Todo mundo tem uma viagem inesquecível para lembrar. Há afortunados que têm várias. Mas mesmo estes costumam ter uma que foi mais inesquecível do que as outras. Pois uma das minhas foi a San Francisco. Lendo hoje o material da colega Adriana Moreira, do caderno Viagem, sobre a região, confesso que bateu, como diria Roberto Carlos, “uma saudade imensa”. Saudade que pretendo matar quando finalmente me aposentar e for viver em Sausalito.
Cidades como San Francisco, Lisboa e Buenos Aires, que visitei recentemente, receberam nos últimos anos atenção especial para suas áreas degradadas, e as transformaram rapidamente em locais de belos passeios – e fontes de renda.
San Francisco, na Califórnia, recuperou, entre outras áreas, a região portuária da Fisherman’s Wharf. O prédio restaurado da fábrica dos maravilhosos chocolates Ghirardelli é galeria de lojas e atrai turismo bem ao lado do Pier 41, de onde saem os passeios para a lendária ilha de Alcatraz, é uma beleza. O Pier 39, zona de comércio, de onde se pode observar a festa dos lobos marinhos curtindo o sol sobre um pequeno cais, também.

Lombard Street, postal de San Francisco, próxima do porto/Foto: Pablo Pereira
Por ali passeia-se com tranquilidade, come-se bem, compra-se de bugigangas a finas lembrancinhas, e pode-se, em caso de necessidade, usar o banheiro público mais doido que já vi em uma praça, com todos ao acessórios de higiene automatizados. Você não precisa tocar em nada.
Em Puerto Madero, Buenos Aires, igualmente se desfruta de conforto e comodidade. Há diversos bons restaurantes, que se estendem entre a Avenida Alicia M. de Justo e as águas de uma marina, ladeada por uma alameda que é um convite à digestão. Há gastronomia fina, como a do requintado restaurante Bice, uma festa para bocas e olhos, ou a casa de carnes Las Lilas ou, ainda, o simpático e competente Sottovoce.
Já na histórica Lisboa, o porto foi remodelado à beira do Tejo virou um espaço de lazer maravilhoso. Um restaurante abrigado em um dos armazéns restaurados, com nome estranho, Bica do Sapato, de alta gastronomia, certamente resume o clima do que é hoje o ex-degradado espaço urbano. O Bica, ao lado de outras boas casas, tem espaço para exposições de arte, galeria, cafeteria e um cardápio de dar água na boca.
São Paulo não tem águas dignas de um porto, como aqueles das cidades citadas acima. Vai demorar para que os maltratados rios Tietê e Pinheiros recuperem seus peixes e possam oferecer paisagem e prazer para paulistanos e turistas. Quem sabe um dia…
Mas, enquanto isso, a velha Caaguassu, a colina sobre a qual existe hoje o complexo urbano centenário da Avenida Paulista, pode vir a ser algo semelhante ao que já fizeram aquelas velhas cidades com seus quarteirões decrépitos.
Nasce ali, revelado pelo jornalista Daniel Gonzalez, do estadão.com.br, um projeto que pode transformar as ruínas do antigo Hospital Humberto Primo, existente no espigão, em um novo e aprazível espaço de negócios, cultura e lazer.
Reportagem de Rejane Lima, de Santos, publicada hoje no Estado, sobre linha de bonde ampliada no centro histórico da cidade, é bem legal. Excelente iniciativa de Santos. Lembrei de viagem recente à bela e moderna San Francisco, na Califórnia, onde, óbvio, fui passear no bondinho pelas charmosas ladeiras. Pois São Paulo, sabemos, foi servida por muitos bondes, que infelizmente não existem mais. Bondes elétricos ajudariam no transporte público de determinadas áreas e devolveriam aconchego à cidade, hoje dominada pelos ônibus. E nem precisa ser como era em 1895.

Bonde movido a burros na Rua 15 de Novembro/Reprodução
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