Mitos e Verdades na contratação de jogadores veteranos pelo São Paulo Futebol Clube
A contratação pelo São Paulo de Rivaldo com 38 anos, trouxe de volta ao Morumbi, a tradição de se levar jogadores veteranos para o elenco e se obter com eles resultados que entrarão para a história do clube.
Na maioria das vezes essa decisão na prática deu certo, embora em alguns casos esses craques não estivessem ainda, verdadeiramente, em final de carreira.
Pesquisei o assunto e descobri que apesar da idade, ou da fama, a maioria de fato estava em final de carreira mas outros, até de maneira surpreendente tinham ainda muito futebol pela frente.
Quem não concordar poderá deixar um comentário neste blog.
Na foto aparece Rivaldo ao lado Rogério Ceni, os dois também compartilham da mesma idade 38 anos, com o mesmo peso e mesmo físico que tinham há dez anos. São dois atletas que daqui alguns anos serão tratados como mito pelos torcedores.

Rogério Ceni e Rivaldo (Mitos)
Alterações apenas no cabelo dos dois e com o “canhotinha de ouro”, Gerson de Oliveira Nunes, aconteceu o mesmo. Suas madeixas estavam escassas quando chegou ao Morumbi, mas isto não significa que estivesse em final de carreira.
No São Paulo, Gerson foi tricampeão do mundo com a seleção brasileira, em 1970 e bi do Paulistão quebrando um jejum de treze anos. Craque que fazia lançamentos precisos, veio do Botafogo para o São Paulo em 1968 com 27 anos ao lado de Toninho Guerreiro, do Santos, com a mesma idade, mas somente Gerson é lembrado como veterano, o que de fato não ocorreu.

Gerson (Mito)
Diz a lenda que um jogador experiente impõe respeito aos demais colegas de equipe se tornando o grande líder das conquistas inesquecíveis.
Com Zizinho, isto aconteceu e tudo o que se fala sobre ele é verdade, porque os especialistas o tratam como o mais completo jogador brasileiro depois do Rei Pelé.
Em 1957 com 36 anos chegou ao São Paulo, depois de passado brilhante no Flamengo e na Seleção Brasileira.
Seu nome era Thomaz Soares da Silva
Liderando o time o tricolor chegou à conquista do campeonato paulista daquele ano, muito elogiado por todos.
Continuou jogando e foi encerrar sua carreira, em 1962, no Audax do Chile, aos 41 anos.

Zizinho (Mito)
Arthur Friedenreich é outro craque na linhagem dos “reis do futebol”.
Já estava com 37 anos quando jogou pelo São Paulo da Floresta que deu origem ao São Paulo Futebol Clube, entre 1930 e 1934.
Vestindo essa camisa ele conquistou o título paulista de 1931, o primeiro da história do tricolor “mais querido”.

Friedenreich (Mito)
Apesar de sua idade, não se pode dizer que El Tigre, conforme os argentinos o chamavam, estava em fim de carreira.
Isto porque ele continuava atingindo marcas impressionantes, como no Campeonato Paulista de 1932, quando marcou 32 gols em 26 jogos.
Jogou 126 partidas pelo São Paulo, fazendo 106 gols e seu final de carreira se deu mesmo no Flamengo, em 1935, aos 43 anos.

Leônidas da Silva em foto colorizada Repórter Otávio Muniz (pai)
Outro mito são – paulino é Leônidas da Silva que nasceu em 1913 e transferiu-se para o São Paulo em 1942.
Tinha portanto, 29 anos, quando veio do Rio para a capital paulista e não estava em final de carreira, como dizem.
Na verdade ele havia sido preso, por sinal injustamente, acusado de dívidas com o fisco. Chegou ao São Paulo contundido e pelo preço exorbitante de 500 contos de réis.
Ficou algum tempo sem jogar, falava-se que o São Paulo havia comprado um bonde de 500 contos.
Os bondes já naquele tempo eram considerados lentos e obsoletos, mas não foi o caso de Leônidas.
Depois de se recuperar ajudou o “Mais Querido” na conquista de vários títulos durante a década de 1940, marcando 42 gols vários deles de bicicleta como nesta foto. Encerrou a carreira no São Paulo em 1949.

Leônidas faz gol de bicicleta no Juventus (Mito)
Nome forte entre os lendários veteranos do “bem amado” é Bellini que foi para o clube com 32 anos.
Ao chegar, o zagueirão já consagrado por ter sido o primeiro a erguer a Copa Jules Rimet para o Brasil, no Mundial de 1958, veio para também no tricolor ser o “capitão do time”.
Era tratado com tanto respeito pelos demais jogadores que alguns jovens atletas o chamavam de “seo Bellini”.

Bellini e Didi (Mito e Verdade)
Na foto temos Bellini com a Copa do Mundo ao lado de Didi que também jogou no tricolor do Morumbi.
Hederaldo Luiz Bellini seguiu para o clube em 1960, ano da mudança do Canindé para o Morumbi em construção.
A inauguração parcial do Estádio Cícero Pompeu de Toledo aconteceria aquele ano, tendo Bellini em campo.
Já Valdir Pereira, o Didi, foi para o São Paulo em 1964, ficando só três meses. De volta em 1966 não ficou nem seis meses, marcando apenas um gol, infelizmente contra.
No São Paulo, Didi encerrou em definitivo a sua trajetória cheia de clubes, glórias e saudades, aos 37 anos.
Depois do São Paulo, Bellini ainda jogou pelo Atlético Paranaense onde pendurou as chuteiras em 1968.
Tanto Didi quanto Bellini não trouxeram títulos, era a fase das vacas magras onde quase todo dinheiro era investido na conclusão do Estádio Cícero Pompeu de Toledo.
Cláudio Cristóvão Pinho (verdade) foi ponteiro direito e passou pelos quatro grandes do futebol paulista.
É ainda hoje o maior artilheiro da história do Corinthians com 305 gols e encerrou a carreira no São Paulo aos 37 anos, em 1960 onde disputou 35 partidas e fez 10 gols.
Quanto a Jair da Rosa Pinto, este chegou com 40 anos e jogou pelo Tricolor entre 1961 e 1962. Atuou em 31 partidas (20 vitórias, quatro empates, sete derrotas) e marcou 2 gols.
Concluiu sua passagem pelo “bem amado” dirigindo a equipe em janeiro de 1963, mas contratado pela Ponte Preta como técnico, acabou jogando naquela equipe onde terminou a carreira aos 43 anos, na cidade de Campinas.

Jair da Rosa Pinto (Verdade)
Após a Copa do Mundo de 1970, Pedro Rocha de 30 anos, destaque da seleção uruguaia naquele mundial foi contratado.
O "El Verdugo" fez parte do elenco do primeiro título brasileiro de 1977. Após aquele campeonato a torcida ostentou faixas com os dizeres "São Paulo é Raça o resto é fumaça".
Pedro Rocha não chegou veterano tanto que atuou 375 vezes, marcando 113 gols, com a camisa branca, preta e vermelha mais famosa do mundo.

Pedro Rocha (Mito) e o Rei Pelé
Marinho Chagas, melhor lateral esquerdo da copa de 1974 chegou com 29 anos e fama de indisciplinado.
Mas no Sampa se deu bem, jogou de 1981 a 1983.
Foram 85 partidas com 46 vitórias, 16 empates, 23 derrotas e um bi-paulista.

Marinho Chagas (Mito)
Com Leivinha a história foi diferente. Embora tivesse 29 anos, quando chegou ao time das três listas, já estava em declínio profissional por problemas no joelho. Ainda assim tentou jogar.
Fez apenas 11 partidas com a camisa do São Paulo e resolveu parar em definitivo.

Leivinha (Verdade)
Paulo Roberto Falcão, o “Rei de Roma”, chegou em 1985 como unanimidade nacional, mas teve passagem apagada.

Falcão (Verdade)
Ainda assim, aos 32 anos, Falcão que não se dera bem com o então técnico Cilinho, sagrou-se campeão paulista com o tricolaço e foi carregado nos braços por torcedores e dirigentes.
Em meados de 1992 chega Toninho Cerezo que participou de duas decisões do campeonato mundial interclubes disputadas no Japão pelo "Soberano". Chegou procedente da Sampdoria da Itália, para marcar gols importantes, como o segundo na vitória memorável sobre o Milan por 3 a 2.

Cerezo (Verdade)
Cerezo tinha 38 anos quando marcou esse, mas o Memorial Tricolor informa que apesar da idade, não é ele o jogador mais velho a marcar com a camisa do São Paulo e sim o ponta esquerda Teixeirinha, aos 42 anos.
Assim como Rogério Ceni, o craque Teixeirinha tem sua história ligada unicamente ao Tricolor Paulista.

Teixeirinha (Verdade)
Em meados de 1998, aos 33 anos, Evair teve a oportunidade de defender o clube que o rejeitou quando ainda era jovem.
Mas a torcida são – paulina pegou no pé, o acusando de continuar palmeirense e no mesmo ano Evair, transferiu-se para o Goiás.

Evair (Mito)
O último experiente a anteceder Rivaldo, foi justamente Raí que aos 33 anos depois de jogar no Paris Saint Germain, voltou ao tricolor em 1998.
Sua reestreia foi contra o Corinthians, já na final do Campeonato Paulista daquele ano: ele fez um gol de cabeça e foi campeão no mesmo dia em que desembarcou no país.
Raí está na galeria dos heróis que ajudou a conquistar os três títulos mundiais interclubes que entre as equipes brasileiras só o São Paulo tem.

Raí (Verdade)
Na condição de jornalista quero avisar que sou o dono da marca “São Paulo de Todos os Tempos”, nome de um programa que foi ao ar por mais de dez anos na Rádio Eldorado.
Como pesquiso assuntos ligados à história e à memória, me aventurei nas coisas do futebol porque afinal o esporte também trás boas recordações.
Todas as fotos foram retiradas de sites públicos disponíveis na web.

ÍDOLOS DE TODOS OS TEMPOS












