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Anner Bier e a cerveja da Maria Degolada

  • 9 de março de 2009|
  • 12h55|
  • Por Roberto Fonseca

ficha anner tripel

Tudo começou em 12 de novembro de 1899, quando Maria Francelina Trenes foi com o namorado, um soldado da brigada militar, ao morro do Hospício, onde hoje fica o bairro Parthenon, em Porto Alegre. Trocando a dramatização estilo Linha Direta por algo mais objetivo, os dois brigaram e o ‘puliça’ (como já diriam os colegas do Diarinho, jornal famoso pela “neolinguagem”, em termos que incluem “siscapou”) degolou a jovem embaixo de uma figueira. Já na condição de meliante, o soldado foi preso e morreu seis anos depois.

E Maria Trenes, agora Maria Degolada, ganhou uma capela onde ficava a figueira. Passou a correr pela boca do povo a lenda de que ela atendia todos os pedidos, menos os feitos por policiais. O entorno da capela deu origem à Vila Maria Degolada, ou melhor, Maria da Conceição (ouvi que, em uma sessão espírita, ela teria manifestado descontentamento com o batismo inicial; é melhor respeitar)

Corta pra Porto Alegre, junho de 2007: “Uau!”, foi a primeira coisa que me veio a cabeça ao saber da história por meio dos cervejeiros caseiros Guilherme e Glauco Caon (na foto), que moram na vila da Maria. “Quando vocês vão fazer a cerveja Maria Degolada? Já imagino o rótulo meio em preto e branco, desenhado, com a história no contra-rótulo, muito legal”. Naquela época, o projeto, porém, ainda estava embrionário, mais por falta de tempo do que de coragem (vai saber se a finada entenderia a homenagem ou jogaria uma praga nos dois; no caso da segunda opção, eu gostaria de registrar que nunca concordei com a idéia… hehehe).

glauco e guilherme caon

Quase dois anos (e algumas cervejas da dupla) depois, a ideia saiu do papel. E de uma forma melhor do que eu imaginava. A primeira coisa que se nota na Maria Degolada Tripel é o rótulo: uma xilogravura feita pela mãe dos irmãos Caon, que é artista plástica. Maria Degolada está lá, a fitar o bebedor incauto com a cabeça segura por um dos braços.

rótulo maria degolada

A arte, aliás, é um dos destaques da produção da Anner. Há algumas semanas, os irmãos cervejeiros fizeram uma exposição de rótulos criados por amigos, além de alguns que já ganharam as garrafas da produção, como a Blonde e a Bitter.

rótulo anner blonde

rótulo anner bitter

Se a história que deu nome ao bairro é antiga, a produção cervejeira dos irmãos Caon é mais recente: contando as primeiras experiências com fabricação, são quase três anos. Na fase inicial, as brassagens eram feitas com o pessoal de outra homebrew chamada Canjibrina. “A ideia a gente já tinha há tempos, mas faltavam recursos e leitura suficiente sobre o processo cervejeiro”, diz Glauco. “Um dia conversamos com o pessoal da Canjibrina e decidimos fazer a primeira tentativa na cara e na coragem”, afirma Guilherme. “Mas saiu muito errado”.

Apesar disso, os dois comentam coisas boas do processo, como o aroma do malte e do lúpulo que saiu da panela na primeira produção. Depois de mais estudo e de uma “mãozinha” de outros cervejeiros, as produções foram melhorando. Os irmãos, por falta de tempo (graças a uma pós e um mestrado) acabaram se separando do grupo da Canjibrina e começaram a se reunir em horários “alternativos”.

Explicado o porquê do Maria Degolada, faltou falar do Anner. Trata-se do sobrenome dos avós dos irmãos. Eles explicam que um dos avôs já fazia cerveja em casa, de modo rudimentar. Outra dúvida no ar: onde achar a cerveja. Fácil: é só ir ao Bierkeller, o bar do Vittorio, em Porto Alegre. O endereço? Aguarde o próximo post. Hehehehehe…

Em tempo: a Anner Blonde e a Bitter estão à venda no Cervejasnet.

Cervejeiros: Glauco e Guilherme Caon
Contato:  cerveja.anner at gmail.com
Há quanto tempo fazem cerveja: desde 2006
Estilos já produzidos: blonde ale, special bitter, tripel, weiss, imperial red ale e imperial stout

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