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Blog da Garoa

No início, a produção de cinema era de publicidade e de documentários, registros de cenas que aconteciam diante da câmera sem interferência de arte de contar histórias. A percepção do uso do corte no tempo para permitir o salto cronológico da narrativa em imagens e som só viria a aparecer anos depois. Numa de suas observações sobre a novidade cinematográfica, por exemplo, Ruy Barbosa escreveu crônica, aí pelos anos 20, dizendo que a maravilha daquela novidade era a qualidade de registrar fatos sem a direção que ele, Ruy, observava no teatro.

Mas as coisas mudaram rápido. E o que era registro virou arte. Ainda bem!

 

(Texto publicado em O Estado de S.Paulo)

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Nestes dias de discussão sobre reforma na lei nacional da convivência privada, dos costumes, o Código Civil, fui aos arquivos relembrar essa adequação das normas à vida em curso. E encontrei Ruy Barbosa, no início da República, envolvido com o conjunto de princípios que tramitava no Legislativo.

Ruy era senador e foi crítico ferrenho do projeto do primeiro Código Civil brasileiro, que após anos no Congresso começou a valer em 1916. O documento produzido por ele é parte da história brasileira, sua famosa Réplica.

Ruy é personagem da formação paulistana. Sua história de vida foi, em parte, moldada na Faculdade do Largo de São Francisco. Partindo da obra para o autor, derivei para as impressões que ficaram da relação dele com a cidade, lugar que teria papel relevante no centro de seu pensamento: a troca de mãos no poder e o impacto dessa alternância no País.

Ruy era baiano, estudou no Recife, viveu no Rio, sede da máquina burocrática do poder de seu tempo (1849-1923). Mas conservou ligações com São Paulo, onde estudou (1867-70) e militou, mesmo de longe.

Era um jovem melancólico, como a cidade. Mas, também como a cidade, viveu aberto à mudança, como se observa nas décadas seguintes em temas caros a ele e a São Paulo, como a abolição e a República.

Por aqui, o Ruy-abolicionista colecionou adversários ao vetar, quando já ministro da Fazenda (1890), a criação de banco com fundos para indenização de ex-proprietários de escravos que reclamavam de prejuízos com a lei de 13 de maio de 1888. Essa ligação com a cidade aparece em diversos momentos das biografias do advogado, senador, diplomata e tribuno. E o acompanha até o fim da vida.

Entre páginas e páginas de homenagens, quando de sua morte, em 1.º de março de 1923, um artigo de O Tempo lembra que a doença já lhe provocava delírios. “(sic)Houve um terceiro discurso, em que Ruy imaginava-se numa das suas campanhas políticas. Elle fallava sempre com voz forte e com a eloquencia dos seus maiores dias da tribuna. Quando ia terminar, sentou-se na cama e bradou:

– Viva S. Paulo! Viva o dr. Washington Luiz!”

(Texto publicado em neste domingo, 28/03, em O Estado de S.Paulo)

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19.março.2010 12:15:01

Um baiano paulista

A relação do baiano Ruy Barbosa com São Paulo se estendeu bem além da passagem dele pelas salas de aula do Largo São Francisco nos idos de 1870, quando se bacharelou. São Paulo abriu para ele a porta da militância estudantil, ofereceu a pena do protesto em jornais e acesso à tribuna de oposição ao Império.

Andando pelas páginas virtuais do Museu da Cidade de São Paulo, riquíssimo acervo sobre a cidade, encontrei fotografia de monumento erguido em homenagem a Ruy.

 

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(texto alterado em 24/03 para corrigir grafia de Ruy)

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Lendo outro dia sobre estudantes que vieram para São Paulo nos anos 60 e 70 do Século 19, quando a cidade ainda tinha por volta de 50 mil habitantes mas já era um centro efervescente dos ideais abolicionistas e republicanos, relembrei de como tem mudado a cara da representação política brasileira.

 Ruy Barbosa, que chegou a São Paulo pouco mais do que um garoto e que com 18 anos já militava na política, escrevia artigos em jornais e discursava contra o Imperador, esteve ameaçado de abandonar os estudos na Faculdade de Direito do Largo São Francisco por causa de dinheiro.

 Até aqui, tudo bem. A vida, em geral, não era fácil naquela época, como não o é hoje para muita gente. Mas o interessante é por que isso ocorreu: o pai de Ruy, João Barbosa, um liberal baiano, médico, metido em disputa política com um irmão, tinha perdido a cadeira de deputado pela Bahia. E vivia sabe como? Da renda dos doces fabricados pela mulher, Maria Adélia.

Com a morte dela, conta Luís Viana Filho no biográfico A vida de Rui Barbosa, ”extinguira-se a única fonte de renda certa da família – o fabrico doméstico dos doces”. E o filho, Ruy, estudando em São Paulo. Não fosse a mão de amigos do pai (ah, os amigos!), Ruy Barbosa não poderia ter prosseguido nos estudos no Largo São Francisco.

Rui Barbosa 3

(post atualizado com reprodução de caricatura publicada no livro In Memoriam – Rui Barbosa – 1849 – 1923 e correção da grafia de Ruy, como ele assinava. Obras que escreveram nome com “i” foram respeitadas)

 

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