No aniversário de São Paulo lembranças de um padre que precisou casar na marra para agradar o cacique

(Quadro da Fundação de São Paulo/ Reprodução)
A fundação de São Paulo há 457 anos, fez ampliar os limites do território brasileiro além dos estabelecidos pelo Tratado de Tordesilhas.
Mas para se entrar pelos sertões foi preciso primeiro se estabelecer em um local seguro o que seria possível somente com conquistar a proteção dos nativos da terra, ou seja, os índios.
O mais importante deles para a efetivação de uma vila que serviria de ponto de partida para os bandeirantes, foi cacique Tibiriçá que por sinal, tinha duas belas filhas.
Certo dia em casa com o Rádio ligado, ouvi essa história em uma crônica de Antonio Penteado Mendonça, que me deixou fascinado.

(Antonio Penteado Mendonça/AE)
Ele contou pelos microfones da Eldorado que nos idos de 1554, um padre jesuíta chamado Pero Dias foi obrigado a se casar com a filha mais nova de Tibiriçá.
O cacique já havia oferecido sua primeira filha, Bartira, em casamento para o português João Ramalho.

(Rosto Imaginário de Bartira - Reprodução)
Tibiriçá gostava muito de João Ramalho, a ponto de se mudar com a tribo das imediações de Santo André da Borda do Campo, para se estabelecer na colina entre os rios Tamanduateí e Anhangabaú, apenas para ajudar o amigo na proteção da futura cidade.

(João Ramalho - Reprodução)
Os jesuítas vieram junto com a finalidade de catequizar os índios.
Tudo ia bem, mas um ano após a fundação do colégio pelos padres Manuel da Nóbrega e José de Anchieta, eis que surge a decisão inusitada.
Tibiriçá oferece em casamento sua filha mais nova, Terebé, a um dos outros 11 padres pertencentes ao grupo, o irmão Pero Dias.
O cacique havia se afeiçoado a ele assim como a João Ramalho e resolve lhe dar de presente sua maior riqueza, ou seja, a própria filha.

(Modelo faz pose de índia Terebé - Divulgação)
Pero Dias era sacerdote e como tal havia feito voto de castidade,
como poderia então se casar?
Ao mesmo tempo como explicar a um índio as normas do catolicismo?
O cacique poderia entender como uma desfeita o fato de alguém não aceitar sua filha e todo o trabalho de aproximação estaria perdido.
Os jesuítas decidiram então pedir socorro ao fundador da ordem, Inácio de Loyola, que ainda era vivo e enviaram um emissário a Roma.
Uma viagem de ida e volta à Europa naqueles tempos era algo bastante demorado e a resposta levou algum tempo para chegar.
“Os meses passavam, com a indiazinha querendo namorar e o padre fingindo que não era com ele e nada do mensageiro voltar”, brincou o cronista em sua locução pela Rádio Eldorado.
Finalmente vem a resposta de Loyola autorizando Pero Dias a se casar com Terebé, mas para isso teria que deixar de ser padre.
Penteado explicou que Inácio de Loyola, guerreiro convertido ao cristianismo, reconheceu a situação difícil em que estava Pero Dias e autorizou seu desligamento da ordem sem punições maiores.

(Santo Inácio de Loyola)
Pero Dias poderia então se casar com a índia Terebé, na condição de leigo e sob as bençãos de Deus.
Por imposição dos jesuítas, Terebé precisou ser batizada, recebendo o nome cristão de Maria da Grã e a festa foi uma das maiores que o planalto já vira até então.
Antonio Penteado Mendonça finaliza sua crônica dizendo que “se de início Pero Dias sentiu algum temor pela vida de casado, este medo passou rapidamente”.
É que ao ficar viúvo, anos depois de uma vida conjugal considerada feliz, ele não titubeou e se casou novamente deixando larga descendência.
Maria da Grã e Pero Dias servem hoje de nome para duas ruas, no Alto de Pinheiros e em Osasco.
Aproveitando o espaço que a Eldorado me oferece neste portal desejo a todos, muitas felicidades neste feriado em que se comemora mais um aniversário da fundação de São Paulo.

(AE)
Afinal são poucas as cidades brasileiras com mais de 457 anos, não é mesmo?





Comentário by Mário Lopomo
São Paulo Quatrocentão – Musica autoria de Garoto, Chiquinho do Acordeon e Avaré. Cantado pela estrela de São Paulo. Hebe Camargo
Oh, São Paulo! Oh, meu São Paulo! / São Paulo Quatrocentão / Oh, São Paulo! Oh, meu São Paulo! / Você é o meu torrão / Oh, São Paulo ! / Oh, meu São Paulo! / São Paulo das tradições / Oh, São Paulo, o seu nome / Vive em todos os corações
Você é lindo, é / É a terra do melhor café, / Seu grande centro industrial / Representa o esteio nacional / Você é varonil / Orgulho deste meu Brasil / Oh, meu São Paulo / Você é forte, é colossal
Quem é que não vai visitar / Meu São Paulo no Quarto Centenário, / Quem é que não vai enviar / Parabéns pelo seu aniversário, / Quem é que não sente emoção / Ao saber que também vai participar / Da festa do meu São Paulo / Que pra sempre hei de adorar.
Comentário by Mário Lopomo
Geraldo= Minha maior lembrança da cidade de São Paulo, e do aniversario dos 400 anos em 1954. Foi festa o ano inteiro. Mário Lopomo.
Comentário by Geraldo Nunes
Fico honrado pela participação do cronista Mário Lopomo em meu blog. Obrigado amigo e participe sempre, seus comntários serão sempe muito benvindos.
GN
Comentário by Alvaraum!
Você tem razão, Geraldo. Eu nasci em 1952, em Campos do Jordão, bem longe da cidade de São Paulo, e com menos de 2 anos de idade eu sabia cantar o hino dessa festa, de tanto que ela foi tocada.
Parabens, Sampa!
Comentário by ANGEL G.G.JUNIOR
SENHOR GERALDO NUNES
O SENHOR ANTONIO PENTEADO MENDONÇA É UM GRANDE CONHECEDOR DA HISTÓRIA DE SÃO PAULO.
O SENHOR SABE SE EXISTE ALGUM SITE OU BLOG PERTENCENTE À ELE PARA QUE POSSAMOS ACESSAR ??
SEM MAIS
ATENCIOSAMENTE
ANGEL G.G. JUNIOR
Comentário by Geraldo Nunes
Existem sim: http://www.penteadomendonca.com.br