29.12.09
por
Geraldo Nunes ,
Seção:
Geral
14:41:52.
Vou contar uma história que só quem mora ou já morou em São Paulo é capaz de entender em seu sentido mais amplo.
Foi há onze anos, em 31 de dezembro de 1998, e aconteceu comigo a bordo do helicóptero, sobrevoando as estradas e com o Caio Camargo no estúdio da Eldorado ancorando a programação.
Era ele quem conversava com os ouvintes que ligavam sem parar em um plantão de final de ano.
Dez horas da manhã e o Sistema Anchieta - Imigrantes estava congestionado entre São Paulo e o litoral, com o trânsito aumentando cada vez mais.

(Sérgio Castro/AE)
Em 1998, a pista para a descida da serra da Rodovia dos Imigrantes ainda não estava pronta e isto obrigava a empresa gestora a implantar um esquema chamado Operação Descida que consistia na inversão da mão de direção da pista de subida para o sentido baixada santista.
A frota de veículos no Estado, naquele ano, já superava a casa dos quatro milhões e os engarrafamentos eram constantes em todos os lugares.
Por volta do meio dia já estava tudo parado para quem viajava de carro, fosse na Anchieta ou na Imigrantes que é onde eu concentrava meu sobrevoo.
Da mesma forma como acontece em toda véspera de ano novo, São Paulo estava, de certo modo, tranqüila. A exceção era a Avenida Paulista e o Centro, interditados por causa da festa oficial de réveillon e da corrida de São Silvestre.
Telefones celulares existiam em grande número no final de1998 e a participação dos ouvintes repórteres na Eldorado já era bem grande.
Eles ligavam para dividir notícias do trânsito com os demais ouvintes e aproveitavam para reclamar do tráfego ruim na Imigrantes e de motoristas que se utilizavam do acostamento para trafegar.
Do helicóptero informando, eu recomendava aos "espertinhos" para que não cortassem caminho porque mais à frente encontrariam tudo parado do mesmo jeito, mas compre sempre havia de fato os desobedientes.
Os telefonemas continuaram na parte da tarde com a maioria reclamando mais ou menos as mesmas coisas até como forma de desabafo.
Eu continuava no helicóptero pensando na situação daquelas pessoas que, depois de todo sufoco que é o Natal, com tantas compras e correrias, nada melhor que um banho de mar para espairecer, mas o que se tinha era uma rodovia abarrotada de carros.

(Tiago Queiroz/AE)
Tudo aquilo era muito estressante, eu havia começado meu trabalho às sete da manhã e o sobrevoo a partir das oito. Entre uma pausa e outra para reabastecimento, eu me alimentava, mas continuava acompanhando tudo o que a rádio transmitia.
As pessoas começavam a relatar que tinham ficado 4 horas e meia na estrada para um trajeto em torno de 80 quilômetros entre São Paulo e o Guarujá, por exemplo.

(Ernesto Rodrigues/AE)
Alguns ouvintes passaram a cobrar mais policiamento nas rodovias e pedir mais investimentos na construção de novas estradas.
Fiquei imaginando não só uma nova pista para a Imigrantes, mas também uma Rodovia dos Tamoios duplicada entre São José dos Campos e Caraguá, além de uma Mogi – Bertioga bem melhor que a da época.
O interessante é que estamos em 2009 e essas duas estradas continuam péssimas, fazendo com que, ainda hoje, a demanda de tráfego no Sistema Anchieta – Imigrantes seja maior que o esperado e as lentidões continaum.
Nosso voo prosseguia e quando já estava escurecendo, pedi para o piloto fazer uma rasante na fila da praça de pedágio da Imigrantes.

(Ernesto Rodrigues/AE)
Eu queria que as pessoas vissem que elas não estavam sozinhas no tráfego lento e que havia alguém preocupado com elas, um repórter aéreo.
Para minha felicidade, consegui alguns acenos e até piscadas de farol dos carros parados.
Em seguida, um senhor telefona à Eldorado e conta que está com a esposa e dois filhos pequenos, explicando que gastou duas horas para trafegar apenas dez quilômetros, o trânsito piorava e outro ouvinte exclama: "Eu já não agüento mais"!
Caio Camargo do estúdio avisa que a previsão é de que o trânsito continuará ruim ainda por várias horas e alerta para possibilidade daquelas pessoas passarem a virada do ano na estrada.
Nosso âncora informava para os ouvintes que estivessem pensando em retornar sem concluir o trajeto às praias, que no dia seguinte haveria melhores condições para uma viagem tranquila.
Ninguém, entretanto, ligou para dizer que arredaria pé retornando a São Paulo, todos diziam que preferiam continuar para ver o que aconteceria.
Teimosia, masoquismo, burrice? Como explicar aquele comportamento?
A situação começava a ficar dramática, para nós de uma emissora de rádio que também tínhamos nossos eventos de réveillon ao lado dos familiares.
Nesse caso o que fazer?
Não houve consultas porque a decisão foi unânime. Continuaríamos trabalhando para informar eventuais novidades, mas era noite réveillon e a virada estava próxima.
Fogos alusivos ao ano novo que eu via do em cada canto do céu.

(Reprodução/AP)
Quando sobrevoamos a Imigrantes em tempo claro, dá para ver as torres de TV da Avenida Paulista que naquela noite irradiavam ainda mais cores e luzes.
As horas iam passando e o voo continuava. Por volta das dez da noite, o piloto recebe o aviso que o Campo de Marte iria encerrar suas operações, o combustível também rareava, precisávamos voltar. Deixei a estrada.

(Tiago Queiroz/AE)
Retornando à base, sobrevoei São Paulo novamente e percebi que o tráfego seguia em um ritmo frenético. Ninguém queria chegar atrasado à sua festa ou encontro.
Lembrei de novo das pessoas presas no trânsito e ansiosas em chegar. Eu, de minha parte, quase morto de cansaço e faminto nem pensava mais em festa.
Fiz questão porém de dizer aos ouvintes na minha última entrada de 1998, que desejava a todos um Feliz Ano Novo, até para compensar aquele martírio que tinha sido ficar parado naquele calor infernal, sem poder sair do carro em uma data tão significativa.
1999 começou de fato com muita gente tendo que se cumprimentar na estrada, porque o congestionamento naquele dia 1º. de janeiro só foi diminuir depois das duas e meia da madrugada.
Ao mesmo tempo aquele ano anunciava o limiar de um novo milênio e a esperança, como agora, sempre renovada para que os próximos doze meses sejam mais promissores.
O tempo passa e certos objetos que eram usuais e modernos, em 1999, hoje estão ultrapassados como os disquetes de computadores e os aparelhos de CD Player para automóveis.
outras coisas permanecem como a fissura do povo por automóveis, o trânsito em consequência sempre parado e este repórter aéreo buscando algum jeito de melhorar a situação para os quem ouvem a Rede Eldorado.
Quero assim, como naquele réveillon longínquo de 1999, desejar do fundo do peito, um Feliz 2010 quem sabe, com mais rotas alternativas repletas de amor pelo caminho.

(GN/Cmte.Belon)
Próspero Ano Novo porque agora tenho um blog para publicar também muitas fotos aéreas em 2010.
24.12.09
por
Geraldo Nunes ,
Seção:
Geral
09:56:33.
Já fui de escrever mais sobre o Natal e o Ano Novo, mas tenho andado meio desgostoso com as coisas, achando que o paulistano deveria encarar o Natal de outra maneira.
Vai ver que eu estou ficando velho e portanto mais ranzinza, mas agindo em minha defesa quero dizer que hoje me sinto mais com os "pés no chão" em relação à cidade.
Claro que para quem voa de helicóptero, diariamente, como eu, o termo "pés no chão" nem sempre pode ser empregado no sentido literal.

(João Paulo/Revista Asas)
Então por viver voando, acabo de vez em quando desdizendo aquilo que já eu disse, tipo metamorfose aérea e de novo me volto para São Paulo, olhando para ela, com os olhos do coração.
É que esta Paulicéia anda cada vez mais desvairada e só mesmo pondo doçura na fervura, dá para se enfrentar as rudezas do cotidiano.
São Paulo nos mostra todos os dias, inclusive na véspera do Natal, o que é a realidade em seu sentido mais amplo e nesse contexto é que a cidade se torna dura demais de ser encarada.
Na maioria das vezes e, principalmente na época de Natal, São Paulo dói na alma.
Basta ver os pedintes parando ao lado dos nossos carros, neste 25 de dezembro, para pedir uma moeda.
Eu sei que isso acontece sempre, mas no Natal o número de pedintes aumenta porque eles confiam na nossa solidariedade.
Por esta confiança depositada a quantidade de moradores sem teto, embaixo do Minhocão também dobra nesses dias.
Eles sabem que alguém dará algo de presente nem que seja aquilo que sobrou da ceia da véspera.
Isto mostra que apesar desse consumismo avassalador e desenfreado que envolve a classe média, especialmente na época do Natal, o espírito natalino acaba existindo. Meio forçado é verdade, mas ainda existe! Não em nós, mas neles, os realmente necessitados que esperam algo de nós, classe média.
Por tudo isso é que Papai Noel também existe e como tantos imigrantes que se mudaram para São Paulo, acho que ele acabou deixando a Lapônia e veio para cá,
Papai Noel descobriu que ele pode ser mais útil em São Paulo onde as pessoas precisam ser mais solidárias que em outros lugares, quase por obrigação, para poder viver em paz.
Todo mundo quer uma "caixinha" de Natal e quem não dá acaba no fundo se sentindo mal, porque no dia-a-dia essas pessoas que esperam pela gorjeta nos ajudam e muito.

Outra forma de se observar o Natal é pelo comércio popular que este ano saltou em movimento, porque nunca se viu tanta gente, carros e ônibus em torno da 25 de Março, do Mercadão e do Camelódromo do Brás.
Apesar da loucura que é essa região, responsável por metade do trânsito parado na cidade, muitos daqueles que irão receber os presentes ali comprados nunca tiveram um Natal com pernil ou chester, mas este ano, certamente, terão alguns presentes.
A economia melhorou para as classes mais carentes, está havendo melhor distribuição de renda no país e até mesmo os moradores do Jardim Pantanal, alagado por quinze dias desde a enchente do dia oito, quem sabe, terão um motivo para sorrir ao receber uma lembrançinha vinda do Camelódromo.
As crianças do vizinho Jardim Romano já podem de novo bricar pelas ruas porque a água finalmente escoou.
Isto não significa que eu concorde com certas coisas que acontecem no Camelódromo, como a venda de produtos contrabandeados ou a exploração da mão de camelôs por parte de comerciantes inescrupulosos.
Sobre estes assunto volto a falar em um outro dia porque o clima agora é de Natal.

Hoje quero dedicar esse texto para aquele menino de seis anos que morreu após a enchente do Jardim Romano em mais um desses episódios que mostram o lado cruel de São Paulo.
Disseram que o menino não morreu de leptospirose. Acredite se quiser.
Odeio sair para fazer compras perto do dia de Natal, mas vou precisar encarar isso também com os olhos do coração que eu tanto recomendo.

Feliz Natal porque o Papai Noel existe. Papai Noel somos nós.
21.12.09
por
Geraldo Nunes ,
Seção:
Geral
15:47:54.
Já é hora das pessoas tirarem da cabeça essa idéia de que só no Natal é que se pode dar presentes.
Presentes deveriam ser dados o ano todo, assim não haveria essa preocupação de ter que se presentar algúem no fim do ano.
Estou falando sobre isso porque a situação em São Paulo está ficando insustentável.
Como a cidade tem poucos atrativos o tráfego fica congestionado durante a noite, em torno da árvore de Natal do Ibirapuera.

Reprodução
Na Paulista também ninguém anda por causa da decoração alusiva ao Papai Noel.
Não bastassem esses "eventos", aconteceu na Praça Campo de Bagatele, em Santana, no último domingo que antecede o Natal, a Parada Disney.
Para que as crianças pudessem ver de perto aqueles bonecos do Mickey ou do Pato Donald, o pública, o trânsito foi bloqueado.
Até aí tudo certo, porque afinal este é um fator de humanização para uma cidade considerada por alguns como árida e desumana.
Só que escolheram o lugar errado para essa festa porque foi necessário bloquear o trânsito na Ponte das Bandeiras e o tráfego do corredor norte - sul, no sentido Santana parou até o Aeroporto de Congonhas.
Em outras palavras, a prefeitura e a CET também enlouqueceram nessa terra onde não se escapa mais do trânsito ruim nem no fim de semana.
Como o Natal é um acontecimento religioso, que consta dos livros bíblicos, utilizemos a Bíblia Sagrada para explicar o que está acontecendo:
São Paulo se transformou na Torre de Babel, lugar onde ninguém mais se entende.
Até pouco tempo atrás só compareciam à Rua 25 de Março pessoas adeptas ao comércio popular ou atacadistas.
Agora não, até pessoas das classes A e B estão fazendo suas compras naquele centro comercial.
O Mercado Municipal, mais conhecido por Mercadão, também anda abarrotado e tudo à sua volta anda congestionado e tudo vai parando em efeito cascata.
Para aumentar ainda mais as dificuldades, sacoleiros de todo o Brasil estão se dirigindo aos milhares para a região do camelódromo.
Essa área, criada pela prefeitura paulistana para tirar os camelôs das ruas, fica nas imediações de antigas ruas comerciais do Brás, como a São Caetano, a Monsenhor Andrade, João Teodoro, Oriente e Maria Marcolina, entre outras.
Ônibus de várias partes do país chegam de madrugada trazendo pessoas ás compras.
Como sobrevôo a cidade de manhã decidi tirar algumas fotos para que todos entendam a situação. Este é o Mercadão, já lotados de carros à sua volta às 8 horas da manhã.

GN/Cmte.Belon
Em torno do camelódromo, a situação é assim:

GN/Cmte.Belon
Essa é a Rua Monsenhor Andrade e há lugares onde os carros também fecham o cruzamento.

GN/Eldorado
No meio daquela locura, só mesmo o Largo da Concórdia escapa, questão de honra para a prefeitura que certa vez decidiu investir na urbanização do Brás, mas parou por ali para decepção geral.

GN/Cmte.Belon
Isto é São Paulo e seu "espírito de Natal" Dá para continuar vivendo num lugar desses?
No meio dessa confusão, acha que dá para se pensar na ternura do Menino Jesus?

GN
Comente este assunto comigo e publicarei sua opinião.
18.12.09
por
Geraldo Nunes ,
Seção:
Geral
15:26:54.
As últimas chuvas mostraram que os piscinões não estão sendo eficazes no combate às enchentes, porque servem apenas de atenuantes a um problema crônico.
Como em São Paulo existem muitas ruas asfaltadas, toda enxurrada vai parar dentro dos córregos que não dão conta de tanta água.
Os piscinões foram feitos sob a idéia de se criar uma bacia gigante e armazenar nela todo volume de um temporal e assim evitar o transbordamento do córrego que passa ao lado.
Mas como a quantidade de água é imensa e todo o espaço do piscinão já foi ocupado, a água escorre para fora do córrego causando a enchente.
Essa explicação foi feita durante o programa Eldorado Cidades pela arquiteta e urbanista Maria Bonafé, ganhadora, em 1998, do prêmio Prestes Maia de Urbanismo.
Na época ela apresentou um projeto de desocupação de várzeas com a construção de lajes suspensas em pilares de concreto instalados nas áreas onde hoje estão bairros como o Jardim Rochdale, em Osasco, ou ainda o Jardim Romano ou Jardim Pantanal, em São Paulo.
Para melhor entendimento do esse processo construtivo sugerido pela arquiteta, é parecido ao das palafitas, que são aquelas casas, construídas na região amazônica, que construídas bem acima do nível do rio, acabam não ficando inundadas quando o nível sobe.
No caso do Jardim Rochdale, o bairro ficou alagado porque o Piscinão Anhanguera, recentemente inaugurado, não deu conta do recado.
Do helicóptero fotografei a região de Osasco atingida pela enchente, para que todos possam compreender melhor o que aconteceu.
Abaixo temos Piscinão Anhanguera.

GN/Cmte.Belon
Ainda que ele tivesse o dobro do tamanho não conseguiria reter a enchente, tamanha foi a quantidade de água que caiu em um só lugar.
Na sequência vemos o córrego que atravessa o Jardim Rochdale, um bairro pobre de Osasco.

GN/Cmte.Belon
Também no Eldorado Cidades entrevistamos no dia da inauguração desta bacia gigante, o superintendente do Departamento de Águas e Energia Elétrica do Estado de São Paulo - DAEE , Ubirajara Tanuri Félix que na oportunidade disse que o Piscinão Anhanguera, construído ao lado da rodovia do mesmo nome, resolveria o problema das enchentes no Rochdale. Ledo engano.
A arquiteta Maria Bonafé afirma que construções elevadas bem acima do nível dos córregos, podem ter bom aspecto visual e impedem que as populações ribeirinhas sejam vítimas das enchentes, que continuarão acontecendo, só que em várzeas não ocupadas por residências.
A professora premiada disse acreditar que a insistência dos governantes em dar continuidade ao projeto de implantação dos piscinões, atende a objetivos políticos de mostrar que alguma coisa está sendo feita, mesmo sabendo que o resultado será pífio.
Por esta razão quando vejo do alto que o tempo está virando para chuva, como na foto abaixo, já fico pensando em qual bairro surgirá novos problemas.
Essa fotografia de aspecto sinistro que vem abaixo foi tirada do cebolão. Vemos o Rio Pinheiros e a Raia Olímpica da USP refletindo o céu ameaçador.

GN/Cmte.Belon
Com esta foto estou estragando o espírito natalino? Então, comente esse texto comigo.
11.12.09
por
Geraldo Nunes ,
Seção:
Geral
14:56:26.
Aos poucos a cidade de São Paulo vai perdendo tudo de bom que possui.
Desculpem meu pessimismo "trash", mas depois dessa última enchente onde o prefeito da terceira maior cidade do mundo virou as costas à população, fiquei desanimado.
Digo isso porque na entrevista coletiva que concedeu após tanta chuva, Gilberto Kassab, disse que estava tudo bem porque os bueiros tinham sido limpos e os piscinões, segundo ele, deram conta do recado.
Ou seja, como Pilatos, lavou as mãos com as águas do Tietê mesmo sabendo que a Marginal havia ficado interditada por mais de seis horas, após o transbordamento do rio.
Depois dessas declarações comecei a achar que de fato estamos sós e que os administradores enxergam as coisas com olhos diferentes do povo.
Como diz uma música do Paulinho da Viola, "cada um trata de si, irmão desconhece irmão". É triste se falar assim, bem agora que está chegando o Natal.
Mas já que estou lembrando letras e canções que tal aquela de Dominguinhos e Anastácia chamada "Que falta me faz um xodó".
Em São Paulo não há mais do que se orgulhar, está faltando um xodó para a cidade.
Os paulistanos sempre tiveram um carinho especial pelo Aeroporto de Congonhas, embora até ele ultimamente esteja causando mais dissabores do que alegrias.
Congonhas nos tempos em que era o "xodózinho" da cidade, transmitia glamour e alegria.
Tudo começou assim:

(Foto tirada antes da inauguração em 1936)
Depois ficou deste jeito:

Lembram-se da "prainha" de Congonhas? Quantos de nós não fomos para lá, levados pelos pais? Até o grupo Joelho de Porco cantou: "Aeroporto de Congonhas, passar todos os domingos, só prá ver avião descendo, só prá ver avião subindo".

Havia dissabores, embarques e desembarques aconteciam na chuva e depois todos eram levados ao saguão por ônibus como este:

Essa era a fila do sofrimento.
Congonhas Antigo-09

Mesmo assim valia a pena, o saguão era primoroso com aquelas lojas e restaurantes.
CongonhasAntigo-06

Até para pegar táxi era mais fácil.

Em certos desembarques na ala oficial havia até banda de música.

Saudades em branco e preto dos meus tempos de criança.

(Fotos do acervo Paulo Fernando Kasseb, estudioso da aviação, que diz não ser parente do Gilberto Kassab)
O importante é que a vida segue sempre voando. Por favor, não deixe de fazer seu comentário.
05.12.09
por
Geraldo Nunes ,
Seção:
Geral
10:38:51.
Os aeroportos brasileiros deveriam estar entre as principais preocupações das autoridades porque vem aí mais um período de férias e a infra-estrutura permanece praticamente a mesma de anos anteriores.
Essa preocupação cresce a cada dia porque nem ao menos o edital de licitação visando a readequação de nossos aeroportos foi publicado.
O aeroporto de Guarulhos é o mais importante ponto de distribuição de vôos em todo o país e nem mesmo ele recebeu qualquer melhoria.
Todos os aeroportos brasileiros estarão lotados de passageiros e Congonhas deverá ficar com aquele jeitão de terminal rodoviário já nos próximos dias.
Como cruzo todos os dias, a pista do aeroporto paulistano de helicóptero, resolvi tirar umas fotos para mostrar cenas que do chão ninguém percebe.
Não há nada de alarmante no que vou apresentar, somente algumas curiosidades.

GN/Cmte.Belon
A foto acima foi tirada do helicóptero da Rede Eldorado na hora em que aguardamos autorização para cruzarmos a pista vindos da zona sul na direção do centro.
É uma panorâmica do setor setor externo da ala de embarque onde podemos ver os aviões posicionados à espera dos passageiros tendo mais ao fundo as pistas principal e auxiliar.
Nesta outra foto, abaixo, vemos em primeiro plano a pista principal e acima dela a pista auxiliar que deve ser ampliada, conforme um recente projeto apresentado pela prefeitura e não pela Infraero.

GN/Cmte.Belon
A fotografia a seguir nos apresenta as duas pistas de Congonhas no momento em que o helicóptero da Eldorado fazia o cruzamento.
Percebam a marca dos pneus dos aviões no asfalto da pista principal.
Os prédios que vemos ao fundo pertencem aos bairros de Campo Belo à esquerda e Moema à direita.

GN/Cmte.Belon
Enquanto eu aguardava com o Comandante Belon, que piloto o helicóptero da Rede Eldorado, a autorização para cruzarmos a pista, aproveitei para tirar umas fotos daquilo que restou da antiga Vasp.

GN?Cmte.Belon
Você compraria algum destes sucatões? Pois saiba que existem interessados. Esses hangares da Vasp estão localizados na Rua Tamoios.

GN/Cmte.Belon
Curiosidades à parte, vale lembrar que o Aeroporto de Congonhas é o segundo do país na movimentação de passageiros, só perdendo para Guarulhos.
Os editais de licitação para melhoria dos estádios e aeroportos visando a Copa 2014, também deveriam ter sido lançados, ainda no mês de agosto.
Como isso foi postergado, será impossível dar início a qualquer obra nos aeroportos, agora em dezembro.
É tradição no Brasil dizer que em nosso país, o ano só começa depois do carnaval. Como isso de fato é verdade, vamos aguardar que as licitações sejam lançadas pelo menos no início de março de 2010.