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Cerveja em mercados: um mundo ideal

  • 16 de março de 2012
  • 18h55
  • Por Roberto Fonseca

Arte com alguns dos itens que deveriam ter rótulos cervejeiros para ajudar comprador (Marcos Müller/AE)

Ainda para a matéria do Paladar sobre cervejas em supermercados, fizemos este quadro acima, sobre o que deveria ter um rótulo para ajudar o consumidor, em especial o iniciante, a definir sua compra. Por questões de espaço no papel, acabou ficando de fora, mas é tema para um bom debate. E vocês, acham que essas informações são suficientes ou seriam necessários outros dados para ajudar o degustador?

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Cervejas em mercados: veja os preços

  • 16 de março de 2012
  • 16h28
  • Por Roberto Fonseca
Algumas das cervejas citadas na matéria (Foto: Felipe Rau/AE)

 

Com algum atraso devido a problemas técnicos na rede, posto aqui alguns complementos da matéria publicada ontem no caderno Paladar. Para quem não viu, a reportagem (que pode ser lida aqui) tratava de boas cervejas que podem ser encontradas em supermercados, e também do longo caminho que as redes de venda ainda têm pela frente para oferecer mais do que quantidade ao cliente – informações, pessoal treinado e acessórios apropriados como copos são os principais desafios.

No começo da apuração, entre os dias 3 e 5 de março, fiz uma pesquisa em sete mercados da capital (Carrefour da Rua Pamplona, Mambo da Vila Madalena, Makro Especiale da Vila Maria, Wal Mart do Pacaembu, Pão de Açúcar da Avenida Pompeia x Alfonso Bovero, Zaffari do Bourbon Shopping e Sam’s Club do Bom Retiro). Claro que há empórios com muito mais variedade do que as lojas citadas, mas o critério de escolha foi o de buscar grandes centros de comprar por onde passam grandes quantidades de consumidores, leigos ou não quando o assunto é cerveja.

Ao listar algumas (quase todas, mas não todas) as cervejas disponíveis, aproveitei para anotar os preços. Embora já possam estar desatualizados em quase duas semanas, são um bom referencial para quem quer comprar. Por isso, decidi inclui-los aqui embaixo.

 

ZAFFARI 4/3 MAKRO SPECIALE 4/3
BADEN CRISTAL 8,9 BADEN 1999 11,05
BADEN GOLDEN 9,9 BADEN CRISTAL 9,79
BADEN RED 9,9 BADEN RED ALE PEQ 5,85
BADEN STOUT 9,9 BADEN STOUT 11,05
BADEN WEISS 9,9 BATEMANS COMBINED 18,69
BATEMANS COMBINED 18,9 BOON KRIEK 26,49
BATEMANS XXXB 18,9 BROOKLYN BROWN ALE 8,75
BAUHAUS GRANDE 7,9 BROOKLYN LOCAL 1 37,15
BERNARD DARK 8,9 BURGMAN LAGER GRANDE 8,99
BOON KRIEK 29,5 BURGMAN LAGER LN 3,79
BREWDOG 5AM SAINT 12,9 BURGMAN RED 10,65
BREWDOG HARDCORE IPA 16,9 BURGMAN STOUT GRANDE 12,35
BREWDOG PARADOXX 24,9 1795 10,35
BREWDOG PUNK IPA 12,9 CHIMAY BLUE 19,91
BREWDOG TRASHY BLOND 12,9 COLORADO APPIA 11,99
BROOKLYN BROWN 9,5 COLORADO CAUIM 11,99
BROOKLYN IPA 9,5 COLORADO DEMOISELLE 11,99
BROOKLYN LAGER 9,5 DEUS 147,9
BROOKLYN LOCAL 1 41,9 DUVEL 16,89
BROOKLYN PILSEN 9,5 DUVEL GRANDE 45,89
8,6 BLOND 9,35 EISENBAHN PALE ALE 3,65
COLORADO APPIA 10,9 EISENBAHN WEISS 4,35
COLORADO DEMOISELLE 10,9 ERDINGER CHAMP 7,45
COLORADO INDICA 10,9 ERDINGER DUNKEL 10,85
CORUJA OTUS 10,9 ERDINGER NORMAL 10,85
DADO BIER BELGIAN 7,95 ERDINGER PIKANTUS 11,49
DADO WEISS 6,49 ERDINGER URWEISSE 10,85
DAMM DAURA 13,9 FULLERS 1845 20,95
EDELWEISS 11,5 FULLERS ESB 20,95
EGGENBERG DOPPELBOCK 16,9 FULLERS GOLDEN PRIDE 20,95
EGGENBERG URBOCK 16,9 FULLERS IPA 20,95
EISENBAHN DUNKEL 3,99 FULLERS LONDON PRIDE 20,95
EISENBAHN KOLSCH 3,99 FULLERS VINTAGE 2009 77,39
EISENBAHN PALE ALE 3,99 GUINNESS LATA 14,85
EISENBAHN PILSEN 3,99 HB ORIGINAL 10,05
EISENBAHN RAUCH 3,99 HEN’S TOOTH 20,95
EISENBAHN WEISS 3,99 KARAVELLE BARBA NEGRA G 7,25
EISENBAHN WEIZENBOCK 3,99 KARAVELLE KELLER GRANDE 7,25
ERDINGER CHAMP 7,65 KARAVEL. KELLER LONG NECK 4,39
ERDINGER DUNKEL 10,9 KARAVELLE PILSEN GRANDE 6,65
ERDINGER NORMAL 10,9 KARAVELLE PILSEN LN 4,05
ERDINGER PIKANTUS 11,8 KARAVELLE RED ALE GRANDE 7,25
ERDINGER URWEISSE 10,9 KARAVELLE RED ALE LN 4,39
ESTRELLA INEDIT 28,9 KARAVELLE WEISS GRANDE 7,25
FRANZ. DUNKEL (OFERTA) 3,99 KOSTRITZER 11,69
FRANZISKANER HELL 4,99 KWAK GRANDE 45,89
GUINNESS 11,5 KWAK LONG NECK 16,89
HACKER PSCHORR 13,9 LA TRAPPE BLONDE 36,09
HB ORIGINAL 10,9 LIEFMANS CUVVE BRUT 39,65
HEOGAARDEN 5,69 MAREDSOUBS 8 GRANDE 44,65
KAISERDOM DARK 5,99 MAREDSOUS 10 19,95
KAISERDOM DARK 1L 13,9 MAREDSOUS 10 GRANDE 49,5
KAISERDOM PILSEN 4,95 MAREDSOUS 6 15,65
KAISERDOM WEISS 500ML 5,99 MAREDSOUS 6 GRANDE 40,95
LA TRAPPE BLOND 36,9 MAREDSOUS 8 17,49
LA TRAPPE DUBBEL 36,9 OLA DUBH 18 30,29
LA TRAPPE QUADRUPPEL 41,9 OLA DUBH 40 53,29
LEFFE BLOND 5,69 OLD ENGINE OIL 13,75
LEFFE BRUNE (OFERTA) 2,99 ORVAL 24,89
LEFFE RADIEUSE 5,99 PAULANER HEFE DUNKEL 11,29
NESSIE 12,9 PAULANER MUNCHEN 11,29
OLA DUBH 12 28,9 PAULANER SALVATOR 11,29
OLD ENGINE OIL 14,9 PAULISTÂNIA 6,89
PAULANER HEFE 10,9 SCHIEHALLION 19,29
PAULANER HEFE DUNKEL 10,9 SCHLENKERLA MARZEN 17,15
PAULANER MUNCHEN 10,9 STRONG SUFFOLK 20,95
PAULANER ORIGINAL 10,9 TRIPEL KARMELIET GRANDE 45,89
PAULANER SALVATOR 10,9 TRIPEL KARMELIET LN 16,89
SAMICHLAUS 25,9
SANTA FE LN 3,9
TUCHER 9,49
URTHEL QUADRIUM 43,9
VOLL DAMM 11,9
WALS QUADRUPPEL 13,9
WALS TRIPEL 13,9
WEIHENSTEPHANER VITUS 12,9
WEISS DAMM 8,9
WELLS BANANA 16,5
WELTENBURGER HELL 7,9
WELTENBURGER URTYP 7,9
X WALS 7,3
YOUNGS DCS 17,5

 

MAMBO 3/3 PÃO DE AÇÚCAR (4/3)
BACKER PALE ALE 5,95 BADEN STOUT 11,29
BAMBERG ALT 6,15 BALTIKA 5 (OFERTA) 10,9
BAMBERG HELLES 6,15 BALTIKA 7 10,9
BAMBERG RAUCHBIER 6,59 BARRILETE HEINEKEN 47,9
BAMBERG SCHWARZBIER 7,2 BISHOPS FINGER 16,9
BAMBERG WEIZEN 6,15 BOON KRIEK (OFERTA) 24,9
BARRILETE HEINEKEN 49,9 C8,6 BLONDE (OFERTA) 7,99
BAUHAUS COBRE 8,79 8,6 RED (OFERTA) 7,99
BISHOPS FINGER 15,9 COLORADO APPIA 9,98
BOON KRIEK 28,7 COLORADO CAUIM 10,79
BRAKSPEAR 21,49 COLORADO INDICA 10,79
BROOKLYN LAGER 8,2 CZECHVAR (OFERTA) 11,9
COLORADO APPIA 10,9 DIVINA WEISS 13,9
COLORADO DEMOISELLE 11,49 DUVEL (OFERTA) 13,9
COLORADO INDICA 11,2 EGG. HOPFENKONIG (OFERTA) 8,9
DEUS 158,9 EINBECKER HELL 11,9
DIVINA LAGER 13,9 EISENBAHN 5 4,68
DIVINA WEISS 12,47 EISENBAHN DUNKEL 4,35
DUVEL 17,85 EISENBAHN KOLSCH 4,68
EGGENBERG HOPFENKONIG 9,8 EISENBAHN PALE ALE 4,35
EINBECKER DUNKEL 12,3 EISENBAHN RAUCH 4,68
EINBECKER HELL 12,3 ERDINGER CHAMP 6,99
ERDINGER NORMAL 11,9 FLENSBURGER PILS (OFERTA) 15,9
ERDINGER DUNKEL 11,9 HB ORIGINAL (OFERTA) 9,98
ERDINGER PIKANTUS 12,75 KYNEP 13,99
FULLERS 1845 18,3 LA TRAPPE BLOND 34,99
FULLERS ESB 24,99 NESSIE (OFERTA) 11,9
FULLERS GOLDEN PRIDE 18,3 PAULISTANIA (OFERTA) 5,89
HOOK NORTON DOUBLE STOUT 18,59 SAMICHLAUS (OFERTA) 19,9
HOOK NORTON HOOKY GOLD 18,59 SPITFIRE (OFERTA) 14,9
HOOK NORTON OLD HOOKY 18,59 WARSTEINER GRANDE 9,89
KARAVELLE KELLER 6,9 WEIHENSTEPHANER VITUS 11,99
KARAVELLE PILSEN 5,99 YOUNGS DCS 16,8
LA CHOUFFE 17,89
LA CHOUFFE HOUBLON 19,85
LA TRAPPE BLOND 39,5
LA TRAPPE BOK 43,7
LEFFE BLOND 5,69
MAISEL ORIGINAL 9,9
MAISELS DUNKEL 10,9
MAISELS HELL 10,9
MAREDSOUS 10 17,85
MAREDSOUS 6 13,3
MASTER BREW 18,95
OLD ENGINE OIL 13,69
PAULANER HEFE DUNKEL 11,5
PAULANER HEFE NATURTRUB 11,5
PAULANER MUNCHEN 11,5
PAULANER SALVATOR 10,99
PILSNER URQUELL 14,5
STRONG SUFFOLK 19,9
TEQUIEROS 8,15
TRIPEL KARMELIET 17,89
URSTERSBACHER DUNKEL 10,3
URSTERSBACHER HELL 10,3
WALS DUBBEL 12,5
WARSTEINER 7,75
WEIHENSTEPHANER VITUS 14,77
WEIHENSTEPHANER WEISS 12,35
WELLS BANANA 19,9
WELLS BOMBARDIER 18,3
WELTENBURGER DUNKEL 10,95
WEXFORD 13,49
YOUNGS DCS 19,7

 

CARREFOUR (3/3) SAM’S CLUB (5/3) 
BADEN 1999 9,39 BADEN 1999 10,26
BADEN GOLDEN 9,69 BADEN BOCK 10,46
BADEN RED ALE 9,69 BADEN GOLDEN 10,26
BADEN STOUT 9,69 BADEN GOLDEN 10,26
BADEN WEISS 9,99 BADEN STOUT 10,46
BARRILETE HEINEKEN 47,99 BADEN WEISS 10,46
DIVINA LAGER 9,98 BARRILETE HEINEKEN 46,9
EISENBAHN 5 4,25 BIRRA MORETTI 4,29
EISENBAHN PALE ALE 3,49 1795 10,46
EISENBAHN PILSEN 3,79 EISENBAHN DUNKEL 3,96
ERDINGER CHAMP 7,49 ERDINGER CHAMP 7,56
ERD. DUNKEL (OFERTA) 7,89 ERDINGER DUNKEL 10,86
ERDINGER NORMAL 10,5 ERDINGER NORMAL 8,98
ERDINGER PIKANTUS 10,9 ERDINGER PIKANTUS 11,58
ERDINGER URWEISSE 10,9 FRANZISKANER DUNKEL 5,47
GUINNESS 11,9 GAULOISE (EM FALTA) 4,29
LA TRAPPE BLOND 36,9 GUINNESS 8,98
LA TRAPPE DUBBEL 34,9 HACKER PSCHORR 9,98
LEFFE BLOND 5,49 LA TRAPPE BLOND 36,96
PALM ROYALE 9,9 LA TRAPPE DUBBEL 36,96
WEIHENSTEPHANER 9,9 PAULANER HEFE DUNKEL 9,98
WELLS BOMBARDIER 14,9 PAULANER HEFE NATUR 9,98
PAULANER SALVATOR 9,98
WELTENBURGER DUNKEL 8,98


WAL MART PAC. 4/3
BADEN 1999 11,25
BADEN BOCK 11,25
BADEN GOLDEN 11,25
BADEN RED ALE 10,46
BADEN STOUT 11,25
BARRILETE HEINEKEN 47,99
EISENBAHN PALE ALE 4,29
EISENBAHN WEISS 4,59

 

Bodebrown fecha acordo com Whitelabs

  • 13 de março de 2012
  • 14h00
  • Por Roberto Fonseca

Quem é microcervejeiro ou cervejeiro caseiro deve ter ficado curioso com o título acima. Mas quem é leigo no assunto não deve ter entendido patavina, logo, cabe a explicação. A cervejaria paranaense Bodebrown fechou um acordo com a norte-americana White Labs, uma das referências em fermentos cervejeiros líquidos no mercado. A marca brasileira passará a revender amanhã as leveduras para micros e homebrewers.

Hoje, grande parte das produções cervejeiras no Brasil ainda se baseia em fermentos secos, que têm vantagens de conservação, mas, segundo especialistas, também possuem desvantagem em relação ao líquido no produto final, a cerveja. Segundo apurou o blog, serão mais de 40 tipos de levedura. Até agora, cervejeiros interessados em usar o fermento líquido apelavam em boa parte à mala dos amigos. Segundo a Bodebrown, as entregas dos pedidos serão feitas por avião. Em 2009, representantes da White Labs estiveram no País para a Brasil Brau, evento cervejeiro bienal em São Paulo, mas, até agora, não haviam selado nenhum acordo comercial para venda de seus produtos por aqui.

Em tempo: Segundo informou a Bodebrown agora há pouco, as leveduras devem custar entre R$ 22,90 e R$ 26,90. A base de comparação, afirmam, é custo aproximado de US$ 7 lá nos EUA e de US$ 11 aqui.

Em tempo 2: O David Figueira, da Acerva Paulista e da Lamas Bier, escreveu há pouco no mailing de cervejeiros paulistas que a Lamas Brewshop, futura loja de insumos cervejeiros em Campinas, também fará venda autorizada dos fermentos da White Labs em São Paulo, com data de início e valores ainda a definir.

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Hoje é dia de #degustwit (ou “Mudanças geradas pela eleição”)

  • 6 de março de 2012
  • 13h45
  • Por Roberto Fonseca

Após algumas semanas sem ir ao ar, hoje é dia de #degustwit. Para quem não conhece, trata-se de uma degustação ao vivo, feita por este que escreve, de cervejas, nos mesmos moldes das fichas que são publicadas por aqui a cada post. Entre um gole e outro, também discuto com os internautas/telespectadores temas de interesse do meio cervejeiro e agendas da semana.

Hoje às 22h30, por exemplo, serão degustadas a polêmica Duff; a caseira Brix Terroir Saison e a belga Quintine Ambrée. Quem provou pode trocar impressões ao vivo; quem não tomou pode correr e comprar uma para acompanhar (ok, reconheço que deixei pouco tempo hábil para isso hehehehe).

Com o início precoce do processo eleitoral, a tendência é que eu passe a fazer mais #degustwits em relação aos posts escritos por aqui. Mas sempre anunciarei com alguma antecedência no Twitter @blogdobob, no Facebook Roberto Fonseca ou por aqui mesmo. Após o programa, posto também o link para o vídeo e um resumo do que foi debatido. Nos vemos lá no Twitter daqui a pouco!

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Affligem: as belgas e a corrida de preços

  • 23 de fevereiro de 2012
  • 14h14
  • Por Roberto Fonseca

Affligem Blond (Bélgica, 330ml)

Produtor: Cervejaria Affligem (ex-De Smedt), controlada pela Heineken

Importador: Brazil Ways, de Curitiba (PR)

Preço: a partir de R$ 9

Estilo: Belgian blond ale

Teor alc.: 6,8%

Cor: Dourado médio, translucidez média a baixa

Espuma: Branca, média a alta formação, consistente, de alta duração

Aroma: Malte, adocicado, levedura, condimentado(cravo), frutado (banana), cítrico

Sabor: Malte, levedura, condimentado (cravo), leve picante, cítrico destacado, final seco e de grãos, leve oxidação metálica. Corpo médio, amargor idem, carbonatação média a alta.

Nota 3,7 em 5Boa blond ale, com bons aroma e sabor, além de final seco interessante. Oxidação metálica suave atrapalhou um pouco, mas pode ser problema pontual.

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Affligem Tripel (Bélgica, 330ml)

Preço: a partir de R$ 13

Estilo: Ale / Belgian tripel

Teor alc.: 9,5%

Cor: Dourado escuro, quase castanho claro, translucidez média a baixa

Espuma: Branca, média formação, média a baixa duração

Aroma: Malte, adocicado (nota açucarada), frutado (banana?), condimentado, leve cítrico.

Sabor: Malte, adocicado moderado, cítrico, condimentado, leve picante, final seco, levedura e leve nota de esmalte. Amargor baixo (dentro do estilo), corpo médio a alto, carbonatação idem.

Nota 3,5 em 5 - Boa tripel, onde nota de banana aparece um pouco mais do que em outros exemplares mais conhecidos do estilo (como Tripel Karmeliet e Westmalle), mas em bom equilíbrio com notas cítricas e condimentadas.

_____________________________________

Affligem Dubbel (Bélgica, 330ml)

Preço: a partir de R$ 11

Estilo: Ale / Belgian dubbel

Teor alc.: 6,8%

Cor: Castanho escuro, brilho avermelhado, translucidez baixa

Espuma: Bege, alta formação e média a alta duração

Aroma: Malte caramelo, nota suave de frutas escuras, condimentado, leve cítrico

Sabor: Malte caramelo e tostado/torrado, adocicado inicial, frutas escuras, acidez moderada, condimentado, final seco e com malte caramelo e um quê de malte torrado. Corpo médio a baixo, amargor idem, carbonatação média a alta.

Nota 3,2 em 5 - Bom aroma inicial, mas poderia mais presença de malte, tanto em corpo quanto em complexidade no aroma e sabor. Mas tem boas notas frutadas e condimentadas.

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A cerveja aí de cima é uma das 18 produções belgas que têm direito de usar o selo que define as cervejas de abadia naquele país europeu. Para tanto, devem ter, entre outros condicionais, suas receitas aprovadas ou elaboradas sob supervisão de uma ordem religiosa, e parte da renda revertida em ações de caridade. A Affligem tem sua história ligada à cervejaria De Smedt, que, segundo o Oxford Companion to Beer, teve a família homônima como controladora única de 1832 a 1984. Naquele ano, a família vendeu metade das ações da empresa ao gerente Theo Vervloet. A outra metade foi repassada, em 1999, à Heineken – a multinacional holandesa adquiriu o restante das ações de Vervloet quando ele se aposentou, em 2010. Há, porém, um acordo de que as cervejas da Affligem sejam produzidas apenas na Bélgica até 2031 – hoje, a produção fica em Opwijk, a noroeste de Bruxelas. Voltando um pouco no tempo, em 1970 a De Smedt assumiu a produção da abadia beneditina de Affligem e, alguns anos depois, também criaram receitas para outra abadia, a de Postel.

As Affligem “correm” numa faixa de mercado bastante povoada – a das cervejas belgas -, e seu preço é maior do que o das Leffes, trazidas pela AB-Inbev, mas a comparação de poder de fogo da multinacional com a importadora das bekgas recém-chegadas é desproporcional. Mesmo assim, as Affligem têm relação custo-benefício bem satisfatória, em especial a Blond, que sai a partir de R$ 9 e fica na mesma faixa das Brooklyn e da Samuel Adams em pontos de venda. Apesar de ter notado leve oxidação metálica na garrafa degustada, fiquei curioso em prová-la de novo para checar se é problema pontual.

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Concurso nacional das Acervas terá estilo ‘brasileiro’

  • 13 de fevereiro de 2012
  • 22h42
  • Por Roberto Fonseca

A sétima edição do concurso nacional das Associações dos Cervejeiros Caseiros e Artesanais (Acervas) ocorrerá entre os dias 7 e 9 de junho na cidade de Piracicaba, no interior paulista. Este ano com organização da Acerva Paulista, os cervejeiros caseiros poderão competir em cinco categorias. Quatro são estilos fixos: Doppelbock, Irish Red Ale, Russian Imperial Stout e American India Pale Ale. A novidade é a quinta categoria: trata-se de um estilo livre, em que a regra é usar um ingrediente tipicamente brasileiro na receita. A Acerva Mineira já fez experiência semelhante em 2011, com itens mineiros, e recebeu inscrições de cervejas com fumo de rolo, doce de leite, boldo e cachaça.

Outra novidade do torneio é a realização de um congresso cervejeiro nos dias 7 e 8, enquanto os jurados analisarem as receitas concorrentes em evento fechado. Entre os eventos, dois se destacam: no dia 7, uma mesa-redonda com produtores de queijo, cachaça, cervejeiros e técnicos do Ministério da Agricultura, para debater a legislação atual que ordena a produção desses itens – no caso da cerveja, há uma série de temas polêmicos a serem debatidos, como necessidade de renovação de critérios de análise e situação de produtores caseiros. No dia 8, há uma experimentação de cervejas “lado a lado”, em que uma mesma base é usada, mas a ela se aplicam diferentes fermentos e lúpulos, por exemplo, para que se possa comparar a diferença. Ainda este dia, haverá feira de trocas de itens usados por cervejeiros caseiros. No dia 9, haverá a premiação das cervejas do concurso e festa de confraternização.

Informações sobre calendário, inscrições e convites podem ser obtidas no site do concurso feito pela Acerva Paulista.

O mistério da cerveja de Poirot

  • 13 de fevereiro de 2012
  • 16h13
  • Por Roberto Fonseca

Ellezelloise Hercule Stout (Bélgica, chope)

Produtor: Ellezelloise / Brasserie des Legendes, da Bélgica

Importador: Calabar

Preço: R$ 21 o caneco, no Empório Alto dos Pinheiros

Estilo: Imperial Stout

Teor alc.: 9%

Cor: Castanho muito escuro, quase preto, translucidez média a baixa

Espuma: Bege, média a alta formação (início de barril), média duração

Aroma: Malte torrado, café, chocolate, madeira (de brettanomyces ou da anunciada maturação em carvalho alemão? ou dos dois?), levedura, licorosidade, condimentado muito suave

Sabor: Malte torrado, café, chocolate suave, madeira (barril ou brettanomyces?), final bastante seco, álcool bem equilibrado apesar da potência, acidez perceptível mas não exagerada. Corpo médio, amargor idem, carbonatação média a alta.

Nota 4,2 em 5Foge do padrão de imperial stout por ser bem mais seca e pela sensação de madeira (fica a dúvida de sua origem: brettanomyces ou apenas a maturação em barril?). Mas é uma boa cerveja, fácil de beber, e por isso perigosa pelo teor alcoólico. 

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A confusão do garçom não é injustificável: “Hércules?” Não, a cerveja em questão não trata do herói mitológico, embora seja a primeira lembrança que vem à mente. A homenagem é para outro personagem fictício, mas que também tem uma legião de fãs: o detetive Hercule Poirot, que a escritora Agatha Christie fez nascer na cidade de Ellezelles, a mesma que abriga a cervejaria Ellezelloise. Que, por sua vez, “pariu” a Hercule (suponho que a ligação seria muito mais evidente se batizassem a fermentada de Poirot, mas isso poderia gerar sérios problemas de patente…).

Fundada em 1993, a Brasserie Ellezeloise tem a Hercule como sua mais famosa marca, embora também produza a linha Quintine. Em 2006, ela foi adquirida pela Brasserie des Geants, e a união das duas criou a Brasserie des Legendes. Segundo artigo sobre a Hercule no livro “1001 Cervejas para Tomar antes de Morrer”, a fusão gerou reclamações sobre perda de qualidade das Quintines, mas a Hercule teria escapado consideravelmente bem no processo. Ainda não tomei as Quintines, mas a “cerveja de Poirot” agradou bastante na versão chope, por ora disponível apenas no Empório Alto dos Pinheiros, na capital. Há, para quem não puder degustá-lo lá, a versão em garrafa à venda também.

Apresentado pelo produtor como “stout belga”, tem força alcoólica para ser uma imperial stout, mas possui algumas diferenças com representantes do estilo encontradas por aqui. Uma delas é o fato de ser mais seca e com notas amadeiradas bastante presentes, que chegam a se impor sobre o malte no início do gole. A cervejaria informa que a Hercule é maturada por dez dias em barris de carvalho alemão, mas fiquei na dúvida se o elemento amadeirado na cerveja vem dessa maturação ou da presença de brettanomyces (tipo de levedura). Há, claro, boas notas de malte torrado, café e chocolate, mas estas são previsíveis.

Resolvi iniciar investigação sobre o “mistério amadeirado” com fontes cervejeiras nacionais e no próprio local dos fatos (a cervejaria). Por aqui, os especialistas avaliam que dez dias é pouco tanto para que a madeira ou o brettanomyces deixem uma marca. O bretta (vamos chamá-lo assim, para facilitar) poderia continuar agindo na cerveja mesmo após ela ir para o barril ou garrafa. Logo que chegar a um desfecho – mesmo que seja um delírio da parte deste que escreve -, anuncio aqui. Alguém mais pode contribuir com pistas?

Riebeck: ‘Nein, nein, nein!’

  • 10 de fevereiro de 2012
  • 13h05
  • Por Roberto Fonseca

Riebeck Premium Pilsener (Alemanha, 500ml)

Produtor: Cervejaria Braugold, de Erfurt (Alemanha)

Tipo: Lager / German pilsner

Teor alc.: 4,9%

Cor: Dourado escuro, translucidez alta, límpida

Espuma: Branca, de média a alta formação e média duração

Aroma: Malte (biscoito/grãos), leve nota de lúpulo herbal

Sabor: Malte (grãos), leve adocicado inicial, seguido de amargor médio a alto para o estilo e final seco. Corpo médio e carbonatação média a alta.

Nota 3,2 em 5: Representa o estilo german pilsner sem “comprometer”, mas poderia ser ainda mais seca – e ter um pouco mais de lúpulo no sabor, mas dentro do padrão do estilo (ou seja, sem exageros). Refrescante.

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Uma das paradas das minhas férias em 2011 foi Berlim. Desnecessário dizer que fiz um mapeamento prévio de brewpubs, cervejarias e bons bares locais. E também das duas principais lojas da nobre bebida que existem na cidade, cada qual em uma ponta da capital alemã. Uma delas é a Bier Spezialitäten Laden, um pequeno ponto comercial instalado na Karl-Marx Allee. Que, aliás, vale o passeio por si só, com seus prédios monumentais que serviam de “cartão postal” para a Berlim (e a Alemanha) Oriental mostrar seu modo de vida ao lado Ocidental. Fomos – eu, minha esposa e uma amiga – parar lá depois de visitar a East Side Gallery, pedaço do muro que sobrou em pé. Tinha errado o horário de abertura do Hops&Barley, brewpub que fica mais ou menos ali por perto. Para não ser “linchado” pela falha – estávamos num ponto distante da cidade, sol a pino e sem um local conhecido para tomar uma cerveja -, paramos em uma tendinha da HB e, depois, fomos ao número 56 da Karl-Marx Allee.

Não sei se é a loja que é muito pequena ou se a quantidade de cervejas que é muito grande para o espaço. O fato é que o local é abarrotado de garrafas, bolachas, copos, cestas, bandejas e outros colecionáveis cervejeiros. A peça mais “rara”, porém,  está atrás do balcão: o proprietário (mea culpa não ter pego o nome dele, mas vocês entenderão o porquê). Um senhor de idade, gorducho, com colete verde e inglês “chucrutônico” – a versão alemã e politicamente incorreta do “macarrônico” – que, apesar de carrancudo, tentou ajudar.

O problema é que a loja, além de abarrotada, não segue lógica alguma na distribuição das cervejas alemãs – as importadas estão no canto, em menor quantidade, e é mais fácil analisá-las. Logo descobri, porém, que o problema maior não era esse. Perguntei ao dono se ele tinha Gosebier, a cerveja ácida ligada às cidades de Goslar e Leipzig. A expressão de seu rosto me fez ter certeza de que ele já as havia provado – e odiado. “Você quer tomar isso? É cerveja estragada. Não, não.” E foi “desancando” as cervejas da minha lista, tiradas das top do Ratebeer.com. Disse que ia me dar boas cervejas e separou quatro german pilsners. “Estas sim são muito boas.”

Teimoso, escolhi só uma das quatro e me pus a fuçar as prateleiras, caixas e afins atrás de cervejas da lista. Achei algumas, como um exemplar de german porter e a famosa Kulmbacher Eisbock. Quando as colocava no balcão, o sujeito as olhava e abanava a cabeça, desconsolado, comentando algo em alemão com o amigo. Compra feita – com direito a uma cestinha de vime e algumas bolachas dadas de brinde pelo velhinho, que no final era um sujeito mal-humorado, mas boa praça -, seguimos com o roteiro.

Só quando voltei a São Paulo  tomei a tal pilsen que ele tinha recomendado – é a cerveja analisada aí em cima. Boa, simpática, mas normal. Achei curioso que, com um gosto tão “objetivo” – capaz de considerar que apenas um estilo poderia valer a pena para um visitante conhecer -, ele tivesse uma loja com tantas cervejas diferentes. E, com isso, fiquei fã do alemão carrancudo. Tomara que a loja resista às mudanças do mundo cervejeiro tanto quanto os prédios da Karl-Marx Allee.

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A kölsch, a ‘chaminé’ e o tempo passado

  • 9 de fevereiro de 2012
  • 8h00
  • Por Roberto Fonseca

Bamberg Kölsch (Brasil, 600ml)

Produtor: Cervejaria Bamberg, de Votorantim (SP)

Estilo: Ale / Kölsch

Teor alc.: 4,8%

Cor: Dourado médio (em relação às demais), translucidez alta, límpida

Espuma: Branca, média a alta formação, consistente, formando “touca” no copo, média a alta duração

Aroma: Malte, leve frutado, notas de lúpulo floral e cítrico, biscoito

Sabor: Malte, biscoito, leve doçura inicial (sensação de mel), depois final seco e leve acidez. Corpo médio para o estilo, amargor médio, dentro do padrão, carbonatação média a alta. Conforme esquenta, sabor de lúpulo cítrico e floral se torna mais presente, chegando a se sobrepor aos demais elementos.

Nota 4,0 em 5Favorecida pela juventude (vence em agosto) e pelo transporte mais curto a São Paulo (é de Votorantim), tem nuances delicadas de malte, frutado e lúpulo mais presente. Lúpulo, porém, poderia ser um pouco mais contido para dar mais espaço  às notas frutadas. Refrescante.

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Gäffel Kölsch (Alemanha, 350ml)

Produtor: Cervejaria Gäffelde Colônia (Alemanha)

Importador: Stuttgart

Estilo: Ale / Kölsch

Teor alc.: 4,8%

Cor: Dourado médio (em relação à Früh, mas menos que a Bamberg e a Eisenbahn), translucidez alta, límpida

Espuma: Branca, média formação e média a baixa duração

Aroma: Leve oxidação (papelã0), malte, leve lúpulo (resiste melhor que a Früh), mel

Sabor: Malte, biscoito, leve adocicado inicial, leve oxidação de papelão, final seco (mais que a Bamberg). Amargor médio a alto para o estilo, corpo médio, carbonatação média a alta.

Nota 3,0 em 5 - Segunda do grupo com maior validade (29 de maio), já apresentava início de oxidação. Mas tem bom amargor e final seco. A importadora informa que, como não é uma cerveja pasteurizada, ela tem validade menor e fica mais sujeita à oxidação. Era do lote mais recente trazido ao Brasil.

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Eisenbahn Kölsch (Brasil, 355ml)

Produtor: Cervejaria Eisenbahnde Blumenau (SC)

Estilo: Ale / Kölsch

Teor alc.: 4,8%

Cor: Dourado escuro (a mais escura do grupo), translucidez média a alta

Espuma: Branca, média a alta formação e duração

Aroma: Malte, nota adocicada/caramelada, leve frutado, sem sinal de lúpulo

Sabor: Malte, adocicado, nota caramelada, oxidação de papel. Final adocicado e com secura sutil, sem acidez nem lúpulo aparentes. Amargor médio a baixo para estilo, carbonatação média, corpo médio a alto para o estilo.

Nota 2,7 em 5 - Próxima de seu vencimento (5 de março), já mostrava sinais de oxidação. Mas parece fugir do estilo em termos de cor (muito escura) e presença de malte, que domina aroma e sabor. Poderia ser mais seca e menos densa, além de ter notas frutadas e de lúpulo. Tem como diferencial o uso de trigo, informado no rótulo pelo produtor. A Eisenbahn informa que já há lotes mais novos no mercado. Com o nome de Eisenbahn Dourada, a Kölsch é uma das referências comerciais do estilo no guia de diretrizes cervejeiras feito pela Beer Judge Certification Program, entidade dos EUA que forma juízes de concursos cervejeiros.

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Früh Kölsch (Alemanha, 500ml)

Produtor: Cervejaria Frühde Colônia (Alemanha)

Importador: Uniland

Estilo: Ale / Kölsch

Teor alc.: 4,8%

Cor: Dourado claro (a mais clara do quarteto), translucidez média a alta, límpida

Espuma: Branca, média formação e média a baixa duração

Aroma: Oxidação (papelã0) destacada, malte, grão, nota cítrica quase imperceptível (?)

Sabor: Malte, oxidação de papelão, adocicado mais presente que o da Bamberg, final doce, com nota seca muito fraca. Leve acidez, amargor baixo, corpo médio, carbonatação média a alta

Nota 2,2 em 5 - A mais próxima do vencimento (4 de março), já apresentava sinais claros de oxidação e perda de qualidades. Viagem também não contribui. Importador diz que lotes mais jovens estarão no mercado em algumas semanas. Provei a cerveja no bar da marca em Colônia em 2010; à época, dei a ela nota 3,7 em 5 e a seguinte avaliação: “Boa cerveja, um pouco mais puxada para o malte que para o lúpulo, apesar do final seco. Podia ter um pouco mais de lúpulo no aroma e sabor.”

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(Texto publicado na edição de 9/2/2012 no caderno Paladar do Estadão)

Há um ditado cervejeiro, oriundo da Alemanha, que associa a qualidade da bebida à distância de onde ainda é possível ver a chaminé da fábrica em que ela é produzida – ou seja, quanto menos viajam, melhor. No caso do estilo kölsch, a regra pode ganhar a variável tempo: quanto mais fresca, melhor.

Originária da cidade alemã de Colônia, a kölsch é dourada, límpida, com espuma branca de boa formação. Até aí, parece com a pilsen. Mas, ao contrário do estilo nascido na República Checa, que é lager (de baixa fermentação), a kölsch é ale (de alta fermentação). O livro The Oxford Companion to Beer remete a criação do estilo alemão ao início do século 19, como resposta dos cervejeiros de Colônia à “invasão” de lagers da Boêmia. Hoje, há 20 produtores na Alemanha que têm o direito de usar o nome do estilo, servido em copos cilíndricos de 200 ml, os stangen.

Uma kölsch tem, no aroma e sabor, delicadas notas frutadas e de lúpulo e alguma acidez. No Brasil, há poucos representantes do estilo. Um deles, da Cervejaria Bamberg, foi lançado semana passada. Há ainda a Eisenbahn, de Blumenau (SC) – precursora das nacionais – e as alemãs Gäffel e Früh. Todas têm 4,8% de teor alcoólico. Degustei-as lado a lado.

Mais jovem do grupo (a validade expira em agosto) e menos “viajada” (porque é de Votorantim), a Bamberg mostrou boas notas de malte, leve frutado e lúpulo cítrico e floral, que podia, contudo, dar um pouco mais de espaço ao frutado.

As duas alemãs eram dos lotes mais recentes no País. A Früh, que vence em março, apresentava oxidação no aroma e sabor. O importador informa que um novo lote, mais jovem, chega em algumas semanas. A Gäffel, que vence em maio, tinha sinais sutis de oxidação, leve lúpulo, amargor e secura mais destacados que na Bamberg. O importador informa que, por não ser pasteurizada, é mais sensível que outras cervejas; e sua validade, mais curta.

Mais escura, a Eisenbahn usa trigo na receita. O malte se destaca no aroma e sabor. Faltam, porém, notas mais presentes frutadas e de lúpulo e final mais seco. Ela é, porém, uma das referências comerciais de kölsch no guia de estilos de entidade dos EUA que forma juízes cervejeiros.

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Melhores de 2011, parte 60: Roberto Fonseca

  • 6 de fevereiro de 2012
  • 12h56
  • Por Roberto Fonseca

Roberto Fonseca (Foto: Arquivo pessoal)

Veja os votos de… bem, veja os meus votos fechando a enquete. Roberto Fonseca, de São Paulo (SP), jornalista de política, que escreve sobre cervejas para o caderno Paladar do jornal O Estado de São Paulo e para o blog do BOB (dica: você está nele):

Melhor lager nacional
Bamberg Camila, Camila. Boa bohemian pilsner (mas eu ainda era mais fã da primeira Tcheca), merece crédito também pela paciência do cervejeiro Alexandre Bazzo de ouvir avaliações sobre a primeira leva – que tinha perdido boa parte do aroma – e tentar resolver. Paciência, artigo raro hoje em dia no meio cervejeiro.

Melhor ale nacional
Seasons Green Cow IPA. Tomada via Sedex e no Wikibier de Curitiba, é provavelmente a melhor IPA comercial no Brasil (ao menos por ora). Mas a R$ 27 ou mais a garrafa de 500ml em São Paulo fica impraticável – a Tarantino precisa tentar baixar o preço.

Melhor lager importada para o Brasil
Samuel Adams Boston Lager. Esta sim com uma boa relação custo/benefício, mesmo com intermediários.

Melhor ale importada para o Brasil
Rodenbach Grand Cru. Só perde no estilo para a Panil Barriquée Sour, mas como ela não é trazida para o Brasil…

Melhor cerveja caseira
Uma american pale ale single hop com Chinook (tradução: usa apenas um tipo de lúpulo, o Chinook, na receita), feita pelo Mauro Nogueira e pela Luciane Tavares, do Rio de Janeiro. Perambulava pelo Beer Experience quando dei de cara com o casal, que segurava uma garrafa pet e alguns copos. Muito boa combinação de lúpulo no aroma e sabor, além de amargor potente. Não podia ser mais cerveja caseira, pelo momento e pelas condições. E não podia ser melhor.

Melhor cerveja de 2011, aqui ou lá fora
Surly Furious. Espetacular american IPA, aromática, saborosa, amarga e encorpada. E em lata, para acabar com eventuais preconceitos a respeito dessa forma de envasar cerveja. Há boas receitas chegando por aqui em latinhas. A propósito, a questão foi bem lembrada pelo Diego Baião do Boteco Colarinho.

Novidade do ano
A volta dos brewpubs, que estavam quase extintos ou relegados a produções pouco criativas. Confesso que fiquei bem receoso quando da abertura da Cervejaria Nacional, em São Paulo. Mas houve retorno grande do público e, pouco a pouco, as receitas vão se aperfeiçoando. Há, em Curitiba, o Hop n’ Roll, que resgata a ideia do “faça sua própria cerveja” que o Marcelo Moss teve há uns bons anos no The Beer Store, também na capital paulista. Há projetos de novos brewpubs no ABC paulista e em Belo Horizonte, pelo que soube. Pena que a paulistana Corsário não avançou – só lamento, sem me estender nos motivos.

Melhor fato cervejeiro
Ainda é possível contar nos dedos as cervejarias que tentam sair da pasmaceira dos estilos de sempre, mas pelo menos agora é preciso usar mais de uma mão (risos). A Bierland, de Blumenau (SC), parecia relegada ao arroz com feijão – tinha uma boa weiss, que depois perdeu o “encanto”, e estilos básicos. Repaginou sua Pale Ale, lançou a boa Vienna (mas que ficou melhor em chope que na garrafa) e tirou da cartola a Imperial Stout e a Strong Belgian Ale. Curiosamente, isso ocorreu após a entrada do Feijão, vulgo Paulo Bettiol, beer sommelier – nem tudo é crítica para a profissão da moda na cerveja.  Ainda na categoria criatividade, cito a Bodebrown, do Samuel Cavalcanti.

Pior fato cervejeiro
No ano em que produtores tentaram se aproximar do poder para reivindicar melhorias tributárias e de avaliação legal de seus produtos, o tal do meio cervejeiro parece ter exposto todos os males de partidos políticos. “Rachas” diversos, crescimento sem critério de “filiações”, “caciques” querendo se eternizar no posto, o “estatuto” da legenda sendo trocado por outros critérios e “radicais” (sim, no plural) por todos os lados. E ainda há o Caruncho – mas este será tema de post à parte. Felizmente, há gente boa na turma “das antigas” e bons talentos aparecendo agora. Quem sabe em uma ou duas “gerações” de cervejeiros a categoria não se une?

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