ir para o conteúdo
 • 

Blog da Garoa

Outro dia, lendo a trágica história pessoal de Fagundes Varela, poeta que teve uma passagem pela São Paulo antiga, encontrei a expressão “São Paulo da garoa”.  Luís Nicolau Fagundes Varela (1841-1875) era do estado do Rio e conheceu a temperatura de São Paulo quando morou entre os paulistanos na segunda metade do Século 19. Ele tentava cursar Direito no Largo de São Francisco, mas não conseguiu concluir a empreitada.

Muitos dos alunos do Largo de então tiveram papéis relevantes na história das leis e da política brasileira. Varela, não. Não deu tempo. Teve a vida desgraçada pela morte de filhos pequenos. E logo abandonou o mundo. Varela deixou o nome marcado na poesia, assim como um jovem idealista, de 18 anos, que conheceu, em 1865, em viagem de navio, rumo a Recife. Era Antônio Frederico de Castro Alves. Feitas as apresentações à bordo, os poetas engataram na prosa sobre a atmosfera de São Paulo. Dizia Varela a Castro Alves:

“Menino, você precisa conhecer as loucuras que vivemos na São Paulo da garoa, sob a tutela da velha academia do Largo de São Francisco! Nossa tenda de magia fica sob as famosas “arcadas” do velho Colégio Anchieta. Ali tingimos os trapos de uma nova civilização!”. Varela tinha 24 anos. O novo amigo, baiano, se tornaria um símbolo do combate à exploração humana.

Esse diálogo é parte de obra sobre Castro Alves (Editora Três), supervisionada por Afonso Arinos e Américo Lacombe. Castro Alves(1847-1871) idolatrava Fagundes Varela. Seguiu o conselho do amigo e provou do clima e das arcadas. E, em suas carta, era rabugento com o frio paulistano. A cidade costumava ver geadas até nas várzeas vizinhas da colina da Sé. O friozinho daqueles dias já não ocorre. Mas a chuva fina, sim. Refresca o ar da metrópole e permanece como musa de muita gente.

(texto publicado em O Estado de S.Paulo)

Texto alterado às 18h50 para correção de erro de digitação na data de morte do poeta Castro Alves.

comentários (4) | comente

  • A + A -
31.outubro.2009 16:07:32

Cidade de barro

A Igreja de São Francisco, um dos prédios mais antigos de São Paulo, em taipa de pilão, oferece um belo espetáculo de arte em seu teto. Essa igreja é um monumento, dos tempos da São Paulo colonial, e traz para os dias de hoje uma forte ligação da cidade com Portugal. Foi de lá, segundo historiadores, que foi importada a técnica de usar barro na construção.

 

Teto da Igreja de São Francisco, no Centro/Foto: Pablo Pereira

Teto da Igreja de São Francisco, no Centro / Foto: Pablo Pereira

1 Comentário | comente

  • A + A -
31.outubro.2009 13:34:07

Rato de Museu

 Para quem curte passear por São Paulo e descobrir detalhes escondidos da história da cidade, uma dica: visite a centenária Igreja de São Francisco, no Largo São Francisco, para conhecer uma técnica de construir prédios na antiga São Paulo. Restam poucos. Um fragmento de parede sem reboco, protegido por um vidro, pode ser visto no corredor à esquerda de quem entra na capela, que fica ao lado da Faculdade de Direito, no Centro. É uma amostra de materiais da taipa de pilão, usada por antigos construtores da vila que virou megalópole.

Taipa de Pilão na Igreja de São Francisco / Foto: Pablo Pereira

sem comentários | comente

  • A + A -

Arquivo

TODOS OS BLOGS