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Blog da Garoa

Sair de casa às 4h da matina, num dia normal de semana, e rodar por São Paulo provoca duas sensações bem contraditórias. A primeira é a de que com a cidade vazia chega-se rapidinho ao destino. Nada de incômodos engarrafamentos, nada de estressadinhos no trânsito, de gente sem educação cortando, agredindo, disputando vagas.

Mas a segunda, Deus me livre! A escuridão e o vazio das ruas dá medo. Dizem que a cidade não para, que há vida (boa) pela madrugada. Meia verdade. São Paulo dorme, sim. E quando notívagos param nos faróis, não há como fugir da sensação de que se pode, a qualquer momento, ser atacado – como num filme de zumbis.

A neura é muita! Infelizmente.

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29.setembro.2012 12:17:31

Miniconto paulistano

Lá estava ele, parado no trânsito da Rebouças, perto do Hospital das Clínicas, às 10h do ensolarado sabadão, quando a moça do rádio do carro informou: “Temos 4 quilômetros de congestionamento em São Paulo. A Avenida Rebouças tem o único engarrafamento da cidade”.

 

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Desde os anos 40, pelo menos, que se fala que um dia o trânsito de São Paulo vai travar. Naqueles anos da explosão demográfica e intensa exploração imobiliária chegou-se a cunhar uma expressão para combate: São Paulo não pode parar! Parar, em São Paulo, significa, até hoje, perder. Perder dinheiro, oportunidades, negócios, fortuna.

Sem dúvida, mover-se é bom. Mas parar poderia também significar reflexão – movimentar os neurônios também pode ser bom. Refletir, por exemplo, por que não se vê ninguém muito preocupado com uma outra perda, a da qualidade de vida.

Deve ser porque os paulistanos acham que uma coisa pode ser compensada por outra. Afinal. correm a semana inteira e, na sexta-feira, descontam o estresse – nas estradas, indo para a praia, para a chácara, mesmo sabendo que a volta pode ser terrível!

A convivência na semana, à espera da fuga, no entanto, beira a insanidade. Basta tentar rodar por meia hora por aí para se notar que nos últimos meses o antigo temor já se transformou em realidade. Olhem para as pessoas dentro dos carros! Se não parou tudo, ainda, já são claros os sinais da fadiga na relação cidadão-deslocamento-cidade.

Na noite de quinta-feira, no curioso 7º Desafio Intermodal, uma corrida que teve largada às 18h, a terrível hora do pico, envolvendo 14 formas diferentes de deslocamento (carro, ônibus, trem, bicicleta e caminhada), mais uma vez mostrou isso. Com apoio da Rádio Estadão/ESPN, o evento comprovou que naquele momento um carro só ganhava de uma pessoa a pé.

A paradeira está em toda parte. Só que picada. Tem gente que se engarrafa ainda dentro do estacionamento. O futuro está aí, parado! Um empresário catalão que vive na cidade há pouco tempo não entende como o transporte coletivo é como é, ou seja, uma tortura, e o trânsito está assim. Por que não funciona?, perguntava ele nesta semana, durante uma entrevista, sem entender o motivo da inoperância de tão básica necessidade da população. É assim porque não se para para pensar.

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Rodando pela Zona Leste num final de tarde, outro dia, peguei engarrafamento na Avenida Sapopemba.  Comércio  em plena atividade, longas e irritantes filas no trânsito. Lembrei de 15 anos atrás, quando a frota era a metade, com 2,8 milhões de veículos, e os recordes de pico da tarde, em um março de chuvas, eram de 95 /98 quilômetros.

Para lembrar clique  Página do Estado em 1995

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16.fevereiro.2011 21:13:39

Um dia muito duro em SP!

Acabo de ficar 2h45 dentro de um carro para percorrer um trecho que em dias normais é feito em 25 minutos. Ninguém merece!

 Mas isso nem é nada perto do drama de muita gente que, mais uma vez, está há horas dentro d`água, vai perder tudo e passar a noite na lama. Ô São Paulo!

Da irritação à raiva. Depois, o desânimo.

Que pena!

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Cidade incomodada com trânsito, assustada com os desabamentos matando mais gente, só desta vez pelo menos 5 pessoas mortas por soterramentos na região metropolitana, outro tanto desaparecido logo cedo da manhã após uma chuva fortíssima na madrugada, uma situação muito difícil. São Paulo sempre conviveu com as enchentes, desde os tempos de vila colonial, com as águas do Tamanduateí e outros córregos sendo retratadas nas belas telas de Benedito Calixto, de 1892, ou pelas fotos de 1958, na Rua da Cantareira ou, ainda, no que ficou conhecido como “Piscina” do Adhemar.

Cena da Inundação na Várzea do Carmo, de Benedito Calixto

Reprodução: Inundação na Várzea do Carmo (Benedito Calixto)

Enchente de 1958: Piscina do Adhemar, no Anhangabaú

Piscina do Adhemar, no Anhangabaú, em 1958 (Reprodução)

Mas de uns anos para cá a situação ficou muito pior. O volume de pessoas atingidas e a gravidade dos efeitos das águas, que requisitam espaço para se espraiar, foram multiplicados quando mais e mais pessoas se aproximaram de suas áreas de domínio. Obviamente que faltou planejamento e o poder público fracassou. Não só não conseguiu evitar que a população ocupasse as beiradas perigosas de morros como não consegue oferecer solução de engenharia para acomodar no seio da terra a água caída do céu.

Há muito tempo que o rio não é do rio. Pelo mundo, a engenharia doma as águas.

Lamentavelmente São Paulo já está acostumada com as desculpas dos administradores públicos, que se sucedem na cadeira do poder sem apresentar soluções para o problema. Toda vez é uma discurseira sobre as bombas de túneis que não funcionaram, que estão vindo não se sabe bem de onde e indo também não se sabe bem para qual cruzamento submerso. É a mesma ladainha. Uma ladainha cantada, cada vez mais, sobre cadáveres. E sobre milhões de contribuintes que têm o dia corrompido pela ineficiência do serviço público.

E o cidadão morga horas no trânsito ou anda a pé por quilômetros e perde o dia de trabalho. Os hospitais sofrem, as empresas perdem, as abóboras bóiam no Ceagesp e a cidade para para ver descer a água e surgir o barro, a sujeira, o caos. E, vejam, ainda estamos em janeiro, aliás, na semana dos 456 anos da cidade, que se completam no dia 25.

E a temporada das águas de março ainda nem começou.

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Uma das variáveis que podem servir para medir a qualidade de vida em São Paulo é o trânsito. Enquete não é pesquisa, mas pode dar uma ideia do impacto desse incômodo para os paulistanos. Veja: dos 110 amigos do Garoa que até hoje aceitaram participar de uma enquete sobre o tema, 83 perdem uma hora ou mais de seu precioso tempo todos os dias no trânsito da capital. E 39 (35%) deles declara que perde mais do que duas horas do dia.

Veja a pergunta e as alternativas de respostas:

Faça as contas: quanto tempo do seu dia você perde no trânsito em São Paulo?

  • sim, meia hora (8%, 9 Voto(s))
  • sim, uma hora (15%, 16 Voto(s))
  • sim, duas horas (25%, 28 Voto(s))
  • sim, + de duas horas (35%, 39 Voto(s))
  • não, não perco tempo no trânsito (17%, 18 Voto(s))
  • Total de Votos: 110
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     Atualização do post às 11h51 de 19/01.

    Menos de 24 horas após o post acima, o número de votos na Enquete do Garoa dobrou, mas não há mudanças relevantes no quadro anterior de respostas. O resultado até este momento:

    Faça as contas: quanto tempo do seu dia você perde no trânsito em São Paulo?

  • sim, meia hora (7%, 16 Voto(s))
  • sim, uma hora (15%, 36 Voto(s))
  • sim, duas horas (24%, 56 Voto(s))
  • sim, + de duas horas (41%, 97 Voto(s))
  • não, não perco tempo no trânsito (13%, 32 Voto(s))
  • Total de Votos: 237
  • Veja a evolução da votação ao lado.

    Paulistanos e a cidade, segundo o Ibope

    Na pesquisa do Ibope sobre satisfação dos paulistanos com a cidade, feita para o Movimento Nossa São Paulo e divulgada hoje, mostrada na reportagem de Gabriel Vituri e Renato Machado, a tela sobre o trânsito joga luz sobre pontos discutidos por leitores aqui:

    Tela com dados sobre satisfação no trânsito/Ibope
    Reprodução de tela da pesquisa do Ibope: percepção negativa

     

    Post atualizado às 12h50.

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    21.dezembro.2009 14:37:40

    Inversão familiar

    Comer bem e a qualquer hora é um dos prazeres que São Paulo oferece. E é daqueles que mais atraem gente de fora — e também muita gente daqui mesmo que odeia lavar a louça. Conheço gente que vem do interior distante passar o final de semana na cidade somente para curtir a gastronomia. Um amigo, que mantém os filhos na capital para estudar, costuma inverter os papéis na família. Em vez de esperar os filhos em casa no sábado e domingo para o reencontro à mesa em sua cidade tranquila, toca-se na sexta-feira à noite Marginal a dentro para aproveitar-se de algumas maravilhas que tem descoberto aqui e ali em São Paulo. E por aqui fica até a tarde de domingo, quando pega a estrada no rumo contrário do trânsito pesado. Numa boa. Neste feriado de Natal, quando milhares de carros estiverem querendo sair ao mesmo tempo da cidade, ele estará na pista livre do outro sentido, chegando.

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