Lanhouses a um passo da aceitação
- 22 de janeiro de 2011
- 15h48
- Por Murilo Roncolato

A partir da esquerda: Luiz Nelson Vergueiro, Nelson Fujimoro, Wagno Oliveira (AACID), Otávio Leite (PSDB-RJ) e Mario Brandão (ABCID). FOTO: Divulgação
Em uma mesa com deputados, membros do governo e de associações representativas do setor, o tema lanhouses foi exibido sem contrapontos, mas sim com uma longa exposição sobre as conquistas nos últimos tempos.
O relator do projeto nº 4.361 que modifica o parágrafo no Estatuto da Criança e do Adolescente que trata do funcionamento de lanhouses (chamadas de “casa de jogos”) chamou atenção para a mudança de visão sobre o conceito sobre elas. “Elas são centros de inclusão digital. Isso avança o modo como as lanhouses são discutidas pelo jurídico brasileiro”, diz.
Foi defendida ainda a proposta de isenção fiscal de equipamentos, softwares e outros tributos aos donos de lanhouses pelo governo. Para que tal ideia tenha efeito é preciso acelerar o processo de regularização e definição jurídica de um modelo de negócio, pondera Nelson Fujimoto, assessor de inclusão digital da presidência da república.
“As lanhouses não vendem só conexão. É preciso um enquadramento técnico para que eles possam receber linhas de crédito e incentivos vindos de fundos públicos”, disse Fujimoto.
Fujimoto disse que o processo de descriminalização de lanhouses já avançou e que o próximo passo é fazer com que as lanhouses sejam encaradas como parceiras da gestão pública pela inclusão digital.
Luiz Nelson Vergueiro, funcionário da Telebrás, comentou sobre as intenções de colocar as lanhouses como parceiras no Plano Nacional de Banda Larga e oferecer boas conexões a preços mais acessíveis, mediante (de novo) regularização dos estabelecimentos. Isso no contexto brasileiro que, segundo pesquisas, apontam que 90% das lanhouses estão na informalidade.
Mario Brandão, presidente da ABCID (Associação Brasileira de Centros de Inclusão Digital) lançou mais números ao debate. Segundo ele, 85% dos usuários de internet pertecentes à classe D e E o fazem por lanhouses. Enquanto apenas 10% da classe A e B se conectam desta forma.
Brandão reforçou a dificuldade em se mudar a imagem desses estabelecimentos e comentou sobre o erro de ver as lanhouses como inimigos. “Telecentros e lanhouses não excludentes. É impossível olhar só os perigos e ignorar os benefícios que as lans podem trazer”, afirmou.
O presidente da ABCID ainda lembrou que as lanhouses podem ser elementos importantíssimos para a educação do país. “Mas de que educação falamos aqui? Ninguém mais precisa decorar com a internet, temos que ensinar como relacionar fatos e a pensar de maneira mais ampla. É um novo momento”, disse.
Por fim comemorou a publicação nesta segunda-feira passada da revogação completa da lei carioca que impedia lanhouses de ficarem a menos de 1 km de “centros de ensino” no Rio de Janeiro.
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Curtinhas de sábado
- 22 de janeiro de 2011
- 10h46
- Por Murilo Roncolato
Garotas que programam
Pela manhã uma discussão sobre discriminação por gênero ocupou a área de Desenvolvimento. Com o microfone, Vanessa Garcia, do “Minha Carreira”; Cissa Gatto, organizadora do Dia de Java na UFSCAR; Monica Gagliardi, estudante de TI; e Caroline Souza, pós-graduanda em Projeto e Tecnologia de Banco de Dados. Entre os assuntos a divisão desequilibrada no mercado de TI, dominada por homens. O mesmo acontecendo em universidades e ambientes na rede: fóruns, twitter, grupos de discussões mais técnicas, etc. As reclamações ficam por conta da falta de respeito e pouca relevância dada à participação feminina nesses lugares. O problema “obriga” muitas delas a ter que mudar o perfil em fóruns (de programação, de jogos), em games multiplayer, etc. Na plateia, sociologas comentaram sobre pesquisas existentes e outras em produção atualmente sobre o tema; homens, convidados a participar, comentaram como o tema funciona em suas cidades e como as mulheres são tratadas em seus grupos. O pedido final foi voltado para os homens: “Falem sobre esse tema com seus amigos, será muito mais efetivo do que nós, feministas, falando”.
Creative Commons? Não sei
Paulo Teixeira, deputado federal do PT por São Paulo e futuro líder do partido na Câmara, subiu ao palco sobre políticas públicas para lanhouses e, após o discursar sobre o tema principal da mesa, aproveitou para fazer uma declaração pública sobre a retirada de licenças creative commons do site do Ministério da Cultura, gerenciado pela ministra Ana de Holanda. Teixeira disse não saber as razões que levaram a ministra a tomar tal decisão e que vai procurar saber, já que, politicamente, a orientação do governo vai na direção contrária, ou seja, a favor de políticas abertas e livres na internet. “Quero saber se houve algum problema jurídico, algum problema técnico… não sei”.
#CALOR A Arena ferve hoje. Não, não estou falando da energia dos campuseiros, flashmobs, grandes palestras, oficinas emocionantes ou games animados. É o clima mesmo. Ar condicionado e os vários ventiladores espalhados por todo o galpão não dão conta da altíssima temperatura aqui de dentro. Quem compartilha desse sentimento é ninguém menos que Al Gore. Ben Hammersley segredou hoje ao público que ouvia à sua palestra que o ex-vice-presidente dos EUA, “aquele assim, meio gordinho, sabem?”, reclamava constantemente do calor a Ben. “Ele só falava disso!”. Isso prova que Al Gore é um militante verdadeiramente contra altas temperaturas.
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Curtinhas de sexta-feira
- 21 de janeiro de 2011
- 22h47
- Por Murilo Roncolato
Medo de chuva Uma chuva pesada cai lá fora, com trovões inclusive atrapalhando algumas palestras. Os campuseiros começam a ficar inquietos. Um vento forte faz tremer todo o tecido que cobre lateralmente a Arena. É inevitável, o medo de queda de energia e internet volta à Campus Party. É claro que após a aquisição de geradores há uma segurança maior, mas gritinhos de “salva tudo”, “vai cair de novo”, “ajuda Santa Banda Larga” já ecoam pelos mesões.
E não é que caiu? Três minutos depois de escrever a nota acima, a energia caiu. Há ambientes com luz, mas apenas em alguns paineis, o estande da Telefônica, e o Palco Principal. De lá, Mario Teza, que mediava um debate, anunciou ao microfone (após várias tentativas de fazê-lo funcionar) que “essa merda não vai parar” e insistiu para que todos tenham calma. Nesse momento a chuva ecoa lá fora e muito respingo cai aqui dentro, molhando os computadores. Os campuseiros se levantaram e alguns já começaram protestos com as já conhecidas frases em seus notebooks..
Goteiras Em meio ao caos, com apenas algumas lâmpadas acesas, uma correria começa em função de goteiras e a chuva forte que, com o vento invade a Arena. Nesse momento a energia volta em algumas mesas. Mario Teza continua a discursar pedindo calma aos campuseiros. Alguns já circulam por aí com placas com as frases “nunca mais” e uma fila em procissão atrás, em silêncio.
Sai gerador, volta Eletropaulo Por volta das 16h30, Mario Teza, diretor do evento, anunciou pelo microfone que todos os paineis deveriam ser desligados para que os geradores fossem desligados e o evento pudesse voltar a usar a energia pública. O pedido demorou, mas foi atendido e a operação concluída sem ser notada. Mas os problemas de energia acabaram virando diversão e se tornaram mais um momento de brincadeiras e muitos “ÔÔÔ”.
Enchendo linguiça Ainda no palco, Teza precisava passar mais algum tempo enquanto as areas não desligavam os paineis. Para passar o tempo o diretor da CP falava sobre qualquer coisa, dava recados, conversava com pessoas que iam até o palco dizer alguma coisa. Até que ele anunciou o início de um “Parabéns para você” e disse que ele seria destinado a alguém que faria aniversário semana que vem: São Paulo. Puxou o coro e foi acompanhado por uns 50 admiradores, mas não conquistou mais ninguém. Sem sucesso, interrompeu a cantoria e, sem graça, desistiu do parabéns dizendo que “estava muito fraco”.
A chuva atrapalhou o Kassab
O prefeito da cidade de São Paulo viria para a Campus Party hoje, mas desistiu em função da forte chuva desta tarde. No lugar vieram dois secretários e um membro da Prodam-SP.
Assange em todo lugar
O Fórum Internacional de Software Livre em Porto Alegre (FISL) fez o convite impresso para a sua 12ª edição de uma maneira diferente: uma máscara de Julian Assange, o cabeça do Wikileaks. Em sua homenagem, ou só por pura diversão, centenas de campuseiros colocaram as máscaras atrás da cabeça dando a impressão de que Assange estava, metaforicamente, sempre de olho em todos. Sinistro.
Recorde mundial Um recorde mundial foi batido hoje na Campus Party. Uma multidão vestida com roupões brancos marchou pela Arena, passeata que asseguram que passará para o livro dos recordes como a maior reunião de pessoas vestindo roupões juntas do mundo.
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Os nerds têm poder
- 21 de janeiro de 2011
- 15h45
- Por Murilo Roncolato
A galera do Jovem Nerd subiu ao palco principal e arrastou uma multidão para ouvir o que eles tinham para dizer nesta tarde de sexta-feira, 21. Alexandre Ottoni (o Alottoni, Jovem Nerd, etc) e Deive Pazos (o Azaghâl, anão, enfim…) avisaram já no começo que haviam passado a madrugada em claro editando um novo nerdcast (podcasts que deram fama à dupla) e que não haviam preparado nada. Mesmo assim ninguém arredou o pé.
As cadeiras não foram suficientes, havia gente em pé, sentado no chão. Um mar de nerds ansiosos por seus ídolos (apesar de não se considerarem assim) ouviram por pouco mais de uma hora uma conversa quase motivacional sobre empreendedorismo, coragem e sucesso.
A dupla nerd começou mostrando um slideshow com imagens e personagens típicos da cultura nerd, como: o mangá Akira, imagens de O Senhor dos Anéis e Star Wars, recebidas com aplausos e gritos eufóricos. Em seguida, personalidades reais como Steve Jobs (aplaudido e vaiado), Mark Zuckerberg (mais vaiado do que aplaudido) e Steve Wozniak (palestrante de amanhã, aplaudido por todos).
Alexandre Ottoni explicou que as imagens serviriam para “testar o conhecimento nerd de cada um”. Já com um tom mais sério, disse que ter orgulho nerd não é apenas admirar e consumir a cultura nerd, mas usar tudo o que se sabe e se aprendeu.
“Todo aquele tempo dispendido lendo revistas em quadrinhos, jogando RPG, assistindo a O Senhor dos Aneis, não é tempo perdido. O nerd tem que ter o orgulho de usar toda a bagagem dele e aplicar em algo inovador”, disse Ottoni.
O Jovem Nerd chamou ao palco para dar seus testemunhos o empreendedor Marco Gomes, diretor da empresa de publicidade digital Boo-box, e Eduardo Spohr, amigo que escreveu um livro inicialmente vendido pela Nerd Store e depois adquirido por uma editora, chamado A Batalha do Apocalipse.
“O Eduardo era viciado em RPG, adorava criar histórias. Ele usou essa habilidade e escreveu um livro, que hoje já vendeu 70 mil cópias e logo mais estará indo para o exterior”, contou Ottoni.
A intenção era de mostrar duas provas vivas do “orgulho nerd aplicado” que deram certo.
Gomes foi o que mais chamou a atenção dos presentes e o que recebeu mais perguntas, com dúvidas sobre idade ideal e maneiras para empreender. Com apenas 25 anos, Marco contou que saiu de uma cidade pobre próximo a Brasília e, apenas com sua vontade de programar, teve a ideia de criar a sua própria empresa e, hoje, gerencia 30 funcionários.
“A mensagem central é: a gente não sabe o que vai acontecer daqui a 10 anos, mas a gente tem que começar agora”, finalizou o Jovem Nerd. Terminada a palestra, a multidão se levantou e aplaudiu euforicamente os autores do blog, emocionando Azaghâl.
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Geradores funcionam na Campus Party
- 21 de janeiro de 2011
- 14h58
- Por
A Campus Party teve nova queda de energia nesta sexta-feira, às 14h50. Felizmente, os novos geradores funcionaram reestabelecendo a eletricidade no local após alguns mintos de escuridão. A conexão com a internet também caiu, mas foi reestabelecida em cinco minutos.
Na última terça-feira, 18, ocorreram duas quedas de energia no evento. No dia seguinte, os organizadores trouxeram mais dez geradores e prometeram que não haveria mais apagão.
Atualizado às 17h: Às 16h30. o diretor do evento Mario Teza foi ao palco principal avisar que a energia foi reestabelecida e os geradores seriam desligados. Solicitou aos palestrantes que interrompessem suas atividades por alguns minutos para desligamento dos telões.
“Todo mundo salvando seu arquivos”, orientou e fez até uma contagem regressiva.
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O futuro dos tablets
- 21 de janeiro de 2011
- 12h16
- Por
Que o tablet é visto como o gadget do futuro, todo mundo sabe. Mas se habilitar a dar uma palestra sobre o futuro dos tablets é, no mínimo, uma ousadia.
Pois o diretor de operações da Pontomobi, Terence Reis, resolveu dissertar sobre o assunto nesta sexta-feira, 21, em um dos palcos de Inovação da Campus Party.
Começou, claro, por um slide “quem sou EU para falar disso” e dizendo que “quem souber exatamente qual é o futuro dos tablets, há vagas de CEO nestas duas empresas, Apple e Google”. (Coincidência ou não, nesta semana, Steve Jobs se afastou por motivos médicos e a Google trocou de CEO).
A análise feita pelo profissional de mobile marketing foi uma mistura de dados e experiências pessoais. Falou sobre o sucesso do iPad, que tinha como previsões mais otimistas 10 milhões de vendas e chegou a 13 milhões. E também sobre os aplicativos — afinal, é necessário conteúdo. Neste quesito, a App Store já tem 34 mil opções.
Para Terence, o iPad é um equipamento poderoso, amigável e com software personalizável. “O engenheiro terá um sistema específico. O médico terá outro”.
E, no fundo, virou o novo “faz-tudo”: livro, TV, revista e notebook. “A tendência é manter um PC em casa e usar o iPad no lugar do notebook”.
Experiência pessoal
Ao contrário das palestras sobre internet – onde “usabilidade” é igual a “minha mãe usa”, o palestrante usou como exemplo sua filha Catarina, de 3 anos. Em casa, ela se apropria do iPad do pai, já tem 128 apps (o favorito é o Cake Doodle), acessa YouTube e faz tudo sozinha.
“O toque e a navegação (drag & drop) são intuitivos. Quando minha filha vê meu laptop, quer tocar na tela e, como não responde, ela fecha e não quer usar”, diz. “É bom porque favorece o lado pedagógico. Não preciso mais comprar 40 caixas de brinquedos”.
Mudança de perfil
Obviamente, a palestra era de geek para geek, que são chamados no mercado de “early adopters”. Eles são 13,5% dos consumidores, mas criam demanda necessária para aumentar a escala, reduzir o preço dos novos produtos tecnológicos que, só assim, chegam à maioria dos consumidores.
Para Terence, no entanto, o iPad não seguiu este caminho, atingindo diretamente todos os consumidores (geeks e maioria). “O iPad parece um ‘iPhonão’. Essa familiaridade com um produto já existente eliminou a barreira para aceitação”.
Futuro à vista
Entre suas conclusões, o palestrante aposta no fim da interface, no uso de plataformas específicas para cada tipo de usuário (médico, engenheiro, entre outros) e no fim do uso do Google como página inicial pois “já teremos o que buscamos em nossos apps” e coloca algumas questões a serem resolvidas:
- O tablet será mais para diversão ou trabalho?
- Seria um smartphone esticado ou um PC encolhido?
- Será de plataforma fechada (como Apple) ou aberto (como Android)?
- A navegação será por Web ou aplicativos?
Alguém se prontifica a responder?
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Astronauta brasileiro também vai atrás de campuseiros
- 20 de janeiro de 2011
- 23h29
- Por
A presença do astronauta brasileiro Marcos Pontes na Campus Party, durante a quinta-feira, 20, não foi destinada apenas à sua palestra sobre robôs no espaço. O bauruense de 47 anos também foi ao evento para angariar possíveis candidatos para trabalhar na Agência Especial Brasileira (AEB).
“Temos pessoas formidáveis aqui. Hoje mesmo, encontramos três garotos que estão trabalhando com engenharia aerospacial”, diz o ex-piloto.
Marcos Pontes, para quem não sabe, foi o primeiro brasileiro a ingressar numa missão espacial, em 2006, ao lado de russos e norte-americanos da Nasa. Hoje, ainda tem sonho de voar novamente, mas diz que a probabilidade é muito baixa.
Nesse período, trabalha para a Agência Espacial Brasileira dentro da Nasa. E vem todo mês ao Brasil buscar e auxiliar na formação de novos profissionais. “Minha intenção é motivar crianças e aprofundar o conhecimento dos jovens. Colaboro lá na USP de São Carlos para o programa de Engenharia Aeroespacial”, destaca.
Questionado sobre a campuseira de 22 anos que foi trabalhar na Nasa, Pontes disse que existem vários meios de seguir para a estação espacial, incluindo o trabalho para empresas terceirizadas – que contratam estrangeiros.
“Mesmo pela AEB é possível realizar intercâmbio. Mas o importante é aprender lá e voltar para ajudar no desenvolvimento aqui no Brasil”, lembra o astronauta. “A meta da AEB é ser totalmente independente em termos de tecnologia, desde os componentes à construção dos foguetes”.
Para ser um astronauta brasileiro como ele, Marcos Pontes – que virou astronauta ao passar na única vaga aberta em concurso federal – dá os toques.
Militar? Não. É um cargo civil.
Formação acadêmica? Tem que ser em exatas ou biológicas. Pode ser desde engenheiro até médico, biólogo ou veterinário.
Pós-graduação? Mestrado conta pontos. Doutorado também. Se a tese for do ramo Aeroespacial, mais pontos ainda.
Experiência? Se trabalhou em agência como INPE ou AEB, mais pontos. Se souber paraquedismo, mais pontos ainda.
Físico? Não precisa ser atleta. Basta ter saúde normal sem fumar ou usar drogas.
Idade e gênero? Deve ter entre 25 e 45 anos, tanto faz se é homem ou mulher.
Mais alguma dica? Ter preparo emocional para saber trabalhar sob pressão em espaços minúsculos.
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Sinta-se em casa na Campus Party
- 20 de janeiro de 2011
- 19h34
- Por Murilo Roncolato
É claro que não há interesse único em meio a 6.800 pessoas, mesmo se tratando de um evento nerd como a Campus Party. Mas andando entre os mesões onde os campuseiros passam boa parte do tempo em frente aos seus PCs é visível a presença massiva de gente jogando games, conectadas no Twitter ou conversando com amigos (às vezes o seu vizinho de mesa) por MSN.
Curioso, já que são atividades que qualquer poderia simplesmente fazer em casa. Então por que vir até o Campus Party?
Fernando Rodrigues é de São Paulo e pediu um tempo antes de conversar comigo. Isso porque ele deveria ir para um lugar seguro com seu avatar no game Priston Tale (antes ele estava em uma floresta aberta, bem perigoso). Suas atividades com seu computador no mesão só se dão nos intervalos das palestras e oficinas. “O pessoal vem com a agenda feita, aí aproveita para jogar quando não tem nada para fazer. Eu também aproveito para baixar animes”, explica. Apesar disso, o elemento que o fez sair de casa e ir até o Centro Imigrantes é a interação. “É muita gente de muitas áreas, é diferente aqui”.
Milton Nakamura, também de São Paulo, é líder de comunidades de Warcraft 3 e, por isso, até reconheceu alguns gamers aqui, mas lamentou não ter dado tempo para todos se organizarem. O jovem admite ter vindo principalmente pela conectividade, além do diferencial de jogar sem lag e com outras pessoas fazendo coisas semelhantes por perto. “É diferente de casa”, garante. Milton se diz satisfeito com esta edição do evento, lamenta apenas a falta de mobilidade que tem por ter trazido desktop e não um notebook. “É muita atividade rolando ao mesmo tempo em lugares distantes, fica difícil acompanhar tudo”.
Muito longe de casa
Lucas Oliveira e a amiga Samile Matos abandonaram suas casas e viajaram por três dias para vir à Campus. Lucas é de Itapetinga e Samile de Santo Antonio, ambas cidades da Bahia. Os dois bacharéis em ciências exatas e tecnológicas vieram com a caravana de Cruz das Almas com o objetivo de participar das palestras e, claro, abusar da internet de 10 Gbps. Os baianos apenas lamentam as duras filas (além dos três dias, tiveram que esperar mais 6 horas para entrar no evento), os banheiros “muito nojentos e sem limpeza” da área de camping (Samile alegou ter encontrado calcinhas e até absorvente jogados no chão do local) e a alimentação, nada agradável.
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Steve Crocker e a história da segurança digital
- 20 de janeiro de 2011
- 16h50
- Por

Flickr/Icann (CC)
A história da internet já não é mais segredo para ninguém: tudo começou com uma rede de computadores entre algumas universidades norte-americanas. O projeto, conhecido como Arpanet, era financiado pelo Departamento de Defesa dos Estados Unidos (DARPA), e serviu de pedra fundamental para o que eventualmente se tornaria a internet.
Envolvido com a Arpanet desde o começo, Steve Crocker também tem sua dose de responsabilidade na criação da web, em um papel mais de bastidores. Crocker foi quem criou as RFCs (“Request for Comments”) – formato utilizado até hoje para discutir e desenvolver os principais protocolos que regem a rede.
Hoje, mais de 30 anos depois, Crocker trabalha em sua própria empresa de segurança digital. A palestra que o especialista apresentou nesta tarde de quinta na Campus Party ajudou a traçar um panorama da evolução das tecnologias de encriptação e privacidade na rede.
“Nós nunca ficaremos 100% seguros na internet”, afirmou Crocker, em previsão pouco otimista. “O problema sempre estará onde estiver a maioria das pessoas. Antes se acontecia algo com a Microsoft, isso afetava a todos, porque todos usavam o sistema da Microsoft. O mesmo acontece com os tablets e smartphones, está todo mundo usando, os olhos estão voltados para esses suportes. A questão é: como ter um controle melhor desses sistemas novos, e cometer menos erros do que a Microsoft cometeu?”
Sobre as soluções oferecidas pelos sistemas operacionais abertos, Crocker também não se mostrou excepcionalmente confiante: “o Linux é uma grande ideia, por ser aberto. O problema é a falta de usabilidade. É dificil fazer com que o mundo todo use Linux por isso.”
Só uma coisa é certa para Crocker: por sua própria concepção, de formatos abertos e colaborativos, a internet do futuro não deve se parecer muito com a que conhecemos hoje em dia, mas será ainda mais onipresente. “Em alguns anos a internet vai ser algo tão comum – quase invisível – a ponto de ela estar lá e nós nem falarmos mais sobre ela.”
E quem fará a internet do futuro? As escolhas dos usuários, como tem sido até agora. “Sempre haverá algo maior que engolirá o anterior. Primeiro teve a Microsoft, depois surgiu a Apple, o Google, o Facebook. As coisas mudam na internet, mesmo que não acabem”, afirmou.
Colaborou Murilo Roncolato
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Curtinhas de quinta-feira
- 20 de janeiro de 2011
- 15h34
- Por
ÔÔÔ
Não precisa de motivo, a qualquer momento, em meio a uma palestra, participando de alguma promoção, jogando, comendo, tomando banho, dormindo (!), sempre haverá um grupo (uma multidão, na maioria das vezes) gritando “ÔÔÔÔ”. Até agora, muitas pessoas não sabiam o como isso começou, mas o campuseiro Pedro Henrique, faz parte dessa história, e explicou ao Link tudo o que sabe sobre o hit mais famoso da Campus Party.
O grito nasceu logo na primeira edição, em 2008. O autor do primeiro ÔÔÔ se chama Henrique Alves (que não veio a esta por motivos pessoais). Alves e Pedro Henrique são amigos e participam desde sempre da área de modding. Em 2008, Modding e Games ficavam muito próximas uma da outra, e havia uma espécie de rixa entre os grupos das duas, com direito a brigas verbais. Sem motivo algum, muito provavelmente em função de uma comemoração de uma nova criação arquitetônica em seu desktop, Henrique Alves gritou ÔÔÔ, o que foi bem recebido por seus amigos que passaram a repetir o coro. O canto evoluiu e se tornou o grito de guerra usado contra os “gamers”. A partir daí, a brincadeira cresceu e ganhou novos adeptos, na verdade, todos os campuseiros se tornaram adeptos. Ah, um detalhe preciocíssimo ao qual apenas o Link teve acesso: o grito, na verdade, não é “ÔÔÔ”, mas sim “ÔÔÔP”, com um “p” mudo no final, o que faz toda a diferença.
Barulho livre
Durante o debate entre o ministro das Comunicações, o presidente do NIC.br e o da Telebrasil, um barulho insuportável vindo da área de Vídeo, Foto e Design rasgava as falas palestrantes e atrapalha a total compreensão do que era falado. Mario Teza, o diretor da Campus Party, estava mediando o debate e, vendo o incômodo dos ouvintes, anunciou pelo microfone que já havia pedido para abaixarem o som, mas o chefe não foi obedecido. “Aqui reina a liberdade, a gente pede e eles podem não baixar, é assim”.
As coisas estão melhorando
Os campuseiros relataram problemas na tarde de ontem, com novas quedas na conexão. Uma grande aconteceu por volta das 18h horas e demorou por volta de 40 minutos até tudo ser reestabelecido. A organização enviou um e-mail ao campuseiros dizendo que, por conta da chuva, alguns equipamentos que fazem a transmissão nas mesas foram danificados e “prontamente substituídos”. A conexão voltou gradualmente, mas voltou, relata Isabela Muniz, de Americana-SP. Ela está na Campus desde segunda-feira (quando perdeu 10 horas só em filas de credenciamento, barraca e alimentação) e diz que os primeiros dias “foram uma bagunça”, mas, hoje, o dia está bem tranquilo e sem grandes problemas.
Arrastão da musa
Por volta das 17h15, a panicat Babi Rossi saiu do Centro Imigrantes usando uma micro saia branca. Consigo, arrastou uma dezenas de adolescentes que queriam ser fotografados próximos à musa. Na sequência, apareceu Marcos Mion, que movimentou uma legião menor de fãs. Os dois participaram do Vivo On Webshow, um programa online produzido pela Vivo que foi transmitido direto do Centro Imigrantes. Da mesa também participaram Felipe Solari, do Legendários, e Maurício Cid, do blog Não Salvo.
Enxugando o suor
A ação de marketing escandalosa desta manhã de quinta ficou por conta do Banco do Brasil, que distribuiu roupões brancos para os participantes da feira, em tentativa de deixar a Campus Party em um clima mais “intimista”. Com o calor que faz aqui dentro do Centro de Exposições Imigrantes, a brincadeira não colou. Serviu, no máximo, pra enxugar o suor.

FOTO: DIVULGAÇÂO
A ascensão do Kinect
Todos os estandes de games ou ações de marketing na edição do ano passado da Campus Party contavam com pelo menos uma TV onde eram disputados desafios de Guitar Hero ou Rock Band. Esse ano, só dá o Kinect. Modalidades como boxe, vôlei de praia e tênis são as preferidas nos games interativos do periférico do Xbox 360.
Para crianças
Quem achava que a Campus Party era um evento restrito a nerds, programadores e hard users em geral teve uma surpresa ao chegar ao Centro de Exposição Imigrantes: esse é o ano mais inclusivo do evento. Crianças por todos os lados — desde bebês de colo, marcando a presença da segunda geração de geeks no evento, até excursões de colégios da rede pública municipal, que contam com atividades exclusivas para os pequeninos.
Comedores de computador
Coisas estranhas acontecem na Arena. Enquanto campuseiros ficam focados em suas atividades, olhos vidrados nas suas telas, surgem também criaturas bizarras, vestidas de roupas coloridas e antenas e começam a comer os notebooks, literalmente, falando palavras incompreensíveis. É claro que tudo é uma brincadeira e eles são nada menos que vírus.
Santa Campus Party
Além da Santa Banda Larga, utilizada durante o protesto aos apagões na terça-feira, os campuseiros estão abençoados por outras santidades que ocupam o Centro Imigrantes. São Logado é padroeiro das redes sociais, protetor dos fakes e autênticos; para pedir sua atenção basta pedir “Logai por nós!”. O Santo Achado é o patrono das buscas e respostas e ajuda aqueles que precisam achar algo na rede, “mas é preciso saber perguntar, do contrário, seus ensinamentos podem ser confusos”. Por fim, o São Uploudo, protetor dos produtores de conteúdo que precisam fazer o seu upload rapidamente e com boa conexão. Precisa da sua ajuda? Basta “cantar para subir”. Atualmente, este último vive nas nuvens. Amém.
Coisas estranhas acontecem aqui
Guilherme Fuzato veio de Franca, interior de São Paulo, para passear com seu zepelin branco (que tem o tamanho de uma geladeira) pela Campus Party. A estrutura plástica ele comprou, mas o motor (hélices e receptor de comandos do controle remoto) ele e alguns amigos que construíram. Enquanto desfilava com seu brinquedo, perguntei se ele estava gostando do evento, e a resposta misteriosa foi “olha isso, preciso dizer mais alguma coisa?”.
De repente, forma-se uma fila de 30 pessoas (todos gritando o famoso “ôôô”), à frente um sujeito fantasiado do pinguim símbolo do Linux, atrás dele a “Morte” seguia sua marcha fúnebre à frente de um outro fantasiado de Javali, que por sua vez, era seguido pelo “Darth Vader”. A razão disso tudo? Nenhuma.
Após essa passagem bizarra, os campuseiros tomam um susto e vários se levantam da cadeira para entender o que acontecia. Gritinhos femininos ensurdecedores tomam todo o galpão. O mesmo torna a acontecer mais três vezes e as pessoas continuam a não entender da onde vinha aquilo. De repente, um batalhão de mulheres começa a correr desesperadamente por entre as mesas (ainda com os gritinhos), atraindo dezenas de campuseiros interessados na manifestação feminina. A razão disso tudo? O sorteio de um iPod rosa.
Colaborou Murilo Roncolato
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