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Novidade do passado

  • Por Roberto Fonseca

(Matéria publicada na edição de 26/7/2012 do Paladar)

DEGUSTAMOS A BLUMENAU: Dourada, ela tem alguma turvação (não é filtrada) e espuma branca. No aroma, há notas de levedura, malte, pão, leve lúpulo herbal e um quê defumado muito sutil, que some rápido. Na boca, percebem-se, além desses elementos, um final bastante seco, corpo médio e boa carbonatação. Vai para o copo? Degustando-a na perspectiva histórica, é uma  cerveja agradável e refrescante, sem, contudo, perder a personalidade

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Um dos caminhos para se criar novas cervejas, no Brasil e no mundo, tem sido o uso de ingredientes inéditos ou de combinações nunca antes pensadas. Mas e se a novidade viesse do século retrasado? Eduardo Krueger, dono da Cervejaria Bierland, de Blumenau (SC), conta que foi o que lhe ocorreu quando quis registrar um novo estilo de cerveja, há pouco mais de seis meses.

“Começamos a pesquisar informações sobre como eram as receitas (no início da colonização alemã em Blumenau, em meados do Século 19), no museu da cerveja, na antiga cervejaria da Vila Itoupava e em acervos.” O trabalho deu origem à Blumenau, que será lançada amanhã.

Na pesquisa, Krueger, o cervejeiro Ilceu Dimer e o beer sommelier Paulo Bettiol acharam uma receita de cerveja da região de Ibirama. Ela foi uma influência da Blumenau, mas houve outras. “Optamos pela fermentação em tanque aberto, comum antigamente, assim como a secagem do malte com fogo, o que lhe dava um toque de fumaça. Por isso, também usamos malte defumado e um pouco de malte torrado”, diz o dono da cervejaria. Na receita, que tem cerca de 4% de teor alcoólico, foram usados ainda levedura ale (de alta fermentação) e lúpulo em flor – da variedade alemã hallertauer mittelfrüh. No primeiro lote, foram 700 litros da cerveja, que não é filtrada.

“É uma cerveja rústica, com lúpulo marcante. E sua produção pode mudar ao longo do ano, de acordo com as estações”, afirma Krueger. Ela ficaria sujeita, entre outras variáveis, à temperatura e tipo de lúpulo em flor disponível. O nome Blumenau, conta Krueger, busca homenagear o conjunto de cervejas feito na região antigamente. “Na nossa pesquisa, vimos que, fora algumas receitas ‘tipo stout’ ou ‘tipo bock’, a maioria não tinha estilo definido. Mas é desse processo de produção que tentamos nos aproximar.”

A ideia da Bierland guarda semelhança com o projeto Past Masters, da cervejaria inglesa Fullers, cujo foco é a pesquisa de receitas antigas da marca, que já tem mais de 150 anos, e sua recriação, o mais fielmente possível, dentro das condições atuais. A garrafa de 600 ml terá preço estimado em R$ 15.

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