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Carlos Orsi

30.novembro.2009 20:55:15

E o frio aumenta (2)

Desta vez, o gelo está, literalmente, esgueirando-se pela porta:

snow

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Está nevando muito hoje, com ventos cada vez mais fortes. Como resultado, a estação antártica está ainda mais enterrada em gelo do que ontem. As fotos abaixo mostram a vista da janela da biblioteca de Ferraz, apontando para o heliponto, há alguns minutos e dias atrás.

helipresente

helipassado

Cientistas que dependem da coleta de material em campo para realizar seus estudos estão decepcionados com o mau tempo num ponto tão avançado da temporada. A neve impede que algumas espécies de ave façam ninho e ponham ovos, por exemplo; e um tempo tão ruim chega a tornar impossível o trabalho do lado de fora da estação.

Alguns pesquisadores analisam a possibilidade de que o inverno antártico prolongado esteja sendo causado por uma baixa na atividade do Sol — hoje, o mapa de manchas solares na internet mostra o sol lisinho, sem nenhuma mancha. A atividade solar segue ciclos de aproximadamente 12 anos, e a próxima máxima solar deve acontecer em breve.

Depois do faxinão da manhã (no qual descobri que toalha é o pano ideal para esfregar revestimentos de fórmica e que não se devem lavar as grades do forno de pão com detergente, porque senão a fornada seguinte gruda), foi realizado um treinamento de combate a incêndio na estação.

fire

Foi uma oportunidade interessante para as equipes de vídeo que estão aqui, com toda a atividade frenética e o pessoal paramentado para a emergência, mas fui lá fazer uma foto, que é a que aparece aí em cima.

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30.novembro.2009 07:21:45

Frio e faxina

O dia amanheceu (se é que que “amanhecer” se aplica a uma situação onde nunca de fato anoitece) frio como ontem, mas com menos vento, pelo menos até agora. Há a possibilidade de o tempo abrir de tarde, e por isso o faxinão — uma grande limpeza geral da EACF, num esquema de mutirão simultâneo envolvendo todos os ocupantes — foi marcado para logo depois do café da manhã, que termina às 8h. Minha equipe é a responsável pela faxina da padaria: Ferraz tem forno próprio para assar pão.

entrada

Depois da faxina quero ver se completo os vídeos sobre a pescaria de anteontem — domingo consegui registrar um dos peixes capturados sendo dissecado — e, se o tempo ajudar, dar uma voltinha lá fora. Também no domingo, um grupo de pesquisadoras apresentou o primeiro boneco de neve do ano, mas já era tarde da “noite” e eu estava sem a máquina fotográfica na hora. Uma oportunidade perdida.

lafora1

Amanhã, tenho que cumprir serviço na limpeza de um dos dois banheiros masculinos de Ferraz. Ao contrário do serviço de cozinha, no entanto, o de banheiro consome apenas uma ou duas horas pela manhã, e não requer disponibilidade para o dia todo. Se sobreviver, conto como foi.

lafora2

O NAp Oc Ary Rongel já partiu de Punta Arenas, e deve chegar à Ilha Rei George nos próximos dias. Se conseguir esvaziar seus porões, será um alívio para muitos cientistas que aguardam material estocado na embarcação para dar prosseguimento a suas pesquisas.

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Os gols do Flamengo sobre o Corinthians, incluindo a marcação do pênalti, e o avanço do Goiás para cima do São Paulo foram efusivamente comemorados aqui na Estação Antártica Comandante Ferraz. A sensação térmica dentro da EACF aumentou um bocado quando saiu o primeiro gol rubronegro — e ainda mais, nos tentos do Goiás que vão afastando o São Paulo do título.

mengo

Não que não haja torcedores de outros times por aqui, mas os flamenguistas são os mais bem organizados, os que mais festejam e os que acompanham a rodada mais atentamente, até agora. Além de terem sido os únicos a estender uma bandeira sobre uma das janelas da estação.

mengo1

mengocelebra

Após o fim do jogo, um grupo de cientistas gaúchos passou a acessar pela internet os detalhes do jogo do Internacional, que bateu o Sport por 2 a 1. Corintianos e sãopaulinos manifestaram-se muito timidamente.

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29.novembro.2009 15:02:16

E o frio aumenta

Com ventos de 40 nós (algo entre 70 km/h e 80 km/h), a sensação térmica lá fora chega a menos de 20 graus negativos. Abaixo, uma imagem da mesma janela fotografada na postagem desta manhã:

janela3

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29.novembro.2009 08:23:54

Tempo e temperatura

Riccardo pergunta sobre a temperatura por aqui. Ela anda oscilando em torno do zero grau – a previsão para hoje é de -1°C a -1,5°C. Mas a sensação térmica é muito pior, principalmente em dias de vento forte, como hoje. Com o vento previsto para esse domingo – de cerca de 15 nós (entre 20 km/h e 30 km/h) – a sensação térmica pode cair a até -16° C.

(Dentro de Ferraz, a temperatura é constante, em torno de 20 e poucos graus)

Essas médias, no entanto, não refletem a variabilidade da temperatura e da sensação térmica no continente gelado. Aqui, o tempo pode mudar muito e muito depressa.

Ontem, durante a pescaria, depois de me enfiar num mustang (macacão especial para expedições de barco, que tem flutuabilidade e isolamento térmico, dobrando como agasalho e salvavidas) emprestado pelo chefe de Ferraz, senti calor a ponto de suar – fazendo o bloqueador solar que havia passado escorrer sobre meus olhos, o que arde pra burro - e um frio congelante que me fez desejar do fundo do coração um par de luvas mais grosso, tudo num intervalo de menos de duas horas.

Um dos principais fatores envolvidos na mudança do tempo é, exatamente, o vento. Um dos pioneiros da exploração antártica, Apsley Cherry-Garrard, que participou de uma expedição ao polo sul em 1910, escreveu em suas memórias da viagem que muitas vezes ele e seus companheiros tinham de se inclinar tanto para a frente para caminhar contra o vento que, quando parava repentinamente de soprar, eles caíam todos de cara no gelo.

A Antártida tem os chamados ventos catabáticos, gerados quando massas de ar frio se acumulam nos pontos mais elevados do relevo até que, literalmente, ficam pesadas demais e começam a rolar ladeira abaixo. São verdadeiras avalanches de ar denso.

Por tudo isso, velocidade do vento é, junto com visibilidade, um dos critérios usados pelo chefe da EACF para decidir se uma expedição ao exterior da estação pode ou não ser realizada num dado momento. As mudanças de visibilidade são surpreendentes: normalmente, aqui de onde estou sentado, na sala de estar da estação, é possível enxergar claramente o outro lado da Baía do Almirantado. Hoje, está tudo tomado pela neblina cinzenta, como se vê nas imagens abaixo, a primeira feita ontem e a segunda, hoje, com um intervalo que não chega a 30 horas:

diabom2

diafechado

Mas o tempo em Ferraz deve esquentar um pouco mais à tarde, com a rodada do campeonato brasileiro. Aqui temos muita gente interessada nos jogos, de corintianos a flamenguistas: boa parte do pessoal da Marinha na estação é do Rio de Janeiro ou torce para times cariocas. Ainda não encontrei sãopaulinos por aqui, mas há pelo menos uma corintiana, argentina de nascimento. Detalhes da repercussão da rodada no posto brasileiro do gelo seguem à tarde.

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Quando estava saindo para pegar o bote que levaria a mim e um grupo de pesquisadores para uma pescaria – não estávamos em busca do almoço, mas sim de animais para estudos científicos – consegui fazer mais algumas imagens da área em frente de Comandante Ferraz, aproveitando o bom tempo que, segundo a meteorologia, não vai durar muito.

ferraz1

Fotografar a base em si continua a ser bem difícil, porque ela ainda está encapsulada em neve: quem precisa sair com equipamentos mais pesados está usando a garagem, porque a porta principal só está acessível por um buraco cavado no gelo. O pessoal mais acostumado às condições antárticas comenta que este ano o degelo está demorando um pouco mais para ocorrer. O piloto do Hércules que nos trouxe à Ilha Rei George disse que é raro ainda haver gelo na pista depois de 15 de novembro, como foi o caso.

ferraz3

Na imagem acima, é possível ver, à esquerda, uma faixa estreita do teto da estação aparecendo por cima da camada de gelo.

ferraz2

O pesquisador Edson Rodrigues, na imagem acima preparando-se para subir no bote, liderou a expedição de pesca. Nessa viagem aprendi a pescar com molinete – não peguei nada, e minha linha ainda enroscou-se na do professor, que foi gentil o suficiente para desembaraçá-las sem me mandar voltar a nado.

A bateria de minha câmera fotográfica entregou a alma durante a viagem de bote, e por isso só consegui fazer uma imagem do percurso – mas registrei a viagem em fita de vídeo. Se o pessoal da TV Estadão conseguir salvar algo da minha metragem, o material estará disponível no mês que vem, depois da volta. A foto que saiu é esta aí embaixo, com o mini-iceberg em primeiro plano:

pesca

Voltamos da pescaria ainda a tempo de eu me integrar à equipe encarregada do almoço de hoje. Para a felicidade de todos a bordo, não cozinhei, apenas ajudei a abastecer o buffet com o que já estava pronto e, depois, na limpeza. A imagem abaixo registra minha atividade frenética na limpeza do refeitório:

faxina

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28.novembro.2009 09:04:19

Festa, cozinha e pesca

Ontem à noite tivemos a festa de aniversário de um pesquisador que se encontra na estação, uma das raras oportunidades onde o consumo de bebida alcoólica é permitido em Comandante Ferraz. A comemoração começou às 22h, e não muito depois disso o pessoal resolveu pôr cerveja para gelar lá fora – literalmente. Na sequência de imagens abaixo, um bravo colega da imprensa enfrenta a fúria dos elementos para honrar a tradição (aviso: nenhuma bebida alcoólica foi consumida durante o registro destas imagens).

cerva1

cerva2

cerva3

Hoje, o dia amanheceu ensolarado. Compare, por exemplo, a foto que fiz há pouco com outra de um post anterior:

ensolarado

Também neste dia de sol, a estação recebeu visistas:

visita

 

Hoje estou de serviço na cozinha, ajudando a pôr as mesas e a lavar louça – Ferraz tem uma escala de tarefas domésticas que envolve todo o pessoal alojado, sejam militares, cientistas ou jornalistas. Consegui uma dispensa do trabalho no almoço para poder acompanhar um grupo de pesquisadores que sairá de bote às 10h da manhã para tentar capturar alguns peixes, mas já trabalhei no café e voltarei para me ocupar na janta.

Depois, conto como foi a pescaria.

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Os dois navios que a Marinha Brsaileira usa na Antártida, o Ary Rongel e o Almirante Maximiano, têm capacidade de abrigar até dois helicópteros. A diferença é que no Ary os helicópteros ficam embalados no convés, enquanto que o Maximiano tem hangar; além disso, o Max pode usar tanto helicópteros Esquilo quanto Bell Jet Ranger, enquanto que o Ary trabalha apenas com o Esquilo. Atualmente, o Max tem dois Esquilos a bordo.

Abaixo, algumas imagens das aeronaves – como os militares as chamam – no heliponto e no hangar do Almirante Maximiano:

helicop1

A foto acima mostra o helicóptero com a Ilha Pinguim ao fundo. Na quinta-feira, cientistas, jornalistas (não eu, que estava guardando minha coragem para o desembarque) e duas equipes de TV foram levados até lá e depois resgatados pelas aeronaves do navio. O tempo não estava muito bom, e a decisão de permitir que as equipes de filmagem seguissem para a ilha só foi tomada após muita deliberação.

helicop2

Esta foto, gentilmente tirada pela tenente Haynnee, da Marinha, mostra este blogueiro poluindo o que de outra forma seria uma bela imagem do helicóptero com o sol brilhando sobre o mar ao fundo.

helicop3

Este é o helicóptero dentro do hangar. Não havia muito espaço para bater a foto, e por isso não foi possível mostrar o aparelho por inteiro.

hangar2

Aqui, mais uma imagem da equipe do hangar realizando suas preparações enquanto as portas se abrem.

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Abaixo, algumas fotos feitas de dentro da Estação Comandante Ferraz. Para fotografar o corpo principal da EACF, terei de ir lá fora, o que pretendo fazer mais tarde. Como se vê, o tempo não está bom nem para pinguim, por enquanto…

foradentro1

foradentro2 

fora dentro3

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