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Blog da Garoa

A crise humanitária do Haiti, que se estende até a fronteira do Brasil, no Acre, há meses, por conta da migração de milhares de haitianos atingidos em 2010 por um terremoto, volta a atrair atenção – como mostra Itaan Arruda, jornalista do Estado na região. Hoje a ONG Conectas, que tem acompanhado o tema e até já denunciou a crise na ONU, divulgou carta com críticas às ações brasileiras no caso.

Há quase um ano, em abril do ano passado, o Estado mostrou a dureza daquele ambiente em Brasileia. Na época, autoridades federais brasileiras se moveram de Brasília para tentar minimizar a crise que, àquela altura, despejara 1.200 viajantes num insalubre depósito de gente na periferia da cidade.

Agora, a situação lá, segundo entrevista do secretário de Direitos Humanos do Acre, Nilson Mourão, em entrevista a Roberto Godoy e Iuri Pitta, da Rádio Estadão, é pior do que aquela fotografada e gravada pelo jornalista Filipe Araújo, e que pode ser vista em vídeo aqui. Mourão argumenta que o fluxo de passagem dos haitianos rumo ao mercado de trabalho no sul-sudeste diminuiu, o que aumenta a tensão local. Pelo andar da coisa, é caso que está longe de uma solução.

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Vídeo sobre o drama dos imigrantes haitianos no Acre, publicado aqui no Blog em abril, com imagens impressionantes gravadas pelo colega Filipe Araújo, recebeu neste dia 17 o prêmio de Segundo Lugar entre os vídeos de reportagem publicados no site do Estadão no ano.

O grande e merecido vencedor, Prêmio de Melhor Vídeo do Grupo Estado, foi o excelente trabalho do jornalista Bruno Ribeiro, repórter do Caderno Metrópole, que cobriu as manifestações de rua em junho e revelou o momento exato no qual a tropa da PM traía o próprio comandante – que tentava costurar acordo com manifestantes na esquina da Rua Maria Antônia com Avenida da Consolação, no centro de São Paulo. O coronel preparava o cenário pacífico enquanto a tropa começava a batalha da repressão.

Para rever o vídeo dos haitianos clique aqui.

Para rever o vídeo vencedor clique aqui.

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Depois de um mutirão para desempacar a burocracia de documentos e aliviar a pressão de imigrantes haitianos em Brasileia, no Acre, na metade do mês de abril, a situação dos imigrantes que buscam ajuda humanitária no Brasil melhorou. Mas ainda é preocupante. Somente na manhã de hoje, 13 de maio, chegaram ao abrigo 25 imigrantes. Eles usam a rota de Brasileia para tentar a vida no Brasil.

Nos meses de março e abril, o abrigo recebeu um aumento nas chegadas, que levou o local a ter 1,3 mil pessoas num espaço preparado para duas centenas. Isso criou cenas tristes de pessoas disputando marmita no braço. O governo do Acre decretou emergência para ser ouvido por Brasília. Servidores públicos (federais, estaduais e municipais) fizeram um esforço conjunto por uma semana no local da concentração. Houve liberação de verbas federais e, naqueles dias, foi acelerada a liberação da papelada de cerca de 500 pessoas, aliviando o caótico acampamento que funciona em galpão sem paredes e que não oferecia as mínimas condições de acomodação e higiene.

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Hoje com banheiros e um improvisado refeitório para evitar as batalhas por comida, cenas retratadas por Filipe Araújo (acima) em abril, o abrigo ainda tem cerca de 750 imigrantes à espera de oportunidades de trabalho.

Na semana passada, ao receber uma homenagem da Câmara de Vereadores de Brasileia, pelo trabalho de auxílio aos haitianos, Damião Borges de Melo, funcionário da Secretaria de Direitos Humanos, dizia que pelo menos 7 mil haitianos já entraram no Brasil pela cidade.

Ele trabalha com o grupo de imigrantes desde 2010, quando os haitianos começaram a chegar ao Acre fugindo da desgraça do terremoto de janeiro daquele ano em seu país. Damião afirmou ontem que as melhorias nas instalações do abrigo acabaram atraindo mais gente. “Todo dia chegam, 50, 70 deles”, declarou.

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Emigrar não é fácil. Deixar sua terra, mudar de cidade, de país, enfrentar a diferença cultura, outra língua, outro modo de vida – ou tudo isso junto -, é um desafio e tanto. Milhares, ou milhões, de brasileiros têm feito isso nos últimos anos, primeiro pressionados pela crise econômica dos anos 80, 90, 2000. Lembram dos dekasseguis do Paraná, de São Paulo? Ou dos mineiros de Governador Valadares? E de tantos outros grupos de migrantes de outros estados, que deixaram o Brasil para colher uvas na Europa, para construir estradas na África, em busca de melhoria de vida?

Hoje o quadro brasileiro mudou. As pessoas já não precisam procurar trabalho no estrangeiro porque aqui as taxas de desemprego estão à beira do pleno emprego, na casa dos 4 ou 5%. Mas o povo continua viajando, talvez não mais em busca de dólares ou euros, mas sim de vivência, de novos idiomas, de novas culturas, de aperfeiçoamento profissional. E o país vê acontecer o fenômeno de virar objeto de desejo em diversos países, invertendo até uma tendência de muitos anos com Europa e Estados Unidos. Na esteira dessa nova realidade, o Brasil virou tábua de salvação para a gravíssima realidade dos haitianos, que fogem da miséria após a devastação de seu país pelo terremoto de janeiro de 2010.

Emigrar à força não é só difícil, chega a ser desesperador. Como se viu dias atrás em Brasileia, no Acre, local de uma crise humanitária que exigiu uma força-tarefa de solidariedade do governo federal para alívio das tensões provocadas pela avalanche de cerca de 40, 50 imigrantes chegando à fronteira todos os dias e provocando a superlotação do abrigo de refugiados. Nos últimos meses, levas e levas desses cidadãos caribenhos sem perspectivas saíram do meio dos escombros mirando o Brasil como esperança de vida nova e sustento para suas famílias.

Na sexta-feira, quase mil deles ainda permaneciam no Acre esperando ajuda. Entre 300 e 400, segundo cálculos do governo do Acre, já conseguiram sair do abrigo para completar o último trecho da travessia, que tem como destino os mercados de trabalho do centro e sul do país.

Quem vai hoje a Indianópolis, no Paraná, por exemplo, os encontra pelas ruas da pequena cidade. Mas há naqueles rostos estrangeiros uma relativa paz, um fio de esperança, um sorriso querendo aparecer pelo simples fato de terem arranjado trabalho. Neste momento, é tudo que querem: trabalhar. O que vai acontecer com eles daqui para frente só quem é imigrante, tipo que brasileiro conhece muito bem, pode ter uma ideia aproximada.

 

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Leia a reportagem no estadao.com.br e no O Estado de S.Paulo

 

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