviral e anti-inflamatória. Atuam principalmente contra os chamados radicais livres – moléculas instáveis liberadas na queima de oxigênio pelas células, que reagem facilmente com outras moléculas, causando danos às células quando em excesso no organismo (estresse oxidativo), porque danifica o DNA das células.
Diversos vegetais possuem flavonoides conhecidamente benéficos para proteger o corpo de problemas específicos. Frutas cítricas, como o limão, possuem flavonoides tangeretinas. Frutas rosadas, como o morango ou a cereja, possuem flavonoides conhecidos como cianidinas. Rutinas podem ser obtidas na uva, pimentão e tomate.
Todos já sentiram: a ansiedade, que em alguns fica evidente nas unhas roídas, na dor de estômago, e até mesmo na falta de ar, é um estado emocional desagradável e transitório disparado como reação à percepção de futuras situações ameaçadoras ou frustrantes. Contudo, apenas agora a ‘face’ do problema foi literalmente flagrada em detalhes. Pesquisadores do Instituto de Psiquiatria no King’s College London, na Inglaterra, conseguiram identificar a expressão facial de uma pessoa quando ela experimenta o subjetivo sentimento de tensão. O estudo poderia contribuir para o diagnóstico de ansiedade mais preciso em pacientes, bem como para identificar indivíduos envolvidos em delitos.
Segundo Adam Perkins, autor principal do estudo focado no entendimento das causas da ansiedade, “ninguém sabe exatamente o que ela é”. No entanto, estudos anteriores realizados com muitos animais haviam mostrado uma ligação desse sentimento com o comportamento de avaliação de risco. Em roedores, por exemplo, os olhos se movimentam rapidamente enquanto a cabeça gira. Ao investigar o caso em seres humanos, a equipe descobriu que a expressão facial ‘da ansiedade’ compreende um olhar que varre o ambiente com a mesma intenção de avaliar os riscos.
Mas no caso específico do ser humano, essa atitude reflete uma preocupação com dois componentes: um funcional e outro social. O primeiro ajuda a aumentar a coleta de informações e o reconhecimento de ambientes ameaçadores ao expandir os campos visuais e auditivos. Já o componente social ajuda a comunicar aos outros nosso estado emocional – pré-requisito para seres que devem viver e evoluir coletivamente.
Pesquisadores da Universidade de Washington, EUA, descobriram que o conjunto de microrganismos residentes no intestino humano trabalha como um sistema integrado e apresenta diferenças entre pessoas magras e obesas. A conclusão do estudo é promissora para a melhor compreensão da obesidade e da doença inflamatória do intestino.
Existem mais de cem trilhões de micróbios vivendo no organismo humano, a maior parte no intestino. Centenas deles são bactérias, formando um enorme conjunto de genes, cerca de 150 vezes maior que o conjunto de genes humano. O microbioma intestinal – todas as bactérias com seus DNAs vivendo no intestino e interagindo com o nosso organismo – produz vitaminas, blocos para construção de proteínas, extraindo energia dos alimentos ingeridos e conferindo resistência às doenças.
No estudo, a equipe abordou o microbioma humano como um supraorganismo coeso onde os genes de múltiplas espécies microbianas se orquestram como se fizessem parte de um único organismo. A razão para se tomar essa abordagem é consequência da constatação em estudos anteriores de que espécies de bactérias isoladas em laboratório não sobreviviam umas sem as outras – elas eram simbióticas. Várias combinações de inúmeras espécies e genes diferentes de bactérias, descobertas com o mapeamento do microbioma humano, foram associadas a determinadas condições humanas.
Os pesquisadores observaram que pessoas magras e obesas apresentavam diferenças em seus microbiomas intestinais. As enzimas associadas à obesidade ou à magreza, produzidas pelas bactérias do microbioma, estavam mais concentradas na extremidade da rede comunitária. Portanto, estavam mais distantes do núcleo da rede e de suas funções metabólicas chaves. A constatação desse fato levantou a suspeita dos pesquisadores de que elas não são utilizadas pelo microbioma, ou seja, não interagem com as funções enzimáticas deste sistema. Elas parecem ser destinadas ao uso direto ou produzir substâncias que caracterizam o ambiente intestinal, e formam uma interface entre o metabolismo humano e o microbiano.

Acima, Rede metabólica ao nível comunitário do microbioma intestinal. Os nódulos representam enzimas e bordas conectam as enzimas que catalisam sucessivas etapas metabólicas. Enzimas associadas com a obesidade aparecem como nódulos coloridos maiores (vermelho = enriquecido; verde = empobrecido). Nesta imagem, zoom da rede comunitária do microbioma intestinal. Crédito: Divulgação/Universidade de Washington
Elhanan Borenstein, responsável pela pesquisa, sugere que as variações no nível enzimático associadas com a obesidade e a doença inflamatória do intestino estão vinculadas às alterações na forma como o microbioma interage com o ambiente do intestino humano. Portanto, não parece ser uma variação nos processos metabólicos dentro do núcleo microbiano. A pesquisadora acrescenta que outros achados apontam para a habilidade do microbioma de obesos em usar diversas fontes de energia. Esta habilidade aumenta a capacidade de extrair energia dos alimentos ingeridos.
Comparações entre os microbiomas de obesos e magros também mostraram que os dos obesos estão associados com níveis mais baixos de um traço topológico chamado ‘modularidade’. A modularidade reduzida das comunidades do microbioma de obesos é parecida com a de espécies específicas adaptadas para habitar ambientes de baixa diversidade, ou seja, maior capacidade de se alimentarem mais com pouca variedade.
Por muito tempo a aspirina complementou tratamentos de prevenção contra doenças cardíacas e derrames, por sua capacidade de reduzir a formação de coágulos em vasos sanguíneos. Contudo, um estudo elaborado na St George’s University of London, Inglaterra, mostra que o seu efeito benéfico é fraco frente ao aumento na taxa de risco para hemorragia interna em indivíduos sem histórico de ataque cardíaco ou derrame.
A pesquisa focou a eficácia da aspirina na prevenção primária – ou seja, em pessoas sem registro de ataques cardíacos ou derrames que tomam a droga regularmente – e a prevalência de seus efeitos colaterais. Também avaliou se a taxa de morte por câncer poderia ser reduzida com sua ingestão. Cem mil indivíduos foram acompanhados durante seis anos, sendo que a metade, grupo de controle, tomou placebo.
O resultado demonstrou que os riscos de morrer por hemorragia interna são muito maiores do que os benefícios considerados. De cada 73 pessoas tratadas, uma sofria hemorragia potencialmente significativa. Isso quer dizer que a redução de 10% na taxa de risco de contrair doenças cardiovasculares era compensada por um aumento de 30% na taxa de risco de morrer por hemorragia interna. Mais significante é a constatação de que a diminuição do risco ocorre apenas em pacientes mais propensos a ataques cardíacos não fatais.
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