São Silvestre é festa do povo na virada do ano
A Corrida Internacional de São Silvestre chega a 2010 em sua 86ª. edição ininterrupta.
Houve este ano um total de 21 mil inscritos entre atletas e pessoas que seguem apenas para se divertir não se importando com o resultado final
Esta é a mais tradicional corrida de rua do Brasil, pois começou a ser disputada em 1925.
Cásper Líbero, que era dono do jornal A Gazeta ficou impressionado ao assistir uma prova noturna pelas ruas de Paris, onde os competidores corriam a pé carregando uma tocha acesa.
De volta decidiu organizar algo parecido e a véspera do réveillon lhe pareceu a data mais apropriada pelo fato das pessoas ficarem nas ruas até de madrugada, comemorando a entrada do ano novo.
O nome de São Silvestre, se deve ao fato dele ser o santo do dia 31 de dezembro, só isso.
Na primeira prova da história, em 1925, houve menos de cem participantes e o vencedor foi Alfredo Gomes, um funcionário da Light.
Achei na internet uma foto atribuída a essa primeira corrida, mas percebam que se trata de uma foto diurna.

(Reprodução)
O trânsito nem chegou a ser fechado nas ruas por onde passaram os atletas que correram em meio a bondes e automóveis da época.
Na história da São Silvestre aparecem nomes e fatos interessantes como por exemplo, o vencedor da prova de 1928, ao que consta um brasileiro chamado Salim Maluf.
Como se sabe, nas primeiras décadas do século 20, havia muitos imigrantes estrangeiros em São Paulo.
Heitor Blasi, imigrante italiano, venceu a prova por duas vezes, em 1927 e 1929.
Isto nos leva a crer que o vencedor de 28 era possivelmente um imigrante de origem sírio-libanesa.
De oficial a presença de sul-americanos só é admitida a partir de 1945 e a de estrangeiros de todas as nações apenas em 1947.
Neste ano o vencedor foi um uruguaio, Oscar Moreira.

(Reprodução)
Dali pra frente o Brasil ficou na fila por 34 anos e a quebra do jejum aconteceu com José João da Silva, atleta do São Paulo FC, em 1980.
Três anos depois outro brasileiro subiria ao pódio em primeiro lugar, João da Mata e depois novamente José João da Silva, em 1985.

(João da Mata - 1983/ Reprodução)
As mulheres só entraram na história da São Silvestre a partir de 1975 e a vencedora da primeira prova feminina foi a alemã Christa Valensieck.
Uma brasileira só conseguiu o primeiro lugar vinte anos depois: Carmen Oliveira, em 1995.
Os atletas cadeirantes são admitidos na São Silvestre atual, partindo quinze minutos antes do pelotão de elite feminino.
Seus nomes, entretanto, não aparecem na lista dos vencedores, pura discriminação dos organizadores.
Até 1988 a corrida de São Silvestre aconteceu à noite, começando às 23:30 de forma que os primeiros classificados cruzavam a linha de chegada por volta da meia-noite, já no ano novo.
Em 1989 o horário da corrida foi alterado, passando a prova feminina para as 15 horas e a masculina às 17 horas.
O percurso foi fixado em 15 km, que é o mínimo exigido pela Federação Internacional de Atletismo.
O equatoriano Rolando Vera venceu a São Silvestre quatro vezes seguidas (1986 a 1990) mas o recordista de vitórias é o queniano Paul Tergat que chegou ao topo do pódio em cinco oportunidades (1995 – 96 – 98 – 99 – 2000).
O Quênia é o país que mais venceu a prova após sua internacionalização (13 vezes) enquanto que o Brasil teve apenas 8 vencedores, a partir de 1980.

(AP)
Na prova feminina, Portugal é o grande vencedor, graças à corredora Vera Mota que ganhou 6 vezes seguidas (1981 a 1986) e ainda Aurora Cunha (1988) totalizando 7 pódios.
Depois vem o Quênia com 6 vitórias e o Brasil com 5 vencedoras.
Quando a prova termina para os atletas, a São Silvestre se transforma numa parada onde alguns desfilam fantasiados.
Outros por serem parecidos com personalidades comparecem apenas para serem fotografados.

(AE)
Tudo isso fez a São Silvestre entrar no gosto popular e hoje consta do calendário oficial de eventos da SPTuris.
Mais que o dia da virada, 31 de dezembro é data de diversão para quem fica na cidade só para acompanhar a São Silvestre.

(AE)
A quem interessar estou deixando disponível no espaço, logo abaixo, destinado aos comentários, a lista dos vencedores desta corrida.
Aproveite para conferir nomes e deixar você também o seu comentário.





Comentário by Geraldo Nunes
Prova Masculina Prova Feminina*
2009 James Kipsang – Quênia 2009 Passalaia Chepkorir – Quênia
2008 James Kipsang Quênia
2008 Yimer Wude Ayalew – Etiópia
2007 Robert Cheruiyot Quênia
2007 Alice Timbilili – Quênia
2006 Franck Caldeira – Brasil
2006 Lucélia Peres Brasil
2005 Marilson Gomes dos Santos Brasil
2005 Olivera Jevtic Iugoslávia
2004 Robert Cheruiyot Quênia
2004 Lydia Cheromei Quênia
2003 Marílson Gomes dos Santos Brasil
2003 Margaret Okayo Quênia
2002 Robert Cheruiyot Quênia
2002 Marizete Paula Rezende Brasil
2001 Tesfaye Jifar Etiópia
2001 Maria Zeferina Baldaia Brasil
2000 Paul Tergat Quênia
2000 Lydia Cheromei Quênia
1999 Paul Tergat Quênia
1999 Lydia Cheromei Quênia
1998 Paul Tergat Quênia
1998 Olivera Jevtic Iugoslávia
1997 Émerson Iser Bem – Brasil
1997 Martha Thenório Equador
1996 Paul Tergat Quênia
1996 Roseli Machado Brasil
1995 Paul Tergat Quênia
1995 Carmem Oliveira Brasil
1994 Ronaldo Costa – Brasil
1994 Derartu Tulu Etiópia
1993 Simon Chemwoyo Quênia
1993 Hellen Kimayio Quênia
1992 Simon Chemwoyo Quênia
1992 Maria Del Carmen Diaz México
1991 Arturo Barrios México
1991 Maria Luisa Servin México
1990 Arturo Barrios México
1990 Maria Del Carmen Diaz México
1989 Rolando Vera Equador
1989 Maria Del Carmen Diaz México
1988 Rolando Vera Equador
1988 Aurora Cunha Portugal
1987 Rolando Vera Equador
1987 Martha Thenório Equador
1986 Rolando Vera Equador
1986 Rosa Mota Portugal
1985 José João da Silva – Brasil
1985 Rosa Mota Portugal
1984 Carlos Lopes Portugal
1984 Rosa Mota Portugal
1983 João da Mata – Brasil
1983 Rosa Mota Portugal
1982 Carlos Lopes Portugal
1982 Rosa Mota Portugal
1981 Victor Mora Colômbia
1981 Rosa Mota Portugal
1980 José João da Silva – Brasil
1980 Heide Hutterer Alemanha
1979 Herb Lindasy E.U.A
1979 Dana Slater E.U.A
1978 Radhouane Bouster França
1978 Dana Slater E.U.A
1977 Domingo Tibaduiza Colômbia
1977 Loa Olafsson Dinamarca
1976 Edmundo Warnke Chile
1976 Christa Valensieck Alemanha
1975 Victor Mora Colômbia
1975* Christa Valensieck Alemanha
1974 Rafael Angel Perez – Costa Rica
1973 Victor Mora Colômbia
1972 Victor Mora Colômbia
1971 Rafael Tadeo Palomares México
1970 Frank Shorter E.U.A
1969 Juan Martinez México
1968 Gaston Roelants Bélgica
1967 Gaston Roelants Bélgica
1966 Alvaro Mejia Flores Colômbia
1965 Gaston Roelants Bélgica
1964 Gaston Roelants Bélgica
1963 Henry Clerckx Bélgica
1962 Hamoud Ameur França
1961 Martin Hyman Inglaterra
1960 Osvaldo Suarez Argentina
1959 Osvaldo Suarez Argentina
1958 Osvaldo Suarez Argentina
1957 Manoel Faria Portugal
1956 Manoel Faria Portugal
1955 Kenneth Norris Inglaterra
1954 Franjo Mihalic Iugoslávia
1953 Emil Zatopek Eslováquia
1952 Franjo Mihalic Iugoslávia
1951 Erik Krucziky Alemanha
1950 Lucien Theys Bélgica
1949 Viljo Heino Finlândia
1948 Raul Inostroza Chile
1947 Oscar Moreira – Uruguai
1946 Sebastião Alves Monteiro Brasil
1945 Sebastião Alves Monteiro Brasil
1944 Joaquim Gonçalves da Silva Brasil
1943 Joaquim Gonçalves da Silva Brasil
1942 Joaquim Gonçalves da Silva Brasil
1941 José Tibúrcio dos Santos Brasil
1940 Antônio Alves Brasil
1939 Luiz Del Greco Brasil
1938 Armando Martins Brasil
1937 Mario de Oliveira Brasil
1936 Mario de Oliveira Brasil
1935 Nestor Gomes Brasil
1934 Alfredo Carletti Brasil
1933 Nestor Gomes Brasil
1932 Nestor Gomes Brasil
1931 José Agnello Brasil
1930 Murilo de Araújo Brasil
1929 Heitor Blasi – Itália
1928 Salim Maluf – Brasil
1927 Heitor Blasi – Itália
1926 Jorge Mancebo Brasil
1925 Alfredo Gomes Brasil
Comentário by ANGEL G.G.JUNIOR
SENHOR GERALDO NUNES
AULISTA PARA ASSISTIR
TODO ANO VOU ATÉ A ESQUINA DA BRIGADEIRO LUIS ANTONIO COM AV
A CHEGADA DOS(AS) CORREDORES(AS),É MUITO
INTERESSANTE.
SEM MAIS
ATENCIOSAMENTE
ANGEL G.G.JUNIOR
Comentário by Wanderley Duck
Quando eu era criança, nos anos 50 e 60, era tradicional a virada de ano com a televisão ligada ao fundo e, entre estouros de champanhe e os tios, que já haviam bebido um pouquinho demais cantando adeus ano velho, feliz ano novo, as atenções vez por outra se voltarem para a TV, para ver quem estava ganhando a corrida.
Com o tempo, dizem que por interesse de um poderoso grupo de comunicação da época, a corrida deixou de ser à noite, na hora da virada, e passou a ser no meio da tarde.
Muita gente não gostou, muita gente protestou, porque era uma tradição que assim se acabava.
Inclusive eu, ainda moleque, também não gostei e protestei.
Quem diria que, por conta da violência que nos anos seguintes veio a dominar a cidade, essa medida acabou sendo útil, acabou virando uma profética medida de segurança antecipada.
Quero a minha São Paulo calma e pacífica de volta, com a São Silvestre podendo acontecer de novo na hora da virada, para que os meus tios já meio alegrinhos com o champanhe possam voltar a cantar adeus ano velho, feliz ano novo, enquanto as tias e as crianças ficam em frente da televisão, para ver quem vai ganhar.
Comentário by Geraldo Nunes
Parabéns pelo texto, Wanderley Duck, verdadeira poesia.
Geraldo Nunes