Entenda como funciona a lei do zoneamento em São Paulo com uma curta explicação e fotos aéreas
As leis de zoneamento servem para o planejamento urbano das cidades, regulamentando o uso e a ocupação dos terrenos para todo tipo de construção.
Uma das explicações para o crescimento desordenado de São Paulo, está na demora para a implantação de uma lei de zoneamento na capital paulista.
A primeira legislação desse tipo surgiu apenas em 1973 quando o então prefeito Figueiredo Ferraz lançou o primeiro Plano Diretor sob o discurso que São Paulo deveria parar de crescer.
O Plano Diretor estabelece um conjunto de obras e melhorias que não pode ser modificado, mesmo quando muda o prefeito.
A revisão do Plano Diretor de São Paulo teve início em 2002 com o prazo final de aprovação marcado para 2012.
Faz parte desse plano a atual lei do zoneamento, que determina para a cidade quais são as áreas ainda adensáveis e as não adensáveis.
Áreas adensáveis são aquelas onde ainda podem ser construídos arranha-céus e as áreas não adensáveis são aquelas onde não se permite esse tipo de construção.
Na foto abaixo vemos a Rua Estados Unidos tendo à sua esquerda os edifícios do bairro Cerqueira César e à direita o Jardim América, bairro construído pela Companhia City.

(GN/Cmte. Bellon)
A Companhia City chegou a São Paulo no início do século 20 com a proposta de implantação das city-gardens, ou seja, bairros com ruas cheias de curvas, nos deixando a impressão de estarmos trafegando em um imenso jardim.
Perceba nessa outra foto que o Jardim América, hoje chamado de região dos Jardins, se diferencia dos bairros em seu entorno, por ser uma área não adensável ao contrário, por exemplo, do vizinho Itaim Bibi.

Os bairros da Companhia City escaparam do adensamento anterior à 1973 porque tinham uma legislação própria que impedia a transformação de uma área residencial em comercial ou mista.
Higienópolis construído por outros empreendedores viu, com o passar dos anos, suas residências darem lugar a edifícios de uso misto.
Na foto a seguir vemos os prédios de Higienópolis e no canto superior direito o Pacaembu que permaneceu conservado por ser da Companhia City.

A demora na implantação da Lei do Zoneamento permitiu que surgissem aberrações como a favela Paraisópolis construída ao lado do Portal do Morumbi.
Até a implantação do estádio a região era quase inabitada tornando o Morumbi um bairro adensável desde o início.
Mas como houve demora do mercado imobiliário em se interessar pela região de baixada existente nos fundos do Estádio Cícero Pompeu de Toledo surgiu a favela que subiu morro acima até imediações da Avenida Giovanni Gronchi.

Como ainda existem áreas adensáveis em São Paulo, bairros outrora humildes estão se tornando suntuosos.
Este é o caso da Vila Leopoldina, vizinho à Ceagesp mas próximo também do Alto de Pinheiros, idealizado e arborizado pela Companhia City.

Outro bairro nessas condições é o Cambuci que por ser próximo do Parque da Aclimação, área agora tombada pelo Patrimônio Histórico está recebendo muitos prédios de apartamento.

(GN/Cmte. Bellon)
As leis de zoneamento são mais complexas que as explicações aqui trazidas, pois estabelecem coeficientes de construção, mas genéricamente o funcionamento é assim.
Coeficiente é a quantidade de área construída que podemos ter em função do tamanho do terreno.
Por exemplo, coeficiente quatro significa fazer quatro vezes a área do terreno na área da construção vertical.
Quanto maior o coeficiente, mais alto pode ser um edifício, por isso nunca se chega a um acordo definitivo entre prefeitura e mercado imobiliário.
O Plano Diretor e a Lei de Zoneamento são assuntos em permanente discussão, por isso conto com sua opinião deixando aqui seu comentário.





Comentário by Vicente Nunes
Geraldo
Sao Paulo deveria ampliar significativamente as áreas não adensaveis. A quantidade de prédios precisa ser diminuida e as regiões com áreas verdes e sem asfalto ou concreto precisam ser aumentadas para redução das enchentes e melhoria do tráfego de veículos. Cada prédio substitue 4 casas com total de 6 carros com 100 apartamentos e 150 carros, ficando uma cidade inabitável.
Vicente
Comentário by Bruna Miranda
Concordo com o Vicente, realmente a quantidade de prédios precisa ser diminuida, é visível que SP já não suporta mais tanta selva de pedra. Enfim ,infelizmente estamos nas mãos das nossas tão competentes autoridades, mas gostaria de destacar também a parcela de resposabilidade da população.
Geraldo fiquei lisongeada com a resposta, pois ouço a Eldorado a 1 ano e meio e não perco o Eldorado Cidades por nada. Esperamos sua volta para “discutirmos as cidades”.
Comentário by ANGEL G.G.JUNIOR
SENHOR GERALDO NUNES
ALÉM DOS PRÉDIOS ,OS RIOS PRECISAM SER LIMPOS,
E O LIXO RETIRADO,A DIVISA DE SÃO PAULO
COM SÃO CAETANO DO SUL É HORRIVEL.
LIXO AO REDOR DOS RIOS,UMA IMUNDICIE !!
SEM MAIS
ATENCIOSAMENTE
ANGEL
Comentário by Geraldo Nunes
O problema é que a construção civil representa 35% da arrecadação da cidade. Tudo que se constroeé vendido rapidamente, daí a volúpia do mrcado imobiliário
Comentário by Vicente Nunes
Tudo se faz para o lucro a curto prazo, nenhum politico ou dirigente quer fazer planos para mais de 4 anos, No entanto as cidades precisam de planejamento a longo prazo para que as proximas geracoes tenham uma qualidade de vida aceitavel. Se tudo continuar como esta os problemas vao aumentar ainda mais e o custo para solucao fica inviavel.
Vicente
Comentário by Geraldo Nunes
Para este aspecto citado pelo Vicente é que existem os planos diretores, cuja finalidade é traçar políticas de longo prazo, independente de quem seja o prefeito. Só que em São Paulo, bem como no restante do país a política do curto prazo continua imperando assim como a flta de plenajamento.
Comentário by Robeerto
lamentavelmente estão acabando com o bairro do brooklin enxarcando cada quarteirão com dezenas de prédios e destruindo todo o lado residencial e aprazivel, passeio com cães e lazer, para trocar tudo isso por trânsito e quarteirões lotadaos
Parabéns KASSAB por tanta imcompetência.