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Chris Mello

Olha a tendência: no fatídico e recessivo 2009 houve um êxodo de marcas da região nobre dos Jardins. Na quadra da Consolação, entre Oscar Freire e Lorena, há um movimento interessante: a formação de um polo de cultura. Lojas de fashion dão lugar a espaços de arte. Leitor, vamos chamar essa região de Mid Jardins? Tudo é muito novo. Isabella Capeto abre com Felipe Dmab a Acervo Aberto. Converteu metade de seu imóvel do Mid Jardins em um espaço de investigação artística – e deu ao agitador e produtor cultural Felipe Dmab o trabalho de encontrar ‘coisas’ e pessoas interessantes ligadas à arte, ao design e à literatura. Para mostrarem e venderem o que fazem. Batizado Acervo Aberto, o espaço está de portas já escancaradas e tem inauguração oficial dia 20. “Há muita gente produzindo arte na paralela de seus trabalhos e gente jovem a fim de testar a reação do público e seu potencial”, explica Dmab. “Não haverá um compromisso burocrático ou institucional com o artista. Acervo Aberto é uma loja de oportunidades e coisas legais de arte e cultura.” Não é galeria; é um hotel para obras e situações. No menu? Desenhos de nanquim de Beatriz Chaimovitz e arte de Bruno Faria, Filipe Berndt, Gustavo Ferro e Renata Terepins, livros da Prólogo, que pinça da web seus escritores, o fanzine Amarello e arte do ‘Beco’.

  

Felipe Dmab no espaço de arte. A abertura oficial é dia 20. Foto: Rodrigo Almeida Prado

Felipe Dmab no espaço de arte. A abertura oficial é dia 20. Foto: Rodrigo Almeida Prado

 

Faux/Real é um achado da Acervo Aberto para a loja da Isabela Capeto
 
A loja do Dmab vai ser babado. Ele conseguiu trazer para o País as emo-bijoux Faux/Real, feitas pos designers Luis DeChicco e Mariko Ouichi. Ele, colombiano; ela, japonesa. Para criam os dois brincam com dicotomias e usam materiais não ortodoxos , como meias de seda, vidros e metais encontrados por aí.

Louis DeChico e Mariko Ouchi: designers da Faux/Real

Louis DeChico e Mariko Ouchi: designers da Faux/Real

 
 
O quê diferente da Faux/Real é fazer jóias-emocionais; que tem uma história. “As pessoas tem vazios e a necessidade de preenchê-los com coisas”, diz De Cicco. “Temos essa ideia de que a fachada dessa época está desmoronando e pessoas querem entender o que há por traz ou dentro do que gostam.” Contar uma história agrega valor, e isso é tendência. A coleção que chega a Acervo Aberto foi criada num momento de luto dos designers, que pesquisaram a estética de filmes de terror e shows de mágicas. O resultado?: peças de sensação cinética e bem arquitetônicas. “Os fios de colares remetes à cordas de piano usadas para estrangulamento”, Mariko explica. As jóias têm movimento. Para entender, assista a o vídeo da coleção Death Instructions:

O vizinho
Na casa vizinha ao Acervo Aberto na Isabela Capeto tem o Cezanno.  É um american-bistrô da chef fabiana Cesanna, que pretende fazer no topo do lugar um micro-hote. A base já foi erguida pelo arquiteto Roberto Loeb. O plano de Fabiana é ter os três quartos do micro-hotel boutique em funcionamento. Antes disso, abre a loja de design da Galeria Mendes-Wood. Se você passar por lá vai ver um scratch do que será o lugar. Na parede há a foto do lutadorzito de box do ensaio Birthday Party de Vee Speers. E está à venda.

 

Fabiana no Cezzano: vá que o lugar é uma delícia. Foto: Rodrigo Almeida Prado

Fabiana no Cezzano: vá que o lugar é uma delícia. Foto: Rodrigo Almeida Prado

 

Entrada do Cezzano. Ao fundo a loja de design da Mendes-. Foto: Rodrigo de Almeida Prado

Entrada do Cezzano. Ao fundo a loja de design da Mendes-. Foto: Rodrigo de Almeida Prado

 

Boxer da série Birthday Party, de Vee Speers: está à venda na loja da Mendes-Wood

Boxer da série Birthday Party, de Vee Speers: está à venda na loja da Mendes-Wood

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17.março.2010 19:46:24

Para começar

Demorei, mas efim, hoje starto o blog do Estadão. A ideia é extender a coluna do C2 para a web – onde acho que serei bem feliz, já que precisaria de kms de papel para escrever o quanto eu quero. Obvio, no jornal, não dá; não cabe. Só que por enquanto, como jornalista, não vivo sem papel. É complementar a web, como pregamos Estadão.

Já é março e, desde o início do ano, toquei em assuntos que talvez tenham passado a largo para o leitor de Internet. Dei um rewind e fiz um básico copy + paste de conceitos públicados no jornal. É um apatizer para que você possa sacar o minha vibe, meu jeitão. Vamos lá, afinal Marta Stuart foi só o começo.

Hoje, milhões de consumidores seguem e obedecem aos novos curadores de estilo, gosto e erudição. Nesse mundo überconectado, todos tem acesso à infos e podem publicar e exibir opiniões à sua audiência, que valoriza a experiência e opinião. Quem são esses curadores? a garota que mora ao lado, o garoto que morado, eu ou… você! Cada um lê e vive como gosta, conclui e publica. Comente, plisssss, para chegarmos no ponto, juntos. Mande infos; eu gosto. Se tiver vontades, conte que eu vou atrás. A idéia é ir caçar de tendências, modismos, outros ismos que surgirem. Ok?

Transparência total: Seja o que for que estiver vendendo, saiba que você está sendo observado, criticado, revisado ‘em massa’ e ‘em tempo real’: 24/7. Em sociedades de consumo mais maduras, companhias terão que fazer mais do que abraçar a noção de ser uma boa corporação. Para prosperar, terão que se movimentar de acordo com a cultura de massa – e não só a própria cultura. Isso significa que transparência, hoje, é tudo.

Comunicação a toda prova: toda e qualquer dúvida ou reclamação de consumidor deve ser levada em conta de maneira apropriada. Na era online, um post ou status negativo à empresa causa um danos imensuráveis. Humanos são criaturas sociáveis e, como resultado, tendem a andar em bandos em tempos difíceis. Nessa crise, as pessoas passaram a se conectar mais, dividir mais. Os 350 milhões de usuários globais do Facebook são prova. Um estudo da Razorfish indica que 52% dos consumidores blogam sobre experiências com alguma marca. Isso só tende a crescer. Agências, preparem budget para investir no segmento. O custo é menor e o impacto, maior. Um estudo batizado Tribalização dos Negócios lançado pela Deloitte mostra que 4% dos empresários vai aumentar investimentos online.

Ressocialização: Ironicamente a web é culpada pelo isolamento das pessoas e essa mesma tecnologia está transformando as próximas gerações. Basicamente, quanto mais pessoas tiverem acesso à informação correta, mais network terá. O quadro está a ponto reverter. Aliás, já começou.

Imediatismo: Essa é uma megatendência, hypada pela avalanche de revisões online, já que meio mundo divide o que pensa, faz e gosta, assiste, ouve, influenciando pessoas.

Luxo: Hoje é o que você quiser. Ter uma família com seis filhos; ter uma Porsche em vez de uma SUV. Ou… não precisar de nada. Você decide. Em 2010, luxo – e o que isso significa para uma infinidade de segmentos – continuará em direção ao que é único. Afinal… o que constitui o conceito de luxo é escassez. E, fora necessidades básicas, todos querem ser únicos. Luxo será prover acesso a segredos, histórias e extrema personalização.

Caridade: Voluntariamente e altruisticamente as pessoas tendem a envolver-se em projetos globais de caridade. Como Madonna faz com o Malavi. O que interessa é fazer parte.

Orgulho urbano: Basicamente, observando as megacidades, cuja economia e poder cultural são mais adiantados do que outras, os habitantes estarão mais amarrados à cultura da cidade, à sua herança, memória. Incorporar a personalidade das cidades é o target de cada. Um exemplo? O projeto da vodca Absolut Cities, que cria vodcas com gosto das cidades. A de Boston? Vodca com chá preto.

Obrigação verde: O desafio para companhias de hoje é achar equilíbrio entre informar consumidores sobre práticas responsáveis enquanto buscam inovações para essa nova economia carbon-free. Pense aberto e evite a tendência de categorizar e limitar sua marca em nichos totalmente eco. Muitos consumidores não se rotulam como verdes ou eco-friendly, apesar de conscientes. Especialmente a audiência mais jovem, já esperam que o pensamento esteja embutido no produto. A tendência dos edifícios verdes e jardins verticais continua – e forte!

Comida?: A recessão impactou hábitos alimentares – e principalmente as mulheres estão comendo mais por estresse. De acordo com uma pesquisa da Cotton Incorporated’s Lifestyle Monitor, 73% das mulheres cortaram jantares em restaurantes e estão consumindo mais junkie food. Por outro lado, a geração jovem que dará forma ao futuro tem voz ativa em relação à aceitação e confiança quanto a seus corpos. É a vez das gordinhas. A cantora inglesa Beth Ditto, da banda The Gossip, é a diva.

Alimentos funcionais: ou medicinais, que são qualquer produto fresco ou processado com propriedades que beneficiem a saúde, independentemente dos valores suplementares básicos. Há uma obsessão por eles, devido ao tanto de gente que aumentou de peso por causa da comilança por ansiedade no auge da crise. Esse é um campo emergente da ciência alimentar em ascensão para aumentar popularidade de produtos entre consumidores conscientes. Por exemplo? Amendoim. De acordo com o Institute of Food Technologists, estudos mostram que consumo frequente reduz o risco de dois tipos de diabete, doenças cardiovasculares e… ganho de peso, quando ingeridas duas colheres de sopa já que amendoim tem ácidos graxos, vitamina E, potássio e cálcio.

Estilo de vida proativo: Espere que devido à febre de alimentos funcionais consumidores tomem mais vitamina C, cálcio, ácido fólico, ferro e Ômega 3 para melhorar pele, cabelo e unhas de dentro para fora. Isso tudo leva a… mais pessoas cultivando vegetais em casa e buscando peixe de melhor qualidade no mercado como resposta à demanda e também às novas tecnologias de pesca – e com tudo isso, espere preços mais altos. Fora veganismo, que vai bombar como nunca.

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