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Paladar do Brasil terá palestras sobre cerveja

  • 29 de julho de 2010
  • 0h06
  • Por Roberto Fonseca

paladarlogo

Já tem programa para sábado e domingo? Tenho, num momento de autopromoção, duas sugestões: as palestras sobre cerveja que ocorrerão durante o Paladar do Brasil, no hotel Grand Hyatt (Av. das Nações Unidas, 13301, São Paulo. Tel.: 0xx11 2838 1234).  Ambas serão apresentadas por este que escreve, que tentará apresentar da melhor forma possível os dois temas escolhidos. A saber:

CERVEJAS EM BARRIL (Sábado, 16h30): os participantes poderão conhecer um pouco mais sobre as cervejas acondicionadas em barris de madeira, tendência retomada pelos Estados Unidos nos anos 90 e muito recente aqui no Brasil. Vamos debater os elementos do barril – e das bebidas que ele abrigava – e sua influência nas cervejas. Serão cinco receitas, entre produtos de microcervejarias e criações de homebrewers. Mais informações aqui. Preço: R$ 65.

CERVEJAS EXTREMAS: (Domingo, 14h30): outra tendência iniciada nos Estados Unidos. Uma cerveja pode ser extrema pelo seu teor alcoólico (que em alguns casos supera facilmente o do vinho e chega ao patamar de destilados) ou por seu amargor – há exemplares com mais de dez vezes o índice de uma loura gelada do dia a dia. Mas, como diz o ditado, nem sempre mais quer dizer melhor. Para cervejeiros experientes, a chave de uma receita extrema é, justamente, buscar um ponto de equilíbrio. Serão degustadas cinco cervejas, também vindas de microcervejarias ou homebrewers. Para saber mais, clique aqui. Preço: R$ 65.

Enfim, é isso. Espero vocês lá para tomarmos boas cervejas e trocarmos ideias sobre a nobre bebida.

Bamberg Rauchbier leva prêmio em competição

  • 28 de julho de 2010
  • 17h52
  • Por Roberto Fonseca

A notícia chegou agora há pouco: a Bamberg Rauchbier, produzida pela cervejaria homônima, de Votorantim, acabou de faturar o título de melhor do mundo na categoria “Flavoured Lager” (ou lager aromatizada), concedido pela revista eletrônica Beers of the World. Foi a única brasileira a faturar uma medalha na eleição.

Entre as demais premiadas, os destaques que podem ser achados aqui no Brasil foram:

- Unibroue 17, melhor strong dark ale do mundo

- Primator Premium, melhor lager premium

- Weihenstephaner Vitus, melhor cerveja de trigo forte

- Gouden Carolus Classic – melhor dark ale de abadia/trapista

- Ola Dubh 40 – melhor dark ale de especialidades

- Fullers London Pride – melhor bitter

- Unibroue La Fin du Monde – melhor golden ale

- Rogue Juniper Pale Ale – melhor pale ale de especialidades

- Fullers ESB – melhor pale ale na categoria extra special

- Rogue Mocha Porter – melhor porter aromatizada

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Concurso Paulista: equilibrada, campeã tem vantagem folgada

  • 25 de julho de 2010
  • 1h37
  • Por Roberto Fonseca
Paulo Ferro, Guilherme de Santi e Alex Wirz, o trio vencedor (Foto: Cervejaria Bamberg/Divulgação)

Paulo Ferro, Guilherme de Santi e Alex Wirz, o trio vencedor (Foto: Cervejaria Bamberg/Divulgação)

Foram anunciados há pouco o campeão, o vice e o terceiro colocado do Concurso Paulista de cerveja caseira, organizado pela Associação dos Cervejeiros Artesanais de São Paulo e pela Cervejaria Bamberg, de Votorantim. Foi justamente na cidade do cimento que ocorreu a análise das concorrentes, todas no estilo de influência inglesa Extra Special Bitter, na tarde de sábado. Entre os 17 jurados, lá estava eu dando pitacos sobre cerveja. Muito engenhoso, Alexandre Bazzo, dono da Bamberg, trocou os números dos concorrentes para manter o segredo até hoje, mas o blog obteve as notas dos oito melhores classificados. Pode-se deduzir, de pronto, duas coisas.

A primeira é que o vencedor teve larga vantagem, de 14,5 pontos em 170 possíveis. A cerveja no topo do pódio, aliás, ficou marcada pelo equilíbrio e por uma interessante disputa com a segunda colocada, que tinha lupulagem “turbinada” – chegou a causar, em alguns jurados, como eu, a impressão de uma “assinatura” de lúpulo americano no aroma. De fato, a vice-campeã é uma cerveja muito boa, assim como foi grande a tentação de considerá-la a melhor. Mas o objetivo da competição era definir a receita que mais se aproximava do padrão de uma ESB inglesa. Com isso, creio que a meta foi atingida. O segundo destaque é que o trio mais bem posicionado também se destacou muito em relação aos outros concorrentes – mais de 30. Eis aqui o resultado e alguns comentários que anotei no famoso bloquinho. Veja a lista:

1º colocado – GUILHERME  ALBERICI DE SANTI (Campinas), com a DeSanti, número 16, com 128 pontos. Aroma de lúpulo pronunciado (sensação de madeira), malte suave, leve caramelo, biscoito, leve frutado. Sabor de malte, lúpulo, cítrico, adocicado, frutado suave, final seco e de malte, corpo médio, amargor idem, carbonatação média a alta. Cor castanho médio, de translucidez média a baixa, com espuma bege clara, de média a alta formação e média duração. Bela cerveja, com bom balanço entre malte e lúpulo.

2º colocado – PAULO CRISTIANO FERRO (Mogi Mirim), com a SCANDINAVA ESBnúmero 17, com 113,5 pontos. Aroma cítrico e herbal potentes, frutado, adocicado. Sabor de lúpulo destacado, cítrico/herbal, leve malte e caramelo, corpo médio a alto, amargor idem, leve torrado, final seco e de lúpulo. Castanho escura, de translucidez média a baixa e espuma cor de creme, média a alta formação e duração. A cerveja é muito boa e chega a “viciar”, mas a lupulagem ficou um tanto fora do padrão da ESB inglesa.

3º colocado – ALEX WIRZ VIEIRA (São Paulo), com a cerveja ESBoldo, número 30, com 100 pontos. Aroma de lúpulo cítrico, frutado, adocicado e malte em boa harmonia. Sabor de lúpulo pronunciado, cítrico, malte, final seco, leve tostado, corpo médio a baixo, amargor médio a alto, carbonatação média. Castanho médio, translucidez média a baixa, espuma cor de creme, média a alta formação e duração. Bela cerveja, na minha opinião empatada com a 16, por ter melhor aroma mas perder em sabor para a rival.

4º colocado – DANIEL GUANDALINI (Campinas), número 31, com 97 pontos. Uma das disputas mais acirradas do dia com a número 30. Aroma frutado, com notas que lembram banana, cítrico e adocicado. Sabor de malte, adocicado, final seco e cítrico, amargor médio a alto, corpo médio, carbonatação média a alta. Cor castanho escura, translucidez média a baixa. Espuma cor de creme, média formação e duração. Cerveja tem bons elementos, mas poderia mostrar malte e lúpulo de forma mais destacada.

5º colocado – MARCOS ARNUS (São Paulo), número 14, com 84,5. Aroma de banana passa, adocicado e malte. Sabor com notas de banana, adocicado, final seco, corpo médio a baixo, amargor idem, carbonatação média a alta. Cor castanho escura, translucidez média a baixa, espuma bege clara, média formação e duração. As notas de banana tiram a cerveja do padrão.Também poderia ter um pouco mais de lúpulo e amargor.

6º colocado – GUILHERME BALDIN (São Paulo), número 23, com 82 pontos. O duelo com a 14 foi o mais acirrado do torneio. Aroma de malte, biscoito, leve lúpulo ao fundo. Sabor com notas iniciais adocicadas, leve cítrico, leve tostado, corpo médio, amargor médio a alto, final seco e de malte. Cor castanho médio, translucidez média. Espuma cor de creme, de média a baixa formação e duração. Boa cerveja, que poderia ter um pouco mais de lúpulo. Foi uma das classificadas à final pela minha mesa, junto com a 31.

7º colocado – FLAVIO ANNICCHINO (Indaiatuba), número 1, com 77 pontos. Aroma de lúpulo suave, malte, biscoito. Sabor de malte, leve doce inicial, seguido de amargor e leve cítrico, final seco e com leve doce, nota alcoólica destacada, amargor médio a alto, carbonatação idem, corpo médio. Cor castanho clara, translucidez média a alta,espuma branca, média formação e média a baixa duração. Havia algum elemento no aroma da cerveja que atrapalhava as outras notas (sinto muito por não saber identificar).

8º colocado – PHILLIP ZANELLO (Araraquara), número 4, com 63,5 pontos. Aroma cítrico (laranja), adocicado, leve frutado. Sabor Malte, lúpulo cítrico, leve frutado, final seco e de lúpulo, adocicado, corpo médio, amargor idem, carbonatação média a alta. Cor castanho muito clara, translucidez média a alta. Espuma cor de creme, média formação e média a baixa duração. Bom aroma frutado, mas faltou um pouco mais de lúpulo.

Candidatos e cerveja, parte 1

  • 23 de julho de 2010
  • 19h21
  • Por Roberto Fonseca
O candidato à Presidência José Serra (PSDB) toma chope Brahma no Box 32, em Florianópolis (Foto: Marcos Brandão/Obritonews)

O candidato à Presidência José Serra (PSDB) toma chope no Box 32, em Florianópolis (Foto: Marcos Brandão/Obritonews)

Como tem sido um tanto difícil conciliar a cobertura de política e eleições com a cervejeira, resolvi, a partir de hoje, inaugurar a seção “Os candidatos e a cerveja”, que trará, sempre que um concorrente à Presidência ou ao governo paulista for flagrado tomando um chopinho durante o corpo a corpo com o eleitorado, o registro do fato (se for feito pelos nossos bravos colegas, claro) e informações sobre a bebida degustada.

Tive a ideia há pouco, ao ver o tucano José Serra sorvendo um copo de chope no Box 32, famoso bar no Mercado Público de Florianópolis. De pronto, imaginei se tratar de uma Eisenbahn, já que o Box 32 tinha um rótulo próprio (na verdade era a pilsen da cervejaria de Blumenau, pelo que me disseram). Ao apurar os fatos, porém, fui informado por telefone, por um funcionário do local, que é o chope Brahma, que é a única fermentada com a qual o bar trabalha atualmente.

Como não sei se as punições da legislação eleitoral se aplicam sobre os comentários relacionados às cervejas degustadas pelos candidatos, não tecerei nenhum sobre a escolha do tucano. Mas e você, leitor, o que achou?

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Meantime: a Schlenkerla me deixou mal-acostumado

  • 21 de julho de 2010
  • 16h44
  • Por Roberto Fonseca

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Não é muito comum, mas existem no meio cervejeiro casos de boas receitas que dizem ser de um estilo, mas não o são, e acabam criando uma expectativa errônea quando degustamos outras variedades, essas sim do estilo descrito. Um exemplo é a Baden Baden Red Ale, que, apesar do nome, é uma barley wine com quase 10% de teor alcoólico. Lembro-me que, quando provei a Dado Bier Red Ale, achei-a fraquíssima, o que, de certa forma, foi uma injustiça, já que a cerveja, com 4,5%, jamais teria o mesmo corpo (e alguns elementos) da Baden. O inverso, quando uma cerveja define um estilo, mas suas “crias” mundo afora o distorcem tanto e em tamanha escala que parecem ser elas as originais, é mais comum. O exemplo principal é o pilsen, mas há ainda o caso da Schneider Original, que, embora seja definidora do estilo, é bem mais escura que as weissbiers atuais, o que a fez cair numa categoria diferente em concursos da bebida.

A Aecht Schlenkerla Rauchbier Märzen, produzida pela cervejaria Schlenkerla/Heller-Trüm, da cidade alemã de Bamberg, criou fenômeno parecido (guardadas as devidas proporções) ao da Baden. Desde que chegou ao Brasil, há três anos, creio, tornou-se referência de cerveja defumada por aqui. Outras já surgiram no mercado, com destaque para a da Bamberg, de Votorantim, premiada lá fora, e a Eisenbahn, mais moderada no defumado, mas também interessante. Mas a alemã, pela potência, ainda é “a” cerveja defumada e acaba ofuscando as demais, apesar de seus méritos.

É exatamente o que ocorre com a Meantime Smoked Bock. Ao menos para mim, é automático olhar uma cerveja com a palavra “defumado” escrita no rótulo e cotejá-la com a Schlenkerla. Em quase todos os casos, porém, a novata fica atrás. Diria que a Bamberg é a que mais se aproxima do empate, em especial na versão chope. Infelizmente para a receita inglesa, porém, ela é equilibrada, mas justamente por isso não tão intensa na característica que devia ser a principal, o defumado.

Ao procurar o volume da garrafa em sites de venda de cervejas, achei essa curiosa explicação sobre a Meantime no site Cervejasnet: “É uma cerveja que se destaca pelas notas defumadas, equilíbrio entre o malte e o lúpulo. Não retrata as mesmas sensações de uma cerveja do estilo Rauchbier, até porque não é este o estilo desta cerveja. Cerveja leve e marcante”. Achei a informação para o consumidor bastante honesta e esclarecedora. Mas fazer o quê com o duelo inconsciente? Há, ainda, um outro fator que pesa a favor da alemã: o preço. No mesmo site, a Schlenkerla custa R$ 17,50 a garrafa de meio litro, contra R$ 29 da inglesa.

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Bamberg e Acerva fazem concurso paulista e festival de inverno

  • 19 de julho de 2010
  • 16h54
  • Por Roberto Fonseca
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SERVIÇO COMPLEMENTAR: o concurso será dia 24/7 e o evento, aberto ao público, dia 25/7. No domingo, os ingressos custam R$ 100 e dão direito à degustação de cervejas convidadas. O local é a fábrica da Bamberg, na Rua Sebastião Benedito Reis, 582, Votorantim. É proibida a entrada de menores de 18 anos. O resto, creio, está legível no cartaz.

Depois do Concurso Nacional de Cervejas Artesanais realizado em Porto Alegre, mais uma competição cervejeira ocorre neste final de semana. A Cervejaria Bamberg, de Votorantim, e a Acerva Paulista realizam o Concurso Paulista no sábado (fechado ao público) e, no domingo, o Festival de Inverno, aberto a convidados. O torneio terá 30 concorrentes no estilo Extra Special Bitter, ou ESB, de influência inglesa, e o vencedor terá sua receita produzida pela Bamberg em uma leva de 800 litros (ou 2.500 garrafas), que serão vendidos depois pela cervejaria.

á o festival terá 25 estilos de cerveja para os convidados, vindos de 38 produtores, entre cervejeiros caseiros e rótulos da Bamberg, Colorado e Falke Bier, totalizando 1.000 litros da bebida. Cada ingresso custa R$ 100 e dá direito à degustação das cervejas, almoço e visita a exposição de fotos de Ivam Grambek, do Projeto Embarcações, de Piedade. 

EM TEMPO: os convites acabaram, segundo informou a Bamberg no Twitter. Não me apedrejem, quando coloquei o post no ar, ainda havia disponíveis.

Brewdog Paradox: a cerveja do labrador

  • 17 de julho de 2010
  • 15h42
  • Por Roberto Fonseca
Bracken, o mascote da cervejaria e degustador informal (Foto: Reprodução do site da Brewdog)

Bracken, o mascote da cervejaria e degustador informal (Foto: Reprodução do site da Brewdog)

Agora que boa parte dos leitore(a)s já deve ter esgotado os “aaaaahhhhssss” e “que bonitinho” sobre o labrador chocolate da foto aí de cima (aliás, o uso de bichinhos é um dos recursos mais comuns na propaganda, para atrair a atenção do leitor/espectador), voltamos à programação normal. Como havia escrito em um post anterior, as cervejas escocesas da Brewdog chegam em algumas semanas ao País. A marca foi criada por James Watt e Martin Dickie em abril de 2007, quando ambos tinham 24 anos e estavam cansados das mesmas lagers e ales industriais de sempre no Reino Unido (vejam os padrões de cada um, aqui nos queixamos de cervejas industriais que, provavelmente, tem bem menos capacidade de emocionar um cervejeiro de carteirinha). A dupla se especializou em receitas extremas, mais notadamente as com teor alcoólico impactante – da Tokyo, com seus 18%, até a Sink the Bismarck, com obscenos 41%, nascida em disputa com uma cervejaria alemã pelo troféu de receita mais potente do mundo.

A linha, porém, também tem cervejas mais “light” (para os padrões da Brewdog, claro), e a Paradox é uma delas. Com “apenas” 10% de teor alcoólico, ela é uma imperial stout maturada em barris de carvalho usados, inicialmente, para armazenar Bourbon nos Estados Unidos, depois uísque na Escócia e, por fim, viraram morada da Paradox. A cerveja da foto aí de baixo foi comprada em 2008 pela Gi na sensacional loja Utobeer, em Londres – ela fica pertinho do Borough Market, um mercadão de comidas da cidade.

paradoxfich

Desde o momento em que ela chega ao copo, a comparação inevitável é com a Harviestoun Ola Dubh, também escocesa, uma old ale com 8% de teor alcoólico maturada em barris de uísque de idades que variam de 12 a 40 anos – tomei a 18 e a 40, e a última é minha favorita. Como a Paradox já tinha um certo tempo de vida quando a tomei, decidi esperar pela chegada de representantes mais novos da marca – ela é uma das integrantes do lote que será trazido pela Tarantino - para fazer a comparação copo a copo. De cabeça, porém, fiquei com a impressão de que a Paradox tem uma nota muito marcante de madeira e um quê de uísque mais pronunciado, enquanto a Ola Dubh vai mais para o lado do malte chocolate, licoroso e baunilha. Para o meu gosto, a Ola Dubh leva ligeira vantagem, mas a Paradox também é uma bela cerveja. Resta agora esperar sua chegada para o duelo.

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U Fleku: como se diz ‘não quero Schnapps’ em checo?

  • 10 de julho de 2010
  • 19h44
  • Por Roberto Fonseca
Relógio na porta do U Fleku, que também aparece nos rótulos (Foto: Roberto Fonseca)

O segundo relógio mais famoso de Praga, que também aparece nos rótulos do U Fleku (Foto: Roberto Fonseca)

 Sabe como rastrear um fã de boas cervejas quando ele entra de férias (ou foge de algo, dependendo do contexto)? Simples: basta deduzir que o sujeito vai estar perto de algum centro cervejeiro de qualidade pelo mundo. Nos últimos anos, tenho pautado os roteiros de folga pela proximidade de exemplares da nobre bebida que valem uma degustação (ou, melhor ainda, bem mais de uma). Já antevendo a estiagem durante o período de trabalho eleitoral, resolvi em apegar aos clássicos: República Checa e Alemanha. Comecei pelo país que é lar da pilsen, nascida na cidade homônima em 1842. A primeira parada, porém, foi no segundo estilo mais famoso no país, o das dark lagers. Novas produções à parte, a estreia cervejeira em solo checo não poderia deixar de ser no U Fleku, que já havia visitado em 2002.

 

A fachada do U Fleku, na rua Kremencova (Foto: Roberto Fonseca)

A fachada do U Fleku, na rua Kremencova (Foto: Roberto Fonseca)

O local, com fachada imponente na escondida rua Kremencova, funciona como salão de jantares desde 1499, antes da descoberta do Brasil. Os proprietários do local se baseiam em uma certidão de venda do imóvel daquele ano a um dono de maltaria, chamado Vít Skřemenec, para atestar que o U Fleku produz também produz cerveja há mais de 500 anos – há, em um dos cômodos, dois canhões que teriam sido usados na Guerra dos 30 anos, ocorrida no Século 17, que funcionam como uma espécie de “certidão de antiguidade” do local. A fabricação foi estatizada durante o regime comunista no país, e  só em 1991 voltou aos proprietários anteriores, a família Brtník. Os equipamentos foram modernizados – os antigos, parte deles ainda em madeira, estão expostos num mini-museu no local -, mas o U Fleku segue produzindo um único estilo, o Tmavy Lézak (ou dark lager). Pelo que me lembrava, era uma excelente cerveja; cheguei a trazer uma garrafa para o Brasil em 2002, de tão impressionado que fiquei com ela. Guardei no álbum de fotografias o rótulo, que leva a imagem do relógio que aparece na fachada do U Fleku (o segundo mais famoso de Praga, perdendo apenas para o espetacular relógio astronômico que fica na Praça da Cidade Velha). Muita coisa, porém, mudou desde então, como pude constatar.

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OK, o lugar já era bastante turístico em 2002, mas parece ter ficado ainda mais agora, para o bem e para o mal. Aliás, não só o U Fleku, mas a cidade toda – preços bastante altos, casas de câmbio com valores “flutuantes” que parecem feitas para enganar turistas e algazarra por todo lado. Mas continua belíssima, com o centro histórico imponente e belas cervejas. Esse paradoxo se reflete no U Fleku. Logo que cheguei com a Gi, fomos levados para uma mesa de forma um tanto apressada, que só perdia em rapidez para a entrega dos cardápios e para a cara de impaciência do garçom à espera de pedidos. Antes que conseguisse pedir a cerveja, porém, um dos atendentes, com uma bandeja repleta de schnapps, estendeu um copinho em minha direção. Neguei uma, duas, três, quatro vezes, e o sujeito ali, de braço estendido, agitando o destilado. Temendo que ele começasse a ter cãibras e caísse no chão, aceitei. Péssima ideia: álcool puro, que atrapalhou, por alguns instantes, os sabores da Tmavy Lézak.

Passados os primeiros obstáculos, os pratos e a cerveja estavam bons, é verdade. Mas incomodou um pouco o sistema “bar badalado paulistano”, em que o garçom circula com várias canecas de chope e substitui a sua antes mesmo de acabar. Saí satisfeito com a cerveja, mas um tanto bodeado pelo nada admirável mundo novo que tomou conta da cervejaria. Nem me animei a trazer uma garrafa para casa, mas tudo bem. Afinal, a viagem ainda era bastante longa e com diversas paradas cervejeiras, como conto no próximo capítulo.

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Cerveja mais forte do mundo (?) vai chegar ao Brasil. E a Rogue já chegou

  • 7 de julho de 2010
  • 15h20
  • Por Roberto Fonseca

Quarenta e um por cento de teor alcoólico. Assim, por extenso, parece ainda mais impactante. Não, não é nenhuma aguardente ou destilado de maior poder de fogo, e sim uma cerveja. Produzida pela escocesa Brewdog, a Sink the Bismarck começa a ser vendida nas próximas semanas pela importadora Tarantino. Trata-se de uma IPA elevada à enésima potência alcoólica, produzida no duelo da Brewdog com uma cervejaria alemã pelo título de receita mais forte do mundo. Essa lógica “extrema” é polêmica e tem críticos de peso, como o mestre-cervejeiro da Brooklyn, Garrett Oliver. Pessoalmente, prefiro provar a cerveja antes de comentar. Já adianto, porém, que o preço de cada long neck será salgadíssimo, e não duvidaria que beirasse um salário mínimo (!!!) em alguns locais.

Junto com a Sink the Bismarck, vieram  mais oito receitas da Brewdog: 77Lager, Trashy Blond, Punk IPA, Hardcore IPA, 5 A.M. Saint e as mais potentes Paradoxx (10%), Tokyo (18%,2) e TNP (32%).

 Pela mesma importadora, que já traz as norte-americanas Flying Dog e Anderson Valley, chega antes da Brewdog (provavelmente em 10 dias) mais uma marca da terra do Tio Sam: a Rogue, em 14 versões, algumas com ingredientes curiosos, como café, zimbro e avelã. São elas: Dead Guy Ale, Shakespeare Stout, Hazelnut Brown, American Amber, Juniper Pale, Morimoto Soba, Rogue Red, Morimoto Black Obi Soba, Santa’s Private Reserve, Yelow Snow IPA, Brutal Bitter, Mocha Porter, Morimoto Imperial Pilsner e Xs Imperial IPA.

Em tempo: agora há pouco, o colega cervejeiro luso Vdealmeida, do blog Ruivas, Louras e Morenas, escreveu dizendo que a cervejaria arqui-inimiga da Brewdog já “afundou” o Bismarck com uma receita ainda mais alcoólica. E fez o melhor comentário sobre a disputa: “Já está chegando às raias da loucura”.

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Mais um bar cervejeiro fecha as portas: Drake’s

  • 6 de julho de 2010
  • 12h24
  • Por Roberto Fonseca
O aviso de fechamento no site do Drake's. (Imagem: Reprodução)

O aviso de fechamento no site do Drake's. (Imagem: Reprodução)

Pois é, nobres leitores. Recebi a triste notícia há pouco. Depois do gaúcho Mulligan’s, que não resistiu nem um ano na Alameda Bela Cintra, e do Anhanguera, vendido para a empresa controladora do Bar Brahma – funciona no conceito original só até 20/7 – , outro ponto de referência cervejeiro em São Paulo fechou as portas. Desta vez foi o Drake’s Bar & Deck, localizado dentro do Centro Brasileiro Britânico, em Pinheiros, que anuncia em seu site “fechamento por tempo indeterminado”.

Além de ter um visual bacana – misturava mesas no jardim com uma parte interna ao estilo de pub -, o local tinha uma bela carta de cervejas e chegou, por um bom tempo, a vender as cervejas da Nacional FT, produzidas ali perto. A primeira produção dos “nanocervejeiros” de Pinheiros, uma Pale Ale de influência inglesa, apareceu primeiro por ali. Ainda não consegui falar com os donos para saber a versão oficial dos fatos, mas, informalmente, parece que já havia ocorrido saída de sócios. E que as cervejas e demais equipamentos podem ser aproveitados pelo O’Malleys.

Fica aqui o triste registro, a torcida para que ainda exista esperança de reabertura do Drake’s e para que outros “templos” da boa cerveja na capital não tenham o mesmo destino. Isso, porém, depende dos apreciadores da nobre bebida.

Em tempo: após a publicação deste post, a página do site do Drake’s que informava o fechamento por tempo indeterminado saiu do ar.

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