ir para o conteúdo
 • 

Carlos Orsi

01.junho.2010 07:10:18

Morte por meteorito?

Um novo estudo astronômico indica que pode haver uma população de asteroides na vizinhança da Terra de cuja existência não fazemos — ou não fazíamos — a mínima ideia. A possível presença desse enxame invisível foi deduzida a partir de algumas características da superfície lunar.

A correlação em si é bem elegante (dá para ler o “paper” aqui). Se a hipótese vai se confirmar ou não é, claro, outra história. Mas os cálculos ajudam a (re)abrir uma questão interessante: afinal, qual a chance de se morrer numa queda de meteorito?

É um problema tão instigante quanto difícil de tratar. Por exemplo, o único registro histórico comprovado que conheço, de um ser humano atingido por um meteorito legítimo (em oposição, digamos, a um pedaço de lixo espacial), é do Estado de Alabama, nos EUA.

Ann E. Hodges (1923-1972) foi atingida no quadril por uma rocha espacial de quatro quilos em 30 de novembro de 1954. E sobreviveu. Portanto, a taxa de mortalidade em encontros registrados entre humanos e meteoritos é exatamente zero.

Trata-se, evidentemente, de uma leitura insatisfatória dos dados. É como dizer que a única pessoa que conheço que já encontrou um urso polar sobreviveu, logo ursos polares são inofensivos. As coisas não funcionam bem assim, e um bom exemplo disso é o dano causado pelo Meteorito de Peeskill a um Chevy Mailbu em 1992, na cidade de Peeskill, EUA. Confira a foto abaixo.

Carro atingido por meteorito. Imagem: AP

Carro atingido por meteorito. Imagem: AP

Parece óbvio que se o porta-malas fosse a cabeça ou o torso de um ser humano, o resultado teria sido trágico. De qualquer forma, o total de dois impactos famosos e não fatais ao longo de todo o século 20, num país de dimensões continentais como os Estados Unidos, sugere um risco extremamente baixo.

(Adendo: a Associação Internacional de Colecionadores de Meteoritos conta 14 informes de pessoas supostamente atingidas nos últimos 1.200 anos. Isso dá 0,012 pessoa/ano. A taxa vem aumentando, provavelmente não só porque mais informes chegam a ser divulgados, mas também porque é cada vez maior a área do planeta onde há gente para ser atingida).

Mesmo levando em conta a possibilidade de haver mais casos que não foram reportados, a taxa de acidentes envolvendo pessoas e meteoritos certamente é muito menor, por exemplo, que a de mortes por raio.

Por sua vez, o astrônomo Phil Plait lembra que, se o risco de uma pessoa acabar atingida diretamente por um meteorito é desprezível, o risco de morrer vítima  da queda de uma rocha espacial não é de todo desdenhável. Isso porque meteoritos muito grandes podem acabar matando muita gente.

Uma rocha espacial de quilômetros de diâmetro não precisa acertar ninguém exatamente na cabeça para dar cabo de populações inteiras.

Além disso, grandes impactos são praticamente inevitáveis. Então, supondo que você pudesse viver para sempre, cedo ou tarde um monstro desses, capaz de varrer a biosfera do mapa, acabaria aparecendo. Chance de 100%.

Como viver para sempre é meio difícil, Plait estimou que a chance de uma catástrofe cósmica ocorrer durante os 70 anos da duração, digamos, “normal” de uma vida humana é 1 em 1,5 milhão. É baixa. Mas é ainda maior que a chance de ganhar na Mega Sena!

comentários (28) | comente

  • A + A -
28 Comentários Comente também
  • 01/06/2010 - 09:24
    Enviado por: Tetsuo Shimura

    “…num país de dimensões continentais como os Estados Unidos, sugere um risco extremamente baixo.”

    Em inícios de 1990, um meteorito com aproximadamente 30cm de diâmetro caiu no Japão, sobre uma casa de dois pisos; a rocha espacial varou o telhado, o piso do andar superior e provocou uma pequena cratera no piso ao nível do solo. Ao passar pelo piso superior, atingiu exatamente a área onde o proprietário da casa costumava dormir (no Japão dorme-se sobre colchonete colocado sobre o priso de tatami); felizmente o homem já estava acordado e fora desta área.

    Agora, a coisa mais incrível ou acredite quem quiser, é que êle tinha um seguro contra objetos caídos do espaço. Se imaginarmos que 3/4 da superfície da Terra é água e, que, o território do Japão em relação ao restante 1/4 da superfície deve equivaler a número como 0,01%, o japonês foi até bastante sortudo. Se estivesse no Brasil, equivaleria a ganhar sozinho na Mega Sena quando estivesse acumulado em mais de R$ 200 mi.

    responder este comentário denunciar abuso

    • 01/06/2010 - 09:46
      Enviado por: Carlos Orsi

      No caso do Japão, a questão da densidade demográfica deve tornar-se importante: afinal, dado que um meteorito vá cair nas ilhas, qual a chance de ele atingir uma área desabitada?

      responder este comentário denunciar abuso
    • 01/06/2010 - 11:17
      Enviado por: tranks

      hahahaha.
      se fosse no brasil o cara teria morrido. Japones gosta de trabalhar, aqui, de vadiar…..

      responder este comentário denunciar abuso
  • 01/06/2010 - 09:26
    Enviado por: João Simoncello Filho

    teste tetsste est

    responder este comentário denunciar abuso

  • 01/06/2010 - 09:27
    Enviado por: João Simoncello Filho

    O seu sistema está com bug. Nem sei quem é João Simoncello, mas os dados dele estão aqui no meu computador. Só estou navegando no blog.

    responder este comentário denunciar abuso

  • 01/06/2010 - 09:28
    Enviado por: João Simoncello Filho

    Cuidado ao deixarem comentários no estadao.

    responder este comentário denunciar abuso

  • 01/06/2010 - 09:30
    Enviado por: Carlos Orsi

    Encontrei uma página online que parece registrar todos os “contatos imediatos” entre seres humanos, animais, artefatos e objetos caídos do céu:

    http://imca.cc/old_site/metstruck.html

    Eles reproduzem, com ressalvas, a história do cão morto por impacto no Egito no início do século passado.

    responder este comentário denunciar abuso

  • 01/06/2010 - 09:51
    Enviado por: Nilto Menelli

    Já que estamos nesse assunto. Algo me intriga e peço auxílio aos entendidos. Mais meteoros caem no hemisfério norte que no sul? E mais, estando o Sol em movimento em determinado sentido e levando consigo a família de corpos que o circunda, qual a direção que a Terra assume? Está na frente o polo Sul ou o polo Norte? Isso tem a haver com o buraco de ozônio? Com a distribuição das massas sólidas da superfície terrestre? Alguém pode achar surpéfluas essas curiosidades. Pode ser. Não sei. Mas que me deixa pensando, me deixa.

    responder este comentário denunciar abuso

    • 01/06/2010 - 11:47
      Enviado por: Bruno

      Nilto, não quer dizer que caiam mais meteoros no hemisfério norte do que no hemisfério sul… Mas a parte de terra do planeta fica quase toda no hemisfério norte, cerca de 70% (69,72%). Então, a probabilidade de cair no hemisfério norte, em um ponto que as pessoas percebam e relatem a queda, é maior. Em relação ao percurso do sisema solar no universo, o Sol está em órbita em torno do centro da Via Láctea, e a Terra, em torno do Sol, e os meteoros próximos à Terra também estão em órbita em torno do Sol. As chances de se chocarem com o polo norte ou com o polo sul é a mais remota do que com a linha do Equador, porém, com a inclinação do eixo da Terra, o polo que fica “na frente” durante o movimeno de translação se alterna durante o ano. Não tem relação direta com o buraco na camada de ozônio (isso é coisa de ser humano, fomos nós que fizemos esse buraco). E esses ângulos, órbitas, desvios e tantas coisas não tão regulares, não tem tanta ligação com a superfície da Terra, já que o núcleo (que é maior que a Lua) é feito de ferro sólido, e em volta do núcleo, ferro líquido, Portanto, quase todo o peso do planeta está no núcleo (é como revestir com borracha, uma esfera de aço, jogá-la para o alto e dizer que ela mantém a rota – seja qual rota ela tiver – devido à borracha.)

      Sou curioso, não especialista, mas espero ter respondido.

      responder este comentário denunciar abuso
  • 01/06/2010 - 13:28
    Enviado por: Nilto Menelli

    Sr. Bruno,
    Primeiramente agradeço a resposta. No entanto, desculpa se não fui claro. Quiz dizer o seguinte: o plano das órbitas dos planetas, e mais o menos a maioria dos corpos que os acompanham, formam uma família mais o menos, diremos, chata. Uma forma de prato.Esse plano acompanha o Sol em seu percurso no espaço como se fosse um disco voador. À semelhança das galáxias. Pelo que sei elas não andam de lado. Bom, vamos à pergunta central: O polo norte, como mostrado nos mapas, ou o polo sul, é que fica à frente desse plano, digo melhor, qual polo está na parte do plano que se desloca pra frente acompanhando o Sol? Creio que isso tem muita importância, pois a inércia exercida sobre o planeta repercute intensamente nele.

    responder este comentário denunciar abuso

  • 01/06/2010 - 14:05
    Enviado por: Daniel Elesbão

    Lembrando o célebre episódio dos aerolitos.

    Oito coincidências podem acontecer em qualquer lugar do mundo…

    responder este comentário denunciar abuso

  • 01/06/2010 - 14:20
    Enviado por: marcos vinicius

    O tal de bruno complicou de vez nesta segunda intervenção. Queria até dar uma opinião a respeito do assunto, mas desta forma ficou muito dificil, virou samba do crioulo doido.
    marcos

    responder este comentário denunciar abuso

  • 01/06/2010 - 14:25
    Enviado por: Carlo

    Caro Carlos Orsi,

    Recomendo estudar mais análise combinatória para não incorrer em futuros equívocos em seus pensamentos.
    As chances de se acertar na Megasena com um cartão de 6 dezenas são C(60 6) = 50.063.860 ou seja, um pouco maior que 1,5 milhão como afirmou no parágrafo final.

    responder este comentário denunciar abuso

  • 01/06/2010 - 14:26
    Enviado por: Adriano Axel

    Sobre a taxa reportada de acidentes…

    São 14 informes de pessoas supostamente atingidas nos últimos 1200 anos. Acreditando neste número, e normalizando-o com a evolução da população mundial nos últimos 1200 anos…

    Se a população fosse sempre de 6 bilhões de pessoas nesses últimos 1200 anos, esperaríamos que fossem 106 informes de pessoas atingidas, ao invés de 14, o que levaria a uma taxa de 0,09 pessoa/ano atingida. (o que talvez seja próximo da taxa atual, portanto com 1 pessoa atingida a cada 11 anos, aproximadamente).

    Porém as pessoas são gregárias demais… Não se distribuem homogeneamente ao redor do globo; se concentram em grandes cidades… Então creio que o risco de alguém ser atingido por pequenos meteoritos NÃO seja proporcional à população total…

    responder este comentário denunciar abuso

  • 01/06/2010 - 14:40
    Enviado por: Elza Soares

    que comentarios mais loucos… fiquei extremamente confusa… vamos ser atingidos dai mais ou menos uns 30 anos!!!!!!!!!!HHAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA socorrro

    responder este comentário denunciar abuso

  • 01/06/2010 - 15:32
    Enviado por: Jorge de Lima

    Posso trocar a minha chance de ser atingindo por um metereorito pela chance de acertar sozinho na mega-sena? Com quem eu devo falar?

    responder este comentário denunciar abuso

  • 01/06/2010 - 17:06
    Enviado por: Rômulo Ribeiro

    Eu acho mesmo é que a Estação Espacial Internacional está sendo construída pra fugir de uma catástrofe dessa…

    responder este comentário denunciar abuso

  • 01/06/2010 - 17:11
    Enviado por: ROMÃO ORLANDO MARAN

    Então a chance da Dilma morrer com uma metereozada é mais de 50 milhões? tamo fu…

    responder este comentário denunciar abuso

  • 01/06/2010 - 20:48
    Enviado por: Eu mesmo

    É fácil culpar meteoritos……….mas um exemplo: Ao invés de averiguar quantas pessoas morrem por ano por causa de meteoritos, que tal promover idéias de como não morrer no trânsito, ou por armas, etc……meu ponto: qual chance é maior, de ser atingido por um carro ou um meteorito?

    responder este comentário denunciar abuso

  • 02/06/2010 - 03:27
    Enviado por: David

    Em compensação, a chance de cair um raio na cabeça oca de uma das olavetes raivosas que infestam o Brasil é bem considerável. Ponto pra Dilma e pra Humanidade em geral. :-D

    responder este comentário denunciar abuso

  • 02/06/2010 - 08:11
    Enviado por: Michel

    Prezado Calos Orsi

    Gostaria de tirar uma dúvida. Até onde sei, há uma diferença entre meteoróide, meteoro e meteorito. Meteoróide é uma pequena rocha (do tamanho de grão de poeira, grão de feijão), resto da formação do sistema solar que, ao adentrar na atmosfera da Terra, é destruída pelo atrito dos gases atmosféricos causando o fenômeno luminoso conhecido popularmente por “estrela cadente” ou, cientificamente, por meteoro.

    Meteoro é uma palavra que vem do grego e significa aproximadamente “fenômeno no céu”. Portanto, meteoro não cai, meteoro é um fenômeno luminoso que ocorre na atmosfera terrestre.

    Se a rocha que vem do espaço for grande ou compacta o suficiente para não ser destruída na atmosfera e ela cair na superfície, ao encontrá-la, esta será denominada de meteorito. Desta forma, meteorito não cai, meteorito é a rocha espacial que já caiu.

    Pelo meu ver, há muita confusão sobre isto. Alguns termos como “caiu um meteoro” já faz parte do linguajar da população.

    Não há um concenso, até onde sei, sobre o valor para se denominar ‘isto é um meteoróide ou asteróide’. Você poderia dizer algo a respeito?

    responder este comentário denunciar abuso

    • 02/06/2010 - 10:25
      Enviado por: Carlos Orsi

      Oi, Michel! diretamente do Houaiss:

      Meteoro (2a acepção): rastro luminoso presente na atmosfera terrestre quando ocorre atrito entre um meteoroide e os gases desta atmosfera; estrela cadente.

      Meteoroide (acepção astronômica): qualquer massa sólida, maior que uma molécula e menor que um asteroide, que se desloca no espaço cósmico

      Meteorito: fragmento de meteoroide que cai sobre a superfície da Terra; astrólito; fragmento de um meteoroide que atravessa a atmosfera terrestre

      responder este comentário denunciar abuso
    • 02/06/2010 - 10:50
      Enviado por: Luiz

      Também quero dar minha opinião sobre o quanto ser atingido por meteoritos e outros.
      Se voces querem saber a imensidão de pessoas que foram atingidas de uma só vez por uma chuva de meteoros, dêem uma lida nas escrituras sagradas em: livro de Josué cap. 10 verso 11 (antigo testamento), que dará uma nova percentagem.
      E isto dará de entender que com “DEUS não se brinca”.
      E também se a chuva de saraiva parou, porque o homem creu em Deus, e Ele nos pregou o salmo 121. E disse também em proverbios, que, por virtude de homens prudentes e entendidos, a terra continua.

      Vivam sem receio desses incidentes, servindo a Ele.

      Um bom conselho: Leiam as escrituras sagradas, por nela vós cuidais ter a vida eterna. Deus seja louvado.

      responder este comentário denunciar abuso
  • 18/06/2010 - 16:04
    Enviado por: betocash

    Te dei o sol, te dei o mar
    Pra ganhar seu coração
    Você é raio de saudade
    Meteoro da paixão
    Explosão de sentimentos
    Que eu não pude acreditar
    Ah! como é bom poder te ama

    responder este comentário denunciar abuso

Deixe um comentário:

Arquivos

Blogs do Estadão