22.10.10
por
Geraldo Nunes ,
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Geral
15:46:23.
Começo esse texto para falar de Pelé lembrando de Ângela Maria, uma cantora consagrada, que no passado foi chamada de A Rainha do Rádio.

(Reprodução)
Ninguém melhor do que uma Rainha para homenagear o Rei Pelé em uma canção gravada por ela com essas palavras:
“... Passa a vida, lembranças, imagens se vão, mas tem coisas que ficam na gente. Um menino chorando, uma copa nas mãos, essa imagem ficou para sempre..."

(Reprodução)
"... Foi um grito de glória, o Brasil, a vitória, esse povo cantou de alegria. Essa mesma alegria que um dia vem fazer essa gente chorar...” O nome da música: Esse Amigo Pelé.
A Rádio Eldorado conserva sua discoteca e lá encontrei essa gravação. Visitar esse lugar é como entrar no Túnel do Tempo, porque lá nos sentimos de volta ao passado em meio a compactos e long-plays em vinil.
Crianças do meu tempo gostavam de ver os discos girando para aguçar a imaginação dos meninos que ao brincar com a bola também sonhavam ser Pelé e brilhar nos gramados.
Por tudo isso, Pelé continua jogando porque nunca parou de jogar. Como diz o filme, Pelé é eterno. Ele está a todo momento nas imagens da televisão fazendo gols repetidos exaustivamente.
Também existe um tal Edison Arantes do Nascimento, com "i" mesmo, nascido em Três Corações – MG, a 23 de outubro de 1940 e que há 70 anos convive com o menino Rei do Futebol.
Sempre se deram bem, os dois na juventude choraram de emoção no ombro amigo do goleiro Gilmar e aquela atitude, sabe como é, tão simples, conquistou as pessoas e até hoje nas horas de recolhimento, certamente o Sr. Edison silencia ao ouvir uma canção com os dizeres:
“...Um homem também chora, menina morena, também deseja colo, palavras amenas. Precisa de carinho, precisa de ternura, precisa de um abraço, da própria candura...”

(Arquivo/AE)
Todo jogador deveria seguir o exemplo deixado na composição de Gonzaguinha para ser um Guerreiro Menino, que em certos momentos até pode temer a derrota, mas durante a batalha adquire forças não sabe de onde e mesmo sendo frágil, se torna forte. Foi assim que Edison se transformou em Pelé.

(Arquivo/AE)
...“Guerreiros são pessoas, são fortes, são frágeis. Guerreiros são meninos no fundo do peito, precisam de um descanso, precisam de remanso, precisam de um sonho que os tornem perfeitos....”

(Reprodução)
Numa determinada época, Edison tentou ser mais forte que Pelé e se despediu da seleção em 1971 e não foi à Copa do Mundo de 1974, mesmo em condições físicas para jogar.
“... É camisa 10 na Seleção...”, pediu o sambista Luiz Américo, mas Edison que tentava ser mais forte, não deixou Pelé seguir com a seleção.
Se o Rei tivesse ido, o Brasil teria voltado tetracampeão do mundo, disso tenho certeza.
Embora a Holanda de Cruyff, tenha vencido aquele jogo na semifinal, seu time foi dominado até quase metade do segundo tempo.
O problema é que a equipe dirigida por Zagalo não conseguia chegar às redes adversárias porque faltava alguém para concluir: Quem?

(Arquivo/AE)
Os holandeses venceram por 2 x 0, mas com Pelé essa história teria sido diferente.
Edison, entretanto, não resistiria muito tempo porque o menino Pelé, louco para voltar, aceitou o convite e com ele muitos dólares para jogar no New York Cosmos. Foram três anos de partidas exibição pelos Estados Unidos divulgando o futebol. Os norte-americanos presentes na Copa de 2010 devem isso a Pelé.
Em 1978 despede-se novamente e ao discursar evoca o amor e inspira Caetano Veloso:
“...Meu amor desejo, pelo mundo inteiro eu vejo, que não tem quem prove, Pelé disse love, love, love...”
Aos que valorizam apenas o Pelé jogador, desprezando por motivos que não precisamos citar, o homem chamado Edison, lembro mais um pouco a canção de Gonzaguinha.
“... É triste ver este homem, guerreiro menino, com a barra de seu tempo por sobre seus ombros. Eu vejo que ele berra, eu vejo que ele sangra, a dor que traz no peito, pois ama e ama...”
Parabéns a Edison Arantes do Nascimentos pelos seus 70 anos completados neste 23 de outubro de 2010, afinal apenas Edison é quem está fazendo aniversário. Pelé não, sabe por quê?

Porque Pelé é Eterno.
CONFIRA AQUI ÁUDIO DA REPORTAGEM 'PELÉ - 70 ANOS'
07.09.10
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Geraldo Nunes ,
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15:33:39.
Existe uma regra informal no mundo da música, existente desde o tempo dos Beatles que é a seguinte: Todo artista inglês de sucesso internacional, deve se mudar para os Estados Unidos para fugir dos impostos.
Muita gente conhecida fez isso, mas se alguma dessas celebridades escolhesse o Brasil por moradia, ficaria no “prejuízo” quase que do mesmo jeito.
Chegamos a essa conclusão, após um levantamento publicado pela Receita Federal que pesquisou a arrecadação dos países signatários da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico – OCDE, com base no que foi arrecadado em 2008.

Naquele ano o peso dos impostos no bolso do cidadão brasileiro chegou a 34,41%, enquanto que no Japão foi de apenas 17,6% .
A carga tributária foi menor também para quem mora nos Estados Unidos (26,9%), no Canadá (32,2%) e na Espanha (33%).
O Reino Unido, entretanto, continua na nossa frente como cobrador de impostos.

Se o ex- Beatle Paul Mc Cartney continuasse morando em Liverpool, teria gasto 35,7% do que ele ganhou em 2008 só com impostos.
Mesmo assim os britânicos ficam atrás da Dinamarca (48,3%), Suécia (47,1%), Itália (43,2%), França (43,1%), Portugal (36,5%) e Alemanha (36,4%).
O Brasil (34,41%) arrecada mais em impostos que o México (20,4%) e que a Argentina (29,35).
A explicação, segundo a Receita Federal, é que a Constituição impõe ao Estado o cumprimento de certas obrigações que não há como fugir.

Países mais liberais não oferecem certos serviços públicos para a sociedade e não tem a Previdência Social, administrada pelo setor público e nesses casos, a carga tributária pode ser menor.
Já as nações com perfil mais ligado ao atendimento de forte demanda social, notadamente cobram mais impostos.
Ou seja, enquanto o Brasil for um país assistencialista em vários aspectos como é hoje, não haverá como fugir de uma carga tributária tão pesada.

Com isso, o Impostômetro da Associação Comercial de São Paulo vai continuar medindo a arrecadação governamental ainda por muitos anos.

30.08.10
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Geraldo Nunes ,
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14:58:37.
Desde o início do ano tenho comentado neste blog a existência de uma obra cuja grandeza extrapola as necessidades do sistema viário ali existente.
Abordei o assunto com o olhar crítico de um repórter que já viu muita coisa sendo construída e desfeita nesta cidade.

(GN/Cmte. Anderson)
Estou me referindo a este viaduto estaiado que está sendo construído no Tatuapé para eliminar o semáforo do cruzamento da Rua Padre Adelino, com a Avenida Salim Farah Maluf.
Até aí tudo bem, mas uma obra em concreto e asfalto, como tantas em São Paulo, resolveria o problema do trânsito.
Mas a obra continuou sendo tocada meio que na surdina, sem ninguém comentar o assunto, muito menos o prefeito.
Resolvi encaminhar as fotos que fiz do helicóptero, aos colegas do Estadão e a resposta veio em uma reportagem publicada numa edição de sábado.
Ela diz que de fato, a prefeitura da capital paulista transferiu recursos de ações antienchentes só para tocar adiante as obras deste viaduto que corre em paralelo à Radial Leste.

Percebam na foto acima que ele começa largo, mas depois a rua desemboca numa via estreita que não pode ser alargada por esbarrar nos muros do cemitério da Quarta Parada e no prédio do Sesc Belenzinho.
Vejam a mesma obra de outro ângulo, cujo desfecho pode resultar em novas desapropriações.

A prefeitura já gastou R$ 77 milhões indenizando os proprietários de imóveis na região que foram desapropriados e para dar continuidade ao projeto lançou mão das verbas que seriam usadas em piscinão no bairro de São Mateus.
O montante dali retirado foi de R$ 6,7 milhões e uma outra obra que previa a canalização de um córrego em M’ Boi Mirim teve mais R$ 6 milhões retirados em favor da obra viária.
Como se percebe dos bairros periféricos onde vive a população mais carente é que as verbas foram transferidas para o monstrengo estaiado.

A prefeitura alega que a transferência foi necessária porque a Câmara Municipal a obrigou a reduzir gastos na votação do orçamento, além disso os projetos antienchente estão em licitação, sem prazo para serem concluídos.
Durante uma edições das edições do programa Leitura de Domingo, toquei no assunto e os ouvintes se manifestaram.
Alguns disseram que eu não deveria ser contra uma obra que vai aliviar o trânsito da Radial Leste e dar uma cara nova ao Tatuapé.

(GN/Cmte. Anderson)
Respondi para eles e aqui repito que não sou contra a construção de um viaduto que traga melhorias ao trânsito, só não precisava ser com essas estaias a um preço tão elevado.
Não havia necessidade de se fazer uma obra, que considero faraônica, usando verbas transferidas do Fundo Municipal de Saneamento, que financia as obras antienchentes na periferia.
É o mesmo que se retirar a cobertura de um santo para cobrir o outro, fato por sinal, corriqueiro no Brasil, onde a corda sempre estoura para o lado mais fraco.
17.08.10
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Geraldo Nunes ,
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12:56:23.
No "Brasil em Todos os Tempos" que vai ao ar nos finais de semana, aqui na Rede Eldorado, destacamos a decisão da Unesco de promover a Praça São Francisco, localizada no município de São Cristóvão, no Estado de Sergipe, em Patrimônio da Humanidade.

Unesco é o órgão das Nações Unidas voltado para a Cultura, Ciência e Educação.
Construída no final do século 16, a Praça São Francisco é o único marco representativo que restou do Brasil colônia, da época em que a Espanha dominou Portugal.
Os livros de história contam que Dom Sebastião, o mais querido dos reis de Portugal, morreu na batalha de Alcácer-Quibir, sem deixar um sucessor.
Seu parente mais próximo era Dom Filipe II, rei da Espanha, que assumiu o trono português em 1580, na espera de que de alguma das casas reais lusitanas, surgisse alguém para receber a coroa.
Havia entre o povo português também os que sonhavam com a volta de Dom Sebastião, mas o domínio espanhol perdurou por 60 anos.
Somente com a coroação de Dom João IV, da dinastia de Orleans e Bragança, em 1640, Portugal voltou a ter um rei unicamente seu.
Mesmo assim, como diz o poeta Fernando Pessoa, "alguns em Portugal ainda esperam pela volta de Dom Sebastião".
Como herança desse período para os brasileiros, ficou a igreja e o convento de São Francisco, em São Cristóvão, com
sua praça que também parece continuar no século 17.
O cenário existente é o mesmo deixado pelos espanhóis que ali construíram um conjunto arquitetônico riquíssimo.

A Praça de São Francisco é hoje tão importante quanto as Muralhas da China e as Pirâmides do Egito.
Essa é a condição que a Unesco estabelece aos lugares considerados Patrimônio Mundial, ou Patrimônio da Humanidade, os dois termos possuem o mesmo significado.
Se é assim, por que Paraty, construída no século 18 também não é elevada à essa condição?

Esse caso é interessante: a cidade do litoral fluminense, se manteve intocada durante praticamente 200 anos, sendo redescoberta por turistas após a construção da estrada Rio – Santos, na década de 1970.
Além de seu centro histórico, Paraty possui cerca de 300 praias, centenas de cachoeiras e 65 ilhas ao seu redor.
Fomos atrás de explicações e conversamos com Jurema Machado, coordenadora da Unesco no Brasil.
Ela nos disse que são vários os critérios de avaliação para a escolha de um Patrimônio da Humanidade e que uma das diferenças entre Paraty e a Praça São Francisco, está no convívio integrado entre o antigo e o moderno.
Um exemplo é que São Cristóvão dispõe de saneamento básico e Paraty ainda não.
A sigla Unesco significa United Nation Educational, Scientific and Cultural Organization (Organização para a Educação, a Ciência e a Cultura das Nações Unidas), organismo fundando e integrado na Organização das Nações Unidas (ONU).
São Cristóvão pleiteava o título da Unesco desde 2005 e somente após um investimento governamental de quase R$ 600 milhões, a Praça de São Francisco, com sua igreja e seu convento do foram aceitos.
Na opinião de Álvaro Bacelar, coordenador da Paraty Convention Bureau, há também implicações de interesse político na destinação de recursos para obras de conservação do patrimônio histórico
“Parati é uma das cidades históricas mais aprazíveis do mundo, muito visitada por europeus o ano todo”, ressalta Álvaro Bacelar, acrescentando que a cidade é tombada pelo Iphan – Instituto do Patrimônio Histórico Nacional.
Além do centro histórico, Paraty possui cerca de 300 praias, centenas de cachoeiras e 65 ilhas ao seu redor.

Um bem tombado pela Unesco é chamado em Portugal de Patrimônio Mundial e no Brasil de Patrimônio Histórico. Na prática, entretanto, o significado é o mesmo.
Brasil tem hoje 11 sítios tombados pela Unesco como Patrimônio Mundial Arquitetônico:
Conjunto Urbanístico de Ouro Preto - MG
Centro Histórico de Olinda - PE
Ruínas de São Miguel das Missões - RS
Santuário de Bom Jesus dos Matosinhos, em Congonhas – MG
Centro Histórico de Salvador, o Pelourinho da Bahia
Plano Piloto de Brasília – Distrito Federal
Cavernas do Parque Nacional da Serra da Capivara - PI
Centro Histórico de São Luis - MA
Centro Histórico de Diamantina - MG
Centro Histórico da Cidade de Goiás - GO
Praça de São Francisco em São Cristóvão – SE
Há também outros 7 sítios como Patrimônio Mundial Natural que não podem sofrer alterações
Parque Nacional do Iguaçu - PR
Costa do Descobrimento - BA e ES
Reservas da Mata Atlântica – SP e PR
Pantanal Matogrossense - MT e NS
Áreas protegidas do Cerrado desde Chapada dos Veadeiros até o Parque Nacional das Emas – GO
Ilhas Atlânticas Brasileiras – Fernando de Noronha e Atol das Rocas – PE e RN
Complexo de Áreas Protegidas da Amazônia Central - AM
Paraty pela beleza que representa também merece entrar nessa lista.

06.08.10
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Geraldo Nunes ,
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09:32:40.
Ver a Adoniran Barbosa depois de sua morte, é muito fácil. Basta circular por São Paulo para perceber que as letras de suas músicas continuam presentes no cotidiano.
É o caso de Saudosa Maloca, percebida diante de cada demolição ou alguma nova obra que surge... "Cada tauba que caía, doía no coração", diz a letra.

(Arquivo/AE)

Há também aquela da noiva atropelada na avenida São João quando faltavam apenas quinze dias para seu casamento, Iracema.
Conheci este senhor que cantava as rudezas do cotidiano de maneira singela e até engraçada, em 1979, na redação de uma outra rádio. E pensar que agora estamos lembrando seus 100 anos de nascimento.
Por ter sido ator, o também compositor Adoniran Barbosa costumava visitar as emissoras e quando o vi, eu tinha exatamente 20 anos e fiz questão de me aproximar dele.
Já o conhecia dos programas de auditório da televisão, mas quis chegar perto para ter certeza se sua voz era mesmo rouca.
Na mesma hora ele me pegou pelo braço e pediu que lhe fizesse uma ligação telefônica, “é que me atrapalho com os números”, justificou. Ele era rouco de natureza mesmo.
Depois de algum tempo fiquei sabendo que após almoçar, em alguma cantina do Bexiga, Adoniran seguia depois para a Rádio Eldorado que naquele tempo, ficava na Rua Major Quedinho, no centro e ali o poeta descansava, chegando mesmo a dormir em um sofá colocado no corredor de entrada da emissora.
Este sofá hoje é relíquia e permanece conservado na atual sede da Eldorado, no bairro do Limão, tendo no alto uma placa com os dizeres: 'Sofá do Adoniran'.
O produtor musical Zé Nogueira, que já trabalhava na emissora nessa época, conta que o compositor não só dormia como roncava.“Os funcionários já estavam acostumados com ele e até passavam de mansinho para não perturbá-lo”, explica.

Adoniran Barbosa ao lado de Zé Nogueira, da Rádio Eldorado (Foto: acervo pessoal)
Nogueira se lembra que os problemas começavam depois, quando o poeta acordava. “Então, era um tal de me pedir as coisas, primeiro cafezinho e depois cigarro. É que ele estava proibido pelos médicos e pela esposa Matilde de fumar, por causa de um efizema pulmonar. Então, só fumava escondido. Se comprasse teria que aparecer com o maço em casa e isto já era motivo de briga”, recorda.
Adoniran adorava passar trotes pelo telefone e ligava da Eldorado para a casa dos amigos. “Ele falava alguma asneira, desligava rapidamente o aparelho e depois ria pra valer”, diz.
Quando o relógio apontava seis da tarde, ele saia do prédio da Eldorado e ia para um restaurante ao lado, o Mutamba e lá ficava com os amigos no mais tardar até nove da noite conversando.
Depois ia para casa alegando que ainda era boêmio, mas em final de carreira. “Mesmo assim foi ali que ele compôs com o Carlinhos Vergueiro, uma de suas últimas canções: Torresmo à Milanesa”, completa o produtor musical e de programação da Eldorado, Zé Nogueira.
Adoniran Barbosa durante boa parte de sua carreira artística atuou como ator, por isso sabia ler e escrever muito bem, tinha boa caligrafia, mas fazia tipo, imitando em si mesmo, um personagem que interpretava no Rádio chamado Charutinho. "Pra escrevê uma boa letra de samba a gente tem que sê em primeiro lugá anarfabeto", brincava o poeta das coisas de São Paulo.
Em 1953 durante as gravações do filme O Cangaceiro, de Lima Barreto, onde foi coadjuvante, Adoniran conheceu os integrantes do conjunto Demônios da Garoa e daquele encontro surgiu uma grande amizade.
Este grupo vocal e instrumental acabou dando forma ao “jeito de ser” dos sambas de Adoniran, gravando e fazendo os arranjos de seus principais sucessos. Tiro ao Álvaro, Joga a Chave, Samba do Arnesto, As Mariposas e a melhor de todas, Trem das Onze, campeã do carnaval de 1965.
“Não posso ficar, nem mais um minuto com você, sinto muito amor, mas não pode ser. Moro em Jaçanã se eu perder esse trem que sai agora, às 11 horas, só amanhã de manhã...”

Adoniran com funcionários que trabalhavam na construção do Metrô na Sé (AE)

23.07.10
por
Geraldo Nunes ,
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Geral
14:51:40.
São Paulo neste segundo semestre será a capital mundial da música com 19 grandes apresentações até novembro, de artistas internacionais conhecidos no mundo todo.
Como ainda curto um rock pesado de vez em quando, acho que o grande destaque dessas apresentações no Brasil será, no meu entender, da banda Scorpions que se apresenta em setembro.

Banda alemã incluiu Brasil na sua turnê de despedida (Foto: Divulgação)
Fui um daqueles roqueiros inveterados que procurava assistir todos os shows e garimpava de loja em loja os vinis de heavy metal que saíssem por um preço mais em conta.
Nos anos 70 e 80 se vendiam discos a rodo e as bandas estrangeiras ganhavam muito dinheiro, coisa que já não acontece mais devido à pirataria e aos downloads.
Por este motivo todo mundo está pondo o pé na estrada e em outubro acontece no Brasil um mega evento musical.
Será em Itu, no interior paulista, numa sequência de shows dentro de uma fazenda com a duração de três dias.
Algo semelhante a este nunca aconteceu no Brasil e a única experiência do gênero que remonta a nós brasileiros, é aquele festival de Woodstock, nos Estados Unidos, em 1969. Lá, apesar das histórias e das boas lembranças, houve também muita lama e desconforto.
Os organizadores deste festival de Itu, no entanto, garantem que o acontecimento agora será muito diferente porque seguirá a linha dos festivais da atualidade que se organizam na Europa.
Em meio aos shows acontecem outras atividades no mesmo espaço, tipo salão de jogos, playground para os filhos, gastronomia e até áreas de descanso.
A promoção está sendo feita pelo Movimento SWU que defende a conscientização da sociedade em prol de um mundo sustentável e ambientalmente correto.
Desta maneira, só poderá comparecer ao evento quem aderir às propostas de defesa ecológica preconizadas pelo movimento e no que diz respeito à música, bandas como Kings of Leon, Dave Matthews Band, Linkin Park e Incubus estão sendo aguardadas.
Pelo Brasil afora muita coisa já está rolando como os festivais de Bonito – MS, Chapada dos Veadeiros – GO e Gramado no Rio Grande do Sul.
Para quem gosta tem até Mariah Carrey se apresentando na Festa do Peão de Barretos - SP no fim de agosto.

Mariah Carey promete levantar a poeira em Barretos (Foto: Divulgação)
Há também uma série eventos, inclusive musicais, acontecendo bem pertinho de nós, aqui mesmo em Mairiporã – SP,
dentro do Festival da Cantareira, que tem na Eldorado a emissora oficial.
Sobre tudo isso e muito mais estarei falando com detalhes no programa Brasil em Todos os Tempos que levo ar nesta nossa rede de Rádio.
Se você quiser ouvir este programa sobre eventos musicais agora, basta clicar em programas e depois Rádio Eldorado AM.
O roteiro de shows em Mairiporã também está à sua disposição aqui nesse território. Sendo assim, divirta-se.
21.07.10
por
Geraldo Nunes ,
Seção:
Geral
09:44:03.
Mesmo com a promulgação do Estatuto do Desarmamento, em 2003, o número de homicídios continua crescendo no Brasil e o total de vítimas por armas de fogo, em algumas regiões chega perto ao de países em guerra.
Essas informações foram transmitidas durante o programa Eldorado Cidades pelo presidente da CNM - Confederação Nacional de Municípios, Paulo Ziulkoski, especialista no assunto cidades, com base no Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM) do Ministério da Saúde.

(Foto: JB Neto/AE)
Alagoas é o Estado mais violento com 84,6% dos 1.878 casos, seguido do Rio de Janeiro (81,4%), Bahia (80,1%) e Pernambuco (78,2%).
A análise mostra um grupo de 13 Estados com um crescimento constante da, surgindo na frente o Paraná e o Rio Grande do Sul. Mas há Estados com quedas significativas, entre eles, São Paulo e Roraima.
Entre as capitais, Salvador (BA) lidera o ranking. Do total de 1.720 homicídios, 92,6% foram praticados com arma de fogo. Maceió, que foi líder da lista em 2007, caiu para segundo com o índice de 92,1%. Rio de Janeiro, Belo Horizonte (MG) e Recife (PE) completam o topo: 89,4%, 88,6% e 88%, respectivamente.
Já em municípios onde o turismo é forte, a liderança está com Guairá e Foz do Iguaçu, que ficam na fronteira com o Paraguai e isto pode ser um indicativo da presença, segundo a CNM, de conexões com redes internacionais que fazem o tráfico ilegal de armas.
O presidente da Confederação Nacional dos Municípios, Paulo Ziulkoski sugeriu, durante entrevista à Rede Eldorado, ações do governo federal no fortalecimento da fiscalização das fronteiras com todos os países da América do Sul.
“Se isto não acontecer, o Brasil continuará entre as nações com maiores taxas de homicídio no mundo porque o uso de armas de fogo continua indiscriminado, apesar das leis existentes”, conclui Ziulkoski.
18.07.10
por
Geraldo Nunes ,
Seção:
Geral
18:02:55.
A decisão do governo estadual de permitir a cobrança de pedágio no Trecho Leste do Rodoanel, antes mesmo da obra ficar pronta, foi criticada pelo ex-secretário estadual de transportes Adriano Murgel Branco, no programa Eldorado Cidades.
A publicação no Diário Oficial, estabelece os termos da licitação para a escolha de uma empresa que construirá o Trecho Leste, de estranhar foi a definição da tarifa do pedágio de maneira antecipada, com valores em torno dos R$ 4,50, num total de 42,3 Km.
Para o ex-secretário em vez de definir valores, o governo estadual deveria implantar ao longo do trecho a ser desapropriado, um sistema semelhante ao utilizado na capital paulista de “Operações Urbanas”, onde todos os terrenos localizados ao longo de uma obra são oferecidos à iniciativa privada através da compra de um sistema de cupons que se chama Cepac.
“Com a venda de Cepacs evita-se a especulação imobiliária em torno dos terrenos situados ao longo do Rodoanel, bem como as ocupações irregulares”, defende Adriano Branco, que foi secretário estadual dos transportes na gestão Franco Montoro.

(GN/Cmte. Eric)
O ex-secretário entende que por esse sistema gera-se dividendos ao Estado sem precisar contar com a
a cobrança de pedágio que onera o usuário.
Estão previstas 1.071 desapropriações de imóveis para construção do Trecho Leste, além de 91 hectares de áreas agrícolas, mas esses números podem ainda ser alterados, conforme conclusão final do projeto.
O novo trecho do Rodoanel Mário Covas passará por Mauá, Ribeirão Pires, Itaquaquecetuba, Poá, Ferraz de Vasconcelos e Arujá. Os estudos de impacto ambiental da obra mostram que deverá ser suprimido algo em torno de 1 milhão de metros quadrados de vegetação.
Para compensar o desmatamento, está prevista a plantação de 5 milhões de metros quadrados de novas matas e se houvesse a participação dos interessados na compra dos terrenos, o reflorestamento dessas áreas aconteceria de maneira mais rápida e planejada.
14.07.10
por
Geraldo Nunes ,
Seção:
Geral
10:21:50.
Durante a copa do mundo que terminou há poucos dias, na África do Sul, integrantes de uma Organização Não Governamental, voltada à preservação do meio ambiente, promoveram um passeio em barcos a vela na Represa Billings.
Nesta “barqueata” foram apresentadas frases com mensagens propondo formas de se evitar o desperdício de água.
Em cada frase um bordão alusivo ao futebol. Exemplo: “Não pise na bola, economize água”; ou “Não dê prorrogação ao tempo de seu banho”.

Cachorro nada na Represa Billings, repleta de algas (Foto: AE)
A ONG chamada Vento em Popa defende a economia de água como forma de preservação da natureza e vem apoiando a idéia de se promover em 2014 uma Copa Verde, para mostrar ao mundo aquilo que o Brasil tem de melhor que é a natureza.
O passeio teve o apoio do Sinaenco – Sindicato Nacional das Empresas de Arquitetura e Engenharia, visto que os arquitetos brasileiros acreditam na possibilidade de se construir estádios ecologicamente corretos.
Apesar da construção ser em concreto, tudo o que está em volta, de um estádio, deve estar florido e ambientalmente saudável, defende a entidade.
Ao mesmo tempo, o turismo urbano tão típico para quem visita a Europa deve ser incrementado no Brasil até 2014.
Quem faz essa defesa é a professora Clarissa Gagliardi por entender que São Paulo com seus museus e sua gastronomia e Brasília, com seu conjunto arquitetônico, tem muito a oferecer ao turista que vier assistir aos jogos.
Para isso, entretanto, Brasília e principalmente São Paulo precisam apresentar aspectos ambientais mais saudáveis aos visitantes.

Parque Villa Lobos, na zona oeste de SP (Foto: AE)
Esses assuntos serão tratados com mais detalhes durante o programa Brasil em Todos os Tempos, que retorna à programação normal da Rede Eldorado neste final de semana.
Você pode acompanhá-lo durante a programação nos seguintes horários: Sábado 23 h e Domingo às 6 e às 12 horas.
Depois o programa permanece à sua disposição aqui no Território, bastando para isso clicar em programas e depois Rádio AM.
08.07.10
por
Geraldo Nunes ,
Seção:
Geral
13:35:29.
Nem o movimento pelas Diretas Já e nem os dos Caras Pintadas foi tão forte quanto o MMDC, sigla que lembra o nome dos estudantes Martins, Miragaia, Dráusio e Camargo.
A morte desses quatro jovens em uma manifestação na Praça da República, causou revolta na população a ponto de muitos pegarem em armas contra presidente Getúlio Vargas que vinha governando o país por decretos.
O MMDC significou um movimento de resistência à ditadura que desencadeou a Revolução Constitucionalista de 1932 que está completando 78 anos neste 9 de julho.

Cartazes da época usados para incentivar o alistamento de jovens
Até hoje alguns se perguntam se realmente valeu a pena tanto sacrifício pelo Brasil.
Quem ler o livro Breve História da Revolução de 32, do historiador Hernâni Donato, ficará impressionado com a mobilização popular que se deu.
O autor na casa dos 90 anos, viveu aqueles acontecimentos e escreveu que na cidade de São Paulo, em 1932, ninguém se recusava a lutar e quem o fizesse era considerado covarde.
Foram 55 mil inscritos nas frentes de batalha e boa parte nunca havia pego em armas e mal sabia atirar.
Entre as mulheres 147 mil se ofereceram às organizações de apoio, ajudando na confecção de agasalhos e nos trabalhos de enfermagem.
Cerca de 6.800 senhoras e costuraram aproximadamente 440 mil fardas e todas trabalharam de graça, revezando-se em turnos diurnos e noturnos à frente de 800 máquinas de costura.
Hernâni Donato conta que também as crianças auxiliaram, visto que 398 meninos atuaram como mensageiros dentro da cidade durante o conflito, nas áreas onde não havia perigo.
Ele diz ainda que tudo o que e se podia fazer foi feito e até uma moeda paulista circulou durante a revolução graças a uma campanha de doações chamada “Ouro para o bem de São Paulo”.
Após a revolução, o que sobrou do montante arrecadado, foi empregado na construção de um prédio no centro da cidade, cujo formato faz lembrar a bandeira paulista. O prédio está de pé até hoje.
Foram quase três meses de batalha com um saldo de aproximadamente mil mortos pelo lado paulista, visto que só os Estados de São Paulo e Mato Grosso cumpriram a promessa de lutar contra o exército de Getúlio Vargas.
No final São Paulo saiu derrotado nas armas, mas venceu nos ideais porque o país teve de volta o respeito à constituição com a promulgação, em 1934, de uma nova Carta Magna.
O que não se explica foi o silêncio de São Paulo ao golpe do Estado Novo que ocorreu pouco tempo depois em 1937, questiona em seu livro o historiador Hernâni Donato, presidente do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo.

Obelisco, no parque do Ibirapuera, homenageia a data (Foto: AE)
Os méritos do povo que lutou na revolução dos paulistas estão reconhecidos no Mausoléu ao Soldado Desconhecido e ao Obelisco construídos no Ibirapuera, erguidos em homenagem a esses heróis.
Para mim, entretanto, a melhor definição sobre a Revolução Constitucionalista vem do poeta Paulo Bomfim:
“A trincheira de 32 foi a pia batismal da democracia em nossa terra”.
De fato surgiram na Revolução Constitucionalista as primeiras noções da importância de se viver em um regime democrático.