Compras pela internet
2 de janeiro de 2012 | 19h50
Celso Ming
Se nos shoppings e no resto do varejo as vendas de Natal decepcionaram, a incorporação de novos consumidores à internet e ao comércio eletrônico trouxe resultados melhores.
Enquanto a Associação Brasileira de Lojistas de Shopping aponta crescimento de apenas 5% em suas vendas de Natal em relação à s do ano anterior; o e-commerce brasileiro elevou em 20% seu faturamento entre 15 de novembro e 24 de dezembro do ano que passou ante o mesmo perÃodo de 2010 – como aponta a consultoria E-bit.

O volume ainda é relativamente pequeno. Corresponde a 18% do faturamento dos shopping centers. Ao longo de todo o ano de 2011, o total (recorde) não deve ter ultrapassado os R$ 18,7 bilhões (veja o gráfico). Mais significativo foi o fato de que, em 2011, nada menos que 9 milhões de brasileiros (50% são da classe C) fizeram sua primeira compra pela web.
Para Cristina Rother, diretora da E-bit, cresceu em 2011 o número de consumidores que antes recorriam aos crediários das grandes redes (como Casas Bahia, Magazine Luiza e Ricardo Eletro) e migraram para seus sites. Além do mesmo parcelamento, encontram lá preços quase sempre mais baixos.
Os segmentos online mais procurados em 2011 foram: eletrodomésticos; informática; saúde, produtos de beleza e medicamentos; livros e assinaturas de jornais e revistas; e eletrônicos. Neste ano, com novas padronizações, a área de moda e acessórios tende a se juntar a esse grupo. Uma camisa M, por exemplo, terá sempre a mesma medida, seja de qual marca for. Ou seja, provar algo antes de levar não será mais tão necessário e essas vendas devem ser alavancadas.
Por outro lado, os tão badalados downloads pagos de músicas e filmes ainda são inexpressivos – e assim devem ser por um bom tempo. Lojas virtuais como Itunes Store (da Apple) ou Netflix (de filmes), recém-chegadas por aqui, servem só a uma fatia Ãnfima das classes A e B.
Para o presidente executivo da Livraria Cultura, Sergio Herz, a internet ajuda a suprir a grande carência do varejo, que é a incapacidade de se reinventar. No entanto, as vendas de livros virtuais (e-books) ainda são irrisórias, correspondem a somente 0,5% de todos os livros comprados.
Um dos problemas ainda à espera de solução é a baixa eficiência nas entregas. Em novembro, o Procon tirou do ar por 72 horas os sites Americanas, Submarino e Shoptime.
O presidente da Câmara Brasileira de Comércio Eletrônico, Ludovino Lopes, reconhece que as falhas nos despachos são um dos grandes entraves do setor. Em todo o caso, maiores investimentos em logÃstica reduziram os atrasos nas entregas de final de ano de 17% (em 2010) para 13% (em 2011), mesmo com o crescimento de 27% dos pedidos – garante Lopes.
Mas o obstáculo mais importante ainda não foi removido. Nada menos que 58% dos clientes dos bancos que não se sujeitam a fazer operações financeiras pela internet não se sentem seguros em passar dados pessoais pela rede. / COLABOROU GUSTAVO SANTOS FERREIRA
CONFIRA

Um dos bons desempenhos da economia é a queda do endividamento do setor público em relação ao tamanho do setor produtivo. Enquanto tantos paÃses de economia avançada patinam no excesso do endividamento, o Brasil mostra uma situação sob relativo controle, graças aos superávits primários (sobra de arrecadação para pagamento da dÃvida) formados anualmente desde a década de 90. Ao longo de 2011, esse indicador também caiu em consequência da desvalorização do real em relação ao dólar, que melhorou em reais os créditos em moeda estrangeira (reservas externas).
Comentários desativados
Tópicos relacionados







