17.09.10
Está fazendo 20 anos que a Rádio Eldorado iniciou uma campanha pela despoluição do Rio Tietê.
Foi em 1990, a sede da emissora ainda era na Rua Major Quedinho 76, no centro da cidade.
A inspiração para a campanha surgiu após a apresentação de uma matéria onde uma repórter da BBC de Londres, navegando pelo Rio Tâmisa.

Rio Tâmisa/Londres (Reprodução)
Em sua locução, Márcia Poo, falava da quantidade de peixes encontrados naquele rio que outrora também fora poluído.
Se os ingleses conseguiram limpar o Tâmisa, porque nós não podemos despoluir o Tietê? Questionou a Eldorado a seus ouvintes.

(GN)
A repercussão foi imediata e telefonemas não paravam de chegar, em poucos dias a campanha ganhou as ruas e a rádio começou a correr um abaixo assinado pedindo Limpeza Já para o Tietê.
Vale lembrar que naquele tempo a internet ainda não estava disponível a todos e muitos ouvintes vinham até a emissora. Eles retiravam listas de assinaturas e depois distribuíam nos locais de trabalho.
A SOS Mata Atlântica se engajou e criou o Núcleo União Pró – Tietê. Tudo isso acabou movendo as autoridades a criar o Projeto Tietê, lançado pelo Governo do Estado de São Paulo em 1992.
Agora, após a obtenção de mais um financiamento, na ordem de 600 milhões de dólares terá início a terceira etapa do Projeto Tietê.

(GN/Cmte.Soares)
Esta nova fase começa quarta-feira, 22 de setembro, Dia do Tietê e para marcar este acontecimento estarei apresentando durante a programação uma série de reportagens sobre o nosso rio.
O título é: “20 Anos Rio Tietê – A Cidadania Contra a Poluição”.

(GN)
A série também ficará disponível podcasts aqui neste site.
No primeiro capítulo falarei da semente lançada com a campanha da Eldorado promovida pela Eldorado em 1990.
Em seguida contarei a história do Rio Tietê que em tupi significa imenso caudal.Os índios o chamavam de Anhembi, ou seja, de muitas aves.
Conversei com uma senhora que nadou e praticou esportes no Tietê , em plena capital paulista: Elisa de Paula, de 85 anos até hoje sócia do clube Espérie onde comparece todos os dias. Ela também é artista plástica.

Fecho a série falando sobre o futuro do Tietê. Essa terceira fase do processo de despoluição deve se estender até 2015 e ainda é prevista uma quarta etapa que complementará as anteriores.
Engenheiros da Sabesp estimam que o rio Tietê estará limpo apenas em 2020. Por este motivo a Rede Eldorado continua na luta em favor de reportagens especiais sobre o Tietê.

(GN)
Será que um dia será possível se voltar a remar esportivamente no Tietê? O sonho continua.
14.09.10
A duplicação da Marginal do Tietê não está ainda concluída, mas já revela que alguns problemas crônicos não serão resolvidos quando a obra estiver totalmente pronta, por causa das alças de acesso que permanecem estreitas.
A Ponte das Bandeiras, construída em 1942, tem uma alça de entrada com a curva muito fechada, então o que a CET faz há anos é o seguinte:
Ela interdita todas as manhãs a entrada da marginal sentido Castelo Branco, para a ponte desviando o tráfego para uma via ao lado do Anhembi.

(Hélvio Romeiro/AE)
Com a implantação de uma pista a mais, todo o tráfego que passa nesta nova via, se for seguir ao centro, é obrigado a ingressar na alça de acesso à Ponte da Casa Verde.
Em conseqüência se forma um congestionamento que dificulta também a Avenida Olavo Fontoura.
Comentei durante o Jornal Eldorado Primeira Edição, no helicóptero, que alargaram a ponte, mas não alargaram a alça de acesso à Casa Verde. A obra portanto, não resolveu o problema do trânsito na região do Anhembi.

(Hélvio Romeiro/AE)
A Marginal está assim: É como fabricar uma flecha e esquecer o arco, não serve para nada.
A Rádio Eldorado então procurou um especialista em trânsito que defendeu a prioridade para o transporte coletivo como forma de desafogar o trânsito.
Também procurada, a senhora CET e a dona Dersa não deram resposta, até porque andam sendo questionadas pelo Ministério Público pdevido à sinalização ineficaz implantada após a duplicação.
O que levantei ficou sem resposta: Os engenheiros responsáveis estão deixando a obra da marginal incompleta.
É verdade também que estão fazendo uma nova ponte antes da avenida Cruzeiro do Sul, no formato de uma ferradura.

(GN/Cmte.Soares)
Também iniciaram uma nova ponte estaiada, que vai ligar a Avenida do Estado com Anhembi e o complemento final seria se alargar a alça de entrada para a Ponte da Casa Verde. Há espaço, mas duvido que essa obra saia.
Os engenheiros são muito teimosos e determinadas vezes acabam optando pelo mais caro, novos viadutos.

(GN/Cmte. Soares)
Em relação a outras questões levantadas durante o Jornal Eldorado Primeira Edição, devo dizer que nunca fui contrário a priorizar o transporte coletivo com mais investimentos e no uso maciço das ciclovias.
Mas há muita gente que defende o transporte coletivo da boca para fora porque na verdade roda pela cidade com seu carro todos os dias e pede que os outros andem de ônibus.
Mas sem dúvida, quem puder optar por uma bike até uma estação de metrô, fará ótimo negócio. Pena que ainda faltem ciclovias em São Paulo. Eu mesmo quando criança andei de bicicleta e isso me ajudou a desenvolver a musculatura das pernas. Nem todos sabem, mas tive poliomielite na infância.
Entretanto ninguém deve também querer impor o seu ponto de vista, na defesa de hábitos saudáveis, mas que pertencem, infelizmente, a uma minoria.
Importante é não confundir alho com bugalho, questionar a engenharia de tráfego é necessário para a melhoria do trânsito e o transporte coletivo é outra prioridade.

(Hélvio Romeiro/AE)
A realidade é que cada vez mais há carros circulando em maior número em São Paulo.
A função do repórter aéreo é a de ajudar os motoristas que estão parados no trânsito e dentro do possível questionando as autoridades naquilo que achamos necessário.
12.09.10
Voltou a ventar em São Paulo e isso ajudou a limpar o ar, o clima tanto no sábado quanto no domingo, foi exuberante. A grama dos parques, entretanto, permanece seca e amarelada.
A primavera só começa daqui a dez dias e por enquanto teremos ainda que conviver com o ar seco resultante da baixa umidade relativa do ar.
Até as queimadas vistas na região amazônica por imagens de satélite e que aparecem também na beira das estradas, aconteceram na cidade de São Paulo, mas em proporção menor.
Veja o que verifiquei do alto da Marginal do Tietê, em um amplo terreno existente nos fundos da Vila Fiat Lux, entre as rodovias Bandeirantes e Anhanguera.
Perceba na foto que o mato foi todo queimado por um incêndio.

(GN/Cmte.Anderson)
Esse terreno tem uma história particular e interessante porque fez parte das terras que pertenceram ao coronel Anastácio de Freitas Trancoso, homem poderoso no século 18, mas que hoje ninguém se lembra mais.
Uma referência que ainda resta dele é a Vila Anastácio, batizada em sua homenagem. No terreno existe o esqueleto de um prédio que serviria a um laboratório, cuja obra foi embargada na justiça por herdeiros.
A frente do terreno fica na entrada da Marginal do Tietê para a Via Anhanguera e quem passa por lá vê uma casarão abandonado há bastante tempo.
O casarão serviu de sede para a fazenda do coronel Anastácio e diz a lenda que depois o lugar foi comprado pela Marquesa de Santos.

O casarão passou por reformas que em certa parte o descaracterizaram, mas ele está lá, de pé, embora sem telhado, mas com uma lage de cobertura, provando que mexeram nele durante o século 20.
Dessa entrada por onde se ingressa na Via Anhanguera, partiam os bandeirantes pelo Caminho dos Goiases que seguia de São Paulo até o Centro-Oeste brasileiro.
Por inspiração desse trajeto primitivo é que se dá o nome às rodovias que hoje começam neste mesmo ponto: Vias Anhanguera e dos Bandeirantes.
Mas como nosso assunto diz respeito ao tempo seco, observem como está amarelada a grama do Parque Villa – Lobos. Além disso, intermináveis obras continuam sendo realizadas lá dentro.

Quem projetou esse parque foi o arquiteto Décio Tozzi, cuja obra quando em construção, fotografei do alto várias vezes a pedido dele.
Agora, um aviso aos navegantes: Todo esse aguapé dentro da represa Guarapiranga, nesta foto aérea, que havia sido retirado pela Sabesp, antes do final de semana para garantir a circulação das lanchas está de volta.

É que sobrevooei este mesmo trecho da represa na segunda-feira e constatei a presença de novos aguapés que lá chegam por causa de um canal de transposição construído na gestão Mário Covas, entre a Billings e a Guarapiranga.
Isto nos leva à conclusão que as águas poluídas da Billings estão contaminando a Represa Guarapiranga. Pode até aparecer algum técnico querendo desmentir essa afirmação, mas o canal entre as duas represas existe.
Também merece registro a fotografia que fizemos do Parque da Água Branca. Embora visto do céu ele permaneça o mesmo, mas lá dentro quanta diferença!

Em agosto último, a primeira-dama do Estado, Deuza Goldman, empreendeu profunda e extensa reforma no parque, fazendo derrubar algumas palmeiras e retirando o banco de sementes para fazer do local uma trilha de cascalho para caminhadas.
Completando nosso sobrevoo seguimos na direção do Campo de Marte vendo a Marginal do Tietê cujos viadutos ainda em construção só serão concluídos no mês de dezembro.

(GN/Cmte. Anderson)
07.09.10
por
Geraldo Nunes ,
Seção:
Geral
15:33:39.
Existe uma regra informal no mundo da música, existente desde o tempo dos Beatles que é a seguinte: Todo artista inglês de sucesso internacional, deve se mudar para os Estados Unidos para fugir dos impostos.
Muita gente conhecida fez isso, mas se alguma dessas celebridades escolhesse o Brasil por moradia, ficaria no “prejuízo” quase que do mesmo jeito.
Chegamos a essa conclusão, após um levantamento publicado pela Receita Federal que pesquisou a arrecadação dos países signatários da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico – OCDE, com base no que foi arrecadado em 2008.

Naquele ano o peso dos impostos no bolso do cidadão brasileiro chegou a 34,41%, enquanto que no Japão foi de apenas 17,6% .
A carga tributária foi menor também para quem mora nos Estados Unidos (26,9%), no Canadá (32,2%) e na Espanha (33%).
O Reino Unido, entretanto, continua na nossa frente como cobrador de impostos.

Se o ex- Beatle Paul Mc Cartney continuasse morando em Liverpool, teria gasto 35,7% do que ele ganhou em 2008 só com impostos.
Mesmo assim os britânicos ficam atrás da Dinamarca (48,3%), Suécia (47,1%), Itália (43,2%), França (43,1%), Portugal (36,5%) e Alemanha (36,4%).
O Brasil (34,41%) arrecada mais em impostos que o México (20,4%) e que a Argentina (29,35).
A explicação, segundo a Receita Federal, é que a Constituição impõe ao Estado o cumprimento de certas obrigações que não há como fugir.

Países mais liberais não oferecem certos serviços públicos para a sociedade e não tem a Previdência Social, administrada pelo setor público e nesses casos, a carga tributária pode ser menor.
Já as nações com perfil mais ligado ao atendimento de forte demanda social, notadamente cobram mais impostos.
Ou seja, enquanto o Brasil for um país assistencialista em vários aspectos como é hoje, não haverá como fugir de uma carga tributária tão pesada.

Com isso, o Impostômetro da Associação Comercial de São Paulo vai continuar medindo a arrecadação governamental ainda por muitos anos.

03.09.10
Aproveitei o fim de semana prolongado para fazer duas homenagens no programa Brasil em Todos os Tempos que apresento na Rede Eldorado.
A primeira delas para Dorina de Gouvêa Nowill, nascida em 1919 e que o destino fez perder a visão aos 17 anos de idade, para que se tornarsse a primeira aluna cega a estudar numa escola pública em nosso país.
Dorina queria ser professora e para isso era preciso fazer um curso ministrado exclusivamente pelo colégio Caetano de Campos, em São Paulo, chamado Normal.

(Reprodução)
Vencido esse desafio passou a dar aulas, inclusive para alunos que enxergavam, sem se atrapalhar na hora de colocar uma lição na lousa.
Ela conta em uma entrevista que nos concedeu com exclusividade na Rádio Eldorado, em 2007, que delegava tarefas aos próprios alunos que cumpriam com satisfação as funções de escrever no quadro negro e fazer leituras em sala de aula de livros que não tivessem cópia em Braille. "E tudo ia bem", explicou.
Bons tempos aqueles em que Dorina Nowill com o auxílio de outras pessoas e de empresas, pode criar a primeira biblioteca Braille, em 1946. A entidade passou então a se chamar Fundação para o Livro do Cego no Brasil.

(Reprodução)
Mais tarde a entidade ganhou outro nome seu nome Fundação Dorina Nowill.
Esta mulher pioneira faleceu na semana passada aos 91 anos.
Outra homenagem está sendo dirigida a Ary Fernandes, criador da série Vigilante Rodoviário, a primeira série a ser filmada para a televisão brasileira.

(Reprodução)
A estréia da série aconteceu na antiga TV Tupi em 1960. O Vigilante Rodoviário era um policial das estradas que tinha um amigo inseparável, o cachorro Lobo.
Lobo andava na garupa da motocicleta do policial Carlos Miranda, herói da estória.

(Divulgação)
O autor dos scripts da série foi o produtor de cinema e televisão Ary Fernandes, que faleceu nesta semana aos 71 anos.
Ary Fernandes lançou em 2007 sua biografia na forma de um livro, escrito por Antonio Leão da Silva Neto.
Na oportunidade os dois estiveram na Rádio Eldorado, Ary Fernandes havia sofrido um AVC e falava com certa dificuldade.
Mesmo assim ele contou para os ouvintes como surgiu a série e porque escolheu Carlos Miranda, que fazia parte da equipe técnica, para o papel de ator principal.
Na entrevista Ary Fernandes chama carinhosamente a Carlos Miranda de Carlinhos e isso me deixou na época muito feliz.
Vale lembrar que o ator Carlos Miranda está bem de saúde e reside em Serra Negra, no interior paulista. Em determinado momento da vida deles, Ary Fernandes e Carlos Miranda se desentenderam e ficaram sem conversar.
Depois pelo empenho deste apresentador e do pesquisador de cinema, Antonio Leão da Silva Neto, os dois reataram amizade.
A discussão entre os dois só permaneceu em um ponto, sobre quem o cachorro, que se chamava Lobo, gostava mais.
O cão na época da filmagem, se hospedou por uns tempos, na casa de cada um deles que lhe dedicaram carinho especial. A série fez sucesso em todo o Brasil e foi reapresentada pela TV Globo nos anos 70.

(Reprodução)
Existe uma trilha sonora da série Vigilante Rodoviário, com nova roupagem, na voz do cantor Branco Mello. A letra da música é de Ary Fernandes.
30.08.10
por
Geraldo Nunes ,
Seção:
Geral
14:58:37.
Desde o início do ano tenho comentado neste blog a existência de uma obra cuja grandeza extrapola as necessidades do sistema viário ali existente.
Abordei o assunto com o olhar crítico de um repórter que já viu muita coisa sendo construída e desfeita nesta cidade.

(GN/Cmte. Anderson)
Estou me referindo a este viaduto estaiado que está sendo construído no Tatuapé para eliminar o semáforo do cruzamento da Rua Padre Adelino, com a Avenida Salim Farah Maluf.
Até aí tudo bem, mas uma obra em concreto e asfalto, como tantas em São Paulo, resolveria o problema do trânsito.
Mas a obra continuou sendo tocada meio que na surdina, sem ninguém comentar o assunto, muito menos o prefeito.
Resolvi encaminhar as fotos que fiz do helicóptero, aos colegas do Estadão e a resposta veio em uma reportagem publicada numa edição de sábado.
Ela diz que de fato, a prefeitura da capital paulista transferiu recursos de ações antienchentes só para tocar adiante as obras deste viaduto que corre em paralelo à Radial Leste.

Percebam na foto acima que ele começa largo, mas depois a rua desemboca numa via estreita que não pode ser alargada por esbarrar nos muros do cemitério da Quarta Parada e no prédio do Sesc Belenzinho.
Vejam a mesma obra de outro ângulo, cujo desfecho pode resultar em novas desapropriações.

A prefeitura já gastou R$ 77 milhões indenizando os proprietários de imóveis na região que foram desapropriados e para dar continuidade ao projeto lançou mão das verbas que seriam usadas em piscinão no bairro de São Mateus.
O montante dali retirado foi de R$ 6,7 milhões e uma outra obra que previa a canalização de um córrego em M’ Boi Mirim teve mais R$ 6 milhões retirados em favor da obra viária.
Como se percebe dos bairros periféricos onde vive a população mais carente é que as verbas foram transferidas para o monstrengo estaiado.

A prefeitura alega que a transferência foi necessária porque a Câmara Municipal a obrigou a reduzir gastos na votação do orçamento, além disso os projetos antienchente estão em licitação, sem prazo para serem concluídos.
Durante uma edições das edições do programa Leitura de Domingo, toquei no assunto e os ouvintes se manifestaram.
Alguns disseram que eu não deveria ser contra uma obra que vai aliviar o trânsito da Radial Leste e dar uma cara nova ao Tatuapé.

(GN/Cmte. Anderson)
Respondi para eles e aqui repito que não sou contra a construção de um viaduto que traga melhorias ao trânsito, só não precisava ser com essas estaias a um preço tão elevado.
Não havia necessidade de se fazer uma obra, que considero faraônica, usando verbas transferidas do Fundo Municipal de Saneamento, que financia as obras antienchentes na periferia.
É o mesmo que se retirar a cobertura de um santo para cobrir o outro, fato por sinal, corriqueiro no Brasil, onde a corda sempre estoura para o lado mais fraco.
26.08.10
Quem mora em regiões urbanas acha que tempo ruim é quando chove. Entretanto o clima não poderia estar pior e por outros aspectos: baixa umidade, falta de ventos e poluição. Crianças e idosos doentes, com falta de ar.
Agora outro problema preocupa: a grande quantidade de incêndios em favelas, alguns intencionais.
Antes de falar mais sobre isso, gostaria de lembrar que no deserto do Saara a umidade relativa do ar gira em torno dos 10% e em São Paulo tivemos 13% na última quarta-feira.
Mesmo assim autoridade nenhuma toma qualquer providência porque a própria cidade não aceita mudanças em sua rotina. Isso mesmo, não adianta colocar a culpa no prefeito.
Não morro de amores por ele, mas se alguém propor ações para reduzir a poluição, teremos que mexer na circulação viária reduzindo a quantidade de veículos no trânsito em proporção acima do que estabelece o rodízio municipal.
Se ele fizer isso, dá para imaginar o que acontece? Todos irão reclamar por vários motivos.
Em 22 de setembro teremos o Dia Mundial Sem Carro. Quem em São Paulo vai aderir? Incrições abertas. Por essas e outras a cidade está como o diabo gosta: suja, poluída e enfumaçada.

(GN/Cmte. Anderson)
Essa foto aérea foi tirada de cima da Radial Leste, tendo ao fundo o bairro da Mooca, que obteve a pior qualidade do ar, nos últimos dias, conforme classificação da Cetesb – Companhia de Saneamento Ambiental do Estado.
Nesta foto a poluição aparece na linha do horizonte e em outros bairros a situação não é muito diferente.
Do alto da Avenida Paulista, acima das torres de TV, fotografei a poluição entre os edifícios de Cerqueira César tendo abaixo o Jardim América e mais adiante o Itaim Bibi.

(GN/Cmte. Anderson)
Sobrevoando os Jardins avistei uma imensa nuvem escura de fumaça localizada após a pista do Aeroporto de Congonhas e fiz mais uma fotografia.

(GN/Cmte. Anderson)
Essa fumaça era decorrente de um incêndio que aconteceu em uma favela da zona sul, região do Jabaquara, onde cerca de 70 barracos foram destruídos, mas não houve vítimas.
Os incêndios ali são frequentes e no programa Eldorado Cidades, entrevistei o promotor José Carlos de Freitas que acredita em ações criminosas.
O representante do Ministério Público Estadual me disse que é a quarta ocorrência do tipo registrada nos últimos dois meses no mesmo local e uma líder comunitária pode estar por trás dessas ocorrências.
Para o promotor trata-se de um esquema cujo objetivo é receber verbas do programa bolsa – auxílio, oferecido pela prefeitura.
O Dr. José Carlos de Freitas ressalta que o Ministério Público investiga também um possível interesse de terceiros na desapropriação do terreno.
A prefeitura pretende iniciar em breve a construção de um túnel que vai ligar a Roberto Marinho com a Rodovia dos Imigrantes.
O que ficar das desapropriações será incorporado ao projeto Operações Urbanas Roberto Marinho.
Com relação aos incêndios uma outra investigação está sendo feita na Favela Tiquatira localizada no início da Rodovia Ayrton Senna.

(GN/Cmte. Eric)
Esta favela fica embaixo do Viaduto General Milton Tavares de Souza que serve de ligação entre a Penha e a Marginal do Tietê.
Por lá também os incêndios são freqüentes e algumas vezes os moradores fecham a rodovia para protestos.
Perceba as marcas do último incêndio em mais essa foto aérea.

(GN/Cmte. Eric)
Investiga-se o interesse pela desapropriação dos terrenos da Favela Tiquatira para atender a vontade de terceiros interessados em construir na área.
Será isso mesmo, o que você pensa a respeito?
24.08.10
A prefeitura de São Paulo organizou com ênfase as comemorações dos 56 anos do Parque do Ibirapuera.
O acontecimento me fez lembrar uma entrevista que fiz em 2002 com o professor emérito da Faculdade de Direito do Largo São Francisco, Goffredo da Silva Telles Jr.
Na época eu havia feito um programa contando a história do Ibirapuera e o professor Goffredo ouviu tudo da casa dele pelo Rádio.
Então o famoso autor da Carta aos Brasileiros, publicada em 1977, pedindo o fim da ditadura militar, me telefona e pede para acrescentar uma informação.

Ele queria que eu contasse que a primeira planta para a construção do parque foi projetada pelo pai dele, Goffredo Teixeira da Silva Telles, prefeito de São Paulo, em 1932.
Aleguei ao professor que seria melhor eu entrevistá-lo para que de viva voz nos contasse essa história. Assim foi feito, inclusive guardo até hoje a gravação.
Goffredo contou que o pai dele propunha que o nome original fosse Parque Municipal do Ibirapuera e pela planta, áreas onde hoje estão o antigo prédio do Detran, a Assembléia Legislativa, o Estádio Ícaro de Castro Mello e o Ginásio de Esportes Geraldo José de Almeida, pertenceriam ao parque.
Se fossemos levar ao pé da letra, até mesmo o Monumento às Bandeiras de Victor Brecheret ficaria como um intruso, se o projeto original tivesse vingado.

(GN/Cmte.Anderson)
Goffredo da Silva Telles Jr faleceu em 2009, aos 94 anos, mas seus depoimentos e demais registros sonoros estão arquivados aqui na Eldorado.
Quanto ao projeto definitivo do Parque do Ibirapuera, este coube a Oscar Niemeyer para a arquitetura e Roberto Burle Marx para o paisagismo.
Entretanto, até que se chegasse a um consenso, muitas discussões aconteceram, prova é que já se falava na construção do Parque do Ibirapuera, desde a década de 1920.
Sua inauguração deveria ter acontecido em 25 de janeiro de 1954, quando São Paulo comemorava seu IV Centenário, mas a obra não ficou pronta sendo concluída em 21 de agosto do mesmo ano.
Ibirapuera na linguagem tupi significa madeira podre, ou árvore apodrecida devido aos brejos ali existentes no passado.
21.08.10
Vila Prudente é a primeira estação cuja iluminação natural atinge praticamente todas as dependências, inclusive trechos da plataforma.
Como é bom saber que os arquitetos voltaram a dar atenção para a natureza, permitindo a entrada do sol, tão importante para a vida de todos nós.
A nova estação da Linha 2 – Verde também conta com equipamentos de alta tecnologia que irão proporcionar mais conforto e melhor acessibilidade ao usuário, inclusive aquele que possui necessidades especiais.
No passado o Metrô se esquecia disso, tanto que ainda hoje estações da linha norte-sul, a mais antiga, não dispõem de elevadores em sua maioria.
Acompanhei todo o processo de construção dessa estação da Vila Prudente em meus sobrevoos diários para a Rádio Eldorado. Um mês atrás fotografei a obra que já entrava em sua fase final.

(GN/Cmte. Eric)
Perceberam a cobertura transparente para facilitar a luminosidade? O formato arredondado é outra inovação dos engenheiros e arquitetos do Metrô. A foto que vemos abaixo já está com o serviço pronto, igual ao que foi entregue ao público para as operações ainda em caráter experimental.

(GN/Cmte. Anderson
A entrada fica na Avenida Luís Inácio de Anhaia Mello com a Rua Itamumbuca e nesta fase não será cobrada nenhuma tarifa. Trata-se da 13a. parada do ramal desta Linha 2 - Verde, iniciada na década de 1990.
O funcionamento, por enquanto, acontece somente entre 10 e 15 horas porque ajustes ainda estão sendo feitos, inclusive na estrutura de vidro colocada entre a composição e a plataforma para proteger os usuários.
Na foto tirada na entrada da nova estação, dá para ver a cúpula redonda vista de um outro ângulo.

(Jair Pires/Metrô)
A estimativa é que 66 mil pessoas se utilizem desse terminal quando as operações já estiverem acontecendo em horário integral.
Além disso, uma nova estação será aberta em menos de um mês: a Tamanduateí que fará conexão com a linha 10 – Turquesa, da CPTM, conforme foto abaixo.
Percebam que os trilhos do Metrô passarão sobre os trilhos dos trens da Companhia Paulista de Transportes Metropolitanos, juntando uma estação à outra.
Isto irá facilitar sobremaneira o trajeto de quem mora em Santo André, ou São Caetano do Sul e trabalha na Avenida Paulista por onde a linha verde já passa.
Da mesma forma o movimento nos trens pode aumentar, embora a infra-estrutura da CPTM continue a mesma.

(GN/Cmte. Anderson)
O pátio de manobras dos trens da linha 2 – Verde fica próximo da Estação Tamanduateí do Metrô, conforme fotografia acima, onde também podemos ver o Viaduto Grande São Paulo e um outro viaduto que está sendo construído para permitir a continuação do Fura-Fila na direção de Cidade Tiradentes.
Com a inauguração do Metrô, nessa região que pertence ao Ipiranga, as casas terras ainda vistas do alto, certamente darão lugar a edifícios residenciais, modificando totalmente essa paisagem que nunca foi das mais belas.

(GN/Cmte. Anderson)
Girando com o helicóptero em torno da Estação Tamanduateí vemos também os armazéns e prédios antigas fábricas na Avenida Presidente Wilson.
São construções antigas que também darão lugar a novas edificações e desde já recomendo para que não esqueçam de construir estacionamentos.
Além dessas duas inaugurações, aguarda-se pela Estação Butantã para o final deste ano e a Estação Pinheiros, atrasada pelo acidente de 2007 mas com previsão para ficar pronta antes que se inicie 2011.
Fiz duas fotos aéreas do lugar onde surgiu uma cratera depois da terra afundar sobre a obra do Metrô e como se percebe, a situação hoje já é bem diferente.

(GN/Cmte. Soares)
Onde havia a cratera, entre a Rua Capri e a Marginal do Pinheiros, surgirá uma nova estação, certamente a mais difícil de ser construída na história do Metrô paulistano.

(GN/Cmte. Soares)
17.08.10
por
Geraldo Nunes ,
Seção:
Geral
12:56:23.
No "Brasil em Todos os Tempos" que vai ao ar nos finais de semana, aqui na Rede Eldorado, destacamos a decisão da Unesco de promover a Praça São Francisco, localizada no município de São Cristóvão, no Estado de Sergipe, em Patrimônio da Humanidade.

Unesco é o órgão das Nações Unidas voltado para a Cultura, Ciência e Educação.
Construída no final do século 16, a Praça São Francisco é o único marco representativo que restou do Brasil colônia, da época em que a Espanha dominou Portugal.
Os livros de história contam que Dom Sebastião, o mais querido dos reis de Portugal, morreu na batalha de Alcácer-Quibir, sem deixar um sucessor.
Seu parente mais próximo era Dom Filipe II, rei da Espanha, que assumiu o trono português em 1580, na espera de que de alguma das casas reais lusitanas, surgisse alguém para receber a coroa.
Havia entre o povo português também os que sonhavam com a volta de Dom Sebastião, mas o domínio espanhol perdurou por 60 anos.
Somente com a coroação de Dom João IV, da dinastia de Orleans e Bragança, em 1640, Portugal voltou a ter um rei unicamente seu.
Mesmo assim, como diz o poeta Fernando Pessoa, "alguns em Portugal ainda esperam pela volta de Dom Sebastião".
Como herança desse período para os brasileiros, ficou a igreja e o convento de São Francisco, em São Cristóvão, com
sua praça que também parece continuar no século 17.
O cenário existente é o mesmo deixado pelos espanhóis que ali construíram um conjunto arquitetônico riquíssimo.

A Praça de São Francisco é hoje tão importante quanto as Muralhas da China e as Pirâmides do Egito.
Essa é a condição que a Unesco estabelece aos lugares considerados Patrimônio Mundial, ou Patrimônio da Humanidade, os dois termos possuem o mesmo significado.
Se é assim, por que Paraty, construída no século 18 também não é elevada à essa condição?

Esse caso é interessante: a cidade do litoral fluminense, se manteve intocada durante praticamente 200 anos, sendo redescoberta por turistas após a construção da estrada Rio – Santos, na década de 1970.
Além de seu centro histórico, Paraty possui cerca de 300 praias, centenas de cachoeiras e 65 ilhas ao seu redor.
Fomos atrás de explicações e conversamos com Jurema Machado, coordenadora da Unesco no Brasil.
Ela nos disse que são vários os critérios de avaliação para a escolha de um Patrimônio da Humanidade e que uma das diferenças entre Paraty e a Praça São Francisco, está no convívio integrado entre o antigo e o moderno.
Um exemplo é que São Cristóvão dispõe de saneamento básico e Paraty ainda não.
A sigla Unesco significa United Nation Educational, Scientific and Cultural Organization (Organização para a Educação, a Ciência e a Cultura das Nações Unidas), organismo fundando e integrado na Organização das Nações Unidas (ONU).
São Cristóvão pleiteava o título da Unesco desde 2005 e somente após um investimento governamental de quase R$ 600 milhões, a Praça de São Francisco, com sua igreja e seu convento do foram aceitos.
Na opinião de Álvaro Bacelar, coordenador da Paraty Convention Bureau, há também implicações de interesse político na destinação de recursos para obras de conservação do patrimônio histórico
“Parati é uma das cidades históricas mais aprazíveis do mundo, muito visitada por europeus o ano todo”, ressalta Álvaro Bacelar, acrescentando que a cidade é tombada pelo Iphan – Instituto do Patrimônio Histórico Nacional.
Além do centro histórico, Paraty possui cerca de 300 praias, centenas de cachoeiras e 65 ilhas ao seu redor.

Um bem tombado pela Unesco é chamado em Portugal de Patrimônio Mundial e no Brasil de Patrimônio Histórico. Na prática, entretanto, o significado é o mesmo.
Brasil tem hoje 11 sítios tombados pela Unesco como Patrimônio Mundial Arquitetônico:
Conjunto Urbanístico de Ouro Preto - MG
Centro Histórico de Olinda - PE
Ruínas de São Miguel das Missões - RS
Santuário de Bom Jesus dos Matosinhos, em Congonhas – MG
Centro Histórico de Salvador, o Pelourinho da Bahia
Plano Piloto de Brasília – Distrito Federal
Cavernas do Parque Nacional da Serra da Capivara - PI
Centro Histórico de São Luis - MA
Centro Histórico de Diamantina - MG
Centro Histórico da Cidade de Goiás - GO
Praça de São Francisco em São Cristóvão – SE
Há também outros 7 sítios como Patrimônio Mundial Natural que não podem sofrer alterações
Parque Nacional do Iguaçu - PR
Costa do Descobrimento - BA e ES
Reservas da Mata Atlântica – SP e PR
Pantanal Matogrossense - MT e NS
Áreas protegidas do Cerrado desde Chapada dos Veadeiros até o Parque Nacional das Emas – GO
Ilhas Atlânticas Brasileiras – Fernando de Noronha e Atol das Rocas – PE e RN
Complexo de Áreas Protegidas da Amazônia Central - AM
Paraty pela beleza que representa também merece entrar nessa lista.
