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O dia em que a Terra parou

27 de agosto de 2010
por Milton Pazzi Jr.

Como foi a contratação de Ronaldo, que mexeu com o futebol brasileiro e fez o nome do Corinthians ganhar o mundo

SÃO PAULO – A mais badalada contratação do futebol brasileiro dos últimos tempos teve o martelo batido num tête-à-tête entre o presidente Andres Sanches e o atacante Ronaldo num hotel no Rio de Janeiro no final de 2008.

Enquanto o diretor de marketing Luís Paulo Rosenberg e o empresário Fabiano Farah discutiam a parte chata do assunto (cláusulas de contrato), o presidente convidou o jogador para levantar da mesa, dando uma pausa no café da manhã. Ele queira acender um cigarro. O papo, a sós, foi mais ou menos assim: “Ronaldo, eu não vou poder pagar”. O atacante rebateu: “Mas quem está falando em dinheiro é você, não eu.” Andres rabiscou num papel um valor que seria aceitável para ele e para o atleta, algo em torno de R$ 400 mil por mês. O resto, disse o cartola, a gente acerta com patrocínios. Ronaldo disse sim. O negócio estava fechado.

Assim, entre uma baforada e outra, bem ao estilo Andres Sanches, Ronaldo Fenômeno foi contratado. O que parecia impossível não era mais. As formalidades contratuais ficariam para depois, para Fabiano Farah e para o escritório de advocacia que cuida de tudo o que envolve a empresa chamada Ronaldo.

“Eu também imaginava que fosse só um sonho, mas acabou sendo possível. Não temos de perguntar o quanto ele vai ganhar. Temos de ver o quanto o Corinthians vai se dar bem”, afirmou Andres Sanches ao JT no dia do anúncio oficial da contratação, 9 de dezembro de 2008. Estava orgulhoso.

O presidente confessou que era só um sonho distante ter Ronaldo no clube porque, antes desse dia, ele já havia feito contatos com Farah, com advogados espanhóis, e tinha saído meio descrente das preliminares. Mas o próprio Ronaldo se dispôs a levar a negociação adiante e ligou para Andres marcando o tal café da manhã. Quase não deu certo. O dirigente não atendeu a chamada porque não sabia quem estava ligando. Minutos depois, ele foi avisado que o telefone confidencial que aparecia em seu celular era do Fenômeno.

Essa história desmente, em parte, o que o próprio atacante dizia sobre o que o havia levado a se acertar com o Corinthians, um projeto para ele, diferentemente do Flamengo, que o deixava treinar em seu CT, mas que não havia feito proposta alguma para tê-lo. O “projeto” ao qual se referia estava rabiscado num pedaço de papel qualquer.

Apresentado no Parque São Jorge no dia 12 de dezembro de 2008, Ronaldo levou pouco mais de 6 mil pessoas ao acanhado estádio corintiano, a Fazendinha. Mais que isso, o nome Corinthians explodiu na mídia – no Brasil e no mundo, exatamente como imaginava Andres. Não era para menos. O time tinha em suas fileiras o artilheiro de todas as Copas, com 15 gols.

O clube dava ainda seu passo à internacionalização. E Ronaldo, eleito três vezes o melhor do mundo, seria o patrona dessa caminhada.

Texto publicado em caderno especial do ‘Jornal da Tarde’ de 13/8/2010

2 Comentários Comente também
  • 01/09/2010 - 15:39
    Enviado por: Diomara martins

    salve o meu corinthians

    responder este comentáriodenunciar abuso
  • 02/09/2010 - 00:57
    Enviado por: carlos Cunha

    Oleodutos,
    Como as obras do estadio irão começar em Janeiro, sendo que não existe projeto executivo, se não foi dado entrada na CETESB….o meio ambiente já foi comprado?

    São Paulo, não pode regredir a esse ponto.

    O Corinthians tem direito a ter estadio, mas não podemos permitir que a segunraça e o meio ambiente possam correr risco.
    Imagina uma briga entre torcidas com bombas caseiras de costume, tiros e os Oleodutos pegando fogo, explodindo!

    Quem será o responsavel? O Prefeito? O presidente? o Governador? a construtora? o meio ambiente?CETESB ..enfim quem?
    A forma que esta sendo apresentado lembra a DITADURA.

    responder este comentáriodenunciar abuso

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