Depois de tudo, das luzes coloridas, da missa do galo, da louca que derrubou o Papa, das coxas de peru, da maçã no creme vermelho, das frutas, das castanhas, dos telefonemas, do Feliz Natal, dos presentes, e da briga na família do prédio vizinho, às 4h20, o silêncio.
São Paulo, na manhã fresquinha de 25, parece curtir tranquilamente a data cristã. No passeio cotidiano das 6h30, Bob Schnauzer não encontrou nem o simpático poodle branquinho que sempre observa quieto a sua passagem. Nenhum carro. Ninguém. Só os sabiás, beliscando aqui e ali pelos jardins.
Mas daqui a pouco a cidade acorda!
Comer bem e a qualquer hora é um dos prazeres que São Paulo oferece. E é daqueles que mais atraem gente de fora — e também muita gente daqui mesmo que odeia lavar a louça. Conheço gente que vem do interior distante passar o final de semana na cidade somente para curtir a gastronomia. Um amigo, que mantém os filhos na capital para estudar, costuma inverter os papéis na família. Em vez de esperar os filhos em casa no sábado e domingo para o reencontro à mesa em sua cidade tranquila, toca-se na sexta-feira à noite Marginal a dentro para aproveitar-se de algumas maravilhas que tem descoberto aqui e ali em São Paulo. E por aqui fica até a tarde de domingo, quando pega a estrada no rumo contrário do trânsito pesado. Numa boa. Neste feriado de Natal, quando milhares de carros estiverem querendo sair ao mesmo tempo da cidade, ele estará na pista livre do outro sentido, chegando.
O Garoa foi desafiado, outro dia, por um amigo, Walace, a sortear um exemplar do livro “Álbum Iconográfico da Avenida Paulista”, uma maravilha.
Pois, aproveitando que é dezembro, devolvo o desafio: leva de presente de Natal o também belo Iconografia Paulistana do Século XIX, de Pedro Corrêa do Lago, quem responder primeiro o nome completo do autor da aquarela abaixo, que retrata cena de São Paulo do Século 19.

Aquarela mostra cena paulistana do Século 19
Pertinho do Natal, o domingueiro comércio da foto abaixo pode parecer cenário de muitas das pequenas cidades do interior do país… Mas não é.

Domingo foi dia compras sem glamour no Campo Limpo, em SP
O cenário natalino da foto abaixo pode parecer de San Francisco, Nova York, Los Angeles… Mas não é.

Final de tarde de sábado na Av. Paulista/Fotos: Pablo Pereira
Virou o calendário do mês para dezembro e apareceram, do dia para a noite, cidade a fora, as luzes do Natal. Ontem, no início da noite, tentando passar pela Avenida Paulista, para ir para casa, encontrei tudo parado. Uma confusão na esquina da Ministro Rocha Azevedo, onde nesta época há um presépio que ilumina um casarão transformado em banco. Os paulistanos adoram. Os turistas também. Tiram fotos, levam os filhos, viajam de metrô até lá e guardam as imagens em seus celulares. Ia reclamar do trânsito, mas desisti. A magia da Paulista é coisa antiga. Os engarrafamentos, idem.

Trânsito na Paulista era assim no final dos anos 1920
No ano passado, nesta época, a cidade estava meio entristecida, vivíamos a crise dos americanos que não puderam pagar suas hipotecas e abalaram economias pelo mundo. Foi um final de ano meio chinfrim. Mas agora as pessoas parecem mais empolgadas com os números da vida e há um alívio no ar. Aos poucos, pelos bairros, os prédios se enfeitam com luzinhas nas sacadas e janelas. São Paulo à noite é muito bonita. E por esses dias fica mais aconchegante, tirante, é claro, as mazelas que não têm dia nem hora – e a principal delas é a sombra da insegurança.
Só para lembrar: a Paulista faz aniversário no dia 8, terça-feira. Foi inaugurada em 1891.

Aquarela de Jules Martin, inauguração em 8 de dezembro de 1891
Imagens como essas, maravilhosas, podem ser apreciadas em livros fantásticos, como esse cuja capa reproduzo abaixo, do historiador Benedito Lima de Toledo, documento indispensável para os amantes da cidade.
Capa do Álbum Iconográfico, de Benedito Lima de Toledo
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