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Blog da Garoa

Há exatos 4 anos uma entrevista do urbanista Benedito Lima de Toledo para o Blog da Garoa, que acabava de nascer, analisava São Paulo. O tempo passou. Mas os argumentos do professor de urbanismo da USP, uma autoridade na história da cidade, que para ele é uma “megalópole” e se reescreve como num palimpsesto, permanecem atuais e reveladores.

A entrevista com uma referência da formação paulistana marcava o início do Blog. E a ferramenta da web, à época uma inovação em conteúdo no site, claro, como a cidade do pensador, também se transformou. Além dos assuntos refrescados pela saudosa garoa que outrora banhou piques, becos, várzeas e, mais tarde, bondes puxados por burros e cracolândias, recebe também temas que preocupam a convivência urbana bem além das fronteiras do Jaraguá.

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11.setembro.2012 12:13:01

A musa paulistana voltou

Depois de 54 dias sem chuva, São Paulo amanheceu com garoa na manhã desta terça-feira, 11, informa a jornalista Gheisa Lessa, do estadão.com.br. Que beleza!

“A fina garoa, que deixou o índice de umidade do ar em 80%, não pode ser classificada como chuva de acordo com o Inmet (Instituto Nacional de Meteorologia), mas trouxe alívio às ruas”, diz a notícia. Para completar:  ”Na última segunda-feira, 10, a capital chegou a ficar 5 horas em estado de atenção por causa da baixa umidade do ar, com mínima de 18%.”

Felizmente ela, a garoa – a salvação da cidade desde sempre -, voltou. Se no Século 16 o massacre dos nativos por aqui era feito na chuva e na lama, como nos lembra a arte de Debret, e nos Oitocentos Castro Alves reclamava do frio nas caçadas na Várzea do Carmo, hoje na metrópole mata-se um leão a cada dia em clima de deserto, numa secura de rachar!

Nos últimos dias, os gramados estavam amarelados e as árvores perdendo as folhas –  num outono fora de hora. Mas, afinal, a cidade vê ressurgir o amor de Tália. Quando está difícil até de respirar, ela manda cobrir a cidade com seu frescor. O verde pinta os canteiros e os sabiás se alvoroçam anunciando que vem aí a primavera.

Salve a garoa de Tália!

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16.março.2011 16:36:45

Manhã fresquinha, com garoa

Quem passou nesta quarta-feira pela Casa de Dona Yayá, na Major Diogo, 353, no Centro, lembrou de outros tempos não só pela resistência da residência preservada pela USP. É que aí pelas 7h caía uma garoa gostosa, que obrigava o uso de sombrinha e guarda-chuva. Manhã fresquinha, na faixa dos 15 graus. Como em outros tempos.

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A garoa voltou a São Paulo. A cidade passou dias numa secura só, assustando moradores, levando gente aos hospitais para hidratação e concentrando poluição no ar. Os moradores da Zona Sul, habituados à chuvinha fina do início da noite, ficaram sem a umidade, uma marca da metrópole. Mas, felizmente, ela voltou. Para refrescar o ambiente. E com ela,  o vento, que empurrou o ar carregado de poluição. Bom presente para um feriado. Quem voltar da viagem de lazer à praia ou Interior vai encontrar na quarta-feira mais leveza no ar. Eita garoa abençoada!

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O Blog da Garoa começa hoje a ser mostrado no mais novo meio de comunicação da rede mundial de computadores, o renovado site do Jornal da Tarde.  Nascido no estadão.com.br em outubro do ano passado, o Garoa existe também com uma versão em papel na coluna Histórias da garoa, publicada no O Estado de S.Paulo aos domingos. Agora terá o privilégio de participar também do projeto web do JT, um jornal dedicado a São Paulo.

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 O estádio Palestra Itália, do Palmeiras, como o Pacaembu, da Prefeitura, é mais do que um local de jogos do clube. Já é um patrimônio da cidade, com mais de cem anos na história paulistana. Surgiu em 1902 como um campo de futebol, evoluiu para um estádio nas mãos do então Palestra, mudou com o mundo – e o clube – no pós-guerra, foi reformado nos anos 50 e chegou aos dias de hoje com uma das boas opções de lazer da comunidade.

Noves fora os exageros de rivalidade com outros clubes, o local acompanhou as alterações urbanas, viveu a trajetória de crescimento de São Paulo e carrega muita história, além da óbvia relevância futebolística.

No sábado, fui ao jogo do Palmeiras contra o Grêmio, vencido pelo time da casa por 4 x 2. Se a diretoria verde não mudar de ideia, deve ter sido o último jogo no local antes da reforma que pode dar ao torcedor uma estrutura moderna para assistir ao espetáculo do futebol. Tomara que fique bem bonito e funcional.

Mas, além de apreciar a goleada do início da noite, que alegrou os palmeirenses, quem foi ao estádio foi premiado com o mais famoso visual da natureza paulistana: a garoa, nossa musa aqui do blog. Do meio da arquibancada, no setor azul do Palestra,  via-se o torcedor comum empolgado com o time. E guardando na memória talvez a imagem da última jornada sob a chuva fina.

 E a garoa não decepcionou. Refrescou a arquibancada, caindo em camadas sobre os cerca de 18 mil torcedores.

 Deve ter sido assim também em maio de 1902, no primeiro jogo oficial do campo, quando o Mackenzie venceu o Germânia (atual Pinheiros) por 2 a 1, como lembrou o Jornal da Tarde em sua edição de sábado.

 Último jogo no Palestra 1

Torcida na arquibancada do Palestra e a garoa presente/Foto: Pablo Pereira

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Quinta-feira, 13, 6h15, temperatura em 11 ºC. Sexta-feira, 14, 6h15, 14 ºC, com garoa. Esse maio geladinho lembra o clima dos dias nos quais a metrópole não passava dos limites do Tietê, era cercada por chácaras e chapéu era acessório obrigatório. Eram os tempos do forte crescimento, desde a chegada de levas e levas de imigrantes europeus e asiáticos em busca da vida nova. E, por muitos anos, esse povo, satisfeito, encontrou na cidade ambiente semelhante ao das terras de onde vinha – com termômetros chegando a até 0 ºC.

“Nas madrugadas límpidas e calmas, debaixo de temperaturas próximas ou iguais a 0 ºC após as invasões de massas frias, pode produzir-se a geada”, conta em seus escritos o geógrafo Aroldo de Azevedo, que nos anos 1950 se debruçou a estudar as variações da temperatura paulistana.

Já naquela época os especialistas em clima se preocupavam com as alterações ambientais provocadas pela ocupação do solo. “No conjunto, pode-se observar que a área mais densamente construída é 1ºC a 1,5 ºC mais quente do que os espaços suburbanos ou rurais”, explica Azevedo, que dirigiu um grupo de geógrafos em 1958.

A turma de Azevedo tinha noção do perigo do crescimento sem planejamento. E foi aos relatos de Auguste de Saint-Hilaire, John Mawe, Lucas R. Junot, José Setzer, Salomão Serebrenick, Ernani Silva Bruno, historiadores, técnicos e observadores empíricos da região, em busca de dados sobre o tempo e outras nuances climáticas. Encontrou ricos depoimentos sobre frio, geadas e garoa. Hoje essas informações não valem mais. O chapéu quase sumiu e a área urbana da metrópole já é ameaça às serras, no Norte e no Sul.

 

(texto publicado em O Estado de S.Paulo)

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O trabalho de geógrafos da década de 50 sobre o clima paulistano está no livro A Cidade de São Paulo, Estudos da Geografia Urbana (1958). A obra detalha a evolução térmica na cidade. Sobre a chuva fina, diz: “a crônica paulistana do passado registrou (…) o fenômeno, responsabilizando-o pelos invernos extremamente úmidos ou associando-o à primavera, aos dias de ventos frios, que a capital paulista chegou a receber o epíteto de cidade da garoa”. Explica que “a garoa é fenômeno da borda litorânea dos planaltos (…), freqüente no passado, embora venha a desaparecer (…).” Ainda bem que isso ainda não aconteceu.

(texto publicado em O Estado de S.Paulo)

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Há muitos anos que o modo de vida da garoa alcança outros ambientes brasileiros, influindo na economia, cultura, política. Centro de decisões relevantes, a cidade de São Paulo atrai “estrangeiros” e exporta modelos.

 Concorde-se ou não com o que dela emerge, não se pode negar que esse conjunto de interesses forjados na cidade alcança outras áreas nacionais e altera rumos. Veja-se, por exemplo, a produção de bens, da ciência e dos arranjos políticos para o comando do país – para o bem e para o mal.

Isso tem tempo. Lá atrás, na História, nos anos 1860, quando ainda não era mais do que uma cidadela, a aura paulistana das mudanças já se prenunciava na criação de ambiente acadêmico, mais tarde ampliado com universidades de ponta.

Havia no Rio, sede da corte, célebres sessões do Senado que tratavam do clima de São Paulo. Documentos da época mostram que debates sobre os costumes de São Paulo extrapolavam o recinto parlamentar do Império e repercutiam na imprensa e na literatura. Cronistas da época, como Machado de Assis, que sobre os políticos mantinha ácida vigilância, descreveram muito bem esse ambiente.

Uma das vítimas preferidas das “maldades” da pena machadiana nos jornais era o senador gaúcho José Martins da Cruz Jobim, médico do Imperador, diretor da Faculdade de Medicina carioca, que dizia no Senado que não gostava do que via em São Paulo. Brito Broca, em livro sobre Machado, lembra a perseguição ao ambiente paulistano pelo senador, que se referia às festas e pilhérias de alunos da Faculdade de Direito do Largo de São Francisco. “Que educação recebem esses mil brasileiros que vão estudar em São Paulo?”, atacava o senador. “Que educação recebem (…)? Uma vida ignóbil, uma vida de lástimas, (…) entregues ao jogo, à crápula, à comezaina, à casa de alcoice.” Noves fora a rabugice do senador, essa retórica já antecipava tempos de construção de novo modo de vida em São Paulo.

Correção: a última edição da coluna (2/05) informa data de morte de Castro Alves (1847-1971). Correto é 1871.

 

(texto publicado em O Estado de S.Paulo)

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Um dos principais cronistas da velha São Paulo da garoa recebe homenagem aos cem anos de sua morte. É Angelo Agostini (1843-1910), caricaturista de jornais como Diabo Coxo (1865) e O Cabrião (1866), além de outras publicações. Na quarta-feira, o Centro de Integração Empresa Escola (CIEE) promove encontro sobre a obra do artista, que deixou rica produção sobre o modo de vida de sua época.

(texto publicado em O Estado de S.Paulo)

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