Me dá um dinheiro aÃ
7 de fevereiro de 2012 | 19h50
Celso Ming
Todos os dias um figurão da União Europeia se põe a pressionar algum governo de paÃs emergente para que canalize uma fatia de suas reservas para refinanciar o cordão dos endividados da área do euro.
Há meses, a diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Christine Lagarde, vem pleiteando, tanto entre emergentes como entre almas boas disponÃveis, um reforço de pelo menos US$ 500 bilhões no seu orçamento destinado a operações de socorro financeiro. E, também há meses, autoridades europeias têm pedido especial generosidade dos governos emergentes no âmbito do Grupo dos Vinte (G-2o).
Merkel. Da China e dos outros… (FOTO: DAVID GREY/REUTERS)
Na semana passada, a chanceler da Alemanha, Angela Merkel, desembarcou em Pequim, onde igualmente pediu que o governo da China se dispusesse a contribuir para o Fundo Europeu de Estabilidade Financeira (EFSF, na sigla em inglês) e para o Mecanismo Europeu de Estabilidade, que vai suceder-lhe.
E, nesta terça-feira, em discurso pronunciado em Frankfurt, uma das autoridades do Banco Central Europeu, Benoit Coeuré, achou-se no dever de cobrar dos governos emergentes mais disposição para refinanciar paÃses do euro. Para ele, as reservas externas dos emergentes (cerca de US$ 6,5 trilhões) são excessivas, ao menos como blindagem contra crises, e parte desse dinheiro parado deveria, segundo ele, ajudar a recuperação dos tesouros europeus.
Nessa cruzada, há pelo menos quatro equÃvocos. O primeiro deles é achar que as reservas externas dos emergentes sejam recursos parados. Eles não estão amontoados nos cofres-fortes dos bancos centrais. Foram emprestados a Tesouros nacionais, mais especialmente para o dos Estados Unidos. Nesse sentido, já atuam como instrumento de refinanciamento de um grande paÃs endividado.
O segundo erro está em pedir empréstimos aos emergentes quando a maioria das economias da área do euro, em princÃpio, dispõe de recursos para isso e não quer adquirir diretamente os tÃtulos emitidos pelos vizinhos endividados, nem fortalecer o EFSF nem canalizá-los para o FMI. Então, se nem eles próprios se interessam por cumprir a parte que lhes caberia, por que os emergentes teriam de fazê-lo no lugar deles.
O terceiro engano é pretender que essas operações dos emergentes sejam feitas sem contrapartida, apenas porque será uma honra irrecusável ajudar paÃses em dificuldades na velha Europa. O governo brasileiro já se dispôs a canalizar parte das reservas para o FMI sob a condição de contar com mais peso decisório no seu corpo diretivo.
E, finalmente, não faz sentido cobrar engajamento financeiro dos emergentes se os dirigentes polÃticos do euro não se têm mostrado nem suficientemente rápidos nem suficientemente empenhados numa solução.
No mais, segue o afluxo de recursos internacionais para os emergentes, como ainda nesta terça mostrou o Financial Times, principal jornal de Economia e Finanças da Europa. E, mais ainda, vão afluir a partir de final do fevereiro, quando o BCE abrir novamente seus guichês para operações de crédito ilimitado de três anos para os bancos.
CONFIRA

No gráfico, a evolução da produção de biodiesel. A capacidade do setor é ao menos duas vezes maior do que a produção. Como se trata de um combustÃvel incapaz de competir com o óleo diesel aos preços hoje subsidiados, o consumo de biodiesel depende de lei que obriga sua adição ao óleo diesel.
Omissão. É verdade que o PT parece convertido para o programa de privatização. Começou com os aeroportos e o sucesso é tal que não dá mais para parar. Mas a inexplicável falta de defesa consistente da causa pela oposição está transferindo a bandeira para o governo.
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