Importante descoberta: Papai Noel existe
Já fui de escrever mais sobre o Natal e o Ano Novo, mas tenho andado meio desgostoso com as coisas, achando que o paulistano deveria encarar o Natal de outra maneira.
Vai ver que eu estou ficando velho e portanto mais ranzinza, mas agindo em minha defesa quero dizer que hoje me sinto mais com os "pés no chão" em relação à cidade.
Claro que para quem voa de helicóptero, diariamente, como eu, o termo "pés no chão" nem sempre pode ser empregado no sentido literal.

(João Paulo/Revista Asas)
Então por viver voando, acabo de vez em quando desdizendo aquilo que já eu disse, tipo metamorfose aérea e de novo me volto para São Paulo, olhando para ela, com os olhos do coração.
É que esta Paulicéia anda cada vez mais desvairada e só mesmo pondo doçura na fervura, dá para se enfrentar as rudezas do cotidiano.
São Paulo nos mostra todos os dias, inclusive na véspera do Natal, o que é a realidade em seu sentido mais amplo e nesse contexto é que a cidade se torna dura demais de ser encarada.
Na maioria das vezes e, principalmente na época de Natal, São Paulo dói na alma.
Basta ver os pedintes parando ao lado dos nossos carros, neste 25 de dezembro, para pedir uma moeda.
Eu sei que isso acontece sempre, mas no Natal o número de pedintes aumenta porque eles confiam na nossa solidariedade.
Por esta confiança depositada a quantidade de moradores sem teto, embaixo do Minhocão também dobra nesses dias.
Eles sabem que alguém dará algo de presente nem que seja aquilo que sobrou da ceia da véspera.
Isto mostra que apesar desse consumismo avassalador e desenfreado que envolve a classe média, especialmente na época do Natal, o espírito natalino acaba existindo. Meio forçado é verdade, mas ainda existe! Não em nós, mas neles, os realmente necessitados que esperam algo de nós, classe média.
Por tudo isso é que Papai Noel também existe e como tantos imigrantes que se mudaram para São Paulo, acho que ele acabou deixando a Lapônia e veio para cá,
Papai Noel descobriu que ele pode ser mais útil em São Paulo onde as pessoas precisam ser mais solidárias que em outros lugares, quase por obrigação, para poder viver em paz.
Todo mundo quer uma "caixinha" de Natal e quem não dá acaba no fundo se sentindo mal, porque no dia-a-dia essas pessoas que esperam pela gorjeta nos ajudam e muito.

Outra forma de se observar o Natal é pelo comércio popular que este ano saltou em movimento, porque nunca se viu tanta gente, carros e ônibus em torno da 25 de Março, do Mercadão e do Camelódromo do Brás.
Apesar da loucura que é essa região, responsável por metade do trânsito parado na cidade, muitos daqueles que irão receber os presentes ali comprados nunca tiveram um Natal com pernil ou chester, mas este ano, certamente, terão alguns presentes.
A economia melhorou para as classes mais carentes, está havendo melhor distribuição de renda no país e até mesmo os moradores do Jardim Pantanal, alagado por quinze dias desde a enchente do dia oito, quem sabe, terão um motivo para sorrir ao receber uma lembrançinha vinda do Camelódromo.
As crianças do vizinho Jardim Romano já podem de novo bricar pelas ruas porque a água finalmente escoou.
Isto não significa que eu concorde com certas coisas que acontecem no Camelódromo, como a venda de produtos contrabandeados ou a exploração da mão de camelôs por parte de comerciantes inescrupulosos.
Sobre estes assunto volto a falar em um outro dia porque o clima agora é de Natal.

Hoje quero dedicar esse texto para aquele menino de seis anos que morreu após a enchente do Jardim Romano em mais um desses episódios que mostram o lado cruel de São Paulo.
Disseram que o menino não morreu de leptospirose. Acredite se quiser.
Odeio sair para fazer compras perto do dia de Natal, mas vou precisar encarar isso também com os olhos do coração que eu tanto recomendo.
Feliz Natal porque o Papai Noel existe. Papai Noel somos nós.





Comentário by ANGEL G.G.JUNIOR
CARO SENHOR GERALDO NUNES
PARECE QUE PAPAI NOEL EXISTE MESMO. ELE DEVE
SER TORCEDOR DO S.P.F.C(SÃO PAULINO) PELAS CORES DA ROUPA QUE USA.PENA QUE SÓ TRABALHA APENAS UM DIA POR ANO.
SE PAPAI NOEL TRABALHASSE TODOS OS DIAS, O NOSSO MUNDO SERIA BEM MELHOR !!
ATENCIOSAMENTE E GRATO POR ESSE TEXTO.
ANGEL G.G.JUNIOR
Comentário by Eduardo Britto
Geraldo! Na manhã de Natal, dia 25, foi duro seguir pela São João, sob o Minhocão, e ver tanta gente ali naquelas condições. E as ruas do centro com um amontoado de lixo espalhado em cada esquina. Alguma coisa anda fora da órbita (há décadas, desde antes de Caetano cantari isso) paulistana. Mas OK, é Natal, então, boas festas para todos, até para o Kassab!