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Sábado, 25 de Maio de 2013
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Violência é culpa dos ‘professores’

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Vocês prestaram atenção no número de cartões mostrados pelos árbitros nos jogos do fim de semana do Brasileirão? Citando só os dos times paulistas: no do Palmeiras, foram 13 amarelos e um vermelho; no do Corinthians, 11 amarelos e dois vermelhos; no do São Paulo, nove amarelos; e no do Santos, sete amarelos e um vermelho. A média é de 11 cartões por partida!
Faz tempo que bato na tecla de que a violência e o antijogo imperam no futebol brasileiro. E a culpa desse quadro, na minha opinião, é dos treinadores. O comandante é um educador, ele deve repreender e punir quem apela, e não ficar passando a mão na cabeça dos caras e limpando a barra deles nas entrevistas coletivas.
No jogo do São Paulo contra o Bahia houve dois lances que mereciam cartão vermelho, mas sua senhoria, o gaúcho Márcio Chagas da Silva, não pensou assim. Um deles foi o sarrafo absurdo que o Fahel deu no Lucas para matar uma arrancada do garoto pela direita. Esse Fahel eu conheço de longa data, porque ele me deu muito desgosto quando envergou a gloriosa camisa do meu Fogão.
O duro foi ver o brucutu reclamar com o juiz dizendo que tinha sido a sua primeira falta no jogo… Quer dizer que na primeira é permitido quebrar o adversário? Dá um tempo!
No meu tempo de jogador tinha técnico que falava o seguinte para os jogadores de defesa: “Dá uma bem dada com menos de cinco minutos porque juiz nenhum expulsa no começo do jogo.” Era uma “instrução” para tentar intimidar alguma fera do adversário. Lamentável, né?
O outro lance que me revoltou nesse jogo foi um pisão intencional que o Douglas deu no tornozelo de um jogador do Bahia. O Jorginho e o Ney Franco têm de chamar esses caras pra conversar e dizer que não é para fazer mais isso. Se não derem uma dura, não vão educar o jogador.
Os juízes dão cartão a torto e a direito e não conseguem proteger os artistas nem garantir um jogo limpo. E as partidas vão ficando cada vez mais truncadas e sem graça.
O novo presidente da Comissão de Arbitragem, o coronel Aristeu Tavares (não gosto de militar no meio do futebol, e isso não é de hoje), está me saindo pior do que o seu antecessor. E os erros graves continuam a acontecer.
Para mim, o gol anulado do Galo contra o Corinthians foi legal. E aí me vem uma dúvida: será que o fato de o comando da CBF ser todo paulista (Marin, Del Nero e Andres Sanches) não intimida os apitadores que trabalham em jogos de times de São Paulo?

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Félix merecia mais atenção

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Fiquei duplamente chocado com a morte do ótimo goleiro Félix. Primeiro, porque perdi um grande amigo e um ser humano espetacular. E em segundo com a pouca atenção que o fato recebeu da mídia, dos dirigentes da CBF e do Fluminense e até mesmo dos companheiros que participaram da conquista do tricampeonato mundial em 1970 – o que mostra que a classe dos jogadores de futebol continua a ser muito desunida.
Não vi um representante do Flu nem da CBF no velório e no enterro do grande Papel – que é como a gente chamava o Félix porque ele era muito magro quando jogava.  Em cima do caixão, junto com a bandeira brasileira, havia uma da Portuguesa. Mas não apareceu ninguém para levar uma do Fluminense, clube onde ele ganhou vários títulos.

Vi que o presidente da CBF, o senhor José Maria Marin, esteve no Pacaembu domingo para acompanhar o clássico entre Corinthians e São Paulo. O velório e o enterro do Félix foram no Araçá, que é colado no estádio, mas ele não passou por lá nem sexta nem sábado. Mandou a secretária enviar uma coroa de flores e ficou por isso mesmo.
Também não tenho notícia de que o arroz de festa do Marco Polo Del Nero, que vive grudado no Marin em viagens pelo mundo, tenha gasto cinco minutos do seu tempo para ir lá dar um abraço na família.
Para completar, domingo só lembraram de fazer o minuto de silêncio em homenagem ao Felix no intervalo do jogo no Pacaembu. Antes do começo da partida fizeram um minuto de silêncio pela morte do conselheiro de um dos clubes.
O Papel, assim como o Gérson, fumou demais durante muitos anos. Os dois não fumavam, eles comiam cigarro. O Félix tinha parado há uns dez anos, mas o estrago já estava feito. Ele tinha uns ataques de tosse muito feios, e se cansava bastante. Algumas vezes o vi de cadeira de rodas para se locomover.
O que vou dizer pode parecer “chororô”, mas é uma constatação não apenas minha, mas de muitos jogadores que foram campeões em 58, 62 e 70: o pessoal que jogou na Seleção de 94 para cá é tratado com mais carinho pela mídia e pela CBF do que nós. E foram os jogadores mais antigos, principalmente os de 58, que colocaram o Brasil no mapa do futebol.

O Papel se foi sem poder usufruir da justa e tardia aposentadoria especial que será paga aos jogadores que foram campeões do mundo pela Seleção.  Mas pelo menos a sua família receberá esse presente a partir de janeiro.

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Félix, um amigo que se foi

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Levei um baque logo cedo nesta sexta-feira. O telefone tocou e recebi da neta do meu grande amigo Félix a notícia de que ele tinha morrido. Para mim foi uma grande perda, porque eu tinha muita afinidade com o Papel (apelido do Félix porque ele era muito magro quando jogava).

Em primeiro lugar, gostaria de dizer que ele nunca teve o reconhecimento que merecia por ter sido um senhor goleiro. Tem muita gente que diz que a Seleção de 70 não precisava de goleiro porque tinha um ataque espetacular. Isso é uma tremenda bobagem. O Félix deu sua contribuição para o título, e foi fundamental em dois jogos: contra a Inglaterra, quando fez duas defesaças (a segunda mostrando muita coragem) quando o jogo estava 0 a 0, e na final com a Itália, quando pegou duas ou três bolas importantes depois que sofremos o empate.

Um grande goleiro aparece nessas horas, evitando gols em momentos críticos de partidas decisivas. E posso garantir que o time inteiro tinha muita confiança no Papel, porque ele passava segurança para os companheiros. Era um goleiro muito ágil, seguro e que não precisava ser espalhafatoso.

O Félix sempre fumou muito, desde os tempos em que jogava. Outro fumante inveterado era o Gérson. E os dois tinham outra coisa em comum: sofriam de insônia. Por isso, o Zagallo tomou uma sábia decisão quando começamos a nossa preparação na altitude de Guanajuato, já lá no México: botou os dois no mesmo quarto. Ah, e obrigou os dois a reduzir de 40 para 20 o número de cigarros que fumavam por dia.
Eu dei graças a Deus por isso, porque às vezes sofria com o Gérson nas concentrações do Botafogo. Já pensou como seria ficar no quarto com um deles durante três meses seguidos? O cara ia ficar fumando até pegar no sono e eu no meio daquela fumaça…

Ali comecei a estreitar minha amizade com o Papel, com quem depois tive o prazer de jogar no primeiro ano da “Máquina do Fluminense”, em 1975. Antes de sermos companheiros, meti alguns gols nele quando jogava pelo Fogão e pelo Flamengo.

Por causa do cigarro, ele tinha uma tosse muito feia. Às vezes tinha uns ataques e ficava curvado de tanto tossir, e quem estava em volta via aquela cena com aflição porque não tinha o que fazer. Quando isso acontecia eu me lembrava do João Saldanha, que tinha a mesma tosse por causa do cigarro.

Só lamento que a CBF sempre tenha tratado com tanto descaso os jogadores da geração que tornou o futebol brasileiro admirado no mundo todo. Em 2006, por exemplo, os alemães convidaram todos os jogadores campeões mundiais para acompanhar a abertura da Copa do Mundo. A CBF nunca fez uma gentileza que chegasse perto disso para os jogadores de 58, 62 e 70.

Vai em paz, querido Papel. Você fez muito mais pelo torcedor brasileiro do que João Havelange, Ricardo Teixeira, José Maria Marin e outros cartolas do mesmo naipe juntos.

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O melhor técnico que conheci

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Numa época em que os “professores” se preocupam mais em montar o time para não perder, vou dedicar este texto ao maior treinador que tive ao longo da minha carreira: Valdir Pereira. Para os que não conhecem a história do futebol brasileiro, esclareço que esse senhor era conhecido como Didi.

 Como jogador foi um gênio. Elegante, inteligente, habilidoso… Sabia tudo com a bola. Como técnico, tinha obsessão pelo futebol bem jogado.

Tive a honra e o privilégio de trabalhar com ele no timaço do Fluminense de 1975. É justo que se diga que foi graças ao trabalho do Didi que aquela equipe passou a ser chamada de “Máquina” – e é conhecida assim até hoje. O que ele mais falava pra gente era o seguinte: “Time meu não dá chutão. Quero a bola o tempo todo.” Notaram alguma semelhança com os conceitos que tornaram o Barcelona do Guardiola admirado no mundo inteiro três décadas depois?

O Príncipe Etíope (como era chamado pelo Nelson Rodrigues por causa da sua elegância) parava o treino sempre que alguém rifava a bola. Ele exigia que a bola passasse de pé em pé e dizia que não precisávamos ter pressa para chegar na área, porque enquanto a bola estivesse com o nosso time só nós poderíamos fazer gol. E que quanto mais ficássemos com a bola, mais o adversário ia cansar.

 Ele vivia pegando no pé no Toninho Baiano, o nosso lateral-direito. O Toninho gostava de pegar a bola e sair correndo para a linha de fundo, e às vezes não percebia que o campo tinha acabado. O Didi dizia: “Pra que essa pressa toda? Toca a bola.”

Uma vez fomos jogar um amistoso em Goiânia contra o Atlético. Começamos a tocar e em 15 minutos estávamos ganhando de 3 a 0 sem que os caras tivessem chegado perto da redonda. Aí um jogador deles virou pro Rivellino e pediu para a gente dar uma maneirada, senão eles iam passar 90 minutos só correndo atrás da bola.

Como foi um craque, o Didi sabia mostrar para o jogador o que queria que fosse feito. Não é como esses professores de educação física que viram treinador, ou esses zagueiros botinudos que estão aos montes dirigindo times da Série A. Esses caras que nunca chutaram uma laranja ou não sabiam tratar a bola só podem ensinar os jogadores a marcar, correr, fazer faltas, apelar pro antijogo… O Didi era diferente.

Tem uma história famosa que vale a pena ser lembrada. Num treino nas Laranjeiras, a gente ficava em fila, tocava pro Didi na meia-lua e ele rolava pra gente chegar batendo de primeira. Numa certa altura, o Mário Sérgio, que estava começando, falou: “Será que esse senhor jogou tanta bola como dizem que jogou? Vou dar uns passes envenenados pra ver se ele devolve redonda ou apanha da bola.”

Dito isso, sempre que chegava a sua vez o Mário dava a bola cheia de efeito naquele gramado irregular para ver se complicava a vida do Didi. E o mestre ajeitava todas de primeira. Lá pelas tantas, o Didi mandou essa: “Garoto, você vai cansar de tentar me derrubar e não vai conseguir.” E todo mundo caiu na risada. Se os “professores” de hoje recebem uma bola assim com certeza batem de canela ou vão pro chão…

 O Didi se preocupava em fazer o jogador melhorar nos fundamentos: passe, drible, chute, cabeceio… Hoje os técnicos só trabalham bola parada e marcação. E, como todo craque que se preza, o negócio dele era montar o time para tomar a iniciativa de atacar e envolver o adversário. Não foi por acaso que a melhor seleção peruana da história, a de 1970, era treinada por ele. O goleiro e a defesa eram uma porcaria, mas do meio de campo para a frente era uma equipe excepcional, com jogadores muito habilidosos.

 É de técnicos como o imortal Didi que o futebol brasileiro precisa para recuperar a sua essência.

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Um cenário difícil de mudar

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Escrevo com muito gosto a coluna no JT há quatro anos e meio, e garanto que ainda não perdi a esperança de um dia enxergar motivo para acreditar que o futebol brasileiro voltará aos bons tempos em que era admirado (e temido) por sua qualidade técnica e seu estilo que envolvia os adversários. Mas basta acompanhar uma rodada completa e depois ouvir as declarações dos “professores” e jogadores para concluir que vai ser difícil o cenário mudar.

Não aguento ouvir os treinadores repetindo as “palavras mágicas” em suas entrevistas: “focado”, “trabalho” e “pegada”. Parece que todos os males do time serão resolvidos com mais trabalho, mais pegada e mais “foco”. Esse discurso é irritante! É como se os “professores” participassem de uma peça de teatro em que todos têm falas parecidas. E todos as decoram muito bem.

Em campo, suas equipes são o reflexo dessa falta de imaginação. Chutão pra cá, chutão pra lá, bola pra cima, chuveirinhos, toda atenção às bolas paradas, laterais sendo cobrados para dentro da área, mais volantes do que jogadores criativos, mais gente que corre do que gente que pensa…
Quando falam em “trabalho” é isso o que querem dizer? Se for, acho que deveriam trabalhar menos. Porque “aprimorar” esses itens citados acima não acrescenta nada ao futebol.

Cada vez que acaba uma rodada me ajeito no sofá para ver as entrevistas, sempre com a esperança de ouvir um treinador ou um jogador dizer: “O time precisa jogar mais com a bola no chão, ser mais criativo e ousado.” Mas lá vem “trabalho”, “focado” e “pegada”…
É por isso que adorei ler as declarações dadas semana passada pelo meia argentino Maxi Rodriguez, que voltou a jogar em seu país depois de dez anos na Europa. Ele disse que a qualidade dos jogos na Argentina caiu muito, que os times jogam com medo porque os técnicos temem ser demitidos se perderem três ou quatro jogos seguidos, que há muita correria e que ninguém liga mais para a técnica e a beleza do jogo. Isso é o que eu chamo de sinceridade.

Por aqui, técnicos e jogadores (e muita gente da imprensa também) ficam tentando iludir o torcedor com essa conversa mole de que o campeonato é empolgante, equilibrado, cheio de craques… E não aparece um “Maxi Rodriguez” para dizer a verdade. Para completar o quadro, temos José Maria Marin, Marco Polo Del Nero e Andres Sanches definindo o destino do nosso futebol. É o fim do mundo.

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Questão de estilo

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A maneira como um time joga reflete a maneira como o seu treinador vê o futebol. Quem jogou bola e gosta de futebol bem jogado prepara o seu time para ser corajoso e impor um estilo agradável. Quem nunca chutou uma laranja escolhe o caminho mais fácil, que é adotar o pragmatismo e o “futebol eficiente”. Digo isso porque o rendimento de Brasil e Argentina nos amistosos desta quarta-feira deixou bem claras as ideias de seus treinadores.
O Brasil pegou o horroroso time da Suécia, que não tinha em campo seu único cara que sabe jogar (Ibrahimovic), e entrou com um meio de campo que mais corre do que pensa: Rômulo, Paulinho, Ramires e Oscar. Todos são carregadores de bola, com a ressalva de que o Oscar é o único capaz de driblar, tabelar e fazer um passe diferente. O jogo foi de dar sono, e os gols do Pato no finalzinho deram a falsa impressão de que a Seleção deu um chocolate naqueles branquelos sem cintura.
O  Mano gosta de marcação e jogadores “obedientes”. Lembram que na Olimpíada ele botou o Alex Sandro no lugar do Hulk para jogar contra a Coreia? Depois repetiu a bobagem na final e teve de recolocar o Hulk ainda no primeiro tempo porque o barco estava afundando.

E a Argentina? Enfrentou  a Alemanha em Frankfurt e merecia ter ganho por mais do que 3 a 1, porque o Messi perdeu um pênalti e o time mandou duas bolas na trave. O Alejandro Sabella foi um belo meia-esquerda, que sabia tratar a bola. Por isso monta o time para tentar envolver o adversário na base da técnica. Tudo bem que a Alemanha estava desfalcada e teve um jogador expulso no primeiro tempo, mas a Argentina foi fiel às ideias de seu treinador.  O segundo tempo foi um passeio, com Messi, Agüero, Higuaín e Di Maria enlouquecendo os alemães com seus dribles e tabelas.
Jogar com um a mais é fácil quando o time tem jogadores habilidosos e com capacidade para tirar proveito dessa vantagem. Lembrem-se que na Olimpíada o Brasil penou para ganhar de virada de Honduras, que ficou com dez ainda no primeiro tempo e no final teve mais um expulso;

Quando digo que gostaria de  ver o Guardiola como técnico da Seleção quero dizer que gostaria de um técnico que fizesse o Brasil jogar como Brasil. Sei que é um sonho quase impossível, mas prefiro sonhar com isso a imaginar que se sair o Mano pode entrar o Felipão…

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Mano jogou Ganso às feras

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A cada dia fica mais claro para mim que o senhor Mano Menezes não tem a menor condição de ser o treinador da Seleção Brasileira na Copa do Mundo que a equipe vai disputar em casa daqui a dois anos. Além das restrições que faço ao trabalho dele dentro de campo – o time não tem jogo coletivo, depende das jogadas de Neymar e Oscar, disputou a final olímpica com um meio de campo que tinha Sandro, Rômulo e Alex Sandro… –, agora vi que ele também é covarde e gosta de queimar jogador publicamente.

Escrevo isso porque fiquei revoltado com o fato de ele ter cortado o Ganso do amistoso com a Suécia e feito o cara voltar sozinho pra enfrentar a imprensa no desembarque em São Paulo. Por mais que o Ganso não tenha ido bem na Olimpíada – e não foi mesmo –, o técnico não tem o direito de jogá-lo na fogueira. Foi todo mundo junto, volta todo mundo junto. Se tivesse ganho o ouro, aposto que iam voltar todos no mesmo voo e desfilar em carro aberto. Como perdeu, ele faz essa barbaridade. Isso não é atitude digna de um comandante.

 O Mano desistiu de um cara que sabe jogar, e que se for motivado pode ajudar muito a Seleção. Mas não desiste de seus brucutus e burocratas. O Sandro, por exemplo, é substituído sempre que o time precisa reagir. Ou seja: sempre que é preciso jogar mais bola o volantão sai. Então por que entra? Não era melhor já começar com alguém que sabe o que fazer com a bola?

Também não gostei do comportamento do Thiago Silva nesse episódio. O capitão tem de defender os companheiros, e não pode se calar numa situação absurda como essa. Não precisa dar a cara pra bater publicamente, mas na concentração precisa deixar claro para o treinador que uma decisão assim não faz bem para o grupo. O problema é que no Brasil cada vez mais os jogadores são cordeirinhos que aceitam tudo de bico fechado e não têm coragem de contestar nada.

 Na época em que eu jogava era diferente, e muito jogador trombou com dirigentes e treinadores mesmo sabendo que podia pagar caro por isso. Eu mesmo senti na pele. Fui vendido pelo Botafogo porque bati de frente com o presidente, e deixei de ir para a Copa de 78 por ter criticado o almirante Heleno Nunes, que presidia a CBD (que depois virou CBF).

Voltando ao Mano: quanto mais tempo ele ficar na Seleção, menos chance teremos na Copa. Eu gostaria de ver o Guardiola no seu lugar, para voltar a fazer a Seleção jogar como o brasileiro gosta. E vocês, quem gostariam de ver no cargo?

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Guardiola já!

Categoria: Seleção Brasileira

Quem acompanha os meus comentários aqui na blog e na minha coluna no JT sabe que nunca botei fé na Seleção que o Mano levou para a Olimpíada. E por dois motivos: 1) o time não tinha jogo coletivo e dependia exclusivamente dos lampejos de Neymar e Oscar; 2) vários jogadores não têm condição de usar a camisa amarela.

O Brasil se enroscou todo diante da única equipe decente que enfrentou no torneio. Com todo o respeito, ganhar de Egito, Bielo-Rússia, Nova Zelândia, Honduras e Coreia do Sul não é vantagem nenhuma. O México tirou o espaço do Neymar e do Oscar e matou a equipe do Mano.

É inaceitável a Seleção disputar uma final com um meio de campo com Sandro, Rômulo e Alex Sandro, porque nenhum dos três sabe jogar bola. Quando digo que não sabem jogar, quero dizer que são burocratas incapazes de um drible, de um passe mais ousado, de tocar a bola. Eles marcam, correm e acabou. Mas o Mano, um treinador da escola gaúcha que eu tanto abomino, acha que o bom é isso.

Sempre escrevo que é mais fácil ganhar o jogo tendo o maior número possível de jogadores talentosos em campo. Além de ser mais difícil para o adversário marcar, porque não basta tirar o espaço de um ou dois, o time fica mais com a bola e tem condição de criar jogadas para romper a marcação.

Faltam dois anos para a Copa que vamos jogar em casa, e não podemos achar que o Mano vai acordar e dar jeito no time. A solução também não é trocá-lo por Felipão ou Muricy. Por isso, lanço a campanha: Guardiola já!
Não tem técnico de time brasileiro que ganha 700 paus por mês? Pois bem, a CBF tem dinheiro de sobra graças aos seus contratos de publicidade para ir lá na Espanha e colocar a grana que for necessária em cima da mesa para convencer o Guardiola a aceitar o cargo.

Só alguém que privilegia o jogo coletivo e a técnica pode fazer o torcedor voltar a ter prazer – e orgulho – de ver a Seleção jogar.

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Desculpas esfarrapadas

Categoria: Sem categoria

Como o Campeonato Brasileiro continua morno e o nível técnico deixa muito a desejar, vou dar um tempo nos comentários sobre futebol e meter a minha colher na Olimpíada – mais especificamente na pífia participação dos atletas do Brasil.

Não faz muito tempo, há uns dez ou 15 anos, as reclamações contra a falta de apoio do governo e más condições de treinamento eram gerais no esporte. Mas agora a situação é diferente. Nunca as confederações e o COB tiveram tanto dinheiro, e nunca se investiu tanto na preparação para uma Olimpíada como para esta de Londres. E aí o que acontece? Resultados ruins e um festival de desculpas esfarrapadas para justificá-los.

A Fabiana Murer refugou na prova do salto com vara e botou a culpa no vento. Pelo jeito o vento só soprou na hora que ela foi saltar, e na vez das outras meninas não tinha nem uma brisa… A palavra certa é: amarelou.

O Cesar Cielo fica com o bronze na prova dos 50 metros e diz que estava desgastado porque tinha nadado os 100 metros dois dias antes. Tá bom… O Phelps tava toda hora dentro da piscina, nadando provas mais longas, e fez o que fez.

E a Seleção feminina de futebol? Como a comissão técnica era fraquíssima, formada só por gente que não é do ramo, o time não existia. Dependia exageradamente do talento da Marta, que infelizmente não fez um bom torneio, e um pouco da raça da Cristiane. O treinador, o tal do Jorge Barcellos, inventou de armar o time com três zagueiras. Pô, dá um tempo! Até no feminino vamos ter de aturar a praga do futebol de força?

Enquanto os atletas colecionam decepções, o “trem da alegria” formado por dirigentes do COB, do Comitê Organizador dos Jogos do Rio/2016 e das confederações passeia por Londres e curte o verão europeu sem dar a mínima para o desempenho da delegação brasileira.

Quase caí de costas quando li numa matéria pouco antes da abertura da Olimpíada que o Comitê Rio/2016 mandou 140 “observadores” para Londres com a incumbência de fazer relatórios sobre a organização e estrutura dos Jogos. Cento e quarenta pessoas! Que mamata, hein? E aposto que estão em hotel cinco estrelas.

Acho que a presidenta Dilma Rousseff e o ministério do Esporte deveriam intervir e criar uma lei para limitar o número de reeleições dos dirigentes. Não dá para aturar que o Nuzman fique 200 anos no comando do COB ou que o tal do Coaracy Nunes fique uma eternidade decidindo os rumos da natação.

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Dois grandes em caminhos opostos

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O jogo de domingo no Morumbi mostrou que dois grandes do futebol brasileiro vão trilhar caminhos bem diferentes no campeonato. O São Paulo tem elenco para brigar lá em cima, enquanto o Flamengo terá de abrir os olhos para não ficar chafurdando na lama dos que tentam escapar do rebaixamento.
O Tricolor, mesmo com um esquema ainda muito cauteloso para o meu gosto, com três zagueiros e um volante que não sabe atacar como lateral-direito, sobrou em campo.
Não é de hoje que digo que o São Paulo tem um dos melhores elencos do Brasil. E, mais do que isso, tem jogadores muito bons do meio de campo para a frente.
Na minha opinião, dos técnicos que passaram recentemente pelo Morumbi quem mais tentou aproveitar o potencial ofensivo do elenco foi o Leão. O Ney Franco chegou com grande respaldo da diretoria e elogiado pelos garotos que trabalharam com ele na Seleção Sub-20, por isso espero que aproveite esse apoio todo para montar um time que jogue para a frente e mostre um futebol agradável.
Meu caro Ney, você está dirigindo um time grande. Então, faça o São Paulo jogar como um time grande. Esse negócio de três zagueiros é um atraso de vida, porque se perde uma vaga que poderia ser preenchida por um meio-campista capaz de ajudar a armar o jogo. Quanto mais gente em campo para municiar os atacantes, melhor.
Depois dessa goleada de domingo o Tricolor vai ter uma semana para respirar e se preparar para começar uma arrancada na classificação. Tomara que daqui para a frente o presidente e o vice-presidente do elenco (Rogério Ceni e Luis Fabiano) não deixem o time na mão por lesão ou suspensão. Com eles a equipe fica encorpada.

Se no Tricolor as perspectivas são animadoras, no Mengão o céu está carregado de nuvens negras. Dorival Júnior e Zinho pegaram um “pepinaço”, fruto de anos de administrações desastrosas comandadas por dirigentes sem o menor preparo para comandar um clube desse tamanho.
Será que alguém na Gávea tem esperança de que reforços como Ibson e o brucutu paraguaio Caceres acrescentem alguma coisa boa ao time?
Com a equipe afundando a cada rodada, tudo leva a crer que mais uma vez o Flamengo vai desperdiçar uma boa geração de garotos. Gente como Negueba, Tomás, Adryan, Luís Antônio e Mattheus poderia deslanchar se o time estivesse ajeitado e a situação fosse tranquila, mas dentro da panela de pressão correm o risco de se queimar, o que seria uma pena.

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