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28.07.10

Antiga rodoviária dará lugar a um Complexo Cultural de música e dança para a cidade de São Paulo

por
Geraldo Nunes
, Seção: Sem categoria 10:49:08.

Sobrevoei a demolição da antiga Estação Rodoviária de São Paulo, localizada na Praça Júlio Prestes, onde hoje está a Sala São Paulo e lá de cima tirei algumas fotos.

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Devo esclarecer que nunca tive nenhum apego ou nostalgia pelo antigo edifício de arquitetura kitsch, que serviu de ponto final para os ônibus provenientes de todas as partes do Brasil entre 1961 e 1982.

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Do lugar apenas duas recordações: uma delas é que ali conheci, quando menino, a primeira escada rolante que vi na minha vida. A outra diz respeito aos vitrais coloridos que me chamavam a atenção na infância.

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Numa época em que nem os aparelhos de televisão tinham cor, os vitrais com losangos vermelhos, azuis e amarelos presos a ferros entrelaçados, despertavam a curiosidade da garotada.

RODOVIARIA_HELVIO_Pronto.jpg

A velha “Rodoviária”, como chamávamos, chegou a receber 2.500 ônibus por dia, mas tornou-se obsoleta e suas operações, que congestionavam o centro e dificultavam a saída e a chegada dos passageiros,  foram transferidas para o Terminal do Tietê.

Est-Rod-Jlio-Prestes-So-Paulo-detalhe-01_pronto_1.jpg

No terreno será  construído o Complexo Cultural Luz, que abrigará o Teatro da Dança de São Paulo, obra orçada em R$ 600 milhões, com projeto do escritório suíço Herzog & De Meuron.

A demolição deve ser finalizada em outubro, e as obras no local começam em janeiro de 2011. A previsão de inauguração do complexo cultural é 2014.

O projeto prevê a construção de três teatros, o maior com capacidade para 1.750 espectadores, e abrigará a sede da Companhia de Dança, gerida pela Secretaria de Estado da Cultura.

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Também haverá escola de dança, salas de ensaios, biblioteca, auditório, café, loja, praça de convivência e estacionamento para mil veículos.

Após a desativação da velha “rodoviária” a decadência do centro e de bairros como a Luz e Campos Elíseos se acelerou ainda mais.

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Neste caso, demolir o que não serve, para depois recuperar a área nos parece uma boa saída
Até porque antes, não se vivia ali às mil maravilhas, o trânsito era caótico e havia muitos assaltos, sem contar a prostituição e o tráfico.

 Por este motivo, a decisão da prefeitura de investir em espaços culturais como forma de se revitalizar a região, é algo auspicioso.

A Prefeitura também aposta em seu projeto de concessão urbanística da Luz, como forma de se recuperar toda a área.
Iniciativas do tipo devem levar pessoas a trabalhar, freqüentar e quem sabe até morar nesses bairros, considerados até bizarros pelo elevado grau de decadência.

A decadência da Luz e dos Campos Elíseos atualmente é perceptível mesmo a bordo do helicóptero a mais de 200 metros de altura. Tomara que esse quadro venha de fato a se modificar.

Comentários:

Comentário by Douglas Nascimento
28 28UTC julho 28UTC 2010

Eu também fui/sou favorável a demolição da antiga rodoviária, mas não acredito que seria necessário trazer um grupo de arquitetos de fora do Brasil para erguer o novo prédio que terá ali.

Foi uma forma do governo do Estado desprestigiar a arquitetura brasileira.

O que ninguém discute é para onde foram os viciados que ficavam nas sombras da velha rodoviária. Será que eles se curaram do vício ? Não! Estão vivendo em buracos (isso mesmo buracos) na estrutura do famigerado minhocão.

Outro “parabéns” a prefeitura de São Paulo que não deixa a gigantesca estátua do Duque de Caxias iluminada à noite. Talvez para deixar o velho comandante e seu cavalo “dormirem” à noite.

Comentário by Luciano
28 28UTC julho 28UTC 2010

Não sou malufista, mas quem construiu o terminal Tiete foi o Maluf (prefeito nomeado), que foi execrado pela oposição (esquerda) na época por construir um elefante branco na marginal, que em poucos anos ficou pequena.
E as esquerdas de hoje vão execrar o Kassab pois vai afastar os povos da rua da região, privilegiando as elites (eleite é o povo que trabalha e quer um pouco de lazer) o que para eles(ESQUERDA) é um absurdo.

Comentário by carlos
29 29UTC julho 29UTC 2010

Não concordo com o comentário do Douglas, prédios públicos construídos por arquitetos estrangeiros não residentes existem em toda parte, só lembrar o Opera Bastille do Paris, do arquiteto Carlos Ott (uruguaio que mora no Canadá) e na época lá ninguém reclamou.
Enquanto aos viciados, eles são responsabilidade da sociedade toda, inclusive das ONGs, que recebem dinheiro do governo federal e não fazem nada.
A iluminação e para cobrar sim da prefeitura, não e um assunto só do monumento e de toda a cidade de São Paulo, falta muita luz nas ruas, praças, monumentos, prédios, parques, em fim.

Comentário by Wanderley Duck
30 30UTC julho 30UTC 2010

Toda vez que algum prédio que foi significante na história da cidade de São Paulo é demolido, os protestos são muitos.
A luta entre a turma da força da grana que ergue e destrói coisas belas, contra as pessoas que têm consciência da importância da preservação de edifícios que têm história, é muito grande e infindável.
O caso dessa rodoviária, entretanto, é único, é unanimidade, todos querem que ela venha abaixo.
Mesmo os mais velhos, como é o meu caso, que têm algumas lembranças de embarques e desembarques de viagens nesse lugar, não estão nada comovidos…. acho que é porque ela era de um extremo mau gosto, vai saber.
Tadinha da patinha feia, não vai ter ninguém para chorar no seu enterro.

Comentário by ANGEL G.G.JUNIOR
30 30UTC julho 30UTC 2010

SENHOR GERALDO NUNES

UM COMPLEXO CULTURAL NA CRACOLÂNDIA É
UM PARADOXO CULTURAL !!
SERÁ QUE OS CONSUMIDORES DE DROGAS GOSTAM DE CULTURA ??

SEM MAIS
ATENCIOSAMENTE
ANGEL G.G.JR

Comentário by Hélio Bertolucci Jr.
30 30UTC julho 30UTC 2010

Eu cheguei a embarcar algumas vezes na antiga rodoviária. Sou favorável que pelo menos deixassem alguma parte, ou das bolhas de acrílico, ou outras coisas como forma de preservação da história arquitetônica ou não. Se é a construção foi feia ou bonita, não importa, mas sim o que aquele lugar significou para a cidade.

Agora, não adianta transformarmos o Centro e outras regiões, em uma Paris, se os orgãos competentes não cuidam da parte social e ambulatorial da cidade. Está ai perto a Cracolância e nunca vi tantos moradores de rua pela cidade. Enquando se vangloriam com o sucesso do Real, esquecem de olhar por aqueles que necessitam de muita ajuda.

Comentário by Eduardo Britto
31 31UTC julho 31UTC 2010

Fotos antigas maravilhosas, relembrando momentos daquela curiosa rodoviária, que ficou anacrônica, e assim desapareceu. As fotos aéreas novas mostraram um grande terreno vazio, à direita do terreno da estação. Tudo será ocupado? Talvez isso justifique o custo: R$ 600 milhões! Talvez não. Estamos perdendo a noção do dinheiro, mas creio que com R$ 600 milhões se resolveriam TODOS os problemas sociais da região, e gerando com isso muitos empregos para´psicólgos, assistentes sociais, médicos. Complicado uma obra tão cara ser decidida em gabinete, sem consulta popular ou algo semelhante. Valeu pela bela postagem.

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