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Riebeck: ‘Nein, nein, nein!’

  • 10 de fevereiro de 2012
  • 13h05
  • Por Roberto Fonseca

Riebeck Premium Pilsener (Alemanha, 500ml)

Produtor: Cervejaria Braugold, de Erfurt (Alemanha)

Tipo: Lager / German pilsner

Teor alc.: 4,9%

Cor: Dourado escuro, translucidez alta, límpida

Espuma: Branca, de média a alta formação e média duração

Aroma: Malte (biscoito/grãos), leve nota de lúpulo herbal

Sabor: Malte (grãos), leve adocicado inicial, seguido de amargor médio a alto para o estilo e final seco. Corpo médio e carbonatação média a alta.

Nota 3,2 em 5: Representa o estilo german pilsner sem “comprometer”, mas poderia ser ainda mais seca – e ter um pouco mais de lúpulo no sabor, mas dentro do padrão do estilo (ou seja, sem exageros). Refrescante.

____________________________________

Uma das paradas das minhas férias em 2011 foi Berlim. Desnecessário dizer que fiz um mapeamento prévio de brewpubs, cervejarias e bons bares locais. E também das duas principais lojas da nobre bebida que existem na cidade, cada qual em uma ponta da capital alemã. Uma delas é a Bier Spezialitäten Laden, um pequeno ponto comercial instalado na Karl-Marx Allee. Que, aliás, vale o passeio por si só, com seus prédios monumentais que serviam de “cartão postal” para a Berlim (e a Alemanha) Oriental mostrar seu modo de vida ao lado Ocidental. Fomos – eu, minha esposa e uma amiga – parar lá depois de visitar a East Side Gallery, pedaço do muro que sobrou em pé. Tinha errado o horário de abertura do Hops&Barley, brewpub que fica mais ou menos ali por perto. Para não ser “linchado” pela falha – estávamos num ponto distante da cidade, sol a pino e sem um local conhecido para tomar uma cerveja -, paramos em uma tendinha da HB e, depois, fomos ao número 56 da Karl-Marx Allee.

Não sei se é a loja que é muito pequena ou se a quantidade de cervejas que é muito grande para o espaço. O fato é que o local é abarrotado de garrafas, bolachas, copos, cestas, bandejas e outros colecionáveis cervejeiros. A peça mais “rara”, porém,  está atrás do balcão: o proprietário (mea culpa não ter pego o nome dele, mas vocês entenderão o porquê). Um senhor de idade, gorducho, com colete verde e inglês “chucrutônico” – a versão alemã e politicamente incorreta do “macarrônico” – que, apesar de carrancudo, tentou ajudar.

O problema é que a loja, além de abarrotada, não segue lógica alguma na distribuição das cervejas alemãs – as importadas estão no canto, em menor quantidade, e é mais fácil analisá-las. Logo descobri, porém, que o problema maior não era esse. Perguntei ao dono se ele tinha Gosebier, a cerveja ácida ligada às cidades de Goslar e Leipzig. A expressão de seu rosto me fez ter certeza de que ele já as havia provado – e odiado. “Você quer tomar isso? É cerveja estragada. Não, não.” E foi “desancando” as cervejas da minha lista, tiradas das top do Ratebeer.com. Disse que ia me dar boas cervejas e separou quatro german pilsners. “Estas sim são muito boas.”

Teimoso, escolhi só uma das quatro e me pus a fuçar as prateleiras, caixas e afins atrás de cervejas da lista. Achei algumas, como um exemplar de german porter e a famosa Kulmbacher Eisbock. Quando as colocava no balcão, o sujeito as olhava e abanava a cabeça, desconsolado, comentando algo em alemão com o amigo. Compra feita – com direito a uma cestinha de vime e algumas bolachas dadas de brinde pelo velhinho, que no final era um sujeito mal-humorado, mas boa praça -, seguimos com o roteiro.

Só quando voltei a São Paulo  tomei a tal pilsen que ele tinha recomendado – é a cerveja analisada aí em cima. Boa, simpática, mas normal. Achei curioso que, com um gosto tão “objetivo” – capaz de considerar que apenas um estilo poderia valer a pena para um visitante conhecer -, ele tivesse uma loja com tantas cervejas diferentes. E, com isso, fiquei fã do alemão carrancudo. Tomara que a loja resista às mudanças do mundo cervejeiro tanto quanto os prédios da Karl-Marx Allee.

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A kölsch, a ‘chaminé’ e o tempo passado

  • 9 de fevereiro de 2012
  • 8h00
  • Por Roberto Fonseca

Bamberg Kölsch (Brasil, 600ml)

Produtor: Cervejaria Bamberg, de Votorantim (SP)

Estilo: Ale / Kölsch

Teor alc.: 4,8%

Cor: Dourado médio (em relação às demais), translucidez alta, límpida

Espuma: Branca, média a alta formação, consistente, formando “touca” no copo, média a alta duração

Aroma: Malte, leve frutado, notas de lúpulo floral e cítrico, biscoito

Sabor: Malte, biscoito, leve doçura inicial (sensação de mel), depois final seco e leve acidez. Corpo médio para o estilo, amargor médio, dentro do padrão, carbonatação média a alta. Conforme esquenta, sabor de lúpulo cítrico e floral se torna mais presente, chegando a se sobrepor aos demais elementos.

Nota 4,0 em 5Favorecida pela juventude (vence em agosto) e pelo transporte mais curto a São Paulo (é de Votorantim), tem nuances delicadas de malte, frutado e lúpulo mais presente. Lúpulo, porém, poderia ser um pouco mais contido para dar mais espaço  às notas frutadas. Refrescante.

_______________________________

Gäffel Kölsch (Alemanha, 350ml)

Produtor: Cervejaria Gäffelde Colônia (Alemanha)

Importador: Stuttgart

Estilo: Ale / Kölsch

Teor alc.: 4,8%

Cor: Dourado médio (em relação à Früh, mas menos que a Bamberg e a Eisenbahn), translucidez alta, límpida

Espuma: Branca, média formação e média a baixa duração

Aroma: Leve oxidação (papelã0), malte, leve lúpulo (resiste melhor que a Früh), mel

Sabor: Malte, biscoito, leve adocicado inicial, leve oxidação de papelão, final seco (mais que a Bamberg). Amargor médio a alto para o estilo, corpo médio, carbonatação média a alta.

Nota 3,0 em 5 - Segunda do grupo com maior validade (29 de maio), já apresentava início de oxidação. Mas tem bom amargor e final seco. A importadora informa que, como não é uma cerveja pasteurizada, ela tem validade menor e fica mais sujeita à oxidação. Era do lote mais recente trazido ao Brasil.

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Eisenbahn Kölsch (Brasil, 355ml)

Produtor: Cervejaria Eisenbahnde Blumenau (SC)

Estilo: Ale / Kölsch

Teor alc.: 4,8%

Cor: Dourado escuro (a mais escura do grupo), translucidez média a alta

Espuma: Branca, média a alta formação e duração

Aroma: Malte, nota adocicada/caramelada, leve frutado, sem sinal de lúpulo

Sabor: Malte, adocicado, nota caramelada, oxidação de papel. Final adocicado e com secura sutil, sem acidez nem lúpulo aparentes. Amargor médio a baixo para estilo, carbonatação média, corpo médio a alto para o estilo.

Nota 2,7 em 5 - Próxima de seu vencimento (5 de março), já mostrava sinais de oxidação. Mas parece fugir do estilo em termos de cor (muito escura) e presença de malte, que domina aroma e sabor. Poderia ser mais seca e menos densa, além de ter notas frutadas e de lúpulo. Tem como diferencial o uso de trigo, informado no rótulo pelo produtor. A Eisenbahn informa que já há lotes mais novos no mercado. Com o nome de Eisenbahn Dourada, a Kölsch é uma das referências comerciais do estilo no guia de diretrizes cervejeiras feito pela Beer Judge Certification Program, entidade dos EUA que forma juízes de concursos cervejeiros.

_____________________________

Früh Kölsch (Alemanha, 500ml)

Produtor: Cervejaria Frühde Colônia (Alemanha)

Importador: Uniland

Estilo: Ale / Kölsch

Teor alc.: 4,8%

Cor: Dourado claro (a mais clara do quarteto), translucidez média a alta, límpida

Espuma: Branca, média formação e média a baixa duração

Aroma: Oxidação (papelã0) destacada, malte, grão, nota cítrica quase imperceptível (?)

Sabor: Malte, oxidação de papelão, adocicado mais presente que o da Bamberg, final doce, com nota seca muito fraca. Leve acidez, amargor baixo, corpo médio, carbonatação média a alta

Nota 2,2 em 5 - A mais próxima do vencimento (4 de março), já apresentava sinais claros de oxidação e perda de qualidades. Viagem também não contribui. Importador diz que lotes mais jovens estarão no mercado em algumas semanas. Provei a cerveja no bar da marca em Colônia em 2010; à época, dei a ela nota 3,7 em 5 e a seguinte avaliação: “Boa cerveja, um pouco mais puxada para o malte que para o lúpulo, apesar do final seco. Podia ter um pouco mais de lúpulo no aroma e sabor.”

______________________________________

(Texto publicado na edição de 9/2/2012 no caderno Paladar do Estadão)

Há um ditado cervejeiro, oriundo da Alemanha, que associa a qualidade da bebida à distância de onde ainda é possível ver a chaminé da fábrica em que ela é produzida – ou seja, quanto menos viajam, melhor. No caso do estilo kölsch, a regra pode ganhar a variável tempo: quanto mais fresca, melhor.

Originária da cidade alemã de Colônia, a kölsch é dourada, límpida, com espuma branca de boa formação. Até aí, parece com a pilsen. Mas, ao contrário do estilo nascido na República Checa, que é lager (de baixa fermentação), a kölsch é ale (de alta fermentação). O livro The Oxford Companion to Beer remete a criação do estilo alemão ao início do século 19, como resposta dos cervejeiros de Colônia à “invasão” de lagers da Boêmia. Hoje, há 20 produtores na Alemanha que têm o direito de usar o nome do estilo, servido em copos cilíndricos de 200 ml, os stangen.

Uma kölsch tem, no aroma e sabor, delicadas notas frutadas e de lúpulo e alguma acidez. No Brasil, há poucos representantes do estilo. Um deles, da Cervejaria Bamberg, foi lançado semana passada. Há ainda a Eisenbahn, de Blumenau (SC) – precursora das nacionais – e as alemãs Gäffel e Früh. Todas têm 4,8% de teor alcoólico. Degustei-as lado a lado.

Mais jovem do grupo (a validade expira em agosto) e menos “viajada” (porque é de Votorantim), a Bamberg mostrou boas notas de malte, leve frutado e lúpulo cítrico e floral, que podia, contudo, dar um pouco mais de espaço ao frutado.

As duas alemãs eram dos lotes mais recentes no País. A Früh, que vence em março, apresentava oxidação no aroma e sabor. O importador informa que um novo lote, mais jovem, chega em algumas semanas. A Gäffel, que vence em maio, tinha sinais sutis de oxidação, leve lúpulo, amargor e secura mais destacados que na Bamberg. O importador informa que, por não ser pasteurizada, é mais sensível que outras cervejas; e sua validade, mais curta.

Mais escura, a Eisenbahn usa trigo na receita. O malte se destaca no aroma e sabor. Faltam, porém, notas mais presentes frutadas e de lúpulo e final mais seco. Ela é, porém, uma das referências comerciais de kölsch no guia de estilos de entidade dos EUA que forma juízes cervejeiros.

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Melhores de 2011, parte 60: Roberto Fonseca

  • 6 de fevereiro de 2012
  • 12h56
  • Por Roberto Fonseca

Roberto Fonseca (Foto: Arquivo pessoal)

Veja os votos de… bem, veja os meus votos fechando a enquete. Roberto Fonseca, de São Paulo (SP), jornalista de política, que escreve sobre cervejas para o caderno Paladar do jornal O Estado de São Paulo e para o blog do BOB (dica: você está nele):

Melhor lager nacional
Bamberg Camila, Camila. Boa bohemian pilsner (mas eu ainda era mais fã da primeira Tcheca), merece crédito também pela paciência do cervejeiro Alexandre Bazzo de ouvir avaliações sobre a primeira leva – que tinha perdido boa parte do aroma – e tentar resolver. Paciência, artigo raro hoje em dia no meio cervejeiro.

Melhor ale nacional
Seasons Green Cow IPA. Tomada via Sedex e no Wikibier de Curitiba, é provavelmente a melhor IPA comercial no Brasil (ao menos por ora). Mas a R$ 27 ou mais a garrafa de 500ml em São Paulo fica impraticável – a Tarantino precisa tentar baixar o preço.

Melhor lager importada para o Brasil
Samuel Adams Boston Lager. Esta sim com uma boa relação custo/benefício, mesmo com intermediários.

Melhor ale importada para o Brasil
Rodenbach Grand Cru. Só perde no estilo para a Panil Barriquée Sour, mas como ela não é trazida para o Brasil…

Melhor cerveja caseira
Uma american pale ale single hop com Chinook (tradução: usa apenas um tipo de lúpulo, o Chinook, na receita), feita pelo Mauro Nogueira e pela Luciane Tavares, do Rio de Janeiro. Perambulava pelo Beer Experience quando dei de cara com o casal, que segurava uma garrafa pet e alguns copos. Muito boa combinação de lúpulo no aroma e sabor, além de amargor potente. Não podia ser mais cerveja caseira, pelo momento e pelas condições. E não podia ser melhor.

Melhor cerveja de 2011, aqui ou lá fora
Surly Furious. Espetacular american IPA, aromática, saborosa, amarga e encorpada. E em lata, para acabar com eventuais preconceitos a respeito dessa forma de envasar cerveja. Há boas receitas chegando por aqui em latinhas. A propósito, a questão foi bem lembrada pelo Diego Baião do Boteco Colarinho.

Novidade do ano
A volta dos brewpubs, que estavam quase extintos ou relegados a produções pouco criativas. Confesso que fiquei bem receoso quando da abertura da Cervejaria Nacional, em São Paulo. Mas houve retorno grande do público e, pouco a pouco, as receitas vão se aperfeiçoando. Há, em Curitiba, o Hop n’ Roll, que resgata a ideia do “faça sua própria cerveja” que o Marcelo Moss teve há uns bons anos no The Beer Store, também na capital paulista. Há projetos de novos brewpubs no ABC paulista e em Belo Horizonte, pelo que soube. Pena que a paulistana Corsário não avançou – só lamento, sem me estender nos motivos.

Melhor fato cervejeiro
Ainda é possível contar nos dedos as cervejarias que tentam sair da pasmaceira dos estilos de sempre, mas pelo menos agora é preciso usar mais de uma mão (risos). A Bierland, de Blumenau (SC), parecia relegada ao arroz com feijão – tinha uma boa weiss, que depois perdeu o “encanto”, e estilos básicos. Repaginou sua Pale Ale, lançou a boa Vienna (mas que ficou melhor em chope que na garrafa) e tirou da cartola a Imperial Stout e a Strong Belgian Ale. Curiosamente, isso ocorreu após a entrada do Feijão, vulgo Paulo Bettiol, beer sommelier – nem tudo é crítica para a profissão da moda na cerveja.  Ainda na categoria criatividade, cito a Bodebrown, do Samuel Cavalcanti.

Pior fato cervejeiro
No ano em que produtores tentaram se aproximar do poder para reivindicar melhorias tributárias e de avaliação legal de seus produtos, o tal do meio cervejeiro parece ter exposto todos os males de partidos políticos. “Rachas” diversos, crescimento sem critério de “filiações”, “caciques” querendo se eternizar no posto, o “estatuto” da legenda sendo trocado por outros critérios e “radicais” (sim, no plural) por todos os lados. E ainda há o Caruncho – mas este será tema de post à parte. Felizmente, há gente boa na turma “das antigas” e bons talentos aparecendo agora. Quem sabe em uma ou duas “gerações” de cervejeiros a categoria não se une?

Melhores de 2011, parte 59: Caruncho de Malte

  • 3 de fevereiro de 2012
  • 10h41
  • Por Roberto Fonseca

Close microscópico de um caruncho, em imagem escolhida pelo votante. (Foto: Laurie Knight, para concurso da Olympus / Reprodução)

 

Veja os votos do Caruncho de Malte, o misterioso perfil “crítico dos críticos” cervejeiros no Twitter, de LINS (Local Incerto e Não Sabido):

Melhor lager nacional
Eisenbahn 5. Primeiro, porque é uma excelente cerveja há anos e, segundo, porque é uma cervejaria que, mesmo pertencente a um grande grupo cervejeiro, continua mandando muito bem. Virou modinha entre os grandes entendidos de cerveja desse país – embalados pela dor de cotovelo de alguns concorrentes – falar mal da Eisenbahn, mas a verdade é que eles ainda são muito competentes no que fazem.

Melhor ale nacional
Seasons Green Cow IPA. Se longe de casa ela já dá uma surra nas pseudo-IPAs que existiam no Brasil, imagina só o que deve ser tomar essa cerveja no pé da vaca! Quem sabe um dia eu desço para o Rio Grande do Sul pra prová-la.

Melhor lager importada para o Brasil
Sempre a perfeita e maravilhosa Samichlaus, uma lager para separar o malte do milho. De preferência essas de 2 litros que chegaram finalmente no Brasil.

Melhor ale importada para o Brasil
Certamente a categoria mais difícil de escolher, já que, diferentemente das nacionais, as ales importadas que merecem estar aqui são inúmeras! Fico com a AB06 da Brewdog.

Melhor cerveja caseira
Qualquer uma que tenha sido dada e não vendida ilegamente merece estar aqui. Cerveja caseira é pra dar pros amigos e pra consumo próprio, não pra ficar vendendo feito cervejaria legalizada que paga encargos. Vou me abster de responder essa questão para não dar pista de quem é o Caruncho, mas deixo a dica: não deem dinheiro pra quem é ilegal, principalmente pros que acham que sua cerveja é a “última bolacha do pacote”.

Melhor cerveja de 2011, aqui ou lá fora
Stone Ruination Double IPA. Deveria existir aos litros aqui. Cada vez que tomo uma IPA ou derivada do estilo vinda lá de fora fico com vergonha das pseudo-IPAs brasileiras sem lúpulo que vejo por essas bandas.

Novidade do ano
O surgimento de alguém com cara-de-pau suficiente para botar fogo no circo que virou o mercado cervejeiro brasileiro: EU. O cenário estava precisando de alguém para fazer isso, já que qualquer pessoa que criticasse alguma coisa sofria os efeitos da patrulha daqueles goiabas que dizem que “isso não é bom para a cultura cervejeira”. Eu quero mesmo ver o circo pegar fogo até que só os bons palhaços sobrevivam!

Melhor fato cervejeiro
O engajamento dos não-cervejeiros (blogueiros, clientes de cervejarias, empreendedores do meio) na “política cervejeira” e na busca de melhores condições pra todos envolvidos. Até porque, se depender dos cervejeiros mesmo, a coisa nunca anda. “Cervejarias com cultura”… faz-me rir.

Pior fato cervejeiro
Tem que ser só um???? Então fico com a venda de quilos de diplomas de Sommelier de Cerveja. Tornou-se algo banal e ridiculamente mal empregado. Por causa desses cursos sem critério, tem muito otário com o tal diploma embaixo do braço dizendo que entende de cerveja e coisa e tal e nunca tomou nada além das cervejas que provou no curso ou que ganhou de cortesia. Quem acompanha as discussões na internet sabe muito bem quem são esses muquiranas.

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Melhores de 2011, parte 58: Confece

  • 2 de fevereiro de 2012
  • 14h16
  • Por Roberto Fonseca

Da esquerda para a direita, Ingrid Paulsen, Watylla Vargas, Ludmilla Fonttainha, Graziela Sarreiro, Eulene Hemétrio (na frente); Juliana Pimenta (atrás), Lígia de Matos, Adriana Guimarães (na frente) e Luisane Vieira (de chapéu). Foto: Arquivo pessoal

 

Veja os votos de Ingrid Paulsen, Eulene Hemétrio, Luisane Vieira, Juliana Pimenta, Graziela Sarreiro, Ludmila Fonttainha, Lígia de Matos, Watylla Vargas e  Adriana Guimarães, as integrantes da Confraria Feminina da Cerveja (Confece), de Minas Gerais:

Melhor lager nacional
Falke Diamantina

Melhor ale nacional
Wäls Tripel

Melhor lager importada para o Brasil
Pilsner Urquell

Melhor ale importada para o Brasil
Flying Dog Double Dog

Melhor cerveja caseira
Difícil escolher, uma vez que moramos na “Bélgica do Brasil”: Minas Gerais. Tivemos cervejas com flores, com goiabada e até com doce de leite. Mas vamos votar na Scolat do cervejeiro Pablo Carvalho.

Melhor cerveja de 2011 (aqui ou lá fora)
Detestamos dar este voto. Provamos muitas cervejas maravilhosas este ano. Mas a Falke Vivre Pour Vivre saindo da torneira na Falke Bier foi memorável.

Novidade do ano
A Confece adquiriu seu equipamento para cerveja caseira e começou a produzir a “Aurora”, uma Belgian Golden Strong Ale. Ter a Samuel Adams no Brasil, finalmente, também é bacana.

Melhor fato cervejeiro de 2011
O movimento #cervejadeverdade nas redes sociais. Este ano acreditamos que as cervejas especiais saíram do gueto.

Pior fato cervejeiro de 2011
A saída da Flying Dog do mercado nacional. Outro fato ruim, mas que não é específico de 2011, é a falta de uma boa política nacional para estímulo as microcervejarias artesanais.

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Melhores de 2011, parte 57: Alberto Cavendish

  • 1 de fevereiro de 2012
  • 22h04
  • Por Roberto Fonseca

Alberto Cavendish (Foto: Arquivo pessoal)

Veja os votos de Alberto Cavendish, da loja Emporium Beer, no Recife (PE):

Melhor lager nacional
Bamberg Helles

Melhor ale nacional
Medieval, da Cervejaria Backer

Melhor lager importada para o Brasil
Pilsner Urquell

Melhor ale importada para o Brasil
La Trappe Witte

Melhor cerveja caseira
Provei algumas Cervejas feitas pelos integrantes da ACervA-PE e posso lhes garantir que a qualidade delas é absurda!!! Não devem nada aos grandes rótulos comerciais. Quem nunca provou cervejas caseiras não sabe o que está perdendo!!!

Melhor cerveja de 2011 (aqui ou lá fora)
Imperial IPA da Anderson Valley

Novidade do ano
A inauguração de uma loja especializada em cervejas no Recife, o que fez com que outras redes abrissem os olhos para este mercado.

Melhor fato cervejeiro
O crescimento dos cervejeiros caseiros em Recife, com a ajuda da recém-criada ACervA-PE.

Pior fato cervejeiro
Os altos impostos cobrados não só na fabricação das cervejas premium, como também na distribuição delas pelo País afora. Seus apreciadores ainda sofrem muito com os altos valores de impostos, tornando este tipo de cerveja absurdamente caro em nosso país.

Melhores de 2011, parte 56: Samuel Cavalcanti

  • 1 de fevereiro de 2012
  • 13h54
  • Por Roberto Fonseca

Samuel Cavalcanti (Foto: Arquivo pessoal)

Veja os votos de Samuel Cavalcanti, cervejeiro da Bodebrown, de Curitiba (PR):

Melhor lager nacional
Amburana Lager, da Way, de Curitiba (PR).

Melhor ale nacional
Double Chocolate Stout, da Dado Bier (de Porto Alegre/Santa Maria, no RS). Degustei das mãos dos criadores (Ricardo Rosa e Mauro Nogueira) em Florianópolis, no 7º Encontro Nacional. Excelente demonstração de qualidade.

Melhor lager importada para o Brasil
Brewdog Lager  77.

Melhor ale importada para o Brasi
Brewdog Hardcore IPA (imperial IPA).

Melhor cerveja caseir
Dry Stout Montfort, produzida no Canadá pelo amigo e cervejeiro artesanal  Jacques, que vive em  Montreal.

Melhor cerveja de 2011
8 Secrets, produzida pela Way (PR) em colaboração com a Brewdog (da Escócia), Wäls (de MG), Bodebrown e Coruja (do RS).

Novidade do ano
Bierland! Parabéns a todos os envolvidos.

Melhor fato cervejeiro
Expansão do público interessado em cervejas produzidas em pequena escala, por pequenas cervejarias (artesanais). Em 2011 todos ficaram felizes, independentemente de estilos, preços e tributos.

Pior fato cervejeiro
A não-liberação da cerveja com chocolate da DadoBier, a Double Chocolate Stout, e da Imperial Milk Stout (nota do blog: da Bodebrown). Lamentável!

Melhores de 2011, parte 55: Maltemoiselles

  • 31 de janeiro de 2012
  • 22h00
  • Por Roberto Fonseca

Maltemoiselles; da esq. para a dir., Julia Reis, Letícia Massula, Aline Araújo, Tatiana Damberg, Lara Januário, Faby Zanelati e Ingrid Calderoni (Foto: Arquivo pessoal)

Veja os votos das cervejeiras caseiras/degustadoras  Julia Reis, Letícia Massula, Aline Araújo, Tatiana Damberg, Lara Januário, Faby Zanelati e Ingrid Calderoni, da confraria Maltemoiselles, de São Paulo (SP):

Melhor lager nacional:
Rauchbier da Bamberg, porque gostamos da inspiração de bacon e a receita do Alexandre Bazzo acertou na mão.

Melhor ale nacional:
Bodebrown Perigosa. Porque quanto mais IBUs (unidades de medida de amargor na cerveja), melhor!

Melhor Lager importada para o Brasil:
Schlenkerla Rauchbier. Porque bacon é vida.

Melhor Ale importada para o Brasil:
Brewdog Punk IPA. Tem proposta diferente para uma cerveja que mistura características das clássicas IPAs com a riqueza aromática dos lúpulos norte-americanos, deixando aquele frutado/cítrico com final seco que tanto adoramos.

Melhor cerveja caseira:
B’IPA da Sinnatrah. O trabalho que essa escola-cervejaria vem desenvolvendo merece destaque na cena cervejeira brasileira.

Melhor cerveja de 2011:
Ingrid Calderoni: Infinium
Júlia Reis: Sierra Nevada Fritz And Ken’s Ale Imperial Stout
Tatu Damberg: Double Chocolate Stout da Dado Bier
Aline Araújo: Rodenbach Gran Cru
Faby Zanelaty: Bodebrown Hop Weiss
Lara Januário: Wäls Quadruppel
Leticia Massula: Leffe Blonde

(nota do blog: tsc, tsc, tsc, meninas. Poderiam ter se inspirado no exemplo da Female e decidido em apenas um voto – risos. Coisa feia, mas desta vez passa).

Novidade do ano:
Inauguração – e sucesso – de um brew pub nacional com ótimas cervejas: a Cervejaria Nacional

Melhor fato cervejeiro:
Crescimento da atuação das mulheres no ramo cervejeiro!

Pior fato cervejeiro:
A disseminação dos “cervechatos” e “bier-malas”. Brincadeiras à parte, acreditamos que esse universo de cervejas é infinito e ninguém sabe tudo. A falta de humildade de alguns profissionais continua sendo o pior fato cervejeiro.

Melhores de 2011, parte 54: Sady Homrich

  • 31 de janeiro de 2012
  • 12h09
  • Por Roberto Fonseca

Sady Homrich (Foto: Arquivo pessoal)

Veja os votos de Sady Homrich, baterista do Nenhum de Nós e degustador cervejeiro, do Rio Grande do Sul (RS):

Melhor lager nacional
Gostei tanto da Bamberg Camila, Camila que não vou omitir meu voto só porque sou um dos autores da canção homenageada. Quem me conhece sabe que esse é um dos meus estilos favoritos. E a cerveja está perfeita!

Melhor ale nacional
DaDo Bier Double Chocolate. Alem de ter sido muito bem projetada e executada envolvendo várias partes – Eduardo Bier, Ricardo Rosa, Mauro Nogueira e Chocolates Kopenhagen -, virou uma bandeira para a luta pela adequação da legislação cervejeira no país!

Melhor lager importada para o Brasil
Brooklyn Lager. Dentre outras…

Melhor ale importada para o Brasil
Brewdog Punk IPA

Melhor cerveja caseira
Dama da Noite Barley Wine (produzida por Fabio Laux, da Maldonado’s Beer, de Camaquã/RS); vencedora do VI Concurso Nacional das Acervas em Florianópolis.

Melhor cerveja de 2011 (aqui ou lá fora)
Bodebrown Wee Heavy. Estou só concordando com o júri do Mondial de la Biere…

Novidade do ano
Seasons Green Cow IPA

Melhor fato cervejeiro
Projeto “Beba menos, Beba melhor”, lançado pela Cervejaria Abadessa, em parceria com os colegas da Falke (MG), Bamberg (SP) e Colorado (SP).

Pior fato cervejeiro
A compra da Schincariol pela ”japonesa” Kirin.

Melhores de 2011, parte 53: Humberto Mendes

  • 30 de janeiro de 2012
  • 22h00
  • Por Roberto Fonseca

Humberto Ribeiro Mendes Neto e Aline, "primeira dama" da Jambreiro

Veja os votos de Humberto Ribeiro Mendes Neto, cervejeiro da Jambreiro e presidente da Associação dos Cervejeiros Artesanais de Minas Gerais (Acerva Mineira), em Nova Lima (MG):

Melhor lager nacional
Bohemian Pilsen da Wäls. Essa excelente representante do estilo possui uma composição de lúpulos fantástica, tornando-a muito fácil de beber, equilibrada e muito refrescante.

Melhor ale nacional
Impossível responder esta pergunta. Vou considerar que estou elegendo a melhor ale nacional que eu conheci em 2011: Green Cow IPA da Seasons. Essa cerveja está criando muitos lúpulomaníacos no Brasil.

Melhor lager importada para o Brasil
Boston Lager da Samuel Adams. Essa cerveja tem tudo para se tornar a porta de entrada para o universo cervejeiro de muitos que ainda estão vivendo na matrix cervejeira.

Melhor ale importada para o Brasil
Rodenbach Grand Cru. Espero que ela possa inspirar cervejarias e cervejeiros a produzir versões nacionais desse estilo ainda pouco conhecido por aqui.

Melhor cerveja caseira
Foram várias! O nível técnico dos cervejeiros caseiros está cada vez mais alto e eu acredito que as Acervas têm um papel fundamental em agremiar e permitir a disseminação de conhecimento entre seus associados e por vezes pessoas não associadas. Como tenho de escolher, fico com a Petroleum da DUM, que foi a cerveja que mais me surpreendeu esse ano. Bebi ela no 6º Concurso Nacional de Cervejas Artesanais, em Florianópolis, e depois esquematizei um escambo para trazer essa preciosidade para Minas Gerais para beber com os amigos.

Melhor cerveja de 2011 (aqui ou lá fora)
Vou ampliar essa categoria. Para mim todos os hidroméis feitos pela Smedgård são fantásticos, mas o melomel de jabuticaba Freyja Tears, com 12,4% de teor alcoólico, para mim é uma obra-prima! Parabéns, Daniel Gontijo Draghenvaard!

Novidade do ano
Wäls Brut, apesar de ter bebido ela em 2010, o lançamento oficial aconteceu em 2011. Uma cerveja de complexidade ímpar, tendo todo seu processo de elaboração conduzido na própria cervejaria (eu mesmo já tive a honra de girar garrafas na adega).

Melhor fato cervejeiro
A união dos cervejeiros em busca de interesses comuns, seja alteração de legislação do Simples no âmbito nacional, alteração de leis tributárias nos Estados ou alteração do zoneamento urbano para emissão de alvarás para cervejeiros caseiros. O caminho a ser trilhado ainda é longo, ainda mais considerando o moroso processo de alterações de lei, mas tenho certeza de que será produtivo (e memorável!).

Pior fato cervejeiro
O surgimento de pessoas desonestas interessadas em se aproveitar do movimento cervejeiro para auto-promoção e, nos piores casos, para ganhos financeiros, utilizando-se dos mais sujos recursos como difamação e mentira.

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