A alcachofra
20 de março de 2010 | 18h13
Celso Ming
A percepção dos problemas econômicos globais e as soluções propostas para superá-los vão mudando não só entre os especialistas, mas, também, entre os dirigentes do mundo.
Quando os mercados estavam sob estresse e as bolhas financeiras estouravam uma a uma, os problemas pareciam restritos à área bancária e financeira. Cabia capitalizar os bancos, reformar o sistema financeiro mundial, regulamentar melhor a atividade financeira, restringir os contratos de derivativos e a especulação, garantir rigorosa supervisão sobre instituições bancárias e não bancárias – diziam os dirigentes convocados a reuniões de emergência. E isso significaria que bancos de investimento, fundos de hedge, seguradoras de crédito, sociedades de crédito imobiliário não poderiam continuar soltos como estavam. Cabresto neles!
A tarefa regulamentadora está apenas começando e já se viu que os problemas estão longe de se limitar aos bancos. Quase toda a administração pública dos países de alta renda está comprometida com enormes rombos orçamentários e dívidas insustentáveis. E os especialistas passaram a advertir para o aumento do chamado risco soberano, que envolve as finanças dos Estados autônomos.
Embaixo da folha de alcachofra tem outra folha e, depois, mais outra. Os especialistas nem bem identificaram um problema e já apontam para a crescente crise de confiança nas moedas que, até agora, eram consideradas reservas internacionais de valor. Se é verdade que apenas uma forte desvalorização do dólar será capaz de restabelecer a competitividade do produto americano, de maneira que os Estados Unidos possam aumentar suas exportações, será inevitável enfrentar uma derrubada dos preços dos ativos denominados em dólares e isso significa desvalorização das reservas internacionais em poder dos bancos centrais, do patrimônio dos fundos soberanos e dos investimentos dos grandes fundos de pensão.
A crise da Grécia, por sua vez, demonstrou que o euro, a segunda moeda de reserva do mundo, tem um vício de origem: não conta com um poder central que garanta unificação de políticas e que imponha coesão fiscal para os 16 membros. Isso lhe tira consistência e, portanto, capacidade de se apresentar como opção ao dólar na condição de reserva de valor.
Assim, os problemas bancários, financeiros, monetários e cambiais não passam de manifestações de desequilíbrios ainda mais profundos. Mas, afinal, como chegar ao talo da alcachofra?
Os responsáveis por instituições multinacionais como o FMI, a Unctad e o Banco Mundial vêm insistindo em que a mãe de todos os problemas são os desequilíbrios em conta corrente, especialmente dos Estados Unidos. Ou seja, são os enormes déficits nas contas externas dos Estados Unidos que têm correspondência com meia dúzia de superávits de outros países que, compostos, têm a mesma proporção do déficit americano. Como se conserta isso ainda não se sabe.
Enquanto se mantiver em movimento, ainda é relativamente fácil manter uma bicicleta sobre suas duas rodas. É o que em física se chama equilíbrio dinâmico. Mas é preciso ser de circo para fazer o mesmo enquanto os sistemas produtivos se mantiverem prostrados pela recessão.
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Com uma Terceira Gerra Mundial!
Dizia o antigo ditado “por fora bela viola, por dentro pão bolorento” . A visão física das coisas nos leva, na condição de leigos, a ter uma impressão fantástica ao vermos a exuberância dos países ricos. No entanto quando olhada a contabilidade deixa-nos pasmos. Há anos que os EUA por exemplo, vem exibindo enorme e crescente déficit comercial e o mundo todo, mesmo depois dos sub primes procurou se socorrer nos títulos americanos, infelizmente até o Brasil (dizem ser em torno de 150bi). É hora de aprender a lição: a verdeira perda de credibilidade teve um nascedouro e seus autores não podem ser recompensados com mais confiança. Seria um retorno ao antigo ouro que teve sua cotação aumentada? O fato é que o Brasil, país multiclimático e pouco comprometido com o comércio internacional, pois pequeno nesta área, tem um mercado interno potencial espetacular e para incentivá-lo bastam algumas medidas tais como elevação imediata das alíquotas de importação de ítens supérfluos(automóveis por exemplo) e aqueles cuja importação não impactem os custos da área produtiva. Se usarmos a inteligência e rigor nos investimentos e despesas poderemos ficar fora dessa.
Ming! Você foi ao âmago do atual tormento econômico mundial. Chegamos ao ponto de perceber a falta um parâmetro monetário para as trocas de comércio e reserva de valor entre as nações. Para os norte-americanos, o fato de emitirem dólares não garante, obviamente, o financiamento perpétuo de gigantescos déficits nas transações correntes. O mundo pode querer outro padrão monetário por desconfiar que possa não receber seus créditos em produtos e serviços produzidos nos Estados Unidos. Uma vez quebrada a credibilidade do dólar e de confirmada a vulnerabilidade política do Euro, há que se propor um novo padrão monetário. Penso que não poderemos voltar a medir o valor das mercadorias todas com base no valor de uma delas somente. O padrão ouro seria uma solução tosca para a complexidade da atividade econômica atual. Está aberta a temporada de elucubrações sobre a moeda global. Espero que tenhamos alcançado o talo da alcachofra. Belo texto!
Macro e Microeconomia – Donas de casa, consumidores, brasileiros em geral: fala-se atualmente que há sério risco da inflação se elevar. OK. Então proponho fazermos nossa Lição-de-Casa como cidadãos: o açucar refinado subiu 53% em 2009?; vamos então cortar ao máximo o açucar refinado! (os gordinhos e diabéticos vão agradecer). A alimentação fora de casa subiu 9% em 2009 ?; então procure levar sua refeição feita em casa ao trabalho (além de seu bolso agradecer, Voce saberá exatamente a origem da comida que come!). As passagens aéreas se elevaram em cerca de 50% em 2009?; então vamos procurar cuidadosamente as alternativas mais baratas de viagem (talvez as novas companhias aéreas possam oferecer passagens mais em conta). As taxas de condominio também subiram mais (cerca de 10%) que a inflação (IPCA) em 2009 (4,3%); então procure analisar cuidadosamente todos os itens dos gastos do seu condomínio, para verificar se há excessos de despesas. Etc,etc,etc. Dá trabalho ? Sim, mas o bolso agradece (e o País também)!!! Na luta contra a inflação, a Toda a População deve participar ativamente ! Não adianta só ficar discutindo macroeconomia e esquecer a microeconomia, além da necessidade do engajamento dos cidadãos. Fale com um europeu e veja se els não atuam desta maneira !
Como sempre, o Celso Ming nos brinda com uma boa e clara análise, que até os leigos (como eu) podem entender adequadamente. De acordo que lá a coisa está meio complicada, mas vamos pensar um pouco no BR ? Aqui, penso que a população poderia ser mais informada como se comportar para se defender da elevação dos preços (inflação). Nesta tarefa, a Educação Financeira (EF) deve jogar um enorme papel e os economistas e jornalistas economicos podem ajudar muito para isto. Esta EF poderia e deveria fazer parte dos mais variados currículos do ensino fundamental, médio e superior e ser tema de teses de pós-graduação. Mas não só isto, claro: necessitamos nos educar para tomar Medidas Práticas como cidadãos e como consumidores em um mundo capitalista. E isto certamente inclui múltiplas práticas a serem vastamente informadas à população (por TV, jormais, revistas, blogs, etc). Um jovem jornalista da área economica (associado a vários outros cidadãos) poderia abrir uma campanha tal como, “Lutando contra a inflação”. E nele englobar ensinamentos básicos de economia familiar, etc. A População do BR agradeceria bastante !
“equilíbrio dinâmico”, tirei do texto do Ming, completo com a palavra tempo. A solução virá aos poucos com muita paciência e tempo. Não existe solução mágica sem muito sofrimento. A solução será longa e com sofrimento diluído no tempo, ou em prazo menor com sofrimento maior. Não se substitui uma moeda reserva de uma hora para outra. Nem existe país com condições presentes ou futuras. A solução será os países aceitarem um maior equilíbrio no Bal. em Trans. Correntes. Ou ficarem eternamente trocando o trabalho de seus filhos por moedas podres (que se desvalorizam com o tempo). Trocar a qualidade de vida de seu povo a favor de outro povo (em troca receber uma moeda que se desvaloriza).
O BRASIL ESTÁ AI PARA ISTO MESMO, SOCORRER TODO O MERCADO MUNDIAL QDO FOR NECESSARIO.RS,RS,RS