BLOGS TERRITÓRIO ELDORADO

08.02.11

Mitos e Verdades na contratação de jogadores veteranos pelo São Paulo Futebol Clube

por
Geraldo Nunes
, Seção: Sem categoria 14:00:41.

A contratação pelo São Paulo de Rivaldo com 38 anos, trouxe de volta ao Morumbi, a tradição de se levar jogadores veteranos para o elenco e se obter com eles resultados que entrarão para a história do clube.

Na maioria das vezes essa decisão na prática deu certo, embora em alguns casos esses craques não estivessem ainda, verdadeiramente,  em final de carreira.

Pesquisei o assunto e descobri que apesar da idade, ou da fama, a maioria de fato estava em final de carreira mas outros, até de maneira surpreendente tinham ainda muito futebol pela frente.

Quem não concordar poderá deixar um comentário neste blog.

Na foto aparece Rivaldo ao lado Rogério Ceni, os dois também compartilham da mesma idade 38 anos, com o mesmo peso e mesmo físico que tinham há dez anos. São dois atletas que daqui alguns anos serão tratados como mito pelos torcedores.

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Rogério Ceni e Rivaldo (Mitos)

Alterações apenas no cabelo dos dois e com o “canhotinha de ouro”, Gerson de Oliveira Nunes, aconteceu o mesmo. Suas madeixas estavam escassas quando chegou ao Morumbi, mas isto não significa que estivesse em final de carreira.

No São Paulo, Gerson foi tricampeão do mundo com a seleção brasileira, em 1970 e bi do Paulistão quebrando um jejum de treze anos. Craque que fazia lançamentos precisos, veio do Botafogo para o São Paulo em 1968 com 27 anos ao lado de Toninho Guerreiro, do Santos, com a mesma idade, mas somente Gerson é lembrado como veterano, o que de fato não ocorreu.

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Gerson     (Mito)

Diz a lenda que um jogador experiente impõe  respeito aos demais colegas de equipe se tornando o grande líder das conquistas inesquecíveis.

Com Zizinho, isto aconteceu e tudo o que se fala sobre ele é verdade, porque os especialistas o tratam como o mais completo jogador brasileiro depois do Rei Pelé.

Em 1957 com 36 anos chegou ao São Paulo, depois de passado brilhante no Flamengo e na Seleção Brasileira.

Seu nome era Thomaz Soares da Silva

Liderando o time o tricolor chegou à conquista do campeonato paulista daquele ano, muito elogiado por todos.

Continuou jogando e foi encerrar sua carreira, em 1962, no Audax do Chile, aos 41 anos.

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Zizinho (Mito)

Arthur Friedenreich é outro craque na linhagem dos “reis do futebol”.

Já estava com 37 anos quando jogou pelo São Paulo da Floresta que deu origem ao São Paulo Futebol Clube, entre 1930 e 1934.

Vestindo essa camisa ele conquistou o título paulista de 1931, o primeiro da história do tricolor “mais querido”.

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Friedenreich (Mito)

Apesar de sua idade, não se pode dizer que El Tigre, conforme os argentinos o chamavam, estava em fim de carreira.

Isto porque ele continuava atingindo marcas impressionantes, como no Campeonato Paulista de 1932, quando marcou 32 gols em 26 jogos.

Jogou 126 partidas pelo São Paulo, fazendo 106 gols e seu final de carreira se deu mesmo no Flamengo, em 1935, aos 43 anos.

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Leônidas da Silva em foto colorizada Repórter Otávio Muniz (pai)

Outro mito são – paulino é Leônidas da Silva que nasceu em 1913 e transferiu-se para o São Paulo em 1942.

Tinha portanto, 29 anos, quando veio do Rio para a capital paulista e não estava em final de carreira, como dizem.

Na verdade ele havia sido preso, por sinal injustamente, acusado de dívidas com o fisco. Chegou ao São Paulo contundido e pelo preço exorbitante de 500 contos de réis.

Ficou algum tempo sem jogar, falava-se que o São Paulo havia comprado um bonde de 500 contos.

Os bondes já naquele tempo eram considerados lentos e obsoletos, mas não foi  o caso de Leônidas.

Depois de se recuperar ajudou o “Mais Querido” na conquista de vários títulos durante a década de 1940, marcando 42 gols vários deles de bicicleta como nesta foto. Encerrou a carreira no São Paulo em 1949.

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Leônidas faz gol de bicicleta no Juventus (Mito)

Nome forte entre os lendários veteranos do “bem amado” é Bellini que foi para o clube com 32 anos.

Ao chegar, o zagueirão já consagrado por ter sido o primeiro a erguer a Copa Jules Rimet para o Brasil, no Mundial de 1958, veio para também no tricolor ser o “capitão do time”.

 Era tratado com tanto respeito pelos demais jogadores que alguns jovens atletas o chamavam de “seo Bellini”.

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Bellini e Didi (Mito e Verdade)

Na foto temos Bellini com a Copa do Mundo ao lado de Didi que também jogou no tricolor do Morumbi.

Hederaldo Luiz Bellini seguiu para o clube em 1960, ano da mudança do Canindé para o Morumbi em construção.

A inauguração parcial do Estádio Cícero Pompeu de Toledo aconteceria aquele ano, tendo Bellini em campo.

Já Valdir Pereira, o Didi, foi para o São Paulo em 1964, ficando só três meses. De volta em 1966 não ficou nem seis meses, marcando apenas um gol, infelizmente contra.

No São Paulo, Didi encerrou em definitivo a sua trajetória cheia de clubes, glórias e saudades, aos 37 anos.

Depois do São Paulo, Bellini ainda jogou pelo Atlético Paranaense onde pendurou as chuteiras em 1968.

Tanto Didi quanto Bellini não trouxeram títulos, era a fase das vacas magras onde quase todo dinheiro era investido na conclusão do Estádio Cícero Pompeu de Toledo.

Cláudio Cristóvão Pinho (verdade) foi ponteiro direito e passou pelos quatro grandes do futebol paulista.

É ainda hoje o maior artilheiro da história do Corinthians com 305 gols e encerrou a carreira no São Paulo aos 37 anos, em 1960 onde disputou 35 partidas e fez 10 gols.
 
Quanto a Jair da Rosa Pinto, este chegou com 40 anos e jogou pelo Tricolor entre 1961 e 1962. Atuou em 31 partidas (20 vitórias, quatro empates, sete derrotas) e marcou  2 gols.

Concluiu sua passagem pelo “bem amado” dirigindo a equipe em janeiro de 1963, mas contratado pela Ponte Preta como técnico, acabou jogando naquela equipe onde terminou a carreira aos 43 anos, na cidade de Campinas.

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Jair da Rosa Pinto (Verdade)

Após a Copa do Mundo de 1970, Pedro Rocha de 30 anos, destaque da seleção uruguaia naquele mundial foi contratado.

O "El Verdugo" fez parte do elenco do primeiro título brasileiro de 1977.  Após aquele campeonato a torcida ostentou faixas com os dizeres "São Paulo é Raça o resto é fumaça".

Pedro Rocha não chegou veterano tanto que atuou 375 vezes, marcando 113 gols, com a camisa branca, preta e vermelha mais famosa do mundo.

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Pedro Rocha (Mito) e o Rei Pelé

Marinho Chagas, melhor lateral esquerdo da copa de 1974 chegou com 29 anos e fama de indisciplinado.

Mas no Sampa se deu bem, jogou de 1981 a 1983.
Foram 85 partidas com 46 vitórias, 16 empates, 23 derrotas e um bi-paulista.

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Marinho Chagas (Mito)

Com Leivinha a história foi diferente. Embora tivesse 29 anos, quando chegou ao time das três listas, já estava em declínio profissional por problemas no joelho. Ainda assim tentou jogar.

Fez apenas 11 partidas com a camisa do São Paulo e resolveu parar em definitivo.

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Leivinha (Verdade)

Paulo Roberto Falcão, o “Rei de Roma”, chegou em 1985 como unanimidade nacional, mas teve passagem apagada.

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Falcão (Verdade)

Ainda assim, aos 32 anos, Falcão que não se dera bem com o então técnico Cilinho, sagrou-se campeão paulista com o tricolaço e foi carregado nos braços por torcedores e dirigentes.

Em meados de 1992 chega Toninho Cerezo que participou de duas decisões do campeonato mundial interclubes disputadas no Japão pelo "Soberano". Chegou procedente da Sampdoria da Itália, para marcar gols importantes, como o segundo na vitória memorável sobre o Milan por 3 a 2.

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Cerezo (Verdade)

Cerezo tinha 38 anos quando marcou esse, mas o Memorial Tricolor informa que apesar da idade, não é ele o jogador mais velho a marcar com a camisa do São Paulo e sim o ponta esquerda Teixeirinha, aos 42 anos.

Assim como Rogério Ceni, o craque Teixeirinha tem sua história ligada unicamente ao Tricolor Paulista. 

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Teixeirinha (Verdade)

Em meados de 1998, aos 33 anos, Evair teve a oportunidade de defender o clube que o rejeitou quando ainda era jovem.

Mas a torcida são – paulina pegou no pé, o acusando de continuar palmeirense e no mesmo ano Evair, transferiu-se para o Goiás.
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Evair (Mito)

O último experiente a anteceder Rivaldo, foi justamente Raí que aos 33 anos depois de jogar no Paris Saint Germain, voltou ao tricolor em 1998.

Sua reestreia foi contra o Corinthians, já na final do Campeonato Paulista daquele ano: ele fez um gol de cabeça e foi campeão no mesmo dia em que desembarcou no país.

Raí está na galeria dos heróis que ajudou a conquistar os três títulos mundiais interclubes que entre as equipes brasileiras só o São Paulo tem.

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Raí (Verdade)

Na condição de jornalista quero avisar que sou o dono da marca “São Paulo de Todos os Tempos”, nome de um programa que foi ao ar por mais de dez anos na Rádio Eldorado.

Como pesquiso assuntos ligados à história e à memória,  me aventurei nas coisas do futebol porque afinal o esporte também trás boas recordações.

Todas as fotos foram retiradas de sites públicos disponíveis na web.

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ÍDOLOS DE TODOS OS TEMPOS

04.02.11

Passar férias em Cuba é um bom negócio?

por
Geraldo Nunes
, Seção: Sem categoria 17:14:06.

Cuba ainda desperta fascínio impressionante nas pessoas.

Caiu o muro de Berlim e a União Soviética já não existe mais, Cuba entretanto teimosamente resiste com o mesmo sistema de governo.

O escritor e jornalista Fernando Moraes chegou a anunciar nova visita à Cuba para uma reedição de seu best-seller.

 "A Ilha" , livro publicado na década de 1970, contava como era o país governado por Fidel Castro no tempo em que no Brasil tínhamos a ditadura militar.

A obra inspirou compositores que fizeram canções à Cuba. 

Me lembro sempre de uma música de Caetano Veloso que diz ...“mamãe quero ir a Cuba, vou conhecer a vida lá...” 

Recebi pela web a mensagem de um antigo ouvinte que gosta de viajar pelo mundo: Wanderley Duck, me passou e-mail dizendo que estava passando férias em Havana.

Pedi a ele para que fotografasse os carros antigos, que circulam por Havana, importados que foram antes da revolução de 1959 e tiveram que continuar rodando devido ao boicote norte-americano.

Mas Wanderley, que já foi para lá outras vezes, reclamou que todos sempre pedem isso e tais pedidos hoje em dia não passam de uma grande bobagem.

Ele explicou que os veículos que ainda restam estão em mal estado e muito longe de seu formato original, mas que se visse algo interessante me mandaria  em baixa resolução para não ficar pesado na web.

Ainda sobre carros me disse que os antigos “rabos de peixe”,  dos anos 50, foram na maioria comprados por colecionadores europeus, que aportaram na ilha pela década de 1990. 

Levaram quase tudo embora pagando bem e em dólar americano, ou ainda oferecendo em troca um veículo simples, mas zero quilômetro.

Mesmo assim, depois de todo discurso, acabou me mandando uma foto bem interessante.

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(Wanderley Duck)

O próprio ouvinte me informou que se trata de um Buick 1946 de fabricação norte-americana.

 Achei o desenho avançado  para a época e para confirmar o modelo,  me mandou foto de época de um carro semelhante que pertenceu ao pai de um amigo dele.

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(Reprodução)

 Wanderley Duck reclamou das dificuldades de acesso à internet na ilha de Fidel Castro. Isto também não é novidade, pois a web naquele país é somente discada e cheia de restrições.

Mas a Agência Estado noticiou que a habilitação da banda larga em Cuba, se dará a partir do segundo semestre deste ano e a ligação de fibras ópticas será feita via cabo submarino partindo da Venezuela em um trajeto de 1600 km. 

 O acesso à banda larga pela população cubana, entretanto, só será disponível em centros públicos e o governo diz que não há verba para se colocar internet nas casas.

 A rede de banda larga ainda assim,  será direcionada somente a um único servidor que é estatal e pode impedir o acesso a sites considerados “perigosos”.

 Ao contrário do que alguns pensam, Cuba não é um país triste.  A maioria dos cubanos canta e dança, como em Salvador na Bahia.

 Em extensão territorial, Cuba é maior do que Portugal, Panamá, Áustria, Dinamarca, Coréia, Suíça e outros.

 Cuba tem quase o tamanho da Inglaterra e como toda ilha caribenha, é paradisíaca na parte do litoral e pouco atraente no seu interior.

Se bem que a ilha de Fidel tem áreas de preservação ambiental de uma biodiversidade riquíssima, dentro de 55 parques “nacionales”, que são um espetáculo.

Estou saindo em férias, mas em dúvida se seguirei a Cuba ou não, mas como diz a canção de Caetano Veloso.... ..."mamãe quero ir a Cuba e quero voltar”.

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(Anúncio de lançamento)

01.02.11

Nem todo subprefeito conhece o bairro onde pisa tornando mais lenta a máquina pública

por
Geraldo Nunes
, Seção: Sem categoria 16:56:24.

De carro ou a pé, os 31 subprefeitos de São Paulo precisarão agora percorrer cinco quilômetros por dia em busca de problemas na cidade.

Sou absolutamente a favor dessa obrigação definida pelo prefeito Gilberto Kassab, embora entenda que por alguma razão tal ordem não vá pegar.

Nesses anos todos de jornalismo já entrevistei muita gente que trabalha na administração pública e não presta atenção em nada.

Lixo nas calçadas, bocas de lobo entupidas que originam alagamentos, falta de varrição, etc. estão entre os problemas que percebo diariamente em qualquer lugar da cidade.

Reparo que boa parte da população também não percebe determinadas mazelas, a não ser que esteja próximo ou em frente à sua casa.

Percebo até mesmo termômetros públicos que marcam a temperatura de maneira errada e fica por isso mesmo.

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(Devanir Amancio)

Situações semelhantes se repetem em locais diferentes. Árvores em condição de risco de cair sobre os carros, raízes que arrebentam as calçadas.

Antes quem respondia sobre reclamações eram os administradores regionais, mas a partir da gestão Marta Suplicy a nomenclatura mudou para subprefeitos.

Deu quase na mesma porque os subprefeitos trabalham na dependência das verbas do orçamento municipal, não há outra fonte de receita e o combate às enchentes segue regras específicas ditadas pelo executivo, cabe a eles limpar os bueiros.

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(AE)
Quanto mais rica for a subprefeitura em termos de arrecadação de IPTU, melhor é a verba destinada.

Ainda assim todas trabalham com o cobertor curto e difícil também é entender a abrangência de uma subprefeitura.

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(GN/Cmte. Anderson)

O Parque do Ibirapuera pertence à subprefeitura de Vila Mariana, já o Itaim Bibi pertence à subprefeitura de Pinheiros e o bairro do Morumbi à subprefeitura do Butantã.

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(GN/Cmte. Anderson)

Os subprefeitos geralmente são escolhidos por indicações políticas e não pela vivência administrativa em algum bairro.

 Nunca soube de algum presidente de sociedade amiga de bairro ter sido escolhido para subprefeito.

Houve épocas em que os prefeitos barganhavam com vereadores a indicação dos administradores regionais em troca da aprovação de projetos na Câmara Municipal.

Ainda hoje existem gestores de subprefeituras que nunca antes haviam estado na região que administram.

Cito como exemplo, um subprefeito de São Miguel Paulista que entrevistei anos atrás na Rádio Eldorado.

Não me lembro mais o seu nome, nem quem era o prefeito, mas ele morava no Morumbi e contou que acordava todos os dias às cinco horas da manhã para não pegar trânsito no trajeto de sua casa até São Miguel.

Eram mais de 30 quilômetros de distância e cheguei a perguntar se não era difícil trabalhar em um lugar tão distante, onde ele nunca havia pernoitado.

Sua resposta foi que geralmente as pessoas não trabalham perto de suas casas e nem por isso são más profissionais. Tive que engolir.

Agora os subprefeitos estarão obrigados a fazer vistorias pessoalmente e de publicar o resultado das visitas, a cada semana, na internet.

Tomara que essa lei pegue, mas há também questões burocráticas que atrapalham a administração pública.

Existem áreas limítrofes entre as subprefeituras, um dos exemplos que podemos citar é a Marginal do Tietê.

Por exemplo, se o rio transbordar de um lado é subprefeitura da Vila Maria quem responde, se for do outro é a subprefeitura da Penha e um administrador não envia máquinas e nem pessoal para o outro lado, de jeito nenhum.

Quem paga o pato nessa hora é o prefeito que vive dizendo ser obrigação das subprefeituras combater as enchentes.

Só que é preciso diminuir a “burrocracia” e aumentar o diálogo entre os gestores.

A Prefeitura também quer que os subpreitos saiam às ruas para ouvir a população.

Me lembro que em 2005, a administração municipal estudava importar aparelhos chamados de pedômetros, que contam os passos dados por uma pessoa.

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(Divulgação)

A ideia era estimular o subprefeito a sair do seu gabinete e andar para ver problemas nas ruas.

Por que tal ideia não vingou? Porque muitos protegidos políticos que ocupam o cargo, mas são incompetentes teriam que se mexer.

Como se sabe, tem ainda muita gente que não quer tirar o traseiro da cadeira, por isso o prefeito autorizou que se ande de carro pra observar melhor os problemas.

Sabe-se que apesar disso sempre haverá aqueles que acreditam que melhor mesmo é ficar quietinho e esperar.

Daqui a pouco a chuva passa,  tudo isso se acalma voltando como era antes, até o próximo janeiro.

23.01.11

No aniversário de São Paulo lembranças de um padre que precisou casar na marra para agradar o cacique

por
Geraldo Nunes
, Seção: Sem categoria 12:48:20.

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(Quadro da Fundação de São Paulo/ Reprodução)
 
A fundação de São Paulo há 457 anos, fez ampliar os limites do território brasileiro além dos estabelecidos pelo Tratado de Tordesilhas.

Mas para se entrar pelos sertões foi preciso primeiro se estabelecer em um local seguro o que seria possível somente com conquistar a proteção dos nativos da terra, ou seja, os índios.

O mais importante deles para a efetivação de uma vila que serviria de ponto de partida para os bandeirantes, foi cacique Tibiriçá que por sinal, tinha duas belas filhas.

Certo dia em casa com o Rádio ligado, ouvi essa história em uma crônica de Antonio Penteado Mendonça, que me deixou fascinado.

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(Antonio Penteado Mendonça/AE)

Ele contou pelos microfones da Eldorado que nos idos de 1554, um padre jesuíta chamado Pero Dias foi obrigado a se casar com a filha mais nova de Tibiriçá.

O cacique já havia oferecido sua primeira filha, Bartira, em casamento para o português João Ramalho.

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(Rosto Imaginário de Bartira - Reprodução)

Tibiriçá gostava muito de  João Ramalho, a ponto de se mudar com a tribo das imediações de Santo André da Borda do Campo, para se estabelecer na colina entre os rios Tamanduateí e Anhangabaú, apenas para ajudar o amigo na proteção da futura cidade.

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(João Ramalho - Reprodução)

 Os jesuítas vieram junto com a finalidade de catequizar os índios.

 Tudo ia bem, mas um ano após a fundação do colégio pelos padres Manuel da Nóbrega e José de Anchieta, eis que surge a decisão inusitada.

Tibiriçá oferece em casamento sua filha mais nova, Terebé, a um dos outros 11 padres pertencentes ao grupo, o irmão Pero Dias.

O cacique havia se afeiçoado a ele assim como a João Ramalho e resolve lhe dar de presente sua maior riqueza, ou seja, a própria filha.

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(Modelo faz pose de índia Terebé - Divulgação)

Pero Dias era sacerdote e como tal havia feito voto de castidade, 
como poderia então se casar?

Ao mesmo tempo como explicar a um índio as normas do catolicismo?

O cacique poderia entender como uma desfeita o fato de alguém não aceitar sua filha e todo o trabalho de aproximação estaria perdido.

Os jesuítas decidiram então pedir socorro ao fundador da ordem, Inácio de Loyola, que ainda era vivo e enviaram um emissário a Roma.

Uma viagem de ida e volta à Europa naqueles tempos era algo bastante demorado e a resposta levou algum tempo para chegar.

“Os meses passavam, com a indiazinha querendo namorar e o padre fingindo que não era com ele e nada do mensageiro voltar”, brincou o cronista em sua locução pela Rádio Eldorado.

 Finalmente vem a resposta de Loyola autorizando Pero Dias a se casar com Terebé, mas para isso teria que deixar de ser padre.

Penteado explicou que Inácio de Loyola, guerreiro convertido ao cristianismo, reconheceu a situação difícil em que estava Pero Dias e autorizou seu desligamento da ordem sem punições maiores.

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(Santo Inácio de Loyola)

Pero Dias poderia então se casar com a índia Terebé, na condição de leigo e sob as bençãos de Deus.
 
 Por imposição dos jesuítas, Terebé precisou ser batizada, recebendo o nome cristão de Maria da Grã e a festa foi uma das maiores que o planalto já vira até então.
 
Antonio Penteado Mendonça finaliza sua crônica dizendo que “se de início Pero Dias sentiu algum temor pela vida de casado, este medo passou rapidamente”.

É que ao ficar viúvo, anos depois de uma vida conjugal considerada feliz, ele não titubeou e se casou novamente deixando larga descendência.

 Maria da Grã e Pero Dias servem hoje de nome para duas ruas, no Alto de Pinheiros e em Osasco.

 Aproveitando o espaço que a Eldorado me oferece neste portal desejo a todos,  muitas felicidades neste feriado em que se comemora mais um aniversário da fundação de São Paulo.

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(AE)

 Afinal são poucas as cidades brasileiras com mais de 457 anos, não é mesmo?

19.01.11

No verão o expediente de trabalho em São Paulo deveria ser de meio período por causa da chuva

por
Geraldo Nunes
, Seção: Sem categoria 14:14:21.

Ciclones são previstos com mais facilidade enquanto que os temporais caem sempre em lugares diferentes

Na Austrália os moradores são avisados com antecedência sobre a chegada dos temporais e deixam suas casas a tempo, no Japão acontece o mesmo.

Daria para se fazer isso no Estado do Rio se houvesse um gerenciamento de emergências que retirasse as pessoas daquelas áreas nem todas antes consideradas de risco

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(AP)

Quanto à Grande São Paulo, sabemos que nos dias de verão a probabilidade de chover forte à tarde é permanente, mas nunca sabemos em que lugar haverá enchentes.

 Um dia chove mais forte em Aricanduva, noutro é a vez de Santo André. Qual o tempo de previsão de chuva para que as pessoas deixem as áreas de risco na Grande São Paulo?

O CGE – Centro de Gerenciamento de Emergências do Município de São Paulo tem condições de prever a chegada dos temporais e poderia impedir o acesso de carros, por exemplo, à via marginal do Rio Tietê.

Entretanto a cada dia chove em lugar diferente e a prefeitura, ao que me parece, tem medo de dar alarme falso.

As autoridades preferem deixar chover do que pagar o mico de uma informação errada.

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(AE)

Depois do roubo se providencia a tranca. O governo federal anunciou a criação do Sistema Nacional de Prevenção e Alerta de Desastres Naturais.

A montagem do sistema ocorrerá com a modernização dos equipamentos meteorológicos, como radares e pluviômetros, para tornar mas eficiente a capacidade de prevenção de fenômenos climáticos.

Com esses mecanismos de alerta as populações de áreas de risco poderão ser salvas, mas quem trafega por ruas e avenidas que ficam alagadas terá a mesma sorte?

No verão o expediente em São Paulo deveria ser de meio período. Alguém concorda comigo?

15.01.11

Entenda como funciona a lei do zoneamento em São Paulo com uma curta explicação e fotos aéreas

por
Geraldo Nunes
, Seção: Sem categoria 15:01:37.

As leis de zoneamento servem para o planejamento urbano das cidades, regulamentando o uso e a ocupação dos terrenos para todo tipo de construção.

Uma das explicações para o crescimento desordenado de São Paulo, está na demora para a implantação de uma lei de zoneamento na capital paulista.

A primeira legislação desse tipo surgiu apenas em 1973 quando o então prefeito Figueiredo Ferraz lançou o primeiro Plano Diretor sob o discurso que São Paulo deveria parar de crescer.

O Plano Diretor estabelece um conjunto de obras e melhorias que não pode ser modificado, mesmo quando muda o prefeito.

A revisão do Plano Diretor de São Paulo teve início em 2002 com o prazo final de aprovação marcado para 2012.

Faz parte desse plano a atual lei do zoneamento, que determina para a cidade quais são as áreas ainda adensáveis e as não adensáveis.

Áreas adensáveis são aquelas onde ainda podem ser construídos arranha-céus e as áreas não adensáveis são aquelas onde não se permite esse tipo de construção.

Na foto abaixo vemos a Rua Estados Unidos tendo à sua esquerda os edifícios do bairro Cerqueira César e à direita o Jardim América, bairro construído pela Companhia City.

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(GN/Cmte. Bellon)

A Companhia City chegou a São Paulo no início do século 20 com a proposta de implantação das city-gardens, ou seja, bairros com ruas cheias de curvas, nos deixando a impressão de estarmos trafegando em um imenso jardim.

Perceba nessa outra foto que o Jardim América, hoje chamado de região dos Jardins, se diferencia dos bairros em seu entorno, por ser uma área não adensável ao contrário, por exemplo, do vizinho Itaim Bibi.

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Os bairros da Companhia City escaparam do adensamento anterior à 1973 porque tinham uma legislação própria que impedia a transformação de uma área residencial em comercial ou mista.

Higienópolis construído por outros empreendedores viu, com o passar dos anos,  suas residências darem lugar a edifícios de uso misto.

Na foto a seguir vemos os prédios de Higienópolis e no canto superior direito o Pacaembu que permaneceu conservado por ser da Companhia City.

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A demora na implantação da Lei do Zoneamento permitiu que surgissem aberrações como a favela Paraisópolis construída ao lado do Portal do Morumbi.

Até a implantação do estádio a região era quase inabitada tornando o Morumbi um bairro adensável desde o início.

Mas como houve demora do mercado imobiliário em se interessar pela região de baixada existente nos fundos do Estádio Cícero Pompeu de Toledo surgiu a favela que subiu morro acima até imediações da Avenida Giovanni Gronchi.

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Como ainda existem áreas adensáveis em São Paulo, bairros outrora humildes estão se tornando suntuosos.

Este é o caso da Vila Leopoldina, vizinho à Ceagesp mas próximo também do Alto de Pinheiros, idealizado e arborizado pela Companhia City.

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Outro bairro nessas condições é o Cambuci que por ser próximo do Parque da Aclimação, área agora tombada pelo Patrimônio Histórico está recebendo muitos prédios de apartamento.

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(GN/Cmte. Bellon)

As leis de zoneamento são mais complexas que as explicações aqui trazidas, pois estabelecem coeficientes de construção, mas genéricamente o funcionamento é assim.

Coeficiente é a quantidade de área construída que podemos ter em função do tamanho do terreno.

Por exemplo, coeficiente quatro significa fazer quatro vezes a área do terreno na área da construção vertical.

Quanto maior o coeficiente, mais alto pode ser um edifício, por isso nunca se chega a um acordo definitivo entre prefeitura e mercado imobiliário.

O Plano Diretor e a Lei de Zoneamento são assuntos em permanente discussão,  por isso conto com sua opinião deixando aqui seu comentário.

10.01.11

Brasil: Maior canteiro de obras (paradas) do mundo

por
Geraldo Nunes
, Seção: Sem categoria 12:10:32.

 Para se saber o prazo de entrega de uma obra do PAC nesse Brasil todo ou ainda sobre a conclusão das linhas de metrô na capital paulista, só mesmo fazendo uso da mediunidade ou consultando adivinhadores.

A Pitonisa, sacerdotisa do templo de Apolo, em Delfos, na Antiga Grécia previa o futuro e o desfecho das guerras, através de oráculos consultados um a um.

Depois dela surgiram diversas Pitonisas pela história da humanidade ao longo dos tempos.

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(Pitonisa/Reprodução)

As pitonisas também aparecem nos textos bíblicos, que também contam a história de José do Egito, filho favorito de Jacó, pai do povo de Israel.

Preso por ciúmes dos irmãos que lhe armaram uma cilada, é levado ao Egito como escravo, mas como tinha o poder de adivinhar sonhos e acertava sempre, entrou nas graças do Faraó que fez dele seu sucessor.

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(José do Egito/Reprodução)

Como não tenho o poder da adivinhação, a única  conclusão que se pode adiantar é que as duas fases da linha 4-amarela do Metrô estarão concluídas até 2014 quando tremos a Copa do Mundo.

As demais obras metroviárias e da CPTM estão com suas licitações sendo revisadas e portanto sem prazo de conclusão. Vale lembrar que com o veto do Morumbi pela FIFA estamos também sem estádio em São Paulo para a Copa do Mundo.

Para o município de São Paulo há várias obras sendo prometidas. Em novembro de 2010, a prefeitura anunciou que teremos em São Paulo uma Cidade do Samba, nos moldes da já existente no Rio de Janeiro.

O projeto consiste na criação de um complexo de galpões onde ficarão reunidos em um mesmo espaço, todos os ateliês das escolas de samba do Grupo Especial.

Este local ficará aberto à visitação pública o ano todo, se tornando mais um ponto turístico da capital, onde acontecerão exposições e shows musicais com a temática do samba.

A construção deverá custar aproximadamente 124 milhões de reais, ocupando um terreno na Avenida Olavo Fontoura de 77 mil metros quadrados, próximo a Ponte da Casa Verde.

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(GN/Cmte. Soares)

Esse terreno que vemos na foto, ao lado do sambódromo do Anhembi, está destinado à  Cidade do Samba.

As obras foram anunciadas para começar neste mês de janeiro, mas acreditamos que somente em março, após o carnaval, é que os trabalhos de fato terão início, pois a previsão de entrega é para 2012.

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(GN/Cmte. Cantarele)

Na foto acima estamos vendo o terreno onde ficava a antiga Febem do Tatuapé.

Com a desativação da unidade quase toda área localizada entre as avenidas Celso Garcia, Salim Farah Maluf e Rua Ulisses Cruz será ocupada pelo Parque Belém.

Pela fotografia já se percebe que o local terá ciclovia e pista de cooper.

Na parte da frente do terreno existe um prédio que está sendo remodelado para se transformar em uma ETEC – Escola Técnica com capacidade para 2.800 alunos.

PROJETO_TATUAPE.jpg

Acima vemos o projeto do Parque Belém.

Acreditamos que até a metade de 2011 o parque  esteja pronto com seu Plano Diretor aprovado, mas como não sou pitonisa e ninguém mais fala a respeito, tal prazo pode vir a mudar.

Criado no início da década de 1900 para receber jovens abandonados ou que tivessem cometido pequenos delitos, o Complexo do Tatuapé foi implantado na antiga Chácara do Belém.

 Naquela época a área era considerada distante do centro da cidade e foi cedida ao Estado. que construiu um prédio que abrigaria o então Instituto Disciplinar para jovens.

A construção foi batizada de Escola Correcional e documentos da época apontam que o primeiro adolescente chegou ao local no dia 23 de fevereiro de 1902.

Depois virou Fundação para o Bem Estar do Menor – Febem, de triste lembrança pelas constantes e violentas rebeliões.

Em sua administração anterior, o governador Geraldo Alckmin determinou a desativação do local e o ex-governador José Serra anunciou a construção do parque.

Quanto à Febem, agora dentro de uma nova metodologia, a instituição passou a se chamar Fundação Casa e funciona em unidades descentralizadas e de menor porte.

O "privilégio" de ter obras paradas, inacabadas, ou rastejantes não é só das instâncias de governo estadual e municipal de  São Paulo.

No Brasil todo é assim, o Metrô de Salvador segue a passos lentos e o Estádio da Fonte Nova, implodido para dar lugar a um novo até 2014 nem teve os entulhos da implosão removidos.

As obras de transposição do Rio São Francisco,  a Ferrovia Norte-Sul e a Trans-Nordestina seguem a passos de tartaruga.

Tudo isso nos levou ao título da postagem de hoje: "O Brasil é o maior canteiro de obras paradas do mundo".

06.01.11

As previsões para 2011 indicam que o ano será de muitas promessas e poucas obras sendo entregues

por
Geraldo Nunes
, Seção: Sem categoria 12:49:23.

Não é preciso ter bola de cristal para saber que as obras públicas, em andamento na cidade, continuarão atrasadas em especialmente no que diz respeito ao Metrô.

Para piorar, o governador Geraldo Alckmin se dirige aos jornalistas e anuncia a expansão do Metrô  para os municípios da Grande São Paulo como Taboão da Serra, Guarulhos e a região do ABC.

Como ele pode falar sobre isso se nem mesmo as obras do Metrô dentro da capital, iniciadas na gestão anterior dele, foram concluídas?

Mas é assim, todos os governantes brasileiros possuem a  mania de antecipar projetos que estão na fase de estudos para ter o que dizer e o pior: inaugurando obras em andamento como se já estivessem prontas.

Nessa terra da hipocrisia chamada  Brasil se inaugura até pedra fundamental.

Por essas e outras razões é que as “promessas” para 2010, só serão inauguradas este ano e ainda assim sem uma data final de entrega.

A bordo do helicóptero da Rádio Eldorado fotografei, no mês de dezembro,  algumas obras com previsão de entrega para 2011.

Estaiada_2.jpg
(GN/Cmte. Anderson)

Esta nova ponte estaiada, em construção na Marginal do Tietê, vai ligar a Avenida do Estado com a Marginal sentido Castelo Branco.

Em março de 2010 no programa Eldorado Cidades, entrevistei o diretor de engenharia da Dersa, Paulo Vieira de Souza, que salientou a opção por uma ponte estaiada, pela  possibilidade de se construí-la mais rapidamente.

Mesmo assim o prazo de entrega já ficou para outubro deste ano.

Estaiada_1.jpg

Veja na foto acima a confluência entre os rios Tamanduateí e Tietê e mais adiante o Parque Anhembi e os hangares do Campo de Marte.

Já na  fotografia logo abaixo está a mesma ponte em construção com uma panorâmica do Rio Tietê.

Estaiada_3.jpg

Observa-se ainda uma pista outrora ociosa na Avenida do Estado que receberá em breve o tráfego proveniente do Ipiranga rumo à Castelo.

Os custos dessa ponte estão incluídos no montante de R$ 1,3 bilhão, previstos para o alargamento Marginal Tietê, cujo contrato foi assinado ainda  na administração José Serra.

A nova ponte estaiada ainda está sem nome mas isto não é problema, especialmente para os nossos vereadores.

Metro_Butanta.jpg

Na foto acima está a futura Estação Butantã da nova Linha 4-Amarela (Luz-Vila Sônia) localizada na Avenida Vital Brasil.

A previsão de entrega das estações Butantã e Pinheiros era para dezembro de 2010, mas novamente houve atrasos no cronograma.

Já está na hora da Companhia do Metrô explicar o que está acontecendo com a Linha 4 cujos trilhos subterrâneos estão concluídos embaixo do Rio Pinheiros de um lado ao outro.

Se é assim por que não inauguram?

Vale lembrar que em 12 janeiro de 2007, quando se iniciava a gestão de José Serra como governador, houve um desabamento nas obras da Estação Pinheiros e transeuntes acabaram morrendo soterrados.

De lá para cá muito mistério continua encobrindo o andamento das obras do Metrô e até  um terminal de ônibus ao lado da Estação Butantã, para a integração com a linha 4, teve sua inauguração adiada.

Como  tantos adiamentos, anunciar novas obras agora como fez o governador,  dá um tom demagógico à administração pública.

Enquanto os trabalhos da Linha 4 não são concluídos entre Pinheiros e Butantã, as obras da Nova Estação Luz, quase prontas, seguem sem estar concluídas, assim como as do novo ramal República.

Em recente entrevista à Rede Eldorado, o secretário de Transportes Metropolitanos  Jurandyr Fernandes não quis arriscar um novo prazo de entrega.

Disse apenas que a inauguração completa da Linha 4 Amarela do Metrô (Luz - Vila Sonia)  acontecerá em 2011, mas não quis arricar o dia e nem o mês, afinal foi o oitavo adiamento.

Metro_Luz.jpg
(GN/Cmte. Anderson)

Os trens importados dessa nova linha, cujo desembarque no Porto de Santos começou exatamente há um ano, continuam parados no pátio de manobras Vila Sonia.

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(Divulgação)

Na semana que vem darei continuidade a esse levantamento de obras anunciadas e não acabadas em São Paulo.

Por enquanto aguardo seu comentário.

01.01.11

Para saudar o ano novo nada melhor que uma prosa de Carlos Drummond de Andrade, nosso poeta maior

por
Geraldo Nunes
, Seção: Sem categoria 15:36:11.

 O ano de 2011 começou movimentado. Nem bem saímos da festa do réveillon e nossas atenções se voltam para a posse de Dilma Rousseff, primeira mulher a governar o país.

Roseana Sarney tomou posse de madrugada no governo do Maranhão, assim como também fizeram os novos governadores do Acre e do Amapá.

Isso demonstra como a noite réveillon pode ser utilizada para outras atividades no Brasil.

Mas tem muita gente ainda com sabor de champagne na boca porque o réveillon da Praia de Copacabana, o mais famoso do Brasil foi novamente um sucesso.

 A queima de fogos durou cerca de 20 minutos e se transformou em um festival de luzes e cores. Entre 15 e 20 toneladas de rojões foram detonados em 11 plataformas à beira mar, um recorde.

ano_novo_fogos_copacabana.jpg
(AP)

Em São Paulo, o réveillon sobre o asfalto da Avenida Paulista atraiu quem mora em outras cidades e mais a população que reside na periferia.

Ao todo 2,5 milhões de pessoas curtiram os artistas que se apresentaram no imenso palco ali montado.

paulista300.jpg
(Divulgação)

Aliás, sobre os moradores de bairros distantes tenho a dizer que são eles os grandes apreciadores de São Paulo porque aqui ficam nos feriados aproveitando o espaço das avenidas, os parques e clubes.

Caetano Veloso já dizia: “Os Novos Baianos passeiam em tua garoa e novos baianos te podem curtir numa boa”.

Gosto dessa gente que aqui veio em busca do trabalho e agora curte a minha terra natal, visto que nós paulistanos natos procuramos viajar com a família no réveillon e demais feriados, nada a dizer contra.
 
 Mas por essas e outras é que o Rio de Janeiro está sempre na frente de São Paulo na organização de qualquer tipo de evento. O povo que mora lá participa e ajuda a melhorar suas festas a cada ano.

O réveillon carioca é maravilhoso,  assim como o carnaval. Mas até nos pequenos atrativos, o Rio em vários aspectos,  mostra sua sensibilidade.

 Um exemplo é a estátua de Carlos Drummond de Andrade no calçadão da Praia de Copacabana, interessante e original.

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(Reprodução)

Essa estátua foi desenhada e esculpida por Léo Santana, artista mineiro, nascido em Teófilo Otoni - MG,  a 30 de março de 1957. 

Ele conseguiu imprimir na figura que criou, uma proximidade rara entre a pessoa de Drummond e o objeto de bronze.

Por isso todos querem sentar ao lado da efígie do poeta e se deixar fotografar.

O problema estava nos óculos da obra de arte que acabavam frequentemente roubados.

Levava-se no pequeno delito, quem sabe, um pouco da lembrança do poeta maior, mas isso é vandalismo.

Há coisa de um ano, deram um reforço na solda de bronze para que a sensibilidade do artista plástico permanecesse mais tempo na charmosa estátua.

Melhor ainda, instalaram câmeras para flagrar os vândalos e abrir inquéritos contra eles.

Assim se preserva a imagem do poeta a quem quiser vê-lo materializado em bronze e ferro.

Mas como estamos vivendo mais uma vez o clima de ano novo, onde as esperanças se renovam, lembremos o poeta nascido em Itabira - MG,  no ano de 1902.

carlos_drummond_2.jpg
(Reprodução)

Na fase adulta, Drummond mudou-se para o Rio de Janeiro e foi morar no bairro de Copacabana onde era visto caminhando ou mesmo sentado, cntemplando os finais de tarde na orla do calçadão.

Lembrei dele no réveillon porque ninguém até hoje descreveu tão bem a importância da virada de ano que o poeta maior. Leiam e  reflitam sobre o que escreve Carlos Drummond de Andrade:

"Quem teve a ideia de cortar o tempo em fatias, a que se deu o nome de ano, foi um indivíduo genial.  Industrializou a esperança, fazendo-a funcionar no limite da exaustão. Doze meses dão para qualquer ser humano se cansar e entregar os pontos. Aí entra o milagre da renovação e tudo começa outra vez, com outro número e outra vontade de acreditar que daqui para adiante vai ser diferente...

Para você, desejo o sonho realizado, o amor esperado, a esperança renovada.

 Para você, desejo todas as cores desta vida, todas as alegrias que puder sorrir, todas as músicas que puder emocionar,

 Para você neste novo ano, desejo que os amigos sejam mais cúmplices, que sua família esteja mais unida, que sua vida seja mais bem vivida e gostaria de lhe desejar tantas coisas... Mas nada seria suficiente...

 Então, desejo apenas que você tenha muitos desejos e que sejam desejos grandes... e que eles possam te mover a cada minuto, ao rumo da sua FELICIDADE! ”

Carlos Drummond de Andrade

 Procurando imitar aquele que proclamou a liberdade das palavras de maneira bem simples e clara, também eu quero desejar a todos que essa fatia número 2011 do tempo da humanidade, seja digerida em 12 meses com calma e sem sobressaltos.

Mazelas e transtornos sempre existirão, assim como os momentos agradáveis onde podemos trocar a cidade enfumaçada pela praia e quem sabe poder sorrir nas manhãs desses primeiros dias de janeiro.

Feliz 2011 a todos
São os meus votos,

Geraldo Nunes
Rede Eldorado

26.12.10

São Silvestre é festa do povo na virada do ano

por
Geraldo Nunes
, Seção: Sem categoria 14:46:54.

A Corrida Internacional de São Silvestre chega a 2010 em sua 86ª. edição ininterrupta.

Houve este ano um total de 21 mil inscritos entre atletas e pessoas que seguem apenas para se divertir não se importando com o resultado final

 Esta é a mais tradicional corrida de rua do Brasil, pois começou a ser disputada em 1925.

Cásper Líbero, que era dono do jornal A Gazeta ficou impressionado ao assistir uma prova noturna pelas ruas de Paris, onde os competidores corriam a pé carregando uma tocha acesa.

De volta decidiu organizar algo parecido e a véspera do réveillon lhe pareceu a data mais apropriada pelo fato das  pessoas ficarem nas ruas até de madrugada, comemorando a entrada do ano novo.

O nome de São Silvestre, se deve ao fato dele ser o santo do dia 31 de dezembro, só isso.

 Na primeira prova da história, em 1925, houve menos de cem participantes e o vencedor foi Alfredo Gomes, um funcionário da Light. 

Achei na internet uma foto atribuída a essa primeira corrida, mas percebam que se trata de uma foto diurna.

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(Reprodução)

 O trânsito nem chegou a ser fechado nas ruas por onde passaram os atletas que correram em meio a bondes e automóveis da época.

 Na história da São Silvestre aparecem nomes e fatos interessantes como por exemplo, o vencedor da prova de 1928, ao que consta um brasileiro chamado Salim Maluf.

Como se sabe, nas primeiras décadas do século 20, havia muitos imigrantes estrangeiros em São Paulo.

Heitor Blasi, imigrante italiano, venceu a prova por duas vezes, em 1927 e 1929.

 Isto nos leva a crer que o vencedor de 28 era possivelmente um imigrante de origem sírio-libanesa.

De oficial a presença de sul-americanos só é admitida a partir de 1945 e a de estrangeiros de todas as nações apenas em 1947.

Neste ano o vencedor foi um uruguaio, Oscar Moreira.

sao_silvestre_23_jpg.jpg
(Reprodução)

Dali pra frente o Brasil ficou na fila por 34 anos e a quebra do jejum aconteceu com José João da Silva, atleta do São Paulo FC, em 1980.

Três anos depois outro brasileiro subiria ao pódio em primeiro lugar, João da Mata e depois novamente José João da Silva, em 1985.

joao_da_mata.jpg
(João da Mata - 1983/ Reprodução)

As mulheres só entraram na história da São Silvestre a partir de 1975 e a vencedora da primeira prova feminina foi a alemã Christa Valensieck. 

Uma brasileira só conseguiu o primeiro lugar vinte anos depois: Carmen Oliveira, em 1995.

Os atletas cadeirantes são admitidos na São Silvestre atual, partindo quinze minutos antes do pelotão de elite feminino.

Seus nomes, entretanto,  não aparecem na lista dos vencedores, pura discriminação dos organizadores.
 
 Até 1988 a corrida de São Silvestre aconteceu à noite, começando às 23:30 de forma que os primeiros classificados cruzavam a linha de chegada por volta da meia-noite, já no ano novo.

Em 1989 o horário da corrida foi alterado, passando a prova feminina para as 15 horas e a masculina às 17 horas.

O percurso foi fixado em 15 km, que é o mínimo exigido pela Federação Internacional de Atletismo.

 O equatoriano Rolando Vera venceu a São Silvestre quatro vezes seguidas (1986 a 1990) mas o recordista de vitórias é o queniano Paul Tergat que chegou ao topo do pódio em cinco oportunidades (1995 – 96 – 98 – 99 – 2000).

O Quênia é o país que mais venceu a prova após sua internacionalização (13 vezes) enquanto que o Brasil teve apenas 8 vencedores, a partir de 1980. 

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(AP)

Na prova  feminina, Portugal é o grande vencedor, graças à corredora Vera Mota que ganhou 6 vezes seguidas (1981 a 1986) e ainda Aurora Cunha (1988)  totalizando 7 pódios.

Depois vem o Quênia com 6 vitórias e o Brasil com 5 vencedoras.

Quando a prova termina para os atletas, a São Silvestre se transforma numa parada onde alguns desfilam fantasiados.

Outros por serem parecidos com personalidades comparecem apenas para serem fotografados.

sao_silvestre_sosias.jpg
(AE)

Tudo isso fez a São Silvestre entrar no gosto popular e hoje consta do calendário oficial de eventos da SPTuris.

Mais que o dia da virada, 31 de dezembro é data de diversão para quem fica na cidade só para acompanhar a São Silvestre.

sao_silvestre_aerea.jpg
(AE)

A quem interessar estou deixando disponível no espaço, logo abaixo, destinado aos comentários, a lista dos vencedores desta corrida.

Aproveite para conferir nomes e deixar você também o seu comentário.