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Blog da Garoa

14.novembro.2011 20:16:26

O dom de alegrar

Responda rápido: o que têm em comum os padres Manoel da Nóbrega e Antonio Rodrigues (dos anos 1500) com Zequinha de Abreu, Antonio Rago e Aníbal Augusto Sardinha, o Garoto, (dos 1900) e uma turma que se reuniu sábado pela manhã na Rua França Pinto, 42, na Vila Mariana?

Respondo eu, rápido: a música.

Sobrevive naquele endereço, onde há uma loja de instrumentos musicais, o maravilhoso dom de artistas que - desde as missas monofônicas dos mosteiros quinhentistas - fazem a alegria de São Paulo com saraus, rodas de modinhas e chorinho.

Quem passava na porta da Casa Vitale, quase esquina com a Avenida Domingos de Moraes, no sábado, ouvia cavaquinho, pandeiro e violão dando vida a chorinhos – que são os netos das modas portuguesas, que devem ser netas, ou tataranetas, do velho cantochão, o canto das igrejas, ouvido pela primeira vez pelos nativos de Piratininga ao ser tocado sob a “batuta” e inspiração dos religiosos Nóbrega e Rodrigues.

Em seu belo ensaio “Arranjos e timbres da música em São Paulo”, publicado no volume 1 de “A história da cidade de São Paulo” (Paz e Terra, 2004), o doutor José Geraldo Vinci de Moraes ensina isso tudo, e muito mais. Recorri ao livro para entender um pouquinho mais da raiz daquele som que dá um charme especial ao quarteirão de comércio perto da hora do almoço.

E lá estavam as citações do doutor Vinci de Moraes rementendo também aos idos de 1818, quando nesta mesma São Paulo “os botânicos alemães Spix e Martius” relataram ter feito o mesmo que muitos fazem aos sábados na Vila Mariana: curtir um sarau de modinhas.

Por ali, certamente, ao som do cavaco de uma mocinha, havia alguma coisa de um outro personagem paulistano, que viveu entre 1880 e 1935: Zequinha de Abreu. Segundo o estudo do doutor Vinci de Moraes, depois de fazer nada menos do que Tico-Tico no Fubá, em 1917, Zequinha chegou a São Paulo onde tocou em bares, cinemas e – olhem só! – em casas de instrumentos e partituras.

São Paulo tem cada coisa! Para ouvir, clique aqui.

Roda de chorinho em loja da Vila Mariana/Foto: Pablo Pereira

 

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Uma chuva (ou garoa) de eventos deve cair sobre São Paulo nesta semana para homenagear um dos personagens mais interessantes da história da cidade no século passado: Adoniran Barbosa.

 João Rubinato era o nome dele no registro civil, e não era paulistano de nascimento. Adoniran nasceu em Valinhos em 6 de agosto de 1910. Morreu em 1982. Mas há na música da cidade alguém mais originalmente paulistano?

O pessoal da Associação dos Amigos da Praça Benedito Calixto, por exemplo, já prepara festas para Adoniran e seus fãs, no dia 7, sábado, na Feira de Artes da praça.

Quem quiser ver um pouquinho dele, de viva voz, pode acessar a página de Grandes Personagens Brasileiros da TV Cultura.

  Grande Adoniran!

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O frio, que chegou hoje (terça-feira) a São Paulo com uma chuvinha, após dias e dias de clima seco, poluição e calor fora de época, se anuncia como um convite para uma fugidinha, nos próximos dias, em busca de um bocado de serra. Outro dia, privado de sair da cidade por um plantão de final de semana, fui à TV, tarde da noite, e encontrei, em transmissão da Rede Cultura, momentos de beleza que vinham da montanha. Era a abertura do festival de clássicos de Campos de Jordão. E lá, no programa, estava a música do Antonin Dvorák.

O maestro Carlos Kalmar dava um show com a Orquestra Sinfônica de São Paulo, regendo a Sinfonia nº 7.

 

Maestro Carlos Kalmar, regendo a Sinfônica de São Paulo/Reprodução de TV

Maestro Carlos Kalmar, regendo a Sinfônica de São Paulo/Reprodução de TV

  

 Ouça o 3º movimento da sinfonia, orquestra de Hong Kong, regida por Daniel Raiskin

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Terminado o programa, já na madrugada, fui à vitrola e ao meu Dvorák preferido. O ”Allegro ma non troppo”, do nº 12, Op. 96, ‘American’ – que pode ser ouvido abaixo.

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Eles entraram pela grande porta lateral, de madeira, saídos do claustro, vestindo túnica rosa, a cor da alegria, cor do quarto domingo da Quaresma, na semana passada. Dois sacerdotes caminharam sem pressa até o altar. Na frente, um grupo, com roupas brancas, velas e incenso fumegante; atrás, outro, com vestes pretas e livros de cantos.

Eram esperados havia bem uns 30 minutos. A igreja, cheia. Gente em pé pelos corredores, se abanando, na manhã abafada. Cada movimento do cortejo, como uma procissão centenária, foi acompanhado pelos olhos atentos dos fiéis, em silêncio. Sob a solene e altíssima nave central da igreja, os religiosos iniciaram a missa das 10h, tradicional em dias como hoje.

A cerimônia lembra hábito das pequenas cidades bucólicas. Mas a cena ocorreu aqui pertinho, no centro antigo de São Paulo, no Mosteiro de São Bento. A igreja fica no Largo de São Bento, final do Viaduto Santa Efigênia. Foi construída há um século. Em 1600, o local abrigou a primeira palhoça religiosa dos monges neste solo, no alto da colina-mãe da cidade.

A missa do Largo de São Bento é mais do que um acontecimento dos católicos. É uma atração paulistana. No último domingo, caravanas assistiam à missa encantadas com o ambiente. Durante o ritual, os monges voltam no tempo em seus cânticos, viajam mil anos atrás, vão aos claustros da Toscana, ao beneditino, como eles, Guido D`Arezzo (955 a 1050 d.C.).

Foi na italiana Arezzo que Guido Monaco se dedicou ao alfabeto dos sons a partir dos apontamentos medievais e fundamentos gregos. E deu nome às notas. As sílabas de Guido (dó, ré, mi, fa, sol, la, si) são as iniciais do hino de São João, em latim:

UT queant laxis, (mudado para Dó)

REsonare fibris,

MIra gestorum,

FAmuli tuorum,

SOLve polluti,

LAbii reatum,

Sancte Ioannes. (SI)

Em português (segundo o site da Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo): “Para que possam ressoar as maravilhas de teus feitos com largos cantos, apaga os erros dos lábios impuros, ó São João”. Hoje, a voz dos cantores voltará a encher a igreja com a música que o monge Guido ajudou a criar matutando sobre uma matemática de 1.500 anos. E com aroma de incenso.

(texto publicado em O Estado de S.Paulo)

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25.novembro.2009 15:15:15

Sons de São Paulo

Modinhas de Zica Bergami para lembrar de uma São Paulo que não existe mais, mas permanece viva na memória de muita gente que gosta de morar na metrópole. Essa “Salada de danças” é uma maravilha!

E mais:

“Serenata”

Para finalizar:

Zica roqueira, cantada por Zezé Freitas, em “Pimenta no rock”:

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