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Quinta-feira, 23 de Maio de 2013
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Um Bernard só não faz verão

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Alguém já tentou fazer a conta de quantos carrinhos, trombadas e chutões temos de aturar por rodada no Campeonato Brasileiro? Para cada exibição como a que o talentoso garoto Bernard deu sábado ou um gol de pura ginga como o do Ronaldinho Gaúcho contra o Sport temos de engolir um monte de gente maltratando a bola.

Como o nível técnico dos nossos jogadores anda sofrível e a safra de treinadores é fraca, acho que só há duas maneiras de ver o cenário ser mudado: surgir uma leva de jogadores à moda antiga, com suingue, ginga, gosto pelo drible e pela tabelinha; ver ex-craques tendo mais espaço para formar jogadores ou dirigir times.

Conheço muita gente que jogou bola pra burro que poderia ter espaço nos clubes, mas a maioria dos ex-jogadores é tímida e fica quieta no seu canto. Acho que esses caras deviam opinar mais, aparecer mais, se candidatar a trabalhar nos clubes.

Um Ademir da Guia como coordenador das categorias de base do Palmeiras seria um trunfo para o clube. Ele diria quem é bom, quem não é, como melhorar a qualidade de um menino, escolheria um técnico do ramo para cuidar da garotada e não esses “professores” teóricos que nunca chutaram uma laranja…

Todos os clubes têm ex-craques que poderiam ser chamados para colaborar, mas os dirigentes preferem dar ouvidos aos empresários na hora de contratar um treinador para a equipe principal ou para as categorias de base.

Sempre digo que a pessoa só é capaz de ensinar aquilo que sabe fazer. Se o cara nunca jogou bola, ou jogou mal, como vai mostrar para um jogador o jeito certo de bater na bola, como fazer uma tabela, dar um drible? Pode ensinar só a marcar, correr e dar chutão.

Quase todos os ex-jogadores que dirigem times da Série A – ou que começaram e já caíram – foram atletas sem grande qualidade: Argel, Dorival Júnior, Gallo, Joel Santana, Abel Braga, Adilson Batista… O Falcão, que acaba de ser demitido do Bahia, foi um jogador extraordinário e tem o que passar aos seus comandados, mas não consegue ter tempo para fazer um bom trabalho porque os presidentes de clube também não são do ramo.

E enquanto nada muda, somos condenados a ver jogos ruins, um monte de brucutus, centroavantes do tipo “poste”, carrinhos, uma enormidade de passes errados, antijogo, jogadores rifando a bola ao invés de cuidar bem dela, ênfase na bola parada e na marcação… Ainda bem que às vezes um Bernard aparece para nos aliviar.

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