Blog da Garoa

Após sete anos de gestação, sai da oficina, em São Paulo, livro que mostra o jeito paulista de ser. Não do paulista da Capital, somente. Autores mostram o ambiente geográfico que formou o paulista para além da metrópole. História do Estado de São Paulo: A Formação da Unidade Paulista será apresentado neste sábado, 23, na Estação Pinacoteca. Editado pela Unesp, Arquivo Público do Estado e Imprensa Oficial, livro tem três volumes e aborda quatro temas principais: economia, sociedade, política e cultura.

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10.março.2010 17:50:02

Garoa também no papel

Este Blog da Garoa foi criado em outubro para contar histórias de São Paulo. Queria visitar o passado, ver como aconteceu a aventura humana nessa gigantesca aglomeração de gentes, interesses e conflitos de uma cidade que em um século e meio passou de vila colonial a megalópole. Acreditando que na trajetória dos paulistanos há muito para observar e refletir - e curtir -, o Garoa procura na memória e nos personagens da cidade as marcas de um modo de vida.

Pois agora, depois de quase cinco meses de existência na web, essa garoa virtual ganha força e alcança o jornal de papel. A partir do dia 14, quando estreia o novo projeto gráfico de O Estado de S. Paulo, todo remodelado, com novas seções, os amigos do blog poderão acompanhar as histórias da cidade também impressas, uma vez por semana, aos domingos, em páginas dos novos cadernos Metrópole e Cidades.

Faz o Garoa parte de um movimento de inovação importante na web brasileira – e, por si, muito particular. O que normalmente tem ocorrido nas casas de produção de informações, nesse inexorável processo de integração das mídias de papel com a web, é a migração do conteúdo impresso para a internet. Com o Garoa ocorre o inverso: ele nasceu na web e vai para o papel. Faz todo sentido.

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16.dezembro.2009 13:40:23

O antigo e o moderno

Reportagem de Rejane Lima, de Santos, publicada hoje no Estado, sobre linha de bonde ampliada no centro histórico da cidade, é bem legal. Excelente iniciativa de Santos. Lembrei de viagem recente à bela e moderna San Francisco, na Califórnia, onde, óbvio, fui passear no bondinho pelas charmosas ladeiras. Pois São Paulo, sabemos, foi servida por muitos bondes, que infelizmente não existem mais. Bondes elétricos ajudariam no transporte público de determinadas áreas e devolveriam aconchego à cidade, hoje dominada pelos ônibus. E nem precisa ser como era em 1895.

Bonde movido a burros na Rua 15 de Novembro, em 1895

Bonde movido a burros na Rua 15 de Novembro/Reprodução

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Com a contribuição do leitor Roberto Izidorio Pereira, que comenta o post “Sons de São Paulo“, reproduzo aqui imagens de São Paulo em 1943. É um documentário de propaganda, mas que contém imagens maravilhosas da cidade, produzido pelo The Office of The Coordinator of Inter-American Affairs. Mostra, por exemplo, imagens do Pacaembu, o trânsito na Avenida Paulista, os bondes, o crescimento industrial e os belos jardins do Anhangabaú, ao lado do Theatro Municipal e do Viaduto do Chá. Para curtir São Paulo, em inglês e ao som de O Guarani, de Carlos Gomes, e outros clássicos, clique na imagem abaixo e veja o filme publicado no YouTube:

Área de estacionamento do Estádio do Pacaembu/Reprodução

Área diante do Estádio do Pacaembu/Reprodução

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25.novembro.2009 15:15:15

Sons de São Paulo

Modinhas de Zica Bergami para lembrar de uma São Paulo que não existe mais, mas permanece viva na memória de muita gente que gosta de morar na metrópole. Essa “Salada de danças” é uma maravilha!

E mais:

“Serenata”

Para finalizar:

Zica roqueira, cantada por Zezé Freitas, em “Pimenta no rock”:

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22.novembro.2009 15:41:49

Homenagem

Reproduzo abaixo, como post, em homenagem ao brilhante trabalho da autora, íntegra do comentário enviado ao Garoa pela professora Ligia Fonseca Ferreira, da Unifesp, a propósito do texto sobre Luís Gama, do dia 19.

“22/11/200912:33

Enviado por: Profa. Ligia F. Ferreira

Prezado Pablo e leitores,
É sempre uma imensa satisfação saber de todos quantos evocam a figura ímpar do multifacetado Luiz Gama, ao qual tenho dedicado a maior parte de minha produção acadêmica, iniciado com a pesquisa para meu doutorado na Universidade de Paris 3 – Sorbonne : “Luiz Gama : étude sur la vie et l´oeuvre d´un Noir-citoyen, militant de la lutte anti-esclavagiste au Brésil” (4 vols).
Organizei a reedição crítica das Primeiras Trovas Burlescas de Luiz Gama e Outros poemas, pela editora Martins Fontes (2000). Trata-se do primeiro trabalho que resgata a obra única de Luiz Gama, baseada nas duas edições por ele mesmo preparadas (Sãoa1a edição 1859 ; 2ª edição, corrigida e aumentada 1861), desde há muito de raríssimo acesso. Consegui realizar minha pesquisa “arqueológica” e de “restauro” na Biblioteca Mário de Andrade e na de colecionadores particulares, já que edições póstumas, a partir de 1904, em geral feitas por “amigos ou admiradores” do autor (e não editores), têm caráter apócrifo, apresentam distorções e mutilam muitos poemas, retirando às vezes estrofes inteiras, comprometendo assim a leitura e interpretação do texto.
. Tomo a liberdade de recomendar aos interessados a leitura deste livro, no qual encontram-se um vasto ensaio introdutório, + fortuna crítica, cronologia e iconografia do poeta, jornalista, advogado e militante das campanhas abolicionista e republicanas.

Minha tese, com volumes de anexos (textos, documentos, iconografia) em português, encontra-se disponível da Biblioteca da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP.
Tenho vários artigos publicados, dentre os quais ressalto :
1. “Luiz Gama: um abolicionista leitor de Renan”, Revista Estudos Avançados (USP) n. 60, disponível on line:
 http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S010…

2. “Luiz Gama por ele mesmo : a carta a Lúcio de Mendonça”, Teresa Revista de Literatura Brasileira 8/9, agosto 2009. Neste trabalho, analiso e comento dados inéditos sobre a célebre carta de abolicionista ao futuro criador da Academia Brasileira de Letras, oportunidade em que desmistificamos alguns equívocos acerca da biografia do autor de Primeiras Trovas Burlescas.

A relação de outros trabalhos pode ser acessadas através do meu CV Lattes:

http://buscatextual.cnpq.br/buscatextual/visualizacv.jsp?id=K4781343T9

No dia 18 de novembro último, a convite do Centro Paula Souza e Secretaria de Educação do Estado de SP, ministrei la em videoconferência – “Luiz Gama : uma ´consciência´ afro-brasileira”, que dentro de cerca de 2 semanas estará disponível na videoteca da Rede do Saber  www.rededosaber.sp.gov.br
Cordialmente,

Profa. Ligia Fonseca Ferreira
UNIFESP – Universidade Federal de São Paulo”

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A capela dos Aflitos, escondida numa travessa da Rua dos Estudantes, na Liberdade, resiste desde a década de 1770, quando surgiu o cemitério para escravos e banidos. Ela, às vezes, é confundida com a Igreja das Almas, que fica na esquida da Estudantes com Avenida da Liberdade, outro prédio, construído um século depois. Na capela dos Aflitos são rezadas missas todas as segundas-feiras, às 15h, e uma parte de seus fiéis cultua o santo popular Chaguinhas, o cabo Francisco José das Chagas, condenado à forca pelo Império por ter participado de uma greve em Santos em 1821, tema de post do dia 12.

Em 1935, o historiador Nuto Sant’Anna publicou texto no O Estado de S.Paulo no qual tratava dessa história obscura da cidade. Nuto Sant’Anna diz que um historiador havia encontrado documentação que esclarecia parte do episódio, que muito tinha de lenda. Mas a principal novidade da pesquisa era a data dos fatos: o enforcamento, segundo ele, deu-se em 20 de setembro de 1821, e não em 1822, como se pensava. Nuto Sant’Anna relata também detalhes dos custos da operação de enforcamento, com informação até sobre o valor cobrado pelo barbeiro que afiou o cutelo usado para decepar cabeças dos condenados após a execução. Leia aqui o texto de 1935.

A informação de que o atual nome do bairro advém dos gritos de “liberdade, liberdade”, que teriam ocorrido no dia do enforcamento de Chaguinhas, é detalhe que intriga observadores. Há literatura sobre isso. O livro São Paulo de Outrora, de Paulo Cursino de Moura, famoso memorialista paulistano, faz referência à reação popular. Mas há também estudiosos que narram essa versão como lenda. E creditam o nome do bairro a um aspecto mais amplo da forte luta política que se travava no país à época, inspirada nos ideais da Revolução Francesa. O clima de conspirações, intrigas e condenações à morte era bem real, como nos mostra, por exemplo, Um Estadista do Império, bíblia da história daquele período, escrita por Joaquim Nabuco como biografia do pai, Nabuco de Araújo. O Estadista é um documento do Brasil de então. À pág. 1024 (segundo volume, Topbooks), Nabuco refere-se a punições com enforcamentos de julgados por crime ocorrido em 1867.

O que não deixa dúvidas é que “liberdade” era a palavra da moda nos círculos de contestação daqueles dias e carregava forte teor ideológico. Observadores daquele tempo, como o jornalista Levino Ponciano, autor do livro Sao Paulo, 450 anos, 450 Bairros (Editora Senac), sustentam que “Liberdade” também foi nome dado a um chafariz no Largo de São Francisco, ali perto do Campo da Forca, como era conhecida a área da atual Praça da Liberdade. O que está também documentado é que esse mesmo nome foi depois adotado pela Câmara do município para uma rua e, pelo tempo, consagrado nome do bairro. Como é a curiosidade do historiador que dá vida ao passado, essa quadra da história da cidade ainda aguarda paciente pelo elixir revelador da pesquisa criteriosa. Com a palavra, a academia.

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O arquiteto Benedito Lima de Toledo é um especialista na formação da cidade de São Paulo. Professor de história da arquitetura, mantém atividades acadêmica e literária profundamente ligadas aos assuntos da metrópole. Ele não vê São Paulo como uma cidade. Para Benedito Lima de Toledo, ela já faz parte de uma mancha urbana que se espalha interior a dentro. Aos 74 anos, ele revela em seus livros um  especial carinho pela preservação da memória paulistana. Aqui, no Blog da Garoa, conserva afiadas as críticas que há anos faz à gestão pública da maior cidade do país. Veja um pouco do pensamento de uma das principais referências em urbanismo no país sobre São Paulo.

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Olá. Este Blog da Garoa nasce para contar histórias de São Paulo. Uma das mais apaixonantes histórias dessa cidade é a de seu crescimento. É fascinante ver como ela evoluiu, em menos de dois séculos, da condição de bucólica cidadela, retratada na aquarela Várzea do Carmo, de 1821, do francês  Arnaud Pallière, e reproduzida no livro São Paulo, Três cidades em um século, do historiador Benedito Lima de Toledo, para a metrópole dos dias de hoje.

 

Várzea do Carmo, por Arnaud Pallière

 

Em 1895, segundo dados oficiais, registrava 130 mil habitantes. Fica aqui, então, o convite para que nos acompanhe nessa viagem pelas histórias da grande cidade, com seus quase 11 milhões de pessoas, espalhada no planalto que é banhado, ao final da tarde, pela chuva fina apelidada de garoa.

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