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Celso Ming
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Celso Ming

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Ficou para abril

17 de março de 2010 | 20h48

Celso Ming

A principal conclusão que se pode tirar da decisão do Copom, que manteve hoje a temporada de pausa na sua política de juros, é a de que o Banco Central está rachado tanto no diagnóstico da inflação como no que teria de ser feito para atacá-la.

A votação por 5 votos a 3 está dizendo que bastaria a mudança de voto de apenas um diretor do Copom para que a contagem terminasse empatada.

De todo modo, prevaleceu o ponto de vista de que ainda não dá para avaliar a natureza da inflação que voltou a decolar. Há boas razões para apostar em que ainda se trata de uma estocada episódica dos preços, devido a fatores sazonais, como reajustes na virada do ano ou do encarecimento de produtos agrícolas em consequência do excesso das chuvas deste verão e não de uma inflação provocada por uma demanda aquecida sem que a oferta da economia tenha condições de atendê-la.

O Banco Central está dizendo também que é preciso esperar até abril para mudar a política, se for o caso de mudá-la. A principal consequência desse adiamento é a de que um eventual combate à inflação terá de concentrar-se no período pré-eleitoral e, ainda assim, o Banco Central pode enfrentar o risco de chegar às vésperas das eleições sem ter o serviço concluído.

Também ficará para abril a decisão final sobre a dosagem desse reforço. Os três votos dissidentes queriam para já uma estocada de meio ponto porcentual. Isso parece indicar que não há a opção pelo tratamento gradativo. Se a decisão for a de agir, ficou mais provável que a alta dos juros básicos (Selic) será de meio ponto porcentual. Ainda assim, ficará de pé o inconveniente de ter de prolongar demais o tratamento, o que não deixaria de ser fator de desconforto para um governo empenhado em eleger seus candidatos.

Pode parecer estranho que elementos do jogo político sejam evocados na análise da definição do patamar dos juros básicos. É possível que nenhuma consideração política propriamente dita tenha sido feita nessa hora pelos membros do Copom. Mas, ainda que esse passo seja decidido apenas por critérios técnicos, será inevitável levar em conta suas consequências políticas.

Até quem é contra o sistema de metas ou contra a maneira como tem sido aplicado no Brasil concorda em que a alta dos juros funciona. É como antigamente se dizia: o que arde cura. Dói, leva certo tempo para produzir efeitos (de seis a nove meses), mas contém a disparada dos preços. Em todo o caso, tanto a dor como a cura ficam para depois.

O crescimento econômico deste ano, projetado em alguma coisa em torno dos 6%, não será prejudicado. Mesmo se vier um aperto mais forte em abril, não há por que temer por certo impacto no emprego.

Provavelmente, no exterior, a manutenção dos juros será entendida como indicação de que um importante país emergente continuará a importar no ritmo em que importou até agora e, nessas condições, não deixará de contribuir para a retomada da atividade, numa economia mundial ainda convalescente.

No mais, nova alta dos juros não precisaria acontecer nem em abril se o governo Lula tivesse mantido a disciplina fiscal nos torniquetes de antes. Como soltou as despesas correntes (que crescem a 17% neste ano), sobrou para o Banco Central a tarefa ingrata de arrumar a casa.

Confira

 

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 Comemoração – O ministro do Trabalho, Carlos Lupi, está festejando o recorde do aumento dos postos de trabalho em fevereiro, que foi de 209,4 mil vagas. E já anunciou que este vai ser o melhor março da história, também em aumento do emprego com registro em carteira.

Nada a contestar. O ministro tem toda a razão para comemorar. No entanto, esse ritmo do aumento do emprego não é sustentável. É apenas o resultado da disparada das despesas correntes do governo federal, ao ritmo de 17% ao ano, que não pode se repetir impunemente.

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8 Comentários Comente também
  1. Enviado por: toldos

    Caro Celso, poderia comentar como o aumento da Produtividade (e da produção) e da Competitividade poderia auxiliar a se manter inflação controlada? E como a eliminação dos incentivos à compra de carros poderia ajudar no controle da inflação? Grato!

  2. Enviado por: Ademir

    Concordo com o comentarista, este ritmo de criação de empregos não é absolutamente sustentável, foi algo atípico, os serviços em função do carnaval exigiram mais mão de obra que o normal, bem como a indústria de transformação registrou recorde porque os estoques acabaram. Isto não irá se repetir, na verdade, nem os trabalhadores que ingressam agora no mercado estão conseguindo vagas, mesmo sujeitando-se a salários menores, como se verifica na iniciativa privada hoje. A menos que o governo continue com sua politica eleitoreira e suicida de contratações explosivas, logo veremos a retração de empregos.

  3. Enviado por: Clever Mendes de Oliveira

    Celso Ming,
    Interessante o seu comentário, principalmente a parte referente a geração de postos de trabalho, mas deu-me a impressão que você é contra a geração de empregos.
    Bem talvez eu tenha entendido errado, mas você culpa o governo pelo aumento desenfreado de postos de trabalho. É por isso que eu fiquei sem entender. Deveria ser caso de elogio.
    De todo modo o governo deve utilizar essa sua análise para fazer proselitismo da atuação dele para enfrentar a crise.
    Quanto a taxa de juro, é preciso compreender que os três itens tem relação: emprego inflação e juro. Só que para o povo o que importa é a geração de emprego e a inflação. O juro incomoda a Avenida Paulista, mas a massa conhece mais a Dilma Rousseff do que a taxa de juro do Banco Central.
    Clever Mendes de Oliveira
    BH, 17/03/2010

  4. Enviado por: olmir

    Boa abordagem, dados muito interessantes. É de se acreditar que até a proxima reunião teremos um cenário mais favoravel, sendo possível que tenhamos até vetor diferente ao de hoje. Certo é que setores produtivos continuam precisando de mais disponibilidade de crédito e a juros menores, coisa importante inclisive para que possam passar a atuar mais intensamente no mercado exportador, pois vão precisar, mercado demosntra estar mais concorrido, e atuando em patamar mais elevado em termos de padrões, dai a nescessidade de se modernizarem, de serem mais ageís,e adotarem técnicas… O novo maior exportador esta se modernizando e se tornando mais copetitivo…

  5. Enviado por: Ricardo J.F.

    Caro Ming

    Na leitura do texto, e observar que a preocupação em aumentar ao taxa de juros se tornou uma aposta de momento, me vem uma pergunta. Os empresários sempre pediram juros menores para poderem investir e aumentar a produção. Por que agora vejo uma corrente em solicitar o aumento dos juros e inibir o crescimento que tanto esteve atrelado aos valores das taxas de juros cobrados no Brasil? Ler também que a demanda causada pelo aumento de postos de trabalhos de hoje estão se tornando algo muito mais prejudicial do que benéfico, é realmente algo impensável no sistema capitalista. Afinal, o sistema necessita de consumidores capitalizados para impulsionar a roda da própria economia. Mas dirão que o problema aumento de consumo exerce forte influência nas contas externas, onde as importações estão alterando o fluxo de capital externo, tornando maior a sida do que a entrada deste. Bom, não sou economista, mas importações de maquinas e equipamentos são investimentos, promovem o crescimento e atualização do parque industrial para melhor competitividade, estou certo? Logo este fluxo viraria positivo com a retomada de economias hoje em crise, se tornando mal necessário, neste instante par ganhar em futuro breve. No entanto poderíamos corrigir distorções neste quesito evitando importações desnecessárias como bens de luxo e perfumarias, que cresceram a taxa nunca vistas, evitaríamos a sangria nas contas externas e assim dar uma respirada para que a taxa de juros não se elevasse aos patamares anteriores. Chegar aqui foi difícil, voltar para os 2 dígitos novamente seria uma perda de tempo, retardando decisões dos investimentos dos quais o pais tanto precisa. Gostaria de ler sua visão, caro jornalista, sobre as indagações que faço.

  6. Enviado por: daniel

    Menos mal que o BC preferiu analisar melhor a situação ao invés de precipitar o ajuste por questões meramente eleitoreiras, parece mesmo que o BC está adquirindo certa independencia…

  7. Enviado por: Roberto Campos

    Nada como uma análise bem fundamentada e serena das evidentes e inevitáveis implicações políticas desse “adiamento” da decisão já efetivada pelos mercados futuros de juros. Excelente trabalho Ming!
    Só resta saber se a administração petista, contumaz da manipulação ampla e irrestrita, ousou macular essa verdadeira procrastinação pela diretoria do BACEN com apoio à candidatura do Sr. Henrique Meirelles. Agradeço qualquer reportagem com investigação a respeito.

  8. Enviado por: augusto

    BEM SE A INFLAÇÃO CONTINUAR FORTE COMO TODOS JÁ PUDEREM SENTIR NA CARNE, SEM DÚVIDA A POPULARIDADE DO NOSSO PRESIDENTE COMEÇARÁ A CAIR. SÓ OS EMPRESARIOS QUE AUMENTAM SEUS PREÇOS CONTINUAM A DIZER QUE NOSSA INFLAÇÃO ESTA BAIXA. DESCULPEM POIS ESQUECI DOS JORNALISTAS A FAVOR DESSES EMPRESARIOS

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