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Maldades para os gregos

9 de fevereiro de 2012 | 19h50

Celso Ming

Declarações de Norte a Sul da Europa comemoraram o acordo, em princípio, firmado entre o governo da Grécia e a troica negociadora (Fundo Monetário Internacional, União Europeia e Banco Central Europeu).

Para garantir a liberação de um pacote de alívio (nada menos que 130 bilhões de euros), o povo grego terá de carregar um enorme saco de maldades, cujo conteúdo vai sendo revelado aos poucos.

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Do que já se sabe, haverá redução de 20% no salário mínimo, de 751 euros antes dos impostos; corte de 20% nas aposentadorias acima de mil euros; demissão de 15 mil servidores públicos submetidos ao regime temporário de trabalho; cortes salariais em estatais; privatização de empresas públicas; fim de empregos vitalícios e transmitidos por herança (caminhoneiros, taxistas, notários, tabeliães, etc.).

Por ora, as perspectivas não são lá muito animadoras. Além da redução do PIB, de ao menos 5,2% em 2011, está prevista nova retração, de 5,0% neste ano. O desemprego já recorde, de 20,1% (dado de novembro), tende a continuar subindo.

O objetivo dessas pancadas é não só recuperar finanças públicas, mas, sobretudo, torná-las sustentáveis a longo prazo, com redução do endividamento.

Apesar dos protestos e do enorme esperneio promovido por sindicalistas e políticos e de inúmeras advertências de economistas de renome sobre o grande o risco de que o remédio mate o doente em vez de curá-lo, ao governo da Grécia não sobrou outra opção. Era aceitar as condições ou largar definitivamente o euro. Como a saída do bloco teria consequências apavorantes, a decisão foi engolir o cálice da amargura.

Isso não significa que a Grécia cumprirá religiosamente o que está acertado. Foram eles que inventaram o teatro e esta pode ser mais uma peça em cartaz.

É recorrente a capacidade dos gregos de assinar tratados e não cumpri-los. Será espantoso se desta vez for tudo diferente.

Nesse caso, o acordo poderá não passar de novo expediente destinado a fingir concordância para pôr a mão na dinheirama e, assim, ganhar tempo e adiar soluções definitivas. Aparentemente, os gregos contam com a baixa disposição dos dirigentes do euro de expulsá-los da união monetária – o que derrubaria, em dominó, uma fileira de bancos e poderia deflagrar mais uma onda de contágio.

E essa desconfiança generalizada de que a atual disposição dos gregos ao sacrifício não deve ser levada a sério demais foi a principal razão pela qual, depois de espera interminável, os mercados pouco festejaram o que foi largamente saudado por algumas autoridades da Europa como um acordo histórico e alentador.

Ah, sim, os líderes políticos da coalizão governista (social-democratas, conservadores e extrema-direita) liderada pelo primeiro-ministro da Grécia, Lucas Papademos, endossaram os termos do acerto, mas, como de outras vezes, pode ser só parte do teatro.

O problema é que, mesmo que a saída para a encalacrada da Grécia esteja próxima, os dirigentes da Europa ainda estão longe de resolver o problema do euro.

CONFIRA

Falta um pedaço. As ações da Petrobrás tiveram neste ano (até esta quinta-feira) uma valorização próxima dos 20%, mas ainda tem uma boa escalada pela frente para que seus preços de mercado possam se emparelhar com os da subscrição de capital feita no dia 23 de setembro de 2010.

Atualização. Os preços de subscrição foram de R$ 29,65 por ação nominativa ordinária e de R$ 26,80 por ação preferencial. Pelos cálculos da consultoria Economática, para se recuperarem da queda, os preços da ação nominativa têm de chegar a R$ 30,75 e os da preferencial, a R$ 27,12 – levando-se em conta a inflação do período medida pelo IBGE menos a distribuição de dividendos e de juros sobre capital próprio nesse quase um ano e meio.

Caminho a andar. Isso significa que, em relação aos preços do fechamento desta quinta na Bolsa, a cotação das ações nominativas ainda tem de subir 10,46%; e a das preferenciais, 5,97%.

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