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15 de Abril de 2010

 

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Celso Ming
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Celso Ming

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Tempo de falcões

6 de junho de 2013 | 20h00

Celso Ming

Você pode ler e reler as nove páginas em letra miúda da ata da última reunião do Copom, mas não vai encontrar lá nenhuma justificativa nova para o aumento da dose dos juros de 0,25 (em abril) para 0,50 ponto porcentual (em maio). Nem terá as razões que, de um mês para outro, levaram dois pombos a se metamorfosearem em falcões. O que mudou – e isso é tudo – foi o tom, bem mais contundente do Copom.

(Pombo é aquele que puxa por juros mais baixos ou por não aumentá-los; falcão, o que ataca com instinto de rapina. Os pombos convertidos para a causa dos falcões são os diretores do Banco Central Aldo Luiz Mendes e Luiz Awazu Pereira da Silva.)

 

 

As explicações apresentadas já estavam presentes há três meses. São elas: inflação perto do teto da meta e espalhada demais; forte alta de preços dos serviços; propensão dos remarcadores de preços a exagerar nos reajustes (reindexação); política fiscal frouxa demais (expansionista); mercado de trabalho aquecido e salários subindo mais do que a produtividade; e consumo demais…

E, no entanto, o Copom entendeu que ficou insuficiente enfrentar a puxada dos preços apenas com a “cautela” costumeira. Por isso, passou a ser “tempestivo”. A saída é buscar as razões ocultas e avaliar certas pistas colhidas por aí.

O primeiro motivo oculto pode ser a forte disposição anterior, anunciada por várias autoridades, mas, especialmente, pelo secretário do Tesouro, Arno Augustin, de gastar à vontade e de continuar aplicando descontos questionáveis nas metas de formação do superávit primário, a sobra de arrecadação para pagamento da dívida. O compromisso é poupar neste ano R$ 159,9 bilhões.

Augustin é daqueles para os quais meta fiscal e responsabilidade orçamentária são conceitos cultivados por fundamentalistas sem coração. Ele parece preferir as complacências, geralmente travestidas de iniciativas anticíclicas.

Como essa política fiscal frouxa não ajuda a controlar a inflação, sobrou para o Banco Central acionar com mais força a política monetária (política de juros). Na ata, ficou subentendido que metas fiscais não cumpridas vão exigir mais agressividade dos juros.

Segundo motivo, o jogo do mercado mundial de moedas está mudando. Em vez de fartura de dólares, a tendência é de relativa escassez. Ou seja, as pressões sobre o câmbio interno passam a ser geradoras de inflação, já que a alta do dólar tende a encarecer os produtos importados, cada vez mais indispensáveis. A ata admite a “tendência à apreciação do dólar”. Não foi além disso, mas talvez não seja preciso.

Uma terceira razão para o reforço dos juros, difundida na imprensa por “fontes do governo”, pode ter sido o aumento da angústia da presidente Dilma provocado pelo estrago da inflação, tanto no poder aquisitivo do brasileiro como nas intenções de voto. Foi o que teria dado força nova ao Banco Central.

Fica a percepção de que o combate à inflação com a arma dos juros ganhou prioridade. Pelo menos nas próximas duas reuniões do Copom, a perspectiva é de que a alta dos juros continue, provavelmente na mesma dose.

CONFIRA:

No gráfico, a evolução das safras agrícolas nos últimos seis anos.

Piorou. Ao contrário do que têm dito a presidente Dilma e o ministro Guido Mantega, para os quais a inflação está em queda, a Ata do Copom afirma: “No curto prazo, a inflação em 12 meses ainda apresenta tendência de elevação e o balanço de riscos para o cenário prospectivo se apresenta desfavorável”.Também não há indicação de prazo para a inflação voltar à meta. O Banco Central não se compromete em garantir a convergência “ainda que de forma não linear”

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É o câmbio virando

5 de junho de 2013 | 20h00

Celso Ming

A decisão de zerar o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) nas entradas de capital estrangeiro destinadas a aplicações em renda fixa é o reconhecimento do governo de que as contas externas estão desequilibradas e precisam de ajuste.

Mas, atenção, o governo já vinha denunciando uma tendência indesejável nas contas externas, mas em sentido contrário. Era pelo lado de excesso de entrada de moeda estrangeira. Até há dias, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, se notabilizava por denúncias de existência de uma guerra cambial prejudicial aos interesses da economia. Na mesma direção, a presidente Dilma atacava o “tsunami monetário” dos países ricos, a atuação dos grandes bancos centrais que inundam as praças dos países emergentes com excesso de moeda e alijam a indústria local dos mercados. O governo também vinha batalhando para coibir a especulação do capital estrangeiro com juros no Brasil – e essa foi a razão pela qual, em 2010, foi instituído esse IOF de 6%.

Agora, as coisas parecem reviradas. O capital estrangeiro especulativo, antes aproveitador das condições favoráveis do Brasil, não é mais afugentado. Ao contrário, passa a ser requisitado, seja especulativo ou não.

Por trás dessa nova postura está, como ficou dito, a já preocupante deterioração das contas externas (veja o gráfico acima). O saldo comercial fortemente positivo (exportações mais altas do que importações) pode desaparecer e transformar-se em déficit ainda este ano. Isso porque o brasileiro está consumindo parte do que antes era exportado e gastando mais em importações; os capitais internacionais não só tendem a ficar nos Estados Unidos, mas, também, a acorrer para lá. E, não menos importante, a desvalorização cambial (alta do dólar) no Brasil, tida até aqui como necessária para dar competitividade à indústria, começa a jogar contra outro objetivo agora vital para o governo Dilma, que é o controle da inflação.

Não basta reconhecer que as condições externas começam a mudar e que a grande bonanza de capitais pode diminuir. É preciso admitir que a economia brasileira está desequilibrada não só em relação aos novos ventos que sopram lá fora, mas, também, está descontrolada em relação aos objetivos propostos aqui dentro: crescer entre 3% e 4% ao ano e, para isso, trabalhar para ter um investimento em torno de 24% do PIB; impedir um desemprego superior a 6% ao ano; garantir a inflação na meta; obter um equilíbrio nas contas externas e reverter a estagnação da indústria.

Para isso, não basta construir um puxadinho aqui e outro ali para aproveitar melhor a casa. Vai ser necessário recolocar no lugar os fundamentos da economia. Não é verdade que as contas públicas estejam à beira do precipício. Elas apenas não estão no nível adequado para dar conta do que tem de ser feito.

Vai ser necessário muito mais disciplina fiscal e mais redução do consumo interno (proporcionado pelas transferências de renda) para que sobrem recursos para o investimento e para que a economia brasileira esteja em condições de enfrentar o tranco que vem aí.

CONFIRA:

Aí está a trajetória das cotações do câmbio nos últimos dois dias.

Montanha russa. Esta quarta-feira foi um dia muito volátil. É a reação a uma situação aparentemente ambígua: ou o governo sabe mais do que o mercado ou está no escuro. O Banco Central mostrou, mais uma vez, que está disposto a intervir sempre que o dólar ameaçar levantar voo. Até quando? Diante da perspectiva de certa escassez de dólares lá fora e de deterioração dos fundamentos da economia brasileira, está bem mais difícil prever o comportamento do câmbio no curto prazo.

 

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Isolamento

5 de junho de 2013 | 8h51

Celso Ming

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) acaba de fazer séria advertência de que o governo brasileiro pouco ou quase nada está promovendo para abrir mercados para o setor produtivo do País.

No mundo inteiro, os acordos vão se multiplicando, os concorrentes do Brasil não param de acertar preferências comerciais e, assim, estão cada vez mais dentro do jogo.

Enquanto isso, o Brasil vai ficando de fora, cada vez mais isolado. Aceitou a lengalenga dos hermanos argentinos de que não aguentam nenhum passo em direção à liberação comercial, porque mataria a sua indústria. Fica esperando que os argentinos saiam da encalacrada em que estão.

Bateu o desespero nos dirigentes da indústria depois que México, Chile, Peru, Colômbia e, provavelmente, também o Paraguai, o equivalente a 35% do PIB da América Latina, anunciaram que estão construindo a Aliança do Pacífico, com proposta de liberar imediatamente nada menos que 90% do comércio entre eles.

A CNI lembra ainda que vem aí o Acordo Trans-Pacífico, “que unirá sob um mesmo chapéu as economias da Austrália, Brunei, Canadá, Chile, Cingapura, Estados Unidos, Japão, Malásia, México, Nova Zelândia, Peru e Vietnã”. É um conjunto poderoso, que perfaz quase um quarto do comércio mundial.

Os dirigentes da indústria estão se dando conta de que a paralisia nas negociações comerciais do Brasil vai fechando o mercado externo para eles e isso significa ainda menos oxigênio para a combalida produção do setor.

Antes de avançar, convém pontuar que os dirigentes da indústria – não só da CNI, mas, com algumas exceções, também da Fiesp – aceitaram bovinamente até aqui o jogo do governo. Sentiram grande alívio quando o Itamaraty desistiu da Área de Livre Comércio das Américas (Alca), defendida pelos Estados Unidos, e pouco fizeram para remover as travas do comércio com a Argentina, hoje reconhecidamente um caso perdido. Mesmo o professor Luiz Carlos Bresser-Pereira, da Fundação Getúlio Vargas, até anteontem entusiasta do arranjo de política econômica da Argentina, considerada por ele “modelo para o Brasil”, já reconhece (“com tristeza”) que “a estratégia de desenvolvimento da Argentina caminha para o fracasso”.

Bresser-Pereira não estava sozinho. Dentro do governo brasileiro ainda há especial admiração pelo conjunto de políticas – não somente as econômicas – adotadas pelo casal Kirchner, que acaba de completar dez anos de reinado dinástico.

Se é mesmo um fracasso, não dá para seguir com o rabo preso com eles, porque essa espera enorme pressupunha dificuldade apenas passageira.

(Apenas para passar um aspirador na memória, o Mercosul, que engloba Brasil, Argentina, Uruguai, Paraguai e Venezuela, é um tratado de união aduaneira. Por suas cláusulas, os países sócios não podem fazer nenhuma aliança comercial sem arrastar todos os outros juntos.)

Enfim, se é para avançar pelo caminho das novas parcerias comerciais sob a égide do Mercosul, não há muita escolha. Ou o governo brasileiro trata de rebaixar o status do Mercosul a área de livre comércio e, nesse caso, as negociações comerciais podem seguir sem a Argentina; ou espera, sabe-se lá quanto, até que a Argentina mude tudo e se recupere.

CONFIRA:

No gráfico, o desempenho da produção industrial medido pelo IBGE.

O lado bom. A recuperação da indústria é uma boa notícia, especialmente depois de uma paradeira tão longa.

O lado não tão bom. Mas é preciso cuidado na análise dos números. Eles estão fortemente concentrados na produção de veículos, que foi turbinada com isenções tributárias. Não é uma chuva criadeira, bem espalhada, e não há segurança de que isso mude tão já. Ao contrário, a inflação vai derrubando o mercado e pode esvaziar uma virada.

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Prioridade ao investimento

3 de junho de 2013 | 20h00

Celso Ming

Sob o impacto do avanço decepcionante do PIB no primeiro trimestre, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, anunciou no último dia 29 que há mudança na política econômica: o governo federal não vai mais incentivar o consumo, dará prioridade ao investimento. É hora de avaliar o que é preciso fazer para garantir sucesso nessa virada.

Primeiro convém saber até que ponto há sinceridade nisso. Se é verdade, por exemplo, que o governo prepara uma prorrogação de isenção ou redução tributária para a venda de veículos e aparelhos domésticos, então já não é para levar tanto a sério o anúncio do ministro.


Mantega. Disposição para mudar? (FOTO: Ed Ferreira/Estadão)

Mas, se for para dar toda força ao investimento, então muita coisa tem de mudar. É importante levar em consideração que turbinar o investimento não significa necessariamente reprimir o consumo.

Todo investimento implica uma lista enorme de contas a pagar bem antes da criação de riqueza prevista nele. Uma hidrelétrica, por exemplo, começa a gerar despesas no momento em que o primeiro técnico faz o esboço do projeto no computador. Essas despesas se multiplicam com levantamentos geológicos, engenharia, licenciamento ambiental, materiais, mão de obra. São, digamos, entre 8 e 10 anos só de despesas, sem faturamento correspondente, porque o primeiro quilowatt/hora apenas será gerado quando a primeira turbina vier a ser acionada. Ou seja, um grande programa de investimentos gera também forte demanda, que precede os resultados.

Caso seja mesmo para criar condições para a multiplicação do investimento, então é necessário propiciar regras constantes de jogo que, por sua vez, garantam remuneração adequada aos operadores dos projetos. E isso é diferente do que vem acontecendo sob coordenação de um governo que ainda não se livrou de certos preconceitos ideológicos, segundo os quais iniciativas desse tipo configuram o que alguns lá em Brasília continuam chamando de privataria.

Para assegurar regras confiáveis de jogo é preciso, também, fortalecer as agências reguladoras, para impedir desvios. Ou seja, têm de ser organismos de Estado, vacinados contra contaminações políticas e não, como são hoje, instrumentos de governo e, nessas condições, sujeitos ao jogo político.

Para abrir espaço ao investimento, será necessário também desenvolver o mercado de capitais fornecedor de financiamentos de longo prazo para que aconteçam duas coisas. Primeira, redução de sobrecarga do BNDES, que não dá conta nem do que já tem para financiar, e segunda, disponibilidade de financiamentos em volume e juros compatíveis com o custo dos projetos. Isso tudo exige mais estímulos à poupança.

As regras estáveis de jogo mencionadas, por sua vez, pressupõem estabilidade da política econômica. Um operador de projetos que não sabe qual inflação vai enfrentar, com que tipo de câmbio vai lidar, que juros vai pagar e que todos os dias está sujeito aos vaivéns do governo não pode mesmo trabalhar direito. Em outras palavras, um ambiente favorável ao investimento exige clima de confiança e este, por sua vez, firmeza e estabilidade na condução da economia. Está o governo Dilma disposto a isso?

CONFIRA:

Aí está a evolução do comércio exterior nos últimos 12 meses.

O rombo continua. Os resultados fracos nos meses anteriores eram, em parte, devidos a mudanças metodológicas nos lançamentos de importação de combustíveis que, na prática, contabilizaram em 2013 despesas que normalmente cairiam em 2012. Agora se vê que, independentemente da mudança, o rombo continua aumentando. Nos cinco primeiros meses do ano, as importações cresceram 9,8% em relação ao mesmo período de 2012. Enquanto isso, as exportações caíram 2,8%.

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O Banco Central e o PIB

1 de junho de 2013 | 20h00

Celso Ming

Certos analistas estranharam a decisão do Banco Central, tomada quarta-feira, de redobrar a dose dos juros básicos (Selic), mesmo após saber que o avanço do PIB do Brasil no primeiro trimestre fora uma enorme decepção.

Pareciam entender que, no caso de uma atividade econômica fraca, os juros devessem cair – não subir e, menos ainda, o dobro do que subiram no mês anterior –, como se o Banco Central estivesse obrigado a executar o que muitos no governo entendem erradamente como política anticíclica.

Os analistas aparentemente não enxergam que, neste momento, a inflação se tornou problema mais grave do que o PIB magricela. A inflação alta é uma das causas do baixo desempenho da atividade econômica.

Essa foi, aliás, a advertência feita, também na quarta-feira, horas antes da tomada de decisão do Copom, pela gerente de Coordenação de Contas Nacionais do IBGE, Rebeca Palis. Ela chamou a atenção para a corrosão do poder aquisitivo e, portanto, do consumo das famílias, importante componente do PIB, causada pela inflação.

É uma eloquente refutação prática do ponto de vista de que “um pouco de inflação sempre ajuda no crescimento”. Às vezes, até funciona como dopping, mas sempre tende a atacar a saúde do organismo econômico. Segue-se que, ao combater a inflação com sua política monetária (política de juros), o Banco Central concorre para criar condições para o crescimento econômico sustentável, e não o contrário. Mas isso não é tudo.

Há os que argumentam que um banco central não pode limitar-se estrabicamente a combater a alta de preços; deve trabalhar, também, para proporcionar crescimento econômico. Este ponto de vista também é um desvio do que deve ser o regime de duplo mandato, caso do Fed, banco central dos Estados Unidos.

Antes de tudo, o segundo mandato dos bancos centrais (o primeiro é combater a inflação), quando há, não é garantir o crescimento, mas assegurar o emprego, o que não é a mesma coisa. No Brasil, por exemplo, temos um combalido crescimento com pleno emprego. Mais ainda, o excessivo aquecimento do mercado de trabalho vem sendo uma das principais causas da inflação, não só porque aumenta os custos de produção, mas, também, porque cria renda acima do aumento da produtividade da economia. Quem há meses está denunciando essa situação é o Banco Central.

Vistas as coisas por outro ângulo, o mercado de trabalho excessivamente pressionado, como hoje no Brasil, é um forte limitador da atividade econômica; derruba o chamado crescimento potencial. Quem não entende isso, que tente responder à seguinte pergunta: se mesmo com um crescimento merreca, como o de agora, há escassez de mão de obra no Brasil, especialmente a qualificada, o que não estaria acontecendo no mercado de trabalho se o PIB estivesse avançando os 4,0% ou 4,5% ao ano, como quer o governo?

Finalmente, se a política de juros fosse manobrada no sentido de aumentar ainda mais o emprego, estaria concorrendo para aumentar a inflação e, mais à frente, para prejudicar ainda mais o desempenho da atividade econômica.

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Flutua, mas nem tanto

31 de maio de 2013 | 20h00

Celso Ming

Quem tomou ao pé da letra as últimas declarações do ministro da Fazenda e do presidente do Banco Central de que o câmbio voltou a ser flutuante deve estar decepcionado.

Nesta sexta-feira pela manhã, quando a cotação atingira R$ 2,147, o Banco Central interveio. Anunciou um leilão de venda no mercado futuro (swap cambial). E foi o que ainda limitou o fechamento à alta de apenas 1,75%. (Abaixo, os rastros das cotações do dólar no câmbio interno.)

Aí há dois pontos de análise: as causas da disparada e o resultado prático.

Tudo começou dia 22, quando Ben Bernanke, presidente do Federal Reserve (Fed, banco central dos Estados Unidos) preparou os espíritos para uma virada de sua política monetária.

Hoje, o Fed despeja US$ 85 bilhões na compra de títulos no mercado financeiro. A operação conhecida como afrouxamento quantitativo (quantitative easing) objetiva criar condições para a retomada da atividade econômica dos Estados Unidos, prostrada pela crise. Desacelerar ou suspender (ainda não está claro) a operação implica emissão de menos dólares do que o esperado e, portanto, valorização em relação às outras moedas. Foi a principal razão pela qual o dólar ganhou força nos mercados e, com ele, reduziram-se as cotações das mercadorias negociadas na moeda, sobretudo commodities e ouro (veja o Confira).

O movimento coincidiu com a percepção mais forte de deterioração da economia brasileira: mais inflação, crescimento decepcionante do PIB no primeiro trimestre e, fator relativamente novo, aumento do rombo das contas externas. Esse último está caracterizado pelo avanço do déficit em Conta Corrente, onde são contabilizadas entradas e saídas de moeda estrangeira no comércio de mercadorias e serviços e nas transferências ao/do exterior. É o melhor indicador para avaliar necessidades futuras de moeda estrangeira. Em quatro meses, o rombo saiu de 2,4% para 3,0% do PIB.

Isso não é tudo. A ênfase do ministro Guido Mantega e do presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, de que não interviriam mais no câmbio havia sido entendida como aviso de que o governo tem especial interesse na desvalorização do real, com o objetivo aparente de melhorar a competitividade do setor produtivo, principalmente da indústria.

A atitude de Mantega e de Tombini não foi dizer que “câmbio é assunto sobre o qual as autoridades não falam”. Nem foi reafirmar que, no Brasil, continua em vigor o regime de “flutuação suja”. Foi garantir que não haveria intervenção, a não ser para evitar excessiva volatilidade dos fluxos (entrada e saída de dólares), o que não aconteceu.

Independentemente do que dizem as autoridades, o leilão desta sexta-feira mostra que há limites para a desvalorização do real. Elas não olham só para a premência de garantir competitividade à indústria. Temem que uma disparada cambial turbine a inflação e ponha muito a perder.

Qual é o limite? Provavelmente, nem elas sabem. Mas já dá para avaliar que, se persistir, apenas a alta de maio pode ser suficiente par a puxar em 0,4 ponto porcentual a inflação dos próximos meses.

O governo parece desnorteado com a piora dos fundamentos da economia.

CONFIRA:

O gráfico mostra a evolução dos preços do ouro em dólares ao longo do mês de maio.

A curva acima não reflete a desvalorização do ouro, nem uma eventual melhora da economia global – já que o ouro é o “metal do medo” e a queda das cotações poderia ser indicação de que reduzira-se o risco. A curva reflete a valorização do dólar. Ou seja, a partir da fala de Ben Bernanke, presidente do Fed (Federal Reserve, banco central dos Estados Unidos), o dólar passou a comprar mais ouro do que antes.

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E agora, ministro?

30 de maio de 2013 | 20h00

Celso Ming

Diante do PIB decepcionante do primeiro trimestre e da perspectiva de desilusões mais ou menos equivalentes nos próximos, o governo Dilma não vai ficar como está.

São duas opções: ou faz mais do mesmo ou muda tudo. Ambas incluem riscos e poucos resultados imediatos, pelo menos até as vésperas das eleições presidenciais de 2014.


Mantega. Mais do mesmo? (FOTO: Fernando Bizerra Jr/EFE)

Na entrevista que deu logo após a divulgação do PIB, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, indicou que há mudanças em curso. Em vez de turbinar o consumo, como fez até recentemente, a ênfase da política econômica vai para o investimento.

É um reconhecimento, ainda que tardio, de que a política econômica partira do diagnóstico errado, de que o problema era o baixo consumo. A estratégia até então determinava que, uma vez estimulado o consumo, a produção (e o investimento) iria atrás, como cachorro de mendigo.

A conversão do governo ainda não convenceu. A ideia de que o investimento ficara em segundo plano até aqui não combina com a louvação oficial ao Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). É bom lembrar que a então candidata Dilma Rousseff foi apresentada ao eleitorado como “mãe do PAC”, num clima em que o investimento já fora escolhido como alavanca do desenvolvimento econômico. De todo modo, vai sendo reconhecido que o PAC é pouco.

Dos 18% da renda aplicados hoje em investimento, o governo detém fatia pouco superior a 1 ponto porcentual. O resto sai do setor privado. No entanto, o empresário não vem se deixando seduzir pelas convocações da presidente para liberar seu espírito animal. Ele não sente firmeza na condução da economia.

Uma opção do tipo mais do mesmo consistiria em aprofundar o regime de altas despesas públicas destinadas a transferências de renda para determinados segmentos da população, apresentada sempre como política anticíclica, embora na prática produza mais distorções do que soluções. Continuaria, também, a propiciar reajustes salariais acima da produtividade do trabalho e as tais desonerações que custam caro e não passam de paliativo. É a receita que, na atual conjuntura nacional e internacional, conduz à repetição de pibinhos, de inflação em alta e de aumento do rombo das contas externas. Em compensação, enquanto mantiver a ilusão populista, é a política que, em princípio, garante votos.

A opção por mudança de rumos consistiria em reduzir substancialmente as despesas públicas para que o governo pudesse garantir vigoroso superávit primário (sobra da arrecadação para pagamento da dívida). O fator abriria espaço para a redução dos juros, o que todos querem, e para o barateamento do crédito. De quebra, permitiria maior desvalorização do real (alta do dólar) para fortalecimento da indústria – sem produzir a inflação que alimenta a desconfiança e a retração do setor privado. É claro, esse conjunto de políticas exigiria adiamento da instalação do Estado do bem-estar social, com o qual a sociedade parece contar.

Embora em algumas ocasiões diga o contrário, o governo parece mais disposto a seguir a primeira opção, para só aplicar a terapia de choque em um possível segundo mandato de Dilma. O maior risco é de que as condições da economia se deteriorem muito rapidamente e a reputação política da presidente chegue às vésperas das eleições com sérias avarias.

CONFIRA:

Bancos a perigo. Na última quarta-feira, o Banco Central Europeu (BCE) advertiu que aumentou o risco de quebra de bancos importantes na zona do euro. Não disse quais são, mas apontou para países com alto desemprego e queda forte dos preços dos imóveis. Qualquer um sabe que Espanha, Itália, Portugal e Grécia estão nessa lista.

Calote? Todos os dias aparece gente importante recomendando calote, ainda que parcial, das dívidas, para que as economias nacionais parem de afundar em juros insuportáveis e ganhem condições de recuperação.

Destruição de patrimônio. O problema é que calotes assim implicam destruição de patrimônio dos bancos. E a quebra de um banco importante pode arruinar os aplicadores que forneceram os capitais usados nos financiamentos que deixarão de ser honrados. Pior que isso, pode causar pânico e corrida aos depósitos de outros bancos, como aconteceu depois da quebra do Lehman Brothers, em 2008.

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Decepcionante

29 de maio de 2013 | 21h00

Celso Ming

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, lembrou nesta quarta-feira sua cara de paisagem, criada em 2011 para enfrentar reivindicações da Bolsa. Foi com ela que tentou esconder sua frustração com os resultados do primeiro trimestre. Como fez outras vezes, Mantega olhou para os números das Contas Nacionais divulgadas pelo IBGE e tentou convencer o resto do País de que as coisas refletem mais o copo cheio do que o vazio:

“Estamos crescendo este ano mais do que no ano passado”, disse ele na entrevista que deu logo depois de conhecidos os dados do PIB. No primeiro trimestre de 2012, o Brasil cresceu apenas 0,1%; no primeiro trimestre deste ano, cresceu 0,6%. Como ao longo de todo o ano de 2013, o PIB vai crescer bem mais do que o medíocre 0,9% registrado em 2012, o ministro não deixa de ter uma dose de razão. Mas, convenhamos, para quem apostava num avanço do PIB de 4,0% a 4,5% neste ano, os resultados do primeiro trimestre são de amargar.

A nota positiva é a melhora do investimento que, nas Contas Nacionais, leva nome e sobrenome mais comprido: Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF). Acusou avanço de 4,6% no primeiro trimestre sobre o anterior e de 3,0% quando medido sobre o primeiro trimestre de 2012. O ministro garantiu que tem a ver com certa mudança de ênfase da política econômica, do consumo para o investimento. Ainda assim, reflete mais o grande crescimento da frota de caminhões e da construção civil do que inversões de capital em aumento da capacidade de produção. Além disso, o investimento continua baixo, de apenas 18,4% do PIB. Para garantir crescimento sustentável, da ordem de 3,5% a 4,0% ao ano, tem de ser superior a 24% do PIB, mas estamos longe disso.

Excelente surpresa é o desempenho da agropecuária: crescimento de 9,7% de um trimestre para outro e de 17,0%, em comparação com o primeiro trimestre de 2012. O problema é que o setor não pesa mais do que 5% no PIB e nas contas finais não chega a fazer diferença.

A indústria é que continua na pior. Em vez de avançar, recuou: queda de 0,3% em relação ao quarto trimestre e de 1,4% em relação ao primeiro trimestre do ano passado. A recuperação sustentável do setor precisa de muito mais do que desonerações pontuais e refrescos caseiros fornecidos pelo governo.

O principal imprevisto foi o baque no consumo, até recentemente o carro-chefe da política econômica. Cresceu apenas 0,1% no trimestre e 3,0% em um ano. Nesse campo, o fator negativo é o que nesta quarta-feira veio no diagnóstico da gerente da Coordenação de Contas Nacionais do IBGE, Rebeca Palis. O consumo, advertiu, perdeu fôlego porque a inflação vai deixando menos salário para as compras do mês. Quer dizer, o governo tem de levar mais a sério o combate à inflação se não quer ver mais corrosão.

Não é só isso, aí vai o lado bom da moeda mais fraca: se é verdade que o governo mudou a ênfase e passou a cuidar mais do investimento do que antes, o mau desempenho do PIB pode prenunciar mudanças na condução da política econômica. Mas esse é assunto a ser analisado nesta Coluna na edição desta quinta-feira.

CONFIRA:

O gráfico mostra como se comportam, desde 2000, a poupança e o investimento do Brasil.

Mais “tempestivo”. Desta vez, foi por unanimidade. Até os dois maiores pombos do Copom, que na reunião passada votaram contra aumento dos juros de até mesmo 0,25 ponto porcentual, decidiram-se nesta quarta-feira pelo aumento da dose dos juros em 0,50 ponto porcentual, para 8,0% ao ano. É a percepção de que a inflação foi longe demais e exigiu corretivo. Fica a pergunta: por que demorou tanto?

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Agora, a tempestividade

28 de maio de 2013 | 20h00

Celso Ming

Os membros do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central se reúnem nesta quarta-feira para rever os juros, bem menos confiantes do que estavam no início deste ano.

Em meados de 2012, o Banco Central via a inflação como surto passageiro provocado pelo choque de oferta de grãos (quebra de safras), devido à seca no Meio-Oeste dos Estados Unidos, grande produtor mundial. Seus comunicados avisavam que a inflação deveria recuar espontaneamente para a meta (4,5% ao ano), “ainda que de forma não linear”.

Tombini. Sob pressão (FOTO: Marcos de Paula/Estadão)

Aos poucos, o Banco Central passou a admitir que o choque de oferta não era tudo. A inflação apresentava-se forte e espalhada, turbinada por novos fatores, não apenas os externos, mas, também, uma demanda interna superior à capacidade de oferta da economia, sobretudo no setor de serviços. Esse quadro, por sua vez, era consequência tanto de despesas excessivas do setor público (“política fiscal expansionista”) como do forte aquecimento do mercado de trabalho, que puxou a renda e os custos de produção. Nas entrevistas, o presidente do Banco Central assumia então que “não estava confortável” com a virulência da inflação. Mesmo depois de ter se prontificado a voltar a puxar para cima os juros básicos (Selic), os comunicados limitavam-se a afirmar que o Banco Central continuaria vigilante em relação ao comportamento da inflação e conduziria sua política “com cautela”. Essa expressão foi entendida como senha de que a autoridade monetária seguia agindo com o breque de mão puxado.

Dia 21, no entanto, em depoimento no Congresso, Alexandre Tombini evitou repetir que agiria “com cautela” e sacou do repertório semântico do Banco Central outra expressão: a de que para combater a inflação fará o que for necessário, “de forma tempestiva”.

As mudanças de posição têm a ver com o novo foco da política de despesas do governo Dilma, que rompeu o acordo com o Banco Central e já não se compromete a executar o Orçamento da União com austeridade suficiente para garantir sobras de arrecadação (superávit primário) de 3,1% ao ano. No final de 2012, já houve aquele passe de mágica contábil que escamoteou as metas fiscais previamente combinadas. E, na semana passada, o ministro Guido Mantega avisou que o governo fará descontos nos cálculos que, na prática, derrubarão o superávit primário para apenas 2,3% do PIB, novo número que também não passa firmeza, porque pode ser menor.

Como a política fiscal já não faz a sua parte, a necessidade de controlar a inflação passa a depender mais do aperto da política monetária (alta de juros), o que, de quebra, levou o Banco Central a permitir que o câmbio se valorizasse em termos reais – na medida em que a inflação concorre para baixar o preço do real em dólares.

Mesmo depois de prejudicado em sua capacidade de gerenciar as expectativas, não há opção para o Banco Central senão a de seguir aumentando os juros. Falta saber se a tal tempestividade se limitará a repetir, ainda que por mais tempo, aumentos dosados de juros de 0,25 ponto porcentual, como o de abril, ou se implicará um reforço para 0,50 ponto porcentual ao ano, que teria a vantagem de apressar o ajuste.

CONFIRA:

A escadinha do gráfico mostra a evolução dos juros básicos (Selic) nos últimos quatro anos.

Os novos números. Para definição do novo nível da Selic, os membros do Copom já estarão de posse do comportamento da economia (evolução do PIB) no primeiro trimestre, que terá sido divulgado na manhã desta quarta-feira pelo IBGE.

Inflação de demanda? É outro jeito de saber até que ponto a inflação corroeu a renda da população e quanto o consumo continua excessivo e inflacionário.

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É o bonde passando

27 de maio de 2013 | 20h00

Celso Ming

O Brasil está mesmo perdendo o bonde do desenvolvimento? Esta foi, em síntese, a advertência feita por editorial do dia 19 do Financial Times, um dos mais importantes diários de Economia e Negócios do mundo. Foi, também, o tema central do rico debate que foi ao ar neste fim de semana no Globo News Painel, conduzido pelo antenado âncora William Waack.

O economista Luiz Gonzaga Belluzzo, do Instituto de Economia da Unicamp, observou que o governo brasileiro perdeu a capacidade de coordenar a agenda de crescimento e de investimentos do setor privado.


Belluzzo. Perda de coordenação (FOTO: Paulo Giandalia/Estadão)

Para o professor Samuel Pessoa, da Fundação Getúlio Vargas, o problema está no fato de que, uma vez esgotado o modelo nacional desenvolvimentista, em que o Estado tomava a iniciativa de induzir o desenvolvimento, a sociedade decidiu se voltar à formação do Estado do bem-estar social. A prioridade deixou de ser o crescimento e passou a ser a distribuição de renda.

Este é um debate que começou no governo Médici, quando o então poderoso ministro da Fazenda Delfim Netto declarou, para espanto geral, que não se pode comer o bolo antes de produzi-lo. De maneira a justificar a não recondução de Delfim ao comando da economia, o então presidente Geisel disse nos anos 70 que o bolo tem de ser distribuído ao mesmo tempo que é produzido.

Hoje, a administração Dilma está exposta à corrosão. Não consegue entregar um razoável crescimento econômico, enfrenta inflação acima do tolerável e começa a assistir à deterioração das contas externas – como analisou o professor Eduardo Giannetti da Fonseca, do Instituto de Ensino e Pesquisa (Insper).

Consequência da política adotada, de distribuir um bolo maior do que aquele que vai sendo produzido, na medida em que exige crescente importação de poupança, que vai para o consumo. Enquanto isso, o investimento continua parado, à altura dos 18% do PIB, nível de longe insuficiente para garantir um crescimento sustentável, de 3% ou 4% ao ano.

Samuel Pessoa tem razão quando afirma que, ao adotar um modelo distributivista, os governos Lula e Dilma desmontaram o pouco do sistema que buscava institucionalizar mecanismos (sobretudo pelas agências reguladoras) que transferissem para o setor privado a capacidade de investir e de desenvolver o País.

Nos anos 80, a economia mundial iniciou a formação de uma rede global de produção e suprimentos, na qual as indústrias de todo o mundo procuraram se inserir. Mas o Brasil não se empenhou em se incorporar no processo. Continua sendo uma economia fechada, com uma indústria pouco competitiva.

Enquanto isso, a presidente da República se mete em tudo e se dedica a despachar intervenções pontuais destinadas a corrigir distorções que, no entanto, provocam novas, como é o caso das desonerações setoriais iniciadas em 2012.

Uma das maiores esperanças do País, as riquezas do pré-sal, que só podem ser arrancadas do subsolo a altos custos, estão agora ameaçadas pela revolução do gás nos Estados Unidos. É o fato novo, que promete energia e insumos a baixos preços, fator que ameaça alijar boa parte da indústria brasileira do mapa econômico mundial, se uma drástica mudança de rumos não for decidida já.

Quando havia bondes, quem perdia um esperava pelo seguinte. Como não há mais, tudo fica mais complicado.

CONFIRA:

A deterioração das expectativas sobre o comportamento da economia pode ser avaliada pela inclinação das duas curvas acima. São as projeções de alta da inflação e de redução do crescimento do PIB.

Demora mesmo… O presidente da Caixa Econômica Federal, Jorge Hereda, disse ontem que precisou de sete dias para saber por que houve o pânico na liberação dos pagamentos do Bolsa Família. Coisas assim acontecem em estatais loteadas entre políticos. Imaginem o que aconteceria se um médico precisasse de sete dias para diagnosticar um enfarte.

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