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Blog da Garoa

Um tiro de bacamarte, disparado dentro da casa do padre de Oeiras, no sertão do Piauí, matou Antônio Pereira Nunes no dia 13 de setembro de 1803. Mais de dois séculos depois, documentos com a descrição da hora e local desse distante assassinato servem hoje de referência na pesquisa histórica sobre uma polêmica figura do passado brasileiro, um dos mais temidos coronéis nordestinos. É Luís Carlos Pereira de Abreu Bacelar, senhor de escravos do Século 18, líder político e militar do Brasil-Colônia, dono de uma das principais fazendas de escravos da época, inimigo do morto e que teria sido um dos mandantes do crime.

Localizada no município de Santa Cruz dos Milagre, vizinha de Oeiras, a fazenda Serra Negra, propriedade que pertenceu a Luís Carlos, ainda hoje mantém em pé o casarão do misterioso coronel, que aparece em documentos da colonização portuguesa existentes até na Torre do Tombo, em Lisboa.

Dias atrás, rodando pelo interior daquele estado, encontrei um pedaço abandonado da rica história da ocupação brasileira dos anos 1700/1800.

Deteriorada pelo tempo e pela falta de conservação, a construção de 1766, (abaixo, em fotos de Tiago Queiroz/Estadão) corre risco de, como o próprio Luís Carlos, desaparecer misteriosamente.

Fotos: Tiago Queiroz/Estadão

Conhecido também como Luís Carlos da Serra Negra, o fazendeiro, descendente de portugueses, condecorado pela Coroa de Lisboa, e membro de junta governativa de tempos nos quais o Piauí ainda era do Maranhão, o coronel era temido por seus métodos feudais.

Escravagista, guerreiro, mandou erguer em sua fazenda um casarão de 438 metros quadrados, que foi tombado por decreto estadual em 2006. Mesmo protegida no papel, a casa está ameaçada de perder partes, e serve de habitação para calangos – e fantasmas. O próprio dono virou lenda que envolve rituais macabros, maldade e mistério – seu corpo jamais foi encontrado após a morte, em 1811.

Mistérios

Hoje pertencente ao grupo empresarial Edson Queiroz, de Fortaleza, o casarão de Luís Carlos é parte de histórias de guerras e de torturas que até hoje arrepiam a vizinhança.

“Eu não fico aí dentro”, afirmou dias atrás um funcionário da prefeitura de Santa Cruz dos Milagres ao visitar a casa. “Aí tem fantasma dos negros que foram torturados”, completou. Rezam as lendas locais que Luís Carlos era cruel e sanguinário.Torturava escravos, dava inimigos para onças comerem e mantinha até um poço no qual desovava desafetos.

Para o arqueólogo Abrahão Sanderson Nunes Fernandes da Silva, da Universidade Federal do Piauí (UFPI), que estuda o local, para além de ser origem de diversas lendas sobre Luís Carlos, o casarão tem relevância histórica.

Com um projeto de estudo arqueológico que deve se prolongar por mais quatro anos sobre o passado da Serra Negra, Abrahão acredita que os indícios já encontrados na pesquisa no local e documentos sobre a propriedade apontam para uma construção do Século 18 que pode revelar mais detalhes de como foi a ocupação do interior brasileiro na época. “É importante preservar aquele sítio histórico”, defendeu.

“Nós estamos avaliando informações que podem indicar ter havido ali também uma propriedade com fortificações”, disse o arqueólogo. Segundo ele, a Serra Negra conserva ainda muros e construções que podem ir além da comprovação da existência escravos e da moradia de Luís Carlos.

Há características de paredes de instalações “fortificadas”, construídas para enfrentar o clima de hostilidades e resistência a invasores da região em tempos nos quais disputas de territórios – e questões pessoais- eram resolvidas na bala, como ocorreu com o homem assassinado às 22h30 dentro da casa do vigário.

Diante do casarão (acima), do outro lado da estrada de terra bem cuidada da fazenda, ruínas de pedra são vistas pelo povo local como um antigo curral de criação de onças, bicho que até hoje é visto nas matas daquela região do Piauí. De acordo com relatos orais, o dono da fazenda criava ali animais selvagens para intimidar eventuais levantes de escravos rebeldes e punir condenados.

O professor da UFPI, no entanto, estuda as paredes com outros olhos. Seriam fortificações para garantir segurança contra eventuais ataques à propriedade. Há documentos que demonstram que Luís Carlos mantinha ali dezenas de guerreiros fortemente armados.

O Grupo Edson Queiroz, de Fortaleza, hoje dono do lugar, não pode interferir no prédio por determinação do processo de preservação, e não comenta o assunto.

O casarão da Serra Negra tem paredes de quase um metro de largura e há madeiramento de telhado de carnaúba, uma característica das construções da época. Para autoridades de Santa Cruz dos Milagres, a recuperação do casarão seria uma benção para o turismo local. É um sonho deles transformarem a Serra Negra em museu e fonte de receita da Prefeitura, aproveitando o potencial de atração da história intrigante do coronel Luís Carlos.

Sobre ele pairam também histórias de assombração de um tempo de forte presença da Inquisição nas colônias portuguesas. Na casa da Serra Negra há uma capela dedicada a uma santa, que teria sido trazida de Portugal, e que se transformou em Santuário de Santana, até hoje cultuada no casarão.

Contam as lendas regionais, no entanto, que o próprio Luís Carlos tinha pacto com o demônio. E que na propriedade teriam ocorrido rituais de bruxaria.

Quando morreu, assassinado em uma emboscada, como teria ocorrido com seu desafeto em Oeiras, o corpo do coronel sumiu durante o transporte para o enterro. Teria sido levado por adeptos de uma seita secreta que abordaram os escravos que o levavam em uma rede pela estrada. Jamais foi encontrada a sepultura de Luís Carlos.

Sítio rupestre

Entregue aos cuidados da Fundac, órgão estadual de conservação do Piauí, a Serra Negra é, segundo o arqueólogo da UFPI, parte de um conjunto de patrimônio que reúne ainda pelo menos duas outras relíquias bem mais antigas do que a história de lutas e mistérios do coronel. Há pelo menos dois sítios arqueológicos com pinturas rupestres na área, identificados pelos especialistas. E também cobiçados como fonte de renda municipal.

A cerca de 3 quilômetros da casa de Luís Carlos, a Pedra do Letreiro é um desses tesouros esquecidos. Uma enorme pedra exibe afrescos em tons vermelho ali deixados por assentamentos humanos de quando a região era ocupada na pré-história.

“É um rico conjunto de sítios que revelam momentos diferentes de ocupação humana naquela região”, afirmou o arqueólogo. A Pedra do Letreiro também é um lugar coberto de matagal, abandonado ao gado e aos pequenos lagartos.

O Piauí é pontilhado de descobertas da presença humana pré-histórica, muitas delas em perfeito estado de preservação. No Parque Nacional Serra da Capivara, a 530 quilômetros da capital, Teresina, ao norte da fazenda Serra Negra, área reconhecida como patrimônio da humanidade, estão as principais descobertas reconhecidas como patrimônio da humanidade pela Unesco desde 1991.

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Descendente de Luís Carlos quer preservar memória do coronel

Ele é descendente do coronel Luís Carlos Pereira de Abreu Bacelar, também conhecido como Luís Carlos da Serra Negra, temido líder militar e senhor de escravos do Piauí no Século 18. O professor Lossian Barbosa Bacelar Miranda vive em Timon, município do Maranhão, vizinho da capital do Piauí, Teresina, onde leciona matemática no Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Piauí (IFPI), e estuda o antepassado e luta para preservar a história da família.

Miranda pesquisa atualmente documentos sobre o testamento do coronel Luís Carlos e defende a preservação do casarão abandonado e ameaçado de cair na fazenda Serra Negra.

Com data presumida de 1766, conforme inscrição em pedra encontrada no local, o casarão ainda assusta moradores locais acostumados a ouvir relatos de rituais satânicos misturados com a presença de uma santa, Santana, que teria sido trazida de Portugal nos tempos da Inquisição, no Século 18.

“É uma loucura não preservá-la e, estupidez, não perceber que aquilo é um bilhete premiado da Mega-Sena acumulada”, afirmou Lossian Bacelar Miranda ao Estado, em entrevista concedida por e-mail. Leia trecho da entrevista, feita por e-mail.

Qual seu parentesco com Luís Carlos da Serra Negra?

Meu bisavô Luís de Abreu Bacelar, que era neto de Torcato Luís Pereira de Abreu Bacelar, dizia ser bisneto de Luís Carlos. A informação mais antiga que tenho de Torcato é o nascimento de um filho dele em 13/12/1829.

Relatos orais daquela região do Piauí contam sobre torturas de escravos na fazenda do coronel. Há registros escritos desses fatos?

Nas fontes primárias nunca li qualquer relato sobre torturas. Alguns escravos de Luís Carlos eram seus companheiros de armas. Como jovem capitão das milícias foi preso em São Luís do Maranhão junto com alguns deles. Um escravo amigo de Luís Carlos, enviado por sua mãe Arcângela Úrsula de Castelo Branco, morreu nas mãos dos soldados do governador. O único registro concreto de valentia de Luís Carlos, registrado pelo Governador D. João de Amorim Pereira, foi ter prendido alguém que surrou um de seus escravos. O Regente Dom João legitimou três filhos que Luís Carlos teve com a mestiça Narcisa Pereira e, ao falecer, Luís Carlos deixou testamento igualitário entre eles e os dois outros filhos nobres do casamento que teve com Luzia Perpétua Carneiro de Souto Maior Bacelar.

Havia mesmo a criação de onças na propriedade?

Não sei. Minha mãe viveu lá na década de 1930 e não dá notícias de onças. Nos fundos do quintal há uma espécie de “gamela de pedra”. Dizem que era para as onças beberem. Não li nenhum relato escrito. Lá foi um quartel e ao mesmo tempo, casa de Luís Carlos, o qual era, literalmente, um autêntico senhor feudal.

Como morreu o coronel Luís Carlos?

O único documento que li sobre a morte dele foi um ofício lacônico de natureza militar, dizendo que o mesmo havia morrido na Serra Negra em 1811. Se o Molina fizesse uma perícia nos livros da Capitania do Piauí relativos ao período de sua morte, desconfio que ele acharia coisas acerca das quais eu só pude desconfiar.

Por que houve a “demonização” da figura de Luís Carlos?

Luís Carlos foi um desaparecido político. Foi o homem que libertou o Piauí do Estado do Maranhão em 1811, tendo sido o seu primeiro governante, de fato e de direito. Seus filhos naturais foram perseguidos e, alguns, mortos. Seu testamento foi anulado e, o seu inventário, desfeito. O sistema escravocrata precisava demonizá-lo. Foi a “Maldição de Cam” do meio norte brasileiro. A verdade sobre Luís Carlos e seus descendentes naturais aparecerá agora. É uma história heroica, mas com sofrimento excessivo. Fica muito triste. Espero que a Comissão da Verdade não permita repetição do que aconteceu a Luís Carlos e seus descendentes.

O senhor tem detalhes (documentos) sobre a presença da Inquisição no Piauí?

Eu não, mas Luiz Mott, sim: MOTT, Luiz. Transgressão na calada da noite: um sabá de feiticeiras e demônios no Piauí colonial. Disponível aqui.

E qual sua opinião sobre a preservação do casarão da fazenda Serra Negra?

O padre Miguel de Carvalho em Descrição do Sertão do Piauí (1697) diz: “XVb – Riacho Negro: Corre do sul para o norte; entra no São Nicolau. 01 – Tem uma só fazenda, chama-se a Serra Negra; está nela Rodrigo da Costa com dois negros”. No livro de batismos de Oeiras há, em 1734, registros de batismos de escravos de José Pereira de Abreu Bacelar, irmão do pai de Luís Carlos. Minhas pesquisas indicam que este José Pereira, cavaleiro da Ordem de Cristo e o mesmo citado por Mott, veio do eixo Rio São Paulo degredado devido a judaísmo de sua jovem esposa Brites da Costa. Jorge Velho deve ter morado na Serra Negra, a qual guarda um pouco da história do Brasil inteiro, inclusive dos judeus. É uma loucura não preservá-la e, estupidez, não perceber que aquilo é um bilhete premiado da Mega-Sena acumulada.

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Após sete anos de gestação, sai da oficina, em São Paulo, livro que mostra o jeito paulista de ser. Não do paulista da Capital, somente. Autores mostram o ambiente geográfico que formou o paulista para além da metrópole. História do Estado de São Paulo: A Formação da Unidade Paulista será apresentado neste sábado, 23, na Estação Pinacoteca. Editado pela Unesp, Arquivo Público do Estado e Imprensa Oficial, livro tem três volumes e aborda quatro temas principais: economia, sociedade, política e cultura.

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10.março.2010 17:50:02

Garoa também no papel

Este Blog da Garoa foi criado em outubro para contar histórias de São Paulo. Queria visitar o passado, ver como aconteceu a aventura humana nessa gigantesca aglomeração de gentes, interesses e conflitos de uma cidade que em um século e meio passou de vila colonial a megalópole. Acreditando que na trajetória dos paulistanos há muito para observar e refletir - e curtir -, o Garoa procura na memória e nos personagens da cidade as marcas de um modo de vida.

Pois agora, depois de quase cinco meses de existência na web, essa garoa virtual ganha força e alcança o jornal de papel. A partir do dia 14, quando estreia o novo projeto gráfico de O Estado de S. Paulo, todo remodelado, com novas seções, os amigos do blog poderão acompanhar as histórias da cidade também impressas, uma vez por semana, aos domingos, em páginas dos novos cadernos Metrópole e Cidades.

Faz o Garoa parte de um movimento de inovação importante na web brasileira – e, por si, muito particular. O que normalmente tem ocorrido nas casas de produção de informações, nesse inexorável processo de integração das mídias de papel com a web, é a migração do conteúdo impresso para a internet. Com o Garoa ocorre o inverso: ele nasceu na web e vai para o papel. Faz todo sentido.

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16.dezembro.2009 13:40:23

O antigo e o moderno

Reportagem de Rejane Lima, de Santos, publicada hoje no Estado, sobre linha de bonde ampliada no centro histórico da cidade, é bem legal. Excelente iniciativa de Santos. Lembrei de viagem recente à bela e moderna San Francisco, na Califórnia, onde, óbvio, fui passear no bondinho pelas charmosas ladeiras. Pois São Paulo, sabemos, foi servida por muitos bondes, que infelizmente não existem mais. Bondes elétricos ajudariam no transporte público de determinadas áreas e devolveriam aconchego à cidade, hoje dominada pelos ônibus. E nem precisa ser como era em 1895.

Bonde movido a burros na Rua 15 de Novembro, em 1895

Bonde movido a burros na Rua 15 de Novembro/Reprodução

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Com a contribuição do leitor Roberto Izidorio Pereira, que comenta o post “Sons de São Paulo“, reproduzo aqui imagens de São Paulo em 1943. É um documentário de propaganda, mas que contém imagens maravilhosas da cidade, produzido pelo The Office of The Coordinator of Inter-American Affairs. Mostra, por exemplo, imagens do Pacaembu, o trânsito na Avenida Paulista, os bondes, o crescimento industrial e os belos jardins do Anhangabaú, ao lado do Theatro Municipal e do Viaduto do Chá. Para curtir São Paulo, em inglês e ao som de O Guarani, de Carlos Gomes, e outros clássicos, clique na imagem abaixo e veja o filme publicado no YouTube:

Área de estacionamento do Estádio do Pacaembu/Reprodução

Área diante do Estádio do Pacaembu/Reprodução

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25.novembro.2009 15:15:15

Sons de São Paulo

Modinhas de Zica Bergami para lembrar de uma São Paulo que não existe mais, mas permanece viva na memória de muita gente que gosta de morar na metrópole. Essa “Salada de danças” é uma maravilha!

E mais:

“Serenata”

Para finalizar:

Zica roqueira, cantada por Zezé Freitas, em “Pimenta no rock”:

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22.novembro.2009 15:41:49

Homenagem

Reproduzo abaixo, como post, em homenagem ao brilhante trabalho da autora, íntegra do comentário enviado ao Garoa pela professora Ligia Fonseca Ferreira, da Unifesp, a propósito do texto sobre Luís Gama, do dia 19.

“22/11/200912:33

Enviado por: Profa. Ligia F. Ferreira

Prezado Pablo e leitores,
É sempre uma imensa satisfação saber de todos quantos evocam a figura ímpar do multifacetado Luiz Gama, ao qual tenho dedicado a maior parte de minha produção acadêmica, iniciado com a pesquisa para meu doutorado na Universidade de Paris 3 – Sorbonne : “Luiz Gama : étude sur la vie et l´oeuvre d´un Noir-citoyen, militant de la lutte anti-esclavagiste au Brésil” (4 vols).
Organizei a reedição crítica das Primeiras Trovas Burlescas de Luiz Gama e Outros poemas, pela editora Martins Fontes (2000). Trata-se do primeiro trabalho que resgata a obra única de Luiz Gama, baseada nas duas edições por ele mesmo preparadas (Sãoa1a edição 1859 ; 2ª edição, corrigida e aumentada 1861), desde há muito de raríssimo acesso. Consegui realizar minha pesquisa “arqueológica” e de “restauro” na Biblioteca Mário de Andrade e na de colecionadores particulares, já que edições póstumas, a partir de 1904, em geral feitas por “amigos ou admiradores” do autor (e não editores), têm caráter apócrifo, apresentam distorções e mutilam muitos poemas, retirando às vezes estrofes inteiras, comprometendo assim a leitura e interpretação do texto.
. Tomo a liberdade de recomendar aos interessados a leitura deste livro, no qual encontram-se um vasto ensaio introdutório, + fortuna crítica, cronologia e iconografia do poeta, jornalista, advogado e militante das campanhas abolicionista e republicanas.

Minha tese, com volumes de anexos (textos, documentos, iconografia) em português, encontra-se disponível da Biblioteca da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP.
Tenho vários artigos publicados, dentre os quais ressalto :
1. “Luiz Gama: um abolicionista leitor de Renan”, Revista Estudos Avançados (USP) n. 60, disponível on line:
 http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S010…

2. “Luiz Gama por ele mesmo : a carta a Lúcio de Mendonça”, Teresa Revista de Literatura Brasileira 8/9, agosto 2009. Neste trabalho, analiso e comento dados inéditos sobre a célebre carta de abolicionista ao futuro criador da Academia Brasileira de Letras, oportunidade em que desmistificamos alguns equívocos acerca da biografia do autor de Primeiras Trovas Burlescas.

A relação de outros trabalhos pode ser acessadas através do meu CV Lattes:

http://buscatextual.cnpq.br/buscatextual/visualizacv.jsp?id=K4781343T9

No dia 18 de novembro último, a convite do Centro Paula Souza e Secretaria de Educação do Estado de SP, ministrei la em videoconferência – “Luiz Gama : uma ´consciência´ afro-brasileira”, que dentro de cerca de 2 semanas estará disponível na videoteca da Rede do Saber  www.rededosaber.sp.gov.br
Cordialmente,

Profa. Ligia Fonseca Ferreira
UNIFESP – Universidade Federal de São Paulo”

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A capela dos Aflitos, escondida numa travessa da Rua dos Estudantes, na Liberdade, resiste desde a década de 1770, quando surgiu o cemitério para escravos e banidos. Ela, às vezes, é confundida com a Igreja das Almas, que fica na esquida da Estudantes com Avenida da Liberdade, outro prédio, construído um século depois. Na capela dos Aflitos são rezadas missas todas as segundas-feiras, às 15h, e uma parte de seus fiéis cultua o santo popular Chaguinhas, o cabo Francisco José das Chagas, condenado à forca pelo Império por ter participado de uma greve em Santos em 1821, tema de post do dia 12.

Em 1935, o historiador Nuto Sant’Anna publicou texto no O Estado de S.Paulo no qual tratava dessa história obscura da cidade. Nuto Sant’Anna diz que um historiador havia encontrado documentação que esclarecia parte do episódio, que muito tinha de lenda. Mas a principal novidade da pesquisa era a data dos fatos: o enforcamento, segundo ele, deu-se em 20 de setembro de 1821, e não em 1822, como se pensava. Nuto Sant’Anna relata também detalhes dos custos da operação de enforcamento, com informação até sobre o valor cobrado pelo barbeiro que afiou o cutelo usado para decepar cabeças dos condenados após a execução. Leia aqui o texto de 1935.

A informação de que o atual nome do bairro advém dos gritos de “liberdade, liberdade”, que teriam ocorrido no dia do enforcamento de Chaguinhas, é detalhe que intriga observadores. Há literatura sobre isso. O livro São Paulo de Outrora, de Paulo Cursino de Moura, famoso memorialista paulistano, faz referência à reação popular. Mas há também estudiosos que narram essa versão como lenda. E creditam o nome do bairro a um aspecto mais amplo da forte luta política que se travava no país à época, inspirada nos ideais da Revolução Francesa. O clima de conspirações, intrigas e condenações à morte era bem real, como nos mostra, por exemplo, Um Estadista do Império, bíblia da história daquele período, escrita por Joaquim Nabuco como biografia do pai, Nabuco de Araújo. O Estadista é um documento do Brasil de então. À pág. 1024 (segundo volume, Topbooks), Nabuco refere-se a punições com enforcamentos de julgados por crime ocorrido em 1867.

O que não deixa dúvidas é que “liberdade” era a palavra da moda nos círculos de contestação daqueles dias e carregava forte teor ideológico. Observadores daquele tempo, como o jornalista Levino Ponciano, autor do livro Sao Paulo, 450 anos, 450 Bairros (Editora Senac), sustentam que “Liberdade” também foi nome dado a um chafariz no Largo de São Francisco, ali perto do Campo da Forca, como era conhecida a área da atual Praça da Liberdade. O que está também documentado é que esse mesmo nome foi depois adotado pela Câmara do município para uma rua e, pelo tempo, consagrado nome do bairro. Como é a curiosidade do historiador que dá vida ao passado, essa quadra da história da cidade ainda aguarda paciente pelo elixir revelador da pesquisa criteriosa. Com a palavra, a academia.

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O arquiteto Benedito Lima de Toledo é um especialista na formação da cidade de São Paulo. Professor de história da arquitetura, mantém atividades acadêmica e literária profundamente ligadas aos assuntos da metrópole. Ele não vê São Paulo como uma cidade. Para Benedito Lima de Toledo, ela já faz parte de uma mancha urbana que se espalha interior a dentro. Aos 74 anos, ele revela em seus livros um  especial carinho pela preservação da memória paulistana. Aqui, no Blog da Garoa, conserva afiadas as críticas que há anos faz à gestão pública da maior cidade do país. Veja um pouco do pensamento de uma das principais referências em urbanismo no país sobre São Paulo.

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Olá. Este Blog da Garoa nasce para contar histórias de São Paulo. Uma das mais apaixonantes histórias dessa cidade é a de seu crescimento. É fascinante ver como ela evoluiu, em menos de dois séculos, da condição de bucólica cidadela, retratada na aquarela Várzea do Carmo, de 1821, do francês  Arnaud Pallière, e reproduzida no livro São Paulo, Três cidades em um século, do historiador Benedito Lima de Toledo, para a metrópole dos dias de hoje.

 

Várzea do Carmo, por Arnaud Pallière

 

Em 1895, segundo dados oficiais, registrava 130 mil habitantes. Fica aqui, então, o convite para que nos acompanhe nessa viagem pelas histórias da grande cidade, com seus quase 11 milhões de pessoas, espalhada no planalto que é banhado, ao final da tarde, pela chuva fina apelidada de garoa.

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